Países da África Oriental

História alternativa sobre a América do Sul, América central e América do Norte

2020.10.25 18:37 LudovicusPlebe História alternativa sobre a América do Sul, América central e América do Norte

Pontos de Divergência: O Tratado de Alcáçovas-Toledo é cumprido por Isabel I de Castela, Fernando II de Aragão e Afonso V de Portugal, nem a Reforma Protestante acontece, nem o iluminismo, nem a revolução francesa e a Polônia sofre uma partição parcial.
Em 1480, o Tratado de Alcáçovas-Toledo é cumprido pelos monarcas ibéricos e Portugal com o tempo coloniza toda a América do Sul, o Caribe, América Central e a parte sul da América do Norte. devido ao tamanho colossal da colônia, Portugal traz muitos mais escravos do que na linha de tempo real, e nesse meio tempo, lutero é chamado para a Corte Imperial de Carlos V, e lá ele expõe suas heresias, Carlos V percebe o risco espiritual que a Europa correria se lutero proliferasse suas heresias, por isso mandou prenderem lutero e queimar todas as suas teses e demais obras.
Não havendo reforma protestante, o iluminismo não surge, e com isso a revolução francesa não acontece, e em 1740, uma titânica revolta abolicionista e independentista se alastra sobre toda a colônia portuguesa nas Américas, então os governadores de capitanias, vice-reis e o governador-geral são destituídos do poder, e os recursos e terras dos antigos senhores de escravos foram distribuídos entre os ex-escravos, neste momento é fundado o Império de Plusípeiros (Junção do grego de ploúsios "rico" e Ípeiros "continente"), um império negro e católico, com um senado no molde romano, sob o reinado de Moisés I da Casa de Assensélia, que foi Coroado na atual Catedral Basílica Primacial Metropolitana da Transfiguração do Senhor, em Salvador, Bahia. Uns dos primeiros atos de Moisés foi conceder grandes terras e títulos de nobreza pros comandantes, generais, ex-escravos mais velhos e brancos que ajudaram na abolição e na independencia, e permitir o culto privado de religiões originárias da África.
Visto que o Império já ocupava quase metade de todo o continente americano, elesbão I, filho de Moisés I, viu a necessidade de expandir o império em outras partes do mundo, com isso ele comprou a ilha da córsega em 1762, alguns domínios eslavos, e começou a se expandir pelo oriente médio, recriando o Reino da Babilônia, e concedeu o antigo Reino de Jerusalém para Francisco I do Sacro Império Romano, Outro ponto interessante de seu reinado foi a política internacional de casamentos, onde foi feito um acordo com vários monarcas africanos, onde esses se comprometiam a estabelecerem relações sanguíneas-dinásticas entre si, em troca da proteção contra as Monarquias européias. O objetivo de elesbão era deixar a nobreza africana tão nobre e poderosa quanto a nobreza da Europa.
Em 1793, elesbão II, conquista o Império Cajar e cria o Reino da Pérsia. Em 1800, elesbão começa a conquistar o sul da Índia, e em 1805 as relações diplomáticas e comerciais entre o Império e a Europa começam a frutificar.
Em 1809, toda a índia é conquistada, e elesbão II funda o Reino da Índia Maior e Menor. Com o passar das décadas o império se manteve próspero e estável, sem conflitos significativos. Porém em 1867, o império russo ortodoxo começa a oprimir e subjugar os países católicos eslavos Polônia e Lituânia, o Sacro Império logo se pôs contra a Rússia, sendo seguido por França, Espanha, Portugal, Grã-Bretanha e demais países católicos da Europa. Plúsipeiros também entra na guerra, e passa a combater e adentrar a Rússia de frente. Da grã-pérmia vai descendo em direção ao Cáucaso, até penetrar toda a rutênia, fazendo o império russo recuar as tropas e cessar a guerra, Moisés II, passa a ser visto como salvador da cristandade católica, fazendo com que as relações diplomáticas e comerciais entre Plusípeiros e a Europa cheguem ao ápice, com Moisés fazendo diversas visitas no Sacro Império Romano, na França e etc.
Depois de ter se expandido de forma monumental, o império descansa por décadas, pacífico e centrado nos seus problemas internos. Até que em 1921, o reino de Hejaz começa a financiar revoltas islâmicas no reino da Babilônia, com armas e outros recursos, e também começou a atacar o domínio Plusipeirosiano mesmo com os diversos alertas do Imperador, então em 1922, Sofonias I invade o Hejaz até conquistar Meca e Medina, dessa forma destruindo a espinha dorsal do reino muçulmano, e Após a conquista, Sofonias cobrou impostos altos sobre os peregrinadores de Meca, e exigiu enormes fortunas do Império Otomano, em troca de não destruir meca e nem a caaba, o que gerou bastante lucro.
Em 2000, elesbão IV, combina com o Duque Casemiro V da Polônia, casar seu bisneto, o Herdeiro Aimacrático Baltazar de Assensélia com Edviges Wiśniowiecki, herdeira dos ducados unidos da Polônia. Em 2001, Baltazar recebe o dote de 15 de bilhões de zlótis e se casa com Edviges, e em 2002, elesbão IV, Casemiro V, Edviges e Baltazar assinam um acordo, onde após a morte de Casemiro, os Ducados ao invés de passarem diretamente para Edviges, passariam para Baltazar. Em 2009 elesbão III morre de velhice, e Baltazar morre assassinado num atentado em Teerã, na Pérsia, com isso, o Herdeiro Benedito assume o trono com 7 anos, tendo a sua mãe como Imperatriz Regente.
Grande título de Benedito I:
Sua Majestade Imperial e Real, Benedito I, Pela Graça de Deus, Imperador e Aímacrata Perpétuo de Plusípeiros, Príncipe do Senado e dos Cidadãos, Rei da Córsega, da Rutênia, da Índia Maior e Menor, da Pérsia, da Babilônia, de Hejaz, da Frígia, do Zanzibar, Grão-Príncipe de Esmolensco, Yaroslavl, Príncipe de Quieve, da Volínia, da Sevéria, de Teodoro, Rostov, Príncipe e Grão-Duque de Riazã, Vladmir e Suzdal, Príncipe e Duque de Belz, Polócia, Tver, Príncipe da Grã-Pérmia, Novogárdia, Pereaslávia, Grão-Duque de Moscou, Duque da Mazóvia, da Grã-Polônia, Cujávia e Inowroclaw, Samogícia, Livônia, Podólia, Trakai, Leczyca, Pomerélia, Sandomierz, Plock, Cã do Cazã, de Astracã, da Crimeia e Calmúquia.
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2020.08.11 20:11 nerak33 A importância dos cativos no capitalismo colonial

No início no capitalismo colonial brasileiro e latino-americano uma forma de obter meios de produção (mão de obra escrava) que, na Europa, pertence inteiramente à Antiguidade - a guerra de captura.
Muitos falam da importância do escravo traficado da África no nascimento do capitalismo. No entanto, no Brasil também ocorrem raides escravagistas, ataques com objetivo de transformar índios em escravos.
Embora na Europa tenham convivido o capitalismo e a servidão (tecnicamente considerada trabalho análogo à escravidão por grupos de defesa dos direitos humanos, quando ainda acontece modernamente), as incursões de captura não tinham mais importância econômica para a Europa há mais de mil anos quando Marx escreveu o Capital. Elas haviam sido, no entanto, um dos motores econômicos da Roma antiga e das outras economias do Mediterrâneo, da Europa e do Oriente Médio.
Nos Estados Unidos a guerra genocida entre os europeus migrantes e os nativos não faz cativos.
Nas colônias dos países católicos a escravização da população nativa é abertamente combatida pela igreja (enquanto o tráfico de escravizados africanos é ignorado). Ainda assim, é vista como tamanha oportunidade de enriquecimento que bandeirantes não hesitam em invadir missões católicas e escravizar os índios cristianizados.
O que significava, econômica e politicamente, obter mão de obra escravizada através da guerra, e não só do comércio, como ocorre na América inglesa?
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2020.07.23 10:52 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte IV - SUGESTÕES DE LEITURAS pt5 PI

INGLÊS
Para todos os idiomas, recebi boas recomendações do site http://uz-translations.net/.
Não tenho bibliografia a sugerir, até mesmo porque não estudei Inglês por nenhum livro ou coisa parecida. Se precisar de sugestão de bibliografia, de Gramáticas etc., veja o Anexo II abaixo.
Já recebi recomendações das seguintes páginas na internet:
· http://dictionary.cambridge.org/
· http://englishtips.org/
· http://esl.about.com/od/advancedenglish/Learning_English_for_the_Advanced_Level_ESL_E FL_Advanced_English.htm
· http://owl.english.purdue.edu/owl/
· http://www.bartleby.com/
· http://www.dictionary.com
· http://www.englishclub.com/gramma
· http://www.natcorp.ox.ac.uk/
· http://www.synonym.com/
· http://www.wordpower.ws/grammagramch26.html
POLÍTICA INTERNACIONAL

>> TEORIAS DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

- Introdução às Relações Internacionais (Jackson e SØrensen): se você não é graduado em Relações Internacionais, ou se não está familiarizado com o assunto, pode ser importante a leitura desse livro, que dá uma noção bem geral de Teoria de Relações Internacionais (TRI). Acredito ser importante saber alguma coisa de teoria não apenas porque é o primeiro item da relação de conteúdos exigidos no Guia de Estudos de Política Internacional e porque, frequentemente, aparecem questões sobre isso na primeira fase (de forma bem básica, é verdade), mas também porque você adquire importantes ferramentas para complementar uma resposta na prova de Política Internacional da terceira fase (nem que seja para “enrolar” um pouco; questões de terceira fase sobre teoria não são comuns). No Manual do Candidato: Política Internacional (tanto no do Demétrio Magnoli quanto no da Cristina Pecequilo), há breve parte inicial que trata dessas teorias de maneira bem superficial. O Jackson/SØrensen é bem mais completo que os manuais, mas os conhecimentos necessários de teoria para o CACD não vão muito além do básico. Além disso, prefira ler o Jackson/SØrensen ou os manuais a ler os próprios autores de TRI. Além de perder muito tempo, o entendimento completo e correto das obras nem sempre é um trabalho fácil, e o livro e os manuais já trazem tudo resumido e bem “mastigado”. Se tiver um pouco mais de tempo, recomento o Jackson/SØrensen. Se não tiver, os manuais devem servir para alguma coisa. Outra possibilidade é
o livro 50 Grandes Estrategistas das Relações Internacionais (Martin Griffiths), também útil. O livro é dividido por corrente teórica (apresenta Realismo, Liberalismo, Teoria Crítica, Escola Inglesa, Pós-Modernismo, Feminismo, entre outros) e faz bons resumos sobre o pensamento de vários autores de TRI. Entre o Griffiths e o Jackson/SØrensen, eu ficaria com o último, mas o primeiro também pode ser útil, e cito-o aqui para o caso de alguém já o ter. Também recebi recomendações do Teorias de Relações Internacionais, de João Pontes Nogueira e Nizar Messari, mas não sei se é bom (est disponível para download no “REL UnB”). De qualquer modo, não se atenha a muitos detalhes. Tudo o que você precisa saber de TRI deve caber em um resumo de uma ou duas páginas. Atente, apenas, aos aspectos/conceitos mais gerais de cada corrente e aos principais autores.

>> DEMAIS TEMAS

- Política Internacional Contemporânea: Mundo em Transformação (org. Altemani e Lessa): é um livro bem pequeno e de caráter (excessivamente) introdutório. Bem tranquila a leitura, dá para ler de uma vez só. Para aqueles que estão começando os estudos, recomendo como leitura inicial. Para os já iniciados ao assunto, o livro é extremamente superficial. Para quem já começou os estudos há algum tempo, acho que apenas o capítulo 4 (sobre integração europeia17) pode ser de alguma utilidade.
- O Mundo Contemporâneo (Magnoli): já citado acima. Fornece algumas bases de História Mundial necessárias à compreensão de diversos aspectos da Política Internacional. Indispensável.
- Manual do Candidato: Política Internacional (Demétrio Magnoli): já citado em História Mundial.
- Manual do Candidato: Política Internacional (Cristina Pecequilo): deixados de lado os muitos erros de Português e as frases sem sentido ou sem fim, gostei bastante da leitura. É bem abrangente, fala de alguns tópicos importantes e não cobertos pelo restante da bibliografia que eu havia lido até então. Se possível, leia este manual antes de começar a ler as demais obras de política internacional, mas já sabendo que ele deixa muitos itens do edital de fora (especialmente os temas da agenda internacional do Brasil e algumas temáticas de relações bilaterais; quanto às demais partes, estão quase todas no livro – de maneira introdutória, é claro). Reitero que se trata de leitura de caráter meramente introdutório. Sugiro usar como base, para buscar aprofundamentos em determinados temas, segundo os tópicos previstos no Guia de Estudos (para isso, além de todas as obras disponíveis e indicadas aqui, os artigos publicados na RBPI, no Mundialistas, no Meridiano 47 e no Mundorama podem ser de grande utilidade). Se você já estiver familiarizado com a parte de TRI, comece a ler do capítulo 2 em diante (o capítulo 1 é só sobre TRI e sobre interpretações do pós-guerra fria).
Considero os próximos quatro livros (História da Política Exterior do Brasil, Inserção Internacional e Relações Internacionais do Brasil: Temas e Agendas vol. 1 e 2) os mais fundamentais para as provas de Política Internacional (e de História do Brasil também). Depois de algumas leituras iniciais (como as indicadas acima), sugiro ler esses quatro “livros sagrados”, tomando notas do que for mais importante. Como já disse anteriormente, não fiz muitos fichamentos por causa de restrições de tempo, mas fiz questão de fichar esses quatro, o que me foi muito útil nas revisões para a primeira e para a terceira fases do concurso.
17 Atenção para as modificações mais recentes, como as adesões de Romênia/Bulgária e o Tratado de Lisboa, não contemplados no capítulo.
- História da Política Exterior do Brasil (Amado Cervo e Clodoaldo Bueno): já citado em História do Brasil. Indispensável tanto em História do Brasil quanto em Política Internacional (para Política Internacional, o principal período a ser estudado é a partir de 1945; para História do Brasil, é o livro todo mesmo).
- Inserção Internacional (Amado Cervo): leia o livro todo. Às vezes, é um pouco repetitivo, mas os argumentos do Cervo são bem claros, e é um livro bem informativo. Leitura importante, rápida e tranquila. Os conteúdos do livro são, quase sempre, cobrados na terceira fase, de alguma maneira. Anote os pontos principais, podem ser úteis argumentos para as provas discursivas de Política Internacional e de História do Brasil.
- Relações Internacionais do Brasil: Temas e Agendas – volume 1 (org. Altemani e Lessa): os dois volumes são importantíssimos para as provas do CACD. Fiz fichamento dos dois e revisei minhas anotações várias vezes, antes das provas. É interessante complementar os dados fornecidos por esses livros com as informações disponíveis no “Resumo Executivo”, a ser tratado posteriormente. Se estiver sem muito tempo, pule os capítulos 2 e 3. Nos outros, há coisas boas e coisas ruins (alguns são mal escritos, com muita “enrolação”), mas acho que vale a pena a leitura de todos, mesmo que bem rápida em algumas partes (focar, é claro, nas relações entre o Brasil e as regiões tratadas nos capítulos e discriminadas no Guia de Estudos), à exceção dos capítulos 10 e 11, que considerei inúteis.
- Relações Internacionais do Brasil: Temas e Agendas – volume 2 (org. Altemani e Lessa): assim como o volume 1, é muito importante e indispensável para o CACD. Minha sugestão é ler todos os capítulos integralmente, à exceção dos discriminados a seguir:
- Cap. 3 - O início do capítulo tem muita “viagem” para nenhuma substância nova. Ler apenas do item 3.3.3 (pág. 114) em diante (antes disso, ele apenas define regimes e enrola em coisas que quem já conhece Teoria das Relações Internacionais já está cansado de ouvir; se você não conhece, leia o capítulo inteiro mesmo).
- Cap. 9 - fraquíssimo, não acrescenta praticamente nada. Procure no Google algo didático sobre a criação do Ministério da Defesa e sobre o Sivam que você ganha muito mais.
- Cap. 11 - texto fraco, a leitura não vale a pena.
- Cap. 12 a 14 – é, pura e simplesmente, Análise das Relações Internacionais do Brasil (é bem superficial também). Se você cursou a matéria ou se já está familiarizado com o assunto, eu recomendaria não ler e dar apenas uma olhada no material da disciplina para a terceira fase. Não é um tema muito recorrente no CACD (embora possa cair de maneira “disfarçada”, e ter conhecimento desses aspectos da matéria pode render-lhe bons argumentos na terceira fase, dependendo da questão). Se você não conhece a temática, talvez valha a pena a leitura, com grande ressalva para o “talvez”. Pode valer mais a pena pegar um resumo bom da matéria e dar uma olhada ligeira e sem muito compromisso. Para resumos dos textos da matéria tal como é dada na UnB, acesse o “REL UnB”. De todo modo, se tiver tempo, a leitura desses capítulos pode não ser em vão.
- Cap. 15 - desinteressante e escapa ao conteúdo do CACD; leitura desnecessária.
Em resumo, minha sugestão para o Temas vol. 2 é: ler apenas os capítulos 1, 2, 3 (do item 3.3.3 em diante), 4 a 8 e 10.
- O Conselho de Segurança após a Guerra do Golfo (Antonio de Aguiar Patriota) – muito boa obra sobre a atuação do Conselho de Segurança. Curto e de fácil leitura (a obra está disponível para download no “REL UnB”).
- Cooperação, Integração e Processo Negociador: a construção do MERCOSUL (Alcides Costa Vaz): li para uma matéria na universidade e achei tão chato que me prometi que nunca o leria novamente. Não recomendo. Se quiser saber mais sobre o MERCOSUL, há muita informação útil no site do bloco, que consultei bastante em meus estudos: http://www.mercosul.gov.b; http://www.mercosur.int/.
A seguir, alguns livros que me indicaram, mas não li.
- A Construção da Europa (Antonio Carlos Lessa)
- A Nova Ordem Global: relações internacionais do século XX (Paulo Fagundes Vizentini): não o li, mas há diversos materiais sobre o livro disponíveis na Internet, caso queira dar uma olhada: http://educaterra.terra.com.bvizentini/
- Estocolmo, Rio, Joanesburgo: o Brasil e as três Conferências Ambientais das Nações Unidas (André A. C. do Lago) – disponível para download no “REL UnB”. Importante sobre o histórico de participação do Brasil nessas conferências, mas não tive tempo de ler. A grande limitação da obra é que os aspectos mais importantes da posição brasileira recente foram definidos após Joanesburgo. De todo modo, pode ser útil como apanhado histórico (importante para a primeira fase).
- Repertório de Política Externa (MRE): está disponível na Biblioteca virtual da FUNAG (http://www.funag.gov.beditoresolveUid/eaa9aea4398a55cd58d939764685cd22). Trata das diretrizes da política externa brasileira em relação a diversos temas. É necessário, obviamente, conferir, no Guia de Estudos, o que é importante para o concurso e o que não é. O livro é uma compilação de discursos referentes a temas de política externa proferidos por líderes brasileiros. Por essa razão, a leitura pode parecer chata e desinteressante para alguns. Não o li exatamente por isso, mas o incluo nessas recomendações para o caso de alguém se interessar por ele. Acho que há fontes mais práticas e que vão direto ao ponto quanto às questões mais importantes nas relações com determinados países e nos posicionamentos acerca de determinados temas (como os livros “Temas e Agendas”, citados acima, o “Balanço de Política Externa” e o “Resumo Executivo”, citados abaixo, e alguns artigos publicados na RBPI, no Mundialistas, no Mundorama e no Meridiano 47).
- The Globalization of World Politics (org. John Baisley): não o li, mas, segundo recomendações, é boa fonte de estudos, com bom desenvolvimento do tópico de teoria das Relações Internacionais.
- União Europeia: História e Geopolítica (Demétrio Magnoli)
- Coleç~o “O Livro na Rua”, da FUNAG – pequenos livros sobre diversos assuntos de política internacional. A coleção está disponível para download no “REL UnB”.

>> ATUALIDADES

Fique por dentro de todas as reuniões de que o Brasil participou recentemente (principalmente, no último ano antes da prova). Tratados assinados e ratificados, envolvimento do país nas organizações internacionais, evolução recente das organizações e dos grupos de países dos quais o Brasil faz parte (atenção especial para as integrações na América do Sul – destaque para o MERCOSUL e para a UNASUL – e para determinados grupos, como IBAS, BRICS, BASIC, G-20 comercial, G-20 financeiro etc.), participação do país na solução de conflitos (em operações de paz, em missões de assistência humanitária etc.), promoção de cooperação técnica etc. Conhecer como andam as relações entre o Brasil e os principais países para a política externa do país é, também, fundamental (conforme o Guia de Estudos, atenção para Argentina, América do Sul, EUA, União Europeia, França, Inglaterra, Alemanha, África, China, Japão, Índia, Rússia, Oriente Médio18) – não precisa decorar tudo, obviamente, mas ter uma ideia de como andam as relações com essas regiões é importante (“o comércio Brasil-China é superavitrio ou deficitrio para o Brasil?”, “qual é o maior parceiro comercial do Brasil na África?”, “quais as principais parcerias realizadas entre Brasil e África?”, esse tipo de coisa). Além disso, atenção à participação do Brasil nos grandes temas da agenda internacional (conforme o Guia de Estudos, atenção a: multilateralismo, desenvolvimento, combate à fome, meio ambiente, direitos humanos, comércio internacional, sistema financeirob internacional, desarmamento e não proliferação, terrorismo, narcotráfico, reforma da ONU, cooperação Sul-Sul). Por fim, é, ainda, necessário saber um pouco do que aconteceu de mais importante no cenário internacional, no último ano (especialmente, o que envolver o Brasil).
18 Esses dados podem ser encontrados no “Resumo Executivo” da política externa brasileira de 2003-2010, que será descrito mais à frente. Além disso, a página do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC - http://www.mdic.gov.bsitio/) também tem muita informação importante.
Eu sei que isso é muito geral e há muita coisa aí, mas é preciso atentar, especialmente, aos principais encontros e reuniões ocorridos e aos assuntos mais importantes para os principais temas da agenda internacional (principalmente os que envolvam o Brasil, ou os que sejam de grande relevância, como os conflitos no Oriente Médio, por exemplo). Enfim, pode parecer muita coisa (e, realmente, é bastante coisa), mas não é tanto quanto se imagina à primeira vista. Não sei se há alguma utilidade prática em ler coisas como o Almanaque Abril, por exemplo, talvez seja mais útil acompanhar alguns artigos da Revista Brasileira de Política Internacional (RBPI) ou de revistas como o Mundorama e o Meridiano 47. O “Resumo Executivo”, descrito abaixo, pode cobrir bem toda a parte de 2003 a 2010, e sua tarefa fica restrita ao que aconteceu de 2010 para cá, o que já é bom começo. Fique atento ao último volume da RBPI publicado antes da terceira fase do concurso que você for fazer, pois há boas chances de que algo relativo a essa temática seja cobrado (isso também vale para a prova de Direito da terceira fase, caso haja algum artigo sobre temas de Direito Internacional). Último conselho quanto a isso é: não é porque o concurso está próximo (ou, mesmo, porque a primeira fase já aconteceu) que você pode se desligar dos acontecimentos mundiais. Na prova da terceira fase de 2010, por exemplo, havia uma questão sobre a CELAC, criada em uma cúpula internacional de fevereiro daquele ano, quando até mesmo a segunda fase do concurso já havia ocorrido. Em 2011, o conflito na Líbia, ainda em curso quando da realização da prova, foi objeto de questão ampla sobre as consequências do confronto.
Para acompanhar as notícias internacionais, há diversas fontes, mas nem todas são muito úteis para o concurso. Se você quiser ler Foreign Policy e The Economist, por exemplo, para treinar o Inglês, acho que pode ser útil. Cuidado, apenas, para não se desligar muito dos estudos, entretidos sobre os resultados das eleições no Gabão (que, com certeza, não serão cobrados no concurso). Não acompanhei as notícias com muita frequência ou com um ritual rotineiro. Eu lia, de vem em quando, algumas notícias aqui e ali, uma entrevista, um vídeo no YouTube19 etc., mas nada muito detido ou aprofundado, eu nem tinha tempo para isso. Os fact sheets do Laboratório de Análise de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (LARI) podem ser ótima fonte de estudos para atualidades internacionais. Para quem é de Brasília, há encontros periódicos de discussão desses temas. Para ter acesso aos fact sheets e para ser informado das reuniões do LARI, você pode cadastrar-se no grupo Yahoo “LARI – UnB” (http://br.groups.yahoo.com/group/lari_unb/). Os fact sheets antigos estão disponíveis no arquivo do grupo.
Na página do MRE, muitos recomendam a seleção diária de notícias, mas parece que a página está com problemas ultimamente. Acho que a melhor fonte de “notícias” e de atualidades sobre a política externa brasileira para quem está estudando para o CACD está também no site do MRE: as Notas à Imprensa (http://www.itamaraty.gov.bsala-de-imprensa/notas-a-imprensa/view) e os discursos, artigos e entrevistas de autoridades governamentais sobre política externa (http://www.itamaraty.gov.bsala-de-imprensa/discursos-artigos-entrevistas-e-outras- comunicacoes/view). Na página das Notas à Imprensa, é possível fazer busca por tema (e.g. BRIC), que retorna as últimas comunicações referentes ao tema buscado, o que é ótima fonte de informação sobre as principais temáticas concernentes à atuação da política externa brasileira recente. Várias notícias e artigos interessantes são enviados para alguns grupos de emails do Yahoo, como “CACD IRBr” (http://br.groups.yahoo.com/group/cacdirb) e “Dilogo Diplomtico” (http://br.groups.yahoo.com/group/dialogodiplomatico/”). Cadastre-se!
Agora, a dica de ouro para estudar a política externa brasileira nos últimos anos. O MRE publicou, recentemente, o “Balanço de Política Externa – 2003-2010”. Eu até diria que valeria a pena selecionar os temas mais importantes e estudá-los, se o arquivo total não tivesse quase 900 páginas. Melhor que isso: h um “Resumo Executivo” (43 pginas), que é um resumo de praticamente tudo o que é preciso saber sobre evolução recente da política externa brasileira. É muita informação útil, e aconselho tirar as principais informações do texto (sempre de olho no Guia de Estudos) e montar tabelas, mapas mentais, resumos, qualquer coisa que ajude a gravar (principalmente para a terceira fase). Leia quantas vezes puder. Especialmente para o item “16. A agenda internacional e o Brasil” do Guia de Estudos, sugiro a leitura do próprio “Balanço de Política Externa” (somada a alguns aprofundamentos em temas específicos; faça uso dos artigos disponibilizados em algumas páginas especializados, como “RBPI”, “Mundialistas”, “Mundorama” e “Meridiano 47”, entre outros), uma vez que o “Resumo Executivo” é um pouco pobre nesses assuntos (atenção especial para as partes “Temas da Agenda”, “Segurança Alimentar”, “Reforma da Governança Global”, “Negociações Comerciais”, “Cooperação Internacional” e “Assistência Humanitria”). O “Resumo Executivo” est disponível para download no “REL UnB” (juntamente com o “Balanço de Política Externa”, tanto na vers~o completa quanto nas versões individuais de suas diversas partes).
19 Alguns canais do YouTube, como o da América Latina-Jazeera, têm boas reportagens sobre política internacional.
Juntando os quatro “livros sagrados” citados acima, o “Balanço de Política Externa”/“Resumo Executivo” e uma atualizaç~o quanto aos acontecimentos recentes, é bem provvel que boa parte das questões de Política Internacional do CACD (na primeira e na terceira fases) seja respondida. Obviamente, sempre haverá algo que vai ficar de fora, e apenas leituras adicionais de notícias e de atualidades e buscas pontuais em diversas fontes poderão ajudar. Sempre que há temas muito importantes para a política externa brasileira, alguém de prestígio costuma escrever um artigo a respeito (inclusive o próprio Ministro das Relações Exteriores). Além disso, os discursos sobre alguns temas específicos proferidos pelo Ministro, pelo Presidente da República ou pelo representante brasileiro em algum fórum multilateral, por exemplo, podem ser facilmente encontrados na internet. No site do MRE, as Notas à Imprensa de visitas oficiais, por exemplo, são, de modo geral, abrangentes e informativas. Mais uma vez, é necessário conferir, no Guia de Estudos, o que pode ser cobrado (tanto para relações bilaterais quanto para participação em organizações internacionais). Não precisa estudar a Nota à Imprensa de eventual visita do Ministro ao Sri Lanka e coisas do tipo. Acho que vale a pena acompanhar os últimos acontecimentos por esses meios. De todo modo, a bibliografia aqui descrita visa, apenas, a dar uma visão ampla acerca dos grandes temas cobrados nas provas. É preciso ter consciência de que, por mais preparado que você esteja, é muito provável que sejam cobradas algumas coisas que você não sabe na íntegra. Sabendo, pelo menos, algo mais geral, é possível tentar inferir as respostas corretas e aprofundar a discussão em diversos aspectos, e isso é, a meu ver, o mais importante no concurso.
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2020.07.10 03:15 CidVerte O Brasil e o mundo

Trabalho com consultoria e já trabalhei em quase 30 países espalhados pelo mundo. Como vou sozinho e trabalho com a equipe local, acabo mergulhando na cultura de uma maneira bem diferente do que um turista faz. Durante as viagens as comparações com o Brasil são inevitáveis. Decidi compartilhar minhas experiências como retribuição de tudo que já aprendi e ri neste sub, também na esperança de ter uma conversa saudável durante esta loucura de 2020.
Separei por tópicos para facilitar a leitura.
Obs: quando digo "Ásia" entenda a Ásia em sua parte desenvolvida (Japão, Coréia do Sul, China, Singapura, etc) e não a Ásia como um todo.
[VIOLÊNCIA] Em nenhum país tive a sensação de violência urbana tão presente quanto no Brasil, muitas cidades têm sua "no go zone" mas no Brasil geralmente as cidades têm bolhas de segurança e no resto é bom ficar atento. Moçambique é extremamente pobre porém tem uma zona urbana mais segura que o Brasil. Países muçulmanos são extremamente seguros mas a extorsão rola solto, quer dizer, tem roubo estilo "flanelinha" mas não tem assalto com violência ostensiva. As cidades da costa oriental da China são extremamente seguras, mais do que Europa e EUA. Só quando você sai do Brasil e consegue relaxar nas ruas é que percebe o quanto a vida urbana no Brasil é estressante, você praticamente está o tempo todo calculando o perigo e avaliando qual a chance do cidadão perto de você ser um bandido.
[NEGÓCIOS] Pior país que já fiz negócios na vida foi a Venezuela, foi tão ruim que tivemos que fechar o contrato com uma empresa sediada no Panamá que possuía os meios de operar dentro da Venezuela (a Venezuela também foi o único caso que tive que fazer o trabalho remotamente porque já em 2015 não dava para ir pra lá). O segundo pior lugar foi a Argentina, você tem que aumentar muito o preço porque pra mover o dinheiro de lá para o Brasil é uma quantidade absurda de impostos, é muito demorado e toda a operação é feita em Pesos, ou seja, cada dia de atraso é a inflação que come. Entretanto quando o preço é muito alto o cliente não consegue pagar logo a margem de lucro é tão baixa que quase não compensa operar na Argentina. O Brasil tem uma fama terrível entre os países de primeiro mundo que acham um absurdo ter que contratar um brasileiro (famoso despachante) para conseguir andar com a documentação (alvarás, licenças, impostos, etc). Normalmente países com bom ambiente de negócios têm regras claras, estáveis e muita informação disponível de modo que um estrangeiro consiga lidar com a papelada. Muçulmanos são folgados e abusados, pedem coisas ridículas para fechar um contrato, por exemplo, um cliente árabe exigiu que ele e a equipe dele tivessem um treinamento de 3 dias em Paris, com as despesas pagas por nós!
[AMBIENTE DE TRABALHO] Melhor ambiente de trabalho que vi até hoje foi na Europa ocidental, o pessoal trabalha de maneira eficiente e sem a loucura de muitas horas de trabalho que vi nos EUA e na Ásia. Na França e na Noruega por exemplo a cultura workaholic não é bem vista e ficar depois do horário pode significar que você não trabalhou de forma eficiente para terminar no prazo. Em países desenvolvidos o material de trabalho é abundante e acessível e você não precisa ficar mendigando para conseguir um mouse, um segundo monitor, um PC decente ou até um simples grampeador. Na Europa a hierarquia é levada a sério (nos EUA depende muito da empresa), o chefe não é seu colega de trabalho. Na Ásia a hierarquia é levada ao extremo, cada um socializa com alguém do mesmo nível, chefe e subalternos não sentam à mesma mesa no restaurante da empresa e eu era o único a dar "bom dia" pro porteiro que sempre me respondia se curvando sem me olhar. Para os asiáticos cada um faz seu trabalho e acabou, não precisa de "bom dia". No Rio de Janeiro TODOS os dias meu trabalho começava com atraso porque a equipe não chegava, a hora do almoço era de 2h e o pessoal saía mais cedo, no final reclamaram que meu workplan foi muito corrido e não deu tempo de concluir tudo. Na Alemanha TODOS os dias o trabalho começou 9h em ponto com a equipe completa e um dia um engenheiro chegou atrasado, 9:05, ele era mexicano.
[RACISMO] O ser humano tende a ser racista e vai ser sempre assim. O Brasil é (ainda) um oásis neste ponto. Quem fala que o Brasil é racista não sabe o milagre que é termos japoneses, europeus, libaneses, negros, índios e chineses convivendo e se casando sem isso ser um problema, no máximo com piada de mal gosto e preconceito social se o sujeito for pobre. Na Coréia/China/Japão eles consideram indianos e outros asiáticos do sub continente como não civilizados, nem vou comentar o que eles pensam de negros porque isso já foi bastante divulgado. Falando em negros, por mais estranho que possa parecer para alguns, os únicos no mundo que se importam com os negros são os ocidentais. Europa Leste, Ásia, Oriente Médio e os muçulmanos do norte da África estão pouco se lixando para os negros. Os Negros dos EUA são até o momento o grupo mais racista que já tive contato, fiquei alguns dias hospedado em uma vizinhança de negros em Chicago, fui xingado pra caramba na rua um dia e tratado com extrema grosseria várias vezes, até na igreja.
[TURISMO] O melhor lugar que já fiz turismo foi no Sul da França: Pirineus de um lado, Alpes do outro, Côte d'Azur embaixo, campos de lavanda e vinhedos no meio. A França é um país muito focado em turismo, os preços são claros (colocados na porta do restaurante sem nenhuma cobrança extra ou pegadinha), as igrejas não cobram pra entrar e as informações para o turista são claras e abundantes mesmo em lugares afastados. O clima é temperado e qualquer estação do ano você tem algo excelente para fazer (montanha ou praia). Com inglês e espanhol você se vira muito bem e ao contrário dos parisienses o povo é bem receptivo no interior do país. Se não quer ir tão longe um excelente destino é o Chile, dentro da América do Sul é o mais perto que se pode chegar de um país desenvolvido. Dentro do país eu recomendo Ouro Preto, é um lugar excelente e único no mundo.
[SOCIEDADE] Em geral as pessoas são muito parecidas em qualquer lugar do mundo mas se expressam de maneira diferente. Outra coisa que observei é que quem faz o país é o povo, não teve um lugar que eu estive em que o povo não refletisse o país nos mínimos detalhes, quanto mais atrasado o país menos o povo segue regras de trânsito, maior é a malandragem (das ruas e da classe média em ambiente corporativo) e sempre estão tentando tirar vantagem de você já começando no aeroporto. E finalmente : taxista é sempre uma desgraça em qualquer lugar, isso é invariável.
[PANORAMA GERAL] O Brasil é um país médio, longe de ser desenvolvido e longe de ser uma desgraça. O pior do Brasil é, de longe, a violência. Muita gente de muito talento sai do país sem querer voltar por causa da violência. Pobreza e crise econômica a gente tira de letra mas medo de morrer por causa de um celular é uma coisa fudida, seu bem maior é a vida. Por causa da fuga de cérebros para o exterior e para o interior de concursos públicos sem finalidade produtiva eu tenho perspectivas negativas para o futuro do Brasil. Entretanto o Brasil não é um país fudido, as instituições são meio vacalhadas mas em geral funcionam, existe ciência de ponta sendo feita (com muita raça) e existe no país opções de saúde que, apesar de não contemplarem toda a população com a qualidade desejável, ainda consegue fazer o mínimo. Para vocês terem uma perspectiva do que é lugar ruim, em Moçambique eu dei consultoria em uma das maiores estatais do país, reparei que os funcionários (que eram classe média local) faziam fila depois do expediente para encher garrafas de água no filtro. Depois de algumas perguntas descobri que eles estavam sem acesso à água potável. Imaginei que se isso acontecia em Maputo, capital federal que concentra boa parte da riqueza, o que seria a vida nos cantos mais esquecidos do país. Fica para você pensar : não importa aonde você esteja no Brasil, tem alguém no mundo que sonha em viver como você.
Tl;dr: baseado nos países que conheci, fiquei comparando com o Brasil e fazendo análises sem pretensão de estar certo.
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2020.06.21 23:16 jeduardooliveira Algumas curiosidades das eliminatórias das copas do mundo - Parte VII

Outras partes: Parte I Parte II Parte III Parte IV Parte V Parte VI
1966
- Dos 124 países filiados à FIFA, 74 se inscreveram até a data-limite (foram rejeitadas as inscrições de Guatemala, Congo e Filipinas por problemas nas inscrições);
- Haviam 14 vagas em disputa, pois o Brasil, como campeão, e a Inglaterra, como sede, já estavam garantidos. As vagas foram divididas assim: 9 para a UEFA (sendo disputadas por 32 seleções, incluindo Israel e Síria), 3 para a CONMEBOL (sendo disputadas por 9 seleções), 1 para a CONCACAF (disputada por 10 seleções) e 1 para a Ásia e a África (disputada por 21 seleções, incluindo a Austrália);
- Juntas, África e Ásia já possuíam o maior contingente de países filiados à FIFA – 57, quase a metade do total. Dos 29 novos países que haviam aderido à FIFA entre 1960 e 1963, 22 eram africanos ou asiáticos. 15 equipes africanas e a Síria desistiram em protesto pelo número de vagas para a África e Ásia. Mas, este não foi o único motivo: em abril de 1963, o Comitê Olímpico Internacional já havia excluído os sul-africanos dos Jogos Olímpicos e de todas as competições internacionais devido ao apartheid, isso não sensibilizou a FIFA, que rejeitou a expulsão da África do Sul, gerando muitos protestos. Somente após todas as seleções africanas desistirem (em outubro de 1964) é que, finalmente, a FIFA decidiu suspender a África do Sul (excluindo, assim, sua inscrição), a exclusão do quadro da FIFA só foi acontecer em 1976. João Havelange foi eleito presidente da FIFA em 1974, muito por conta da falta de tato político da FIFA, em se tratando de distribuição de vagas para os continentes e os imbróglios com questões políticas, era necessário um presidente não europeu;
- No fim, a Coréia do Sul também desistiu, pois não queria ir a Coréia do Norte. Isto justifica o fato de 74 seleções terem se inscrito, porém apenas 51 jogarem;
- No grupo 1 (UEFA), ficaram Bélgica, Bulgária e Israel. Em 1963, a Bélgica aplicou uma goleada, em casa, de 5x1 no Brasil (sem Pelé e com a equipe em renovação). Portanto, a Bélgica era franca favorita, porém acabou empatando em pontos com a Bulgária e isso levou a um jogo desempate. Esse empate em pontos só ocorreu porque a Bulgária venceu Israel, na última rodada, em Tel-a-Viv com um gol a 4 minutos do fim. Gol de Asparukhov. O jogo desempate ocorreria na Itália, em Florença, dia 29 de dezembro de 1965 e, com dois gols de Asparukhov, a Bulgária venceu por 2x1 e garantiu a última vaga da copa;
- Coincidências: a Bulgária garantiu a última vaga da copa, assim como em 1961, contra uma seleção favorita (em 61, foi a França) e em solo italiano (em 61, foi em Milão). Ambas foram em um dia frio de dezembro e os artilheiros da seleção de ambas as eliminatórias morreriam no mesmo acidente: Asparukhov e Nikola Kotkov, faleceriam num acidente de carro, em 30 de junho de 1971, quando eram companheiros de clube no Levski de Sófia. Mais de 550 mil pessoas compareceram no funeral de Asparukhov;
- O quarto jogo do grupo 2 seria decisivo. A Suécia jogava em casa contra a Alemanha e precisava vencer para empatar em pontos com os alemães, forçando o jogo desempate, já que o Chipre, o outro integrante do grupo seria o saco de pancadas. Foi nesse jogo que estreou Franz Beckenbauer, a Alemanha venceu por 2x1;
- No grupo 5 (UEFA), Holanda, Suíça e Irlanda do Norte fizeram jogos muito equilibrados. Na última rodada, aos 45 do segundo tempo, a Suíça fez o gol da vitória por 2x1 sobre a Holanda, chegando a 9 pontos. A Irlanda do Norte, de George Best, só precisa ganhar da Albânia, o jogo era em Tirana, mas a Albânia havia perdido TODOS os jogos do grupo até ali, e parecei que perderia esse também, até os 32 do segundo tempo, quando achou o gol de empate que acabou classificando os Suíços;
- 98 mil na Alemanha Oriental (Jogo aqui), 70 mil na Áustria e 73 mil na Hungria. Os jogos do grupo 6 da UEFA, foram quase todos com o estádio completamente lotado. Em Viena, no jogo Áustria x Hungria, um clássico já que ambos os países pertenceram a mesma nação, foram 70 mil no estádio e 20 mil fora querendo entrar, mesmo sem ingresso. A polícia austríaca teve problema para contornar;
- A Espanha ficaria no grupo da Irlanda e da Síria. A Síria desistiu e Espanha e Irlanda ganharam cada uma seu jogo em casa entre si. No jogo desempate, em Paris, aos 35 minutos do segundo tempo, José Armando Ufarte Ventoso fez o gol que levou a Espanha a copa. Ufarte nascera em 1941, em Pontevedra, na Espanha, mas sua família se mudara para o Rio de Janeiro quando ele tinha cinco anos. Com o apelido de “Espanhol” começou nas categorias de base do Flamengo em 1958, foi emprestado para o Corinthians, voltando em 1962 para o Flamengo, foi titular durante dois anos e campeão carioca de 1963. Em 1964, foi vendido ao Atlético de Madri, onde foi 3 vezes campeão espanhol. Pela seleção da Espanha, Ufarte atuou 16 vezes e marcou dois gols;
- Na América do Sul, foram 9 seleções divididas em 3 grupos de 3. O Uruguai e a Argentina se classificaram sem muitas dificuldades, enfrentando Peru e Paraguai, respectivamente, como maiores ameaças. Porém, no grupo de Chile, Equador e Colômbia a coisa foi mais complicada. Chile e Equador terminaram empatados em pontos e precisaram fazer um jogo desempate. O jogo foi em Lima e terminou 2x1 para os Chilenos. Assista aqui ;
- Pela CONCACAF, México e Costa Rica decidiram a vaga na cidade do México, quem vencesse estaria classificado, o empate geraria um jogo desempate. Aos 16 minutos do primeiro tempo, o México fez 1x0, e após provocações dos jogadores e torcedores que invadiram o campo, os costarriquenhos resolveram devolver na porrada. Pancadaria rolou por 17 minutos, quando o juiz expulsou um de cada lado, porém a torcida mexicana não concordou, achando que apenas o jogador da Costa Rica deveria ser expulso, começaram a arremessar tudo o que podiam no gramado. Só depois do juiz anular a expulsão do jogador mexicano Munguía é que o jogo pode continuar. Mas, no segundo tempo, ele acabou sendo expulso de qualquer jeito junto com mais dois jogadores da Costa Rica;
- Na Ásia, a Coréia do Norte venceu os dois jogos contra a Austrália. Vídeo Aqui;
Um pouco além das Eliminatórias:
- Um dos motivos encontrados para explicar o fracasso da seleção na copa de 66 foi “a absurda convocação de 45 jogadores”. Porém, em 1962, foram chamados 41 jogadores, ninguém reclamou. A grande diferença é que 1966, a desorganização permitia que dirigentes dos clubes pressionassem os cortes e a convocação. Além disso, em 1962, pelos menos 15 dos 22 jogadores todos sabiam que iriam para a copa de qualquer jeito;
- Se as nações africanas desistiram, e a copa não teve seleções africanas participantes entre 1934 e 1970, o continente não deixou de ser bem representado. Pela segunda vez um artilheiro de Copa do Mundo era nascido no continente africano. A primeira foi em 1958, com o marroquino Just Fontaine, que atuou pela Seleção da França. Eusébio, goleador do Mundial da Inglaterra, era natural de Moçambique;
- A derrota para a Hungria na segunda rodada da Copa do Mundo de 1966 quebrou uma série de 13 jogos invictos do Brasil (11 vitórias e 2 empates). Nunca uma seleção ficou tanto jogos sem perder na competição;
- Essa foi a primeira Copa que não teve jogos aos domingos. Por motivos religiosos, os esportes eram proibidos nesse dia nas Ilhas Britânicas. Os britânicos só teriam o domingo liberado para o futebol a partir de 1973. Até hoje permanece a maioria dos jogos da Premier League segue sendo no sábado;
Fontes:
A grande história dos mundiais 1962, 1966, 1970, do MAX GHERINGER (2018).
https://trivela.com.bcopa-copa-historia-completa-da-repescagem-intercontinental-nas-eliminatorias/
GEHRINGER, Max. Revista A Saga da Jules Rimet. A História das Copas de 1930 a 1970. Editora Abril, 2006.
https://www.fifa.com/worldcup/archive/england1966/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_do_Mundo_FIFA_de_1966
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eliminat%C3%B3rias_da_Copa_do_Mundo_FIFA_de_1966
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2020.06.14 12:12 jeduardooliveira Algumas curiosidades das eliminatórias das copas do mundo - Parte VI

Outras partes: Parte I Parte II Parte III Parte IV Parte V
1962
- 60 seleções se inscreveram para a copa. Brasil (campeão) e Chile (sede) já teriam vagas garantidas. 58 disputariam as eliminatórias, mas 4 foram recusadas por débitos ou por perderem o prazo de inscrição (Iraque, Filipinas, Coréia do Norte e Haiti) e 5 desistiram (Canadá, Sudão, Indonésia, Romênia e Egito). 49 seleções disputaram ao menos um jogo;
- As seleções europeias começaram uma choradeira por terem menos vagas no mundial, duas ficariam com seleções da América do Sul pré classificadas como sede e atual campeão, mais as habituais três vagas da CONMEBOL, ainda haviam as confederações da Ásia, África e a CONCACAF. A solução da FIFA foi fazer com que as seleções da África e da Ásia jogassem uma repescagem contra seleções da Europa, e a melhor seleção da CONCACAF jogasse com alguma da CONMEBOL. A gritaria foi grande, mas a FIFA era presidida por um Inglês, Stanley Rous, e os países Europeus mandavam lá;
- Todas as seleções mais fortes do mundo se inscreveram para as eliminatórias, com exceção de uma: a ÁUSTRIA. A federação Austríaca ficou com medo de um vexame, pois nas eliminatórias para a Copa das Nações Europeias de 1960 ela havia sido eliminada pela França, com um 5x2 e um 4x2. Depois tinha perdido de 6x3 para o Valência e 4x0 para a Tchecoslováquia. Foi uma decisão errada, pois nos próximos 11 amistosos a Áustria venceu 9, sendo que 5 dessas vitórias contra seleções que foram a copa (Itália, URSS, Inglaterra, Espanha e Hungria);
- Suíça 3x2 Suécia: no último jogo do grupo 1 da UEFA, a Suíça precisava vencer a Suécia para forçar o jogo desempate, a Suíça tinha apenas um jogador com menos de 30 anos. No jogo de ida, a Suécia havia feito 4x0. A Suíça, em casa, conseguiu vencer com um gol aos 35 do 2º tempo. No jogo desempate, em Berlim, em um frio de 0 °C com sensação térmica abaixo de zero, com muito vento, os suíços venceram por 2x1 e se garantiram na copa, eliminando os atuais vice campeões mundiais;
- Outra favorita que caiu no jogo desempate foi a França. No último jogo do grupo, contra a Bulgária, em Sofia, a França só precisava empatar. Seu técnico, Albert Bateaux escalou uma retranca. Porém, aos 44 do segundo tempo, a Bulgária fez seu gol da vitória. O jogo desempate foi realizado no San Siro, em Milão, e a França novamente só precisava empatar, pois tinha vantagem no saldo de gols (vantagem dada pelo regulamento da UEFA). Novamente o técnico francês armou uma retranca, a imprensa francesa já reclamava do uso excessivo de jogadores (28 nas últimas partidas), uma bagunça que não seria rara na história da França em copas e que acabou gerando sua eliminação, pois perdeu esta partida por 1x0 de novo;
- No grupo 3, todos os técnicos eram húngaros: Alemanha Oriental (Karel Soos), Hungria (Lajos Baróti) e Holanda (Alexander Elek). Aliás, nessa época haviam grandes treinadores húngaros espalhados por todos os cantos do mundo: Eugênio Medgyessy treinou Flu, Botafogo, Galo, Palmeiras e São Paulo; Imre “Emérico” Hirschl ajudou a revolucionar o futebol argentino nos anos 30 e 40 e passou pelo Peñarol em 49 (que foi base da seleção Uruguaia de 50); Ferenc Plattkó passou por Porto, Barcelona, Colo-Colo, River e Boca Jrs nos 40; Gusztáv Sebes (treinador da Hungria de 54); Gyula Mandi (treinou o Fla); Alfréd Schaffer (vice da copa de 38); além de Béla Guttmann, que treinou o São Paulo e o Porto, e foi bicampeão da Taça dos Campeões Europeus com o Benfica (e gerou uma MALDIÇÃO depois de sua saída). Aliás, o episódio da excursão do Honved (a base da seleção húngara no auge) é muito interessante ver aqui (jogaços contra o Flamengo e o Botafogo);
- Portugal, com o Benfica campeão europeu como base, com Euzébio estreando (com 19 anos) conseguiu a façanha de perder para Luxemburgo (que tinha um ótimo POJETO), uma seleção basicamente amadora. Foi um 4x2 que comprometeu a chance de Portugal que, então, precisaria vencer a Inglaterra em Wembley (para 100 mil pessoas), o que não aconteceu (foi 2x0 para os ingleses);
- Neste jogo Inglaterra x Portugal, só havia um jogador nascido em Portugal: Domiciano Gomes;
- Itália enfrentou Israel para decidir quem iria a copa, venceu por 6x0 e 4x2.
- Na zona da CONMEBOL, as 7 seleções (Venezuela não era filiada a FIFA) foram divididas em 3 grupos de 2, cada um dava uma vaga a copa (Argentina, Colômbia e Uruguai se classificaram), a outra seleção enfrentaria o vencedor das eliminatórias da CONCACAF. Paraguai foi o sorteado;
- O México venceu as eliminatórias da CONCACAF, tendo que enfrentar o Paraguai. Ganhou o primeiro jogo por 1x0 e segurou o empate em 0x0 em Assunção, obtendo a classificação para a copa;
- Marrocos foi o campeão das eliminatórias da África e foi premiado com um enfrentamento contra a Espanha (vencedora do grupo 9 da UEFA). Essa Espanha tinha Di Estéfano e Puskás, o Uruguaio José Santamaría, o Espanhol Gento, acabou eliminando Marrocos (e, antes, País de Gales), mas não teve vida fácil nas eliminatórias, ganhando 3 jogos por um gol de diferença e empatando o outro aqui;
- O técnico da Bolívia era um falastrão Chileno, chamado Renato Panay, todo dia dava entrevistas elogiando seus jogadores e se auto promovendo, quatro meses antes das eliminatórias recebeu um convite para treinar o América-RJ e, surpreendentemente, aceitou. Quando foi justificar sua escolha em uma coletiva, levou uma garrafada na cabeça de um torcedor. Depois de passar apenas dois dias no Brasil, Panay se arrependeu e decidiu voltar a seleção Boliviana, onde foi recebido como herói. Mesmo jogando na altitude de La Paz, empatou com o Uruguai em 1x1 e, depois, perdeu por 2x1, em Montevidéu, sendo eliminado. No jogo de La Paz, a confiança da torcida era tanta que diversos torcedores passaram a noite no estádio para garantir seu lugar;
Um pouco além das Eliminatórias:
- A URSS chegou a copa de 1962 como forte candidata, além de ter sido campeã da Copa Europeia de Nações de 1960, ganhou todas as partidas das eliminatórias e ainda ganhou os 3 amistosos que fez contra seleções na América do Sul (1x0 no Chile em Santiago, 2x1 no Uruguai em Montevideo e 2x1 na Argentina em Buenos Aires);
- De que modo o Chile virou sede: como já foi mencionado antes, a Argentina não veio jogar a copa de 50, isto gerou uma contenda com o Brasil, as duas federações só voltaram a se relacionar em 1956, no contexto da eleição para a sede da copa de 1962. A FIFA já havia decidido que a copa voltaria a ser realizada nas Américas, portanto Espanha e Alemanha (outras candidatas) estavam fora do páreo. Restaram Chile e a Argentina. A escolha da sede foi em 10 de Junho de 1956, em Lisboa. A Argentina era franca favorita, porém um dia antes da escolha, no dia 09 de Junho, eclodiu uma revolta que tentava colocar o General Perón novamente no poder (havia sido deposto em 1955), a revolta já havia sido debelada na Argentina, mas em Lisboa não se sabia ainda. A votação ocorreu com os dirigentes em Lisboa pensando em um contexto de guerra na Argentina. Assim, o Chile acabou escolhido com 32 votos, incluindo o do Brasil, houveram 13 abstenções e a Argentina ficou com 11 votos;
- Nos dias 21 e 22 de Maio de 1960, dois abalos sísmicos sacudiram o Chile, o segundo foi o terremoto mais violento já registrado na história da humanidade (9.2 Richter) com epicentro a apenas 750 km de Santiago. Mais de 5700 pessoas morreram, um terço da população Chilena ficou desabrigada! As ondas gigantes que se seguiram atingiram o Havaí e o Japão, onde 122 pessoas morreram e mais 200 mil ficaram desabrigadas. Coube a Carlos Dittborn, nascido em Niterói-RJ em 1921 (onde seu pai, chileno, exercia diplomacia), na época com 39 anos, tentar reorganizar a copa, pois 4 cidades sedes haviam desistido, apenas Santiago poderia sediar. O governo não liberaria mais dinheiro, portanto as sedes deveriam ter condições de sediar a copa por si. Roncágua, Viña del Mar e Arica foram escolhidas. O estádio de Vinã del Mar foi entregue 10 dias antes da copa começar. Dittborn fez o impossível, mas não pode apreciar sua obra: faleceu aos 42 anos, 33 dias antes da copa começar. Nesse contexto surgiu a frase: "porque nada tenemos todo lo haremos";
- A batalha de Santiago https://www.fifa.com/worldcup/archive/chile1962/#;
Fontes:
http://www.espn.com.bnoticia/412857_desistencia-argentina-na-copa-de-1950-causou-decadas-de-ressaca
A grande história dos mundiais 1962, 1966, 1970, do MAX GHERINGER (2018).
https://trivela.com.bcopa-copa-historia-completa-da-repescagem-intercontinental-nas-eliminatorias/
GEHRINGER, Max. Revista A Saga da Jules Rimet. A História das Copas de 1930 a 1970. Editora Abril, 2006.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eliminat%C3%B3rias_da_Copa_do_Mundo_FIFA_de_1962
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2020.04.24 18:19 HairlessButtcrack Cronologia do Covid-19

Boas malta fiz uma cronologia dos eventos nos estados unidos para entender como é que eles estiveram e quis comparar com a nossa. Decidi postar depois de ver este e este posts.
As conclusões não são boas, os media (americanos) dizem mal da inação do Trump mas nós tivemos uma sorte do Carvalho. Se em movimento de pessoas fossemos iguais a outros países os números eram muito piores, que se formos a olhar bem proporcionalmente em casos estamos ao nível dos estados unidos (mas com metade das mortes). A nossa primeira ação foi a meio de março.
(A minha cronologia certamente que não está completa e estou aberto a adicionar ou retirar coisas dadas fontes, Grande parte veio da Lusa/CM/JN outras coisas vieram da cronologia que fiz dos EUA)
Cronologia:
31 de dezembro de 2019 Organização Mundial de Saúde (OMS) revela haver mais de duas dezenas de casos de pneumonia de origem desconhecida detetados na cidade chinesa de Wuhan, província de Hubei.
1 de janeiro de 2020 É encerrado o mercado de peixe e carne de Wuhan que se pensa estar na origem da contaminação, dado que os doentes tinham todos ligação ao local.
4 de janeiro São 44 os casos de doentes com uma pneumonia de origem desconhecida reportados pelas autoridades chinesas.
5 de janeiro A OMS relatou uma "pneumonia de causa desconhecida" em Wuhan, China. A OMS desaconselhou restrições de viagem ou comércio na época.
8 de janeiro O CDC (EUA) emitiu o primeiro alerta público sobre o coronavírus.
9 de janeiro A OMS emitiu uma declaração nomeando a doença como um novo coronavírus em Wuhan. A China publicou os dados genéticos do novo coronavírus.
10 de janeiro É registado o primeiro morto, um homem de 61 anos, frequentador do mercado de Wuhan. Oficialmente há 41 pessoas infetadas na China. As autoridades chinesas identificam o agente causador das pneumonias como um tipo novo de coronavírus, que foi isolado em sete doentes.
13 de janeiro Primeiro caso confirmado fora da China, na Tailândia.
14 de janeiro A OMS disse que não encontrou provas de transmissão de pessoa para pessoa. https://twitter.com/WHO/status/1217043229427761152 https://nypost.com/2020/03/20/who-haunted-by-old-tweet-saying-china-found-no-human-transmission-of-coronavirus/
O chefe da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiaowei, forneceu confidencialmente uma avaliação “sombria” da situação para as principais autoridades de saúde chinesas. O memorando relacionado afirmava que "a transmissão de humano para humano é possível". Uma investigação da AP News indicou que a denúncia de um caso na Tailândia levou à reunião, bem como o risco de se espalhar com o aumento das viagens durante o Ano Novo Chinês e várias considerações políticas. No entanto, o público chinês não é avisado até 20 de janeiro.
15 de janeiro Primeiro caso reportado no Japão do novo coronavírus, entretanto designado como 2019-nCoV. Primeira declaração das autoridades portuguesas sobre o novo coronavírus. A diretora-geral da Saúde estima, com base nas informações provenientes da China, que o surto estará contido e que uma eventual propagação em massa não é "uma hipótese no momento a ser equacionada".
20 de janeiro Autoridades confirmam que há transmissão entre seres humanos. (CM reporta isto mas não consigo confirmar em mais fonte nenhuma, a OMS só confirmou a 23 de Janeiro)
O secretário geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro do Conselho de Estado, Li Keqiang, emitem o primeiro aviso público sobre o coronavírus aos cidadãos chineses. Uma investigação da AP News alegou que, de 14 a 20 de janeiro, as autoridades chinesas tomaram medidas confidenciais para mobilizar sua resposta à pandemia, mas não alertaram o público. Alertar o público seis dias antes podia ter evitado "o colapso do sistema médico de Wuhan", segundo um epidemiologista.
21 de janeiro Primeiro caso nos Estados Unidos, num doente em Washington regressado de Wuhan.
22 de janeiro Macau confirma o primeiro caso da doença, numa altura em que há mais de 440 infetados. Começa o isolamento da cidade de Wuhan ao mundo. Autoridades de saúde chinesas cancelam voos e saída de comboios. Portugal anuncia que acionou os dispositivos de saúde pública e tem três hospitais em alerta: São João (Porto), Curry Cabral e Estefânia (ambos Lisboa).
23 de janeiro OMS reúne comité de emergência na Suíça para avaliar se o surto constitui uma emergência de saúde pública internacional. Decide não a decretar. Autoridades chinesas proíbem entradas e saídas numa segunda cidade, Huanggan, a 70 km de Wuhan. As duas cidades têm em conjunto mais de 18 milhões de habitantes. Alguns aeroportos no mundo, como no Dubai, nos Estados Unidos e nalguns países africanos, começam a tomar precauções para lidar com o fluxo de turistas chineses que tiram férias no Ano Novo Lunar, que coincide com o surto.
24 de janeiro Confirmados em França os primeiros dois casos na Europa, ambos importados.
25 de janeiro Pequim suspende as viagens organizadas na China e ao estrangeiro. Austrália anuncia primeiro caso. Hong Kong declara estado de emergência. Primeiro caso suspeito em Portugal, mas as análises revelam que é negativo.
27 de janeiro O Centro Europeu de Controlo das Doenças pede aos estados-membros da União Europeia que adotem "medidas rigorosas e oportunas" para controlo do novo coronavírus.
28 de janeiro Mecanismo Europeu de Proteção Civil é ativado, a pedido de França, para repatriamento dos franceses em Wuhan. Confirmados dois casos, um na Alemanha e outro no Japão, de doentes que não estiveram na China, tendo sido infetados nos seus países por pessoas provenientes de Wuhan.
29 de janeiro Pelo menos 17 portugueses pedem para sair da China, quase todos na região de Wuhan. Finlândia confirma primeiro caso. Rússia encerra fronteira terrestre com a China. Estudo genético confirma que o novo coronavírus terá sido transmitido aos humanos através de um animal selvagem, ainda desconhecido, que foi infetado por morcegos.
30 de janeiro OMS declara surto como caso de emergência de saúde pública internacional, mas opõe-se a restrições de viagens e trocas comerciais.
31 de janeiro Estados Unidos decidem proibir a entrada de estrangeiros que tenham estado na China nos últimos 14 dias e impor quarentena a viajantes de qualquer nacionalidade provenientes da província de Hubei. Ministério da Saúde de Portugal anuncia que vai disponibilizar instalações onde os portugueses provenientes de Wuhan possam ficar em isolamento voluntário.
1 de fevereiro Austrália proíbe entrada no país a não residentes vindos da China.
2 de fevereiro Os 18 portugueses e as duas brasileiras retirados da cidade de Wuhan chegam a Lisboa e ficam em isolamento voluntário por 14 dias. Filipinas anunciam o primeiro caso mortal no país. É a primeira morte fora da China.
3 de fevereiro OMS anuncia que está a trabalhar com a Google para travar informações falsas sobre o novo coronavírus. O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que não havia necessidade de medidas que "interferissem desnecessariamente com viagens e comércio internacionais" para parar o coronavírus. Elogiou a resposta chinesa e referiu que a propagação do vírus é "mínima e lenta".
11 de fevereiro OMS decide dar oficialmente o nome de Covid-19 à infeção provocada pelo novo coronavírus.
13 de fevereiro Autoridades chinesas mudam a forma de contabilizar e assumir casos de infeção. Passam a contar não apenas os casos com confirmação laboratorial, mas também os que têm confirmação clínica apoiada por exames radiológicos.
14 de fevereiro Segunda morte confirmada fora da China, no Japão.
15 de fevereiro Um turista chinês de 80 anos morre em França. É a primeira morte registada na Europa - o primeiro europeu a morrer no seu continente acontece a 26 de fevereiro.
16 de fevereiro Terceira morte confirmada fora da China, num turista chinês que visitava França.
19 de fevereiro Dois primeiros casos revelados no Irão. No mesmo dia é anunciado que os dois morreram devido ao Covid-19.
20 de fevereiro Autoridades chinesas voltam a alterar a metodologia da contagem de infetados, uma decisão que se reflete numa descida acentuada no número de novos casos. Coreia do Sul regista a primeira morte. Suíça adia uma cimeira internacional sobre saúde devido à epidemia, na qual estaria presente o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ministros da Saúde.
21 de fevereiro Autoridades chinesas anunciam que surto está "sob controlo". Itália regista primeira vítima mortal, um italiano de 78 anos.
22 de fevereiro Irão fecha escolas, universidades e centros educativos em duas cidades. País confirma mais de 40 casos de infeção e oito mortes.
23 de fevereiro Autoridade japonesas confirmam que um português, Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, deu teste positivo ao vírus da infeção Covid-19. Presidente da China, Xi Jiping, admite que o surto é a mais grave emergência de saúde no país desde a fundação do regime comunista, em 1949. Autoridades italianas ordenam suspensão dos festejos do Carnaval de Veneza. Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que epidemia coloca em risco a recuperação económica mundial e manifesta disponibilidade para ajudar financeiramente os países mais pobres e vulneráveis.
24 de fevereiro Comissão Europeia anuncia mobilização de 230 milhões de euros para apoiar a luta global contra o Covid-19. Diretor-geral da OMS avisa que o mundo tem de se preparar para uma "eventual pandemia", considerando "muito preocupante" o "aumento repentino" de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.
25 de fevereiro O português infetado a bordo de um navio de cruzeiros atracado no Japão é enviado para um hospital de referência local. O especialista que liderou a equipa da OMS enviada à China afirma que o mundo "simplesmente não está pronto" para enfrentar a epidemia.
26 de fevereiro Primeiro caso de contágio na América do Sul. É no Brasil, um homem de 61 anos, de São Paulo, regressado do norte de Itália. Vários países confirmam igualmente os primeiros casos: Grécia, Finlândia, Macedónia do Norte, Geórgia e Paquistão. OMS revela que o número de novos casos diários confirmados no resto do mundo ultrapassou pela primeira vez os registados na China.
27 de fevereiro Arábia Saudita suspende temporariamente a entrada de peregrinos que visitam a mesquita do profeta Maomé e os lugares sagrados do Islão em Meca e Medina, bem como turistas de países afetados pelo coronavírus. Segundo português hospitalizado no Japão "por indícios relacionados" com o Covid-19, também tripulante do navio de cruzeiros Diamond Princess. A DGS divulga orientações às empresas, aconselhando-as a definir planos de contingência para casos suspeitos entre os trabalhadores que contemplem zonas de isolamento e regras específicas de higiene, e para portos e viajantes via marítima, que define que qualquer caso suspeito validado deve ser isolado e que apenas um elemento da tripulação deve contactar com o passageiro.
28 de fevereiro Primeiro caso confirmado na África subsariana, na Nigéria, depois de terem sido identificadas infeções no norte do continente, no Egito e na Argélia. Suíça proíbe pelo menos até 15 de março qualquer evento público ou privado que reúna mais de mil pessoas. Comissão Europeia solicita aos Estados-membros da UE que avaliem os impactos económicos do novo coronavírus. OMS aumenta para "muito elevado" o nível de ameaça do novo coronavírus. Responsáveis da Feira Internacional de Turismo de Berlim anunciam a suspensão do evento, considerado o maior do mundo, que se deveria realizar entre 4 e 8 de março. Governo português reforça em 20% o stock de medicamentos em todos os hospitais do país, além de estar a preparar um eventual reforço de recursos humanos.
29 de fevereiro Governo francês anuncia cancelamento de "todas as concentrações com mais de 5.000 pessoas" em espaços fechados e alguns eventos no exterior, como a meia-maratona de Paris. Primeira vítima mortal nos Estados Unidos da América.
1 de março Governo das Astúrias confirma primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus na região espanhola, o escritor chileno Luis Sepúlveda, que esteve recentemente na Póvoa de Varzim, em Portugal. Macau com perdas históricas nas receitas do jogo em fevereiro, menos 87,8% em relação a igual período de 2019, num mês em que os casinos fecharam por 15 dias devido ao surto de Covid-19. Adriano Maranhão, primeiro português infetado no Japão, tem alta hospitalar.
2 de março Confirmados dois primeiros casos em Portugal Funcionários públicos em teletrabalho ou isolamento profilático sem perda de salário em Portugal, segundo um despacho do Governo. Governo português divulga um despacho a ordenar aos serviços públicos que elaborarem planos de contingência para o surto de Covid-19.
3 de março Primeira morte em Espanha. Itália confirma 79 mortes. Número de infetados em Portugal sobe para quatro. Mais de três mil mortos e de 91 mil infetados em todos os continentes, segundo dados da OMS. Os países mais afetados são China, Coreia do Sul, Irão e Itália. Hospitais São João e Santo António, no Porto, esgotaram capacidade de resposta a casos suspeitos, novas unidades são ativadas Comissão Nacional de Proteção Civil passa a funcionar em permanência, para fazer face ao novo coronavírus. Governo português dá cinco dias às empresas públicas para elaborarem planos de contingência. Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), que gere a política monetária do país, corta em 50 pontos base as taxas de juro, devido ao novo coronavírus. O presidente da Fed, Jerome Powell, considera inevitável que os efeitos do surto alastrem às economias mundiais e alterem o seu normal funcionamento "durante algum tempo". FMI e Banco Mundial anunciam que reuniões de abril, que se realizam anualmente em Washington, vão ser feitas à distância, em "formato virtual".
4 de março Itália, o país europeu mais afetado, fecha todas as escolas e universidades. Tinha então 3,089 infetados e 107 mortos. Número de infetados em Portugal sobre para seis. Em todo o mundo, há registo de mais de 3.100 mortos e de 93.100 infetados em 77 países de cinco continentes. Mais de 290 milhões de jovens sem aulas em todo o mundo, segundo a UNESCO. Os trabalhadores em quarentena em Portugal por determinação de autoridade de saúde vão receber integralmente o rendimento nos primeiros 14 dias, diz despacho do Diário da República. O primeiro-ministro português anuncia linha de crédito para apoio de tesouraria a empresas afetadas pelo impacto económico do surto do novo coronavírus, caso seja necessário, no valor inicial de 100 milhões de euros. Banco Mundial anuncia 12.000 milhões de dólares (cerca de 10.786 milhões de euros) para ajudar os países que enfrentam impactos económicos e de saúde. O setor dos serviços contraiu pela primeira vez na China desde que há registos. FMI diz que crescimento mundial será inferior em 2020 ao de 2019 devido ao impacto da epidemia do novo coronavírus, mas que é "difícil prever quanto". Surto diminuiu exportações mundiais em 50 mil milhões de dólares em fevereiro, segundo uma análise publicada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. A Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto, suspende aulas por ter havido contactos com o quinto infetado.
5 de março Portugal com nove casos de infeção. O número de pessoas infetadas em todo o mundo aumenta para 97.510, das quais 3.346 morreram, em 85 países e territórios. A China é o país mais afetado (80.409 casos e 3.012 mortes); seguido pela Coreia do Sul (6.088 casos, 35 mortes), Itália (3.858 casos, 148 mortes) e Irão (3.513 casos, 107 mortes). Bolsa de Turismo de Lisboa adiada para 27 a 31 de maio Perdas das companhias aéreas mundiais podem chegar aos 113 mil milhões de dólares (101,1 mil milhões de euros), estima a associação internacional de transporte aéreo (IATA). TAP reduz 1.000 voos em março e abril devido a quebra nas reservas, suspende investimentos e avança com licenças sem vencimento. O Fundo Monetário Internacional disponibiliza 50 mil milhões de dólares (cerca de 46,7 mil milhões de euros) para combater o surto.
6 de março 13 casos infetados em Portugal. Número de casos no mundo ultrapassa os 100 mil, das quais 3.456 morreram, em 92 países e territórios. A China (sem as regiões administrativas de Macau e Hong Kong), o país onde a epidemia foi declarada no final de dezembro, soma 80.552 casos e 3.042 mortes. Preço do barril de Brent cai mais de 6%, para 47 dólares, devido à quebra da procura
7 de março Número de infeções em Portugal sobe para 21 Visitas a hospitais, lares e estabelecimentos prisionais da região Norte suspensas temporariamente. A ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido, recomenda também o adiamento de eventos sociais. Uma escola de Idães, em Felgueiras, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e o edifício do curso de História da Universidade do Minho foram encerrados por serem instituições relacionadas com casos de pessoas infetadas em Portugal. Governo italiano proíbe as entradas e saídas da Lombardia e de outras 11 províncias próximas para limitar a disseminação do coronavírus, que já causou 233 mortes e 5.061 infetados em todo o país.
8 março Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa decide entrar em quarentena de 14 dias após receber em Belém uma turma de Felgueiras. Mais quatro casos em Portugal, número de infetados sobe para 25. Reino Unido anuncia um aumento de 64 novos casos, elevando-o a um total de 273 casos. Este país regista três mortos. EUA tem 564 infetados, os mortos são 21. Itália confirma 1.492 casos adicionais e 133 mortes. Números totais: 7.375 infetados e 366 mortos. O primeiro-ministro Giuseppe Conte estendeu o bloqueio de quarentena para cobrir toda a região da Lombardia e outras 14 províncias do norte do país. Registado o primeiro morto em África, que ocorre no Egito - um cidadão alemão hospitalizado a 1 de março e depois sofreu insuficiência respiratória causada por pneumonia aguda. DGS encerra escolas e suspende atividades de lazer e culturais nos concelhos de Lousada e Felgueiras por causa do acumular de casos.
9 março Alemanha regista as duas primeiras mortes no país. Infetados aumentam para 1.176. Universidades de Lisboa e Coimbra suspendem todas as aulas presenciais por duas semanas. Itália estende quarentena a todo o país, onde número de mortos atinge 463. Primeiros casos em Chipre significam que todos os países da União Europeia estão atingidos pelo novo coronavírus. Números da Espanha aumentam para 1.231 casos, com 30 mortes. Itália: 9.172 infetados e 463 mortos. França revela que os deputados Guillaume Vuilletet e Sylvie Tolmont estão infetados, havendo cinco deputados da Assembleia com Covid-19. Também foi confirmado que o ministro da Cultura, Franck Riester, havia testado positivo. O número de casos aumentou para 1.412.
10 março Câmara de Lisboa encerra museus, teatros municipais e suspende atividades desportivas em recintos fechados. Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) decreta fecho de museus, monumentos e palácios na sua dependência. Governo português suspende voos para todas as regiões de Itália por 14 dias. O primeiro-ministro italiano Conte estende o bloqueio de quarentena a toda a Itália, incluindo restrições de viagens e a proibição de reuniões públicas. Número de infetados sobe para 10.149, número de mortos é já 631. Portugal: 41 infetados
11 março Organização Mundial de Saúde passa a considerar o Covid-19 como uma pandemia, isto é um surto de doença com distribuição geográfica internacional muito alargada e simultânea. Itália anuncia que o jogador da Juventus Daniele Rugani, colega de Ronaldo, testa positivo para Covid-19. Total de infetados em Itália: 12.462. Total de mortos: 827. Portugal: 59 infetados. Turquia anuncia primeiro caso num homem regressado da Europa. Mais de mil médicos disponibilizam-se para reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.
12 março Portugal decide encerrar todos os estabelecimentos de ensino até ao final das férias da Páscoa a partir de 16 de março, encerramento de discotecas, restrições em restaurantes, centros comerciais, serviços públicos e proibição de desembarque de passageiros de cruzeiros. Portugal tem agora 78 pessoas infetadas e ainda zero mortes relacionadas com Covid-19. Estado de alerta declarado em todo o país, com proteção civil e forças e serviços de segurança em prontidão. Região Autónoma da Madeira suspende atracagem de navios de cruzeiro e impõe medição de temperatura a passageiros nos aeroportos. Governo dos Açores fecha escolas e museus, interdita cinemas e ginásios. Hospital de São João anuncia que uma das primeiras pessoas internadas em Portugal com Covid-19 se curou. Em apenas um dia, Itália regista 2651 novos infetados, elevando o número de doentes com Covid-19 para 15.113. Nas mesmas 24 horas, morreram 189 italianos. O total de mortos em Itália é agora 1.016.
13 março Europa toma o lugar da China como maior epicentro do coronavírus, diz a OMS, numa altura em que o crescimento de casos abranda no país oriental (China tem agora 80.815 infetados e 3.117 mortos) e acelera em Itália e no resto do continente europeu. Portugal: 112 infetados com o Covid-19. 61 países da África, Ásia, Europa, Oriente Médio, América do Norte e América do Sul anunciaram ou implementaram fecho total ou parcial de escolas e universidades. Trinta e nove países fecharam todas as escolas, afetando 421,4 milhões de crianças e jovens. Nesta altura são 11 os países que proíbem a entrada de voos de Portugal (e da Europa): Arábia Saudita, Argentina, El Salvador, EUA, Guatemala, Itália, Jordânia, Kuwait, Nepal, República Checa e Venezuela. Estados Unidos proíbem entrada de voos de passageiros vindos do espaço Schengen na Europa (26 países, incluindo obviamente Portugal) durante 30 dias. Venezuela, país de 32 milhões de habitantes, confirma os dois primeiros casos de infetados: uma pessoa vinda dos EUA e outra de Espanha. O país de Nicolas Maduro também proibiu voos vindos da Europa durante um mês. Eslováquia, Malta e República Checa fecham fronteiras com os países membros da EU. Governo permite a funcionários públicos ficar em casa em regime de teletrabalho sempre que funções o permitam. Madeira suspende voos provenientes da Dinamarca, França, Alemanha, Suíça e Espanha, países de transmissão ativa.
Presidente dos EUA, Donald Trump, declara estado de emergência nacional.
UEFA suspende todos os jogos sob a sua égide, incluindo Liga dos Campeões e Liga Europa. República Checa anuncia fecho total de fronteiras a partir de 16 de março.
14 março Número mundial de infetados: 150.054. Total de mortos: 5.617 Portugal: 169 infetados. Nas últimas 24 horas houve 57 novos casos. Não há ainda mortes em Portugal. Ministra da Saúde, Marta Temido, anuncia que Portugal entrou "numa fase de crescimento exponencial da epidemia", com 169 casos confirmados.
Açores e Madeira decidem quarentena obrigatória para todas as pessoas que cheguem às regiões autónomas. Governo de Espanha, onde há mais de 5.700 casos, impõe "medidas drásticas" no âmbito do estado de alerta, proíbe cidadãos de andar na rua, exceto para irem trabalhar, comprar comida ou à farmácia.
15 de março Número de casos em Portugal atinge 245, em todo mundo há quase 160.000 pessoas infetadas e já morreram mais de 6.000.
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convoca Conselho de Estado por videoconferência para 18 de março, para discutir a "eventual decisão de decretar o estado de emergência" em Portugal.
Sindicato Independente dos Médicos conta mais de 50 clínicos infetados e mais de 150 em quarentena.
Governo proíbe consumo de bebidas alcoólicas na via pública e eventos com mais de cem pessoas, apelando para que deslocações se limitem ao estritamente necessário.
Autoridade Marítima Nacional interdita atividades desportivas ou de lazer que juntem pessoas nas praias do continente, Madeira e Açores.
16 de março Portugal regista a primeira morte devido ao coronavírus. O número de infetados pelo novo coronavírus sobe para 331. Segundo a Direção-Geral da Saúde, há 2.908 casos suspeitos, dos quais 374 aguardam resultado laboratorial.
Governo português anuncia o controlo de fronteiras terrestres com Espanha, passando a existir nove pontos de passagem e exclusivamente destinados para transporte de mercadorias e trabalhadores que tenham de se deslocar por razões profissionais.
Portugal vai também intensificar o controlo sanitário nos aeroportos.
Macau decreta quarentena obrigatória de 14 dias para quem chegar ao território, com exceção da China continental, Taiwan e Hong Kong.
Assembleia da República dispensa funcionários inseridos em grupos de risco e promove o trabalho à distância e rotatividade.
17 de março O número de infetados sobe para 448.
É anunciado que o SNS foi reforçado com mais 1.800 médicos e 900 enfermeiros e que há 30 profissionais de saúde infetados, 18 dos quais médicos. E é também anunciado o nascimento do primeiro bebé filho de uma mulher infetada. O bebé não foi infetado.
O governo regional da Madeira anuncia o primeiro caso na região.
O município de Ovar fica sujeito a "quarentena geográfica" e o Governo declara o estado de calamidade pública para o concelho, que passa a ter entradas e saídas controladas. A circulação de pessoas nas ruas também é controlada.
António Costa anuncia a suspensão das ligações aéreas de fora e para fora da União Europeia.
A CP reduz em 350 as ligações diárias.
18 de março O Presidente da República decreta o estado de emergência por 15 dias, depois de ouvido o Conselho de Estado e de ter obtido o parecer positivo do Governo e da aprovação do decreto pela Assembleia da República.
O estado de emergência vigora até 02 de abril.
António Costa diz que "o país não para" e que o Governo tudo fará para manter a produção e distribuição de bens essenciais.
O estado de emergência contempla o confinamento obrigatório e restrições à circulação na via pública. A desobediência é crime e pode levar à prisão.
No dia em que o Governo revela um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das empresas de 3.000 milhões de euros, é também anunciado que as contribuições das empresas para a Segurança Social são reduzidas a um terço em março, abril e maio, e que as empresas vão ter uma moratória concedida pela banca no pagamento de capital e juros.
O número de infetados sobe para 642 e regista-se uma segunda morte. O Alentejo regista os primeiros dois casos.
19 de março O número de vítimas mortais sobe para três em Portugal, com os casos confirmados a ascenderem a 785. Graça Freitas anuncia que quem apresentar sintomas ligeiros ou moderados da doença é seguido a partir de casa.
O primeiro-ministro anuncia, após a reunião do Conselho de Ministros, as medidas e regras para cumprir o estado de emergência, incluindo o "isolamento obrigatório" para doentes com covid-19 ou que estejam sob vigilância. Os restantes cidadãos devem cumprir "o dever geral de recolhimento domiciliário". A regra é que os estabelecimentos com atendimento público devem encerrar e o teletrabalho é generalizado.
A proposta de lei do Governo com as medidas excecionais é de imediato promulgada pelo Presidente da República.
É também anunciado que o Governo criou um "gabinete de crise" para lidar com a pandemia e que suspendeu o pagamento da Taxa Social Única.
O governo dos Açores determina a suspensão das ligações aéreas da transportadora SATA entre todas as ilhas e a TAP anuncia que vai reduzir a operação até 19 de abril, prevendo cumprir 15 dos cerca de 90 destinos.
20 de março Com o país recolhido começam a destacar-se respostas da sociedade civil e das autarquias para fazer face à pandemia, anunciam-se ações de solidariedade para com os mais necessitados.
O Governo reúne-se em Conselho de Ministros para aprovar um conjunto de medidas de apoio social e económico para a população mais afetada. António Costa anuncia que é adiado para o segundo semestre o pagamento do IVA e do IRC, a prorrogação automática do subsídio de desemprego e do complemento solidário para idosos e do rendimento social de inserção.
É também anunciado que as celebrações religiosas, como funerais, e outros eventos que impliquem concentração de pessoas são proibidos, e que as autoridades de saúde ou de proteção civil podem decretar a requisição civil de bens ou serviços públicos se necessários para o combate à doença.
Portugal tem seis vítimas mortais e 1.020 casos confirmados.
21 de março O número de mortes sobe para 12, o dobro do dia anterior, e os infetados são 1.280.
Marta Temido estima que o pico de casos aconteça em meados de abril, e diz que Portugal vai adotar um novo modelo de tratamento de infetados, que passa pelo aumento do acompanhamento em casa. Graça Freitas estima que a taxa de letalidade é de cerca de 1%, mas avisa que pode mudar.
O Governo anuncia que vai prorrogar os prazos das inspeções automóveis e reduz os leilões nas lotas, criando uma linha de crédito até 20 milhões de euros para o setor da pesca.
Com o país em casa surgem as primeiras notícias de infeções em lares. Na Casa de Saúde da Idanha, em Belas, arredores de Lisboa, é anunciado que 10 utentes estão infetados. Um lar em Vila Nova de Famalicão fica sem funcionários depois de oito terem dado positivo ao covid-19.
O ministro dos Negócios Estrangeiros anuncia que a TAP prevê realizar voos para a Praia e Sal (Cabo Verde), Bissau (Guiné-Bissau) e São Tomé para transportar portugueses para casa.
22 de março O número de mortes associadas à covid-19 sobe para 14 e o de infetados para 1.600 (mais 320).
Num domingo de sol muitas pessoas saem à rua e na Póvoa de Varzim a polícia é chamada devido ao "desrespeito ao estado de emergência" (multidão a passear). Em Coimbra a PSP também é chamada por causa de um aglomerado na Mata Nacional do Choupal.
São detidas sete pessoas no país por crime de desobediência.
Os utentes do lar de Famalicão são transferidos para o Hospital Militar do Porto.
As autoridades iniciam o repatriamento de mais de 1.300 passageiros que chegam a Lisboa num navio de cruzeiro (entre eles estão 27 portugueses).
O Governo assina três despachos, que entram em vigor no dia seguinte, para garantir serviços essenciais de abastecimento de água e energia, recolha de lixo e funcionamento de transportes públicos.
O presidente da Associação Nacional de Freguesias, Jorge Veloso, pede que as pessoas das cidades e os emigrantes evitem ir para o interior.
23 de março Portugal tem 23 mortes e 2.600 infeções.
As queixas sobre a falta de equipamentos para quem mais necessita, como profissionais de saúde ou de segurança, começam a surgir. O Governo anuncia que o Estado vai comprar à China equipamentos de proteção e que espera quatro milhões de máscaras. Cinco polícias e dois técnicos sem funções policiais estão infetados numa esquadra de Vila Nova de Gaia.
O Governo cria uma linha de apoio de emergência de um milhão de euros para artistas e entidades culturais e reforça com 50 milhões de euros os acordos de cooperação com o setor social (responsável pelos lares de idosos ou centros de dia).
Uma residência para idosos na Maia, Porto, coloca em isolamento 46 idosos devido a casos de infeção.
24 de março O número de mortes sobe para 33 e o número de infeções passa a 2.362.
A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, anuncia a ativação do Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil, no mesmo dia em que são já 27 as detenções por violação das regras do estado de emergência.
O Presidente da República admite que o pico da pandemia possa ocorrer depois de 14 de abril. No parlamento, o presidente e líder parlamentar do PSD abandona o plenário depois de uma discussão sobre o número excessivo de deputados na bancada social-democrata.
A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) lança uma linha de financiamento de 1,5 milhões de euros para investigação e "implementação rápida" de respostas às necessidades do SNS.
Em Vila Real, o presidente da Câmara alerta para a existência de 20 utentes e funcionários de um lar infetados com covid-19.
O Rali de Portugal é adiado.
25 de março Portugal regista mais 10 mortes chegando às 43, quando são contabilizadas 2.995 infeções.
O secretário de Estado da Saúde diz que o sistema tem capacidade de fazer 8.600 testes diários. A questão de se fazer mais testes ou não divide opiniões.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil coloca em alerta laranja, o segundo mais grave, os distritos de Lisboa, Porto e Aveiro.
O ministro de Estado e das Finanças diz que o país "nunca esteve tão bem preparado" para enfrentar uma crise como a causada pelo vírus.(lol) O Banco de Portugal anuncia que é facilitada a concessão de crédito pessoal por parte dos bancos.
A Câmara de Melgaço implementa um cerco sanitário na aldeia de Parada do Monte, com 370 habitantes, após confirmação de três casos de infeção.
A ASAE diz que já fiscalizou 41 operadores económicos por causa de especulação de preços.
26 de março Há 3.544 infeções e morreram 60 pessoas.
Há doentes a ser tratados com medicamentos da malária e do ébola, ainda que sem certezas, diz Graça Freitas.
O Banco de Portugal estima que o Produto Interno Bruto caia este ano 3,7% num cenário base e 5,7% num cenário adverso, devido à pandemia. A taxa de desemprego deve subir acima dos 10%. No dia em que Marcelo Rebelo de Sousa admite prolongar o estado de emergência reúne-se o Governo em Conselho de Ministros e aprova a suspensão até setembro do pagamento dos créditos à habitação e de créditos de empresas. Aprova também medidas excecionais de proteção dos postos de trabalho (como redução temporária de horário ou suspensão do contrato) e uma proposta de lei que prevê um regime de mora no pagamento das rendas, habilitando ainda o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana a conceder empréstimos a inquilinos.
Na Maia um lar de idosos infetado é evacuado, em Vila Real aumentam as infeções num lar de idosos, de 20 para 45.
É anunciado que quem aterrar nos Açores tem confinamento obrigatório de 14 dias.
27 de março No lar da Nossa Senhora das Dores, em Vila Real, são agora 88 os infetados, entre os quais 68 utentes.
Em Portugal o número de mortes chega a 76 e o número de infetados sobe para 4.268.
Graça Freitas diz agora que o pico da pandemia pode afinal ser só em maio.
António Costa anuncia a chegada a Portugal de milhares de equipamentos de proteção individual e o Laboratório Militar também anuncia que começou a fazer testes de diagnóstico. Outras entidades como o Instituto de Medicina Molecular também começam a fazer testes.
Mil e quinhentos enfermeiros voluntariam-se para reforçar o apoio à linha telefónica SNS24, segundo a bastonária da Ordem.
As forças de segurança detiveram, desde o início do estado de emergência, 64 pessoas por crime de desobediência, e mandaram encerrar 1.449 estabelecimentos. O balanço é do MAI, segundo o qual também foram impedidas de entrar em Portugal 850 pessoas e uma delas foi detida. A detida, viria a confirmar-se depois, estava infetada com covid-19.
No Algarve, quando se aproxima o período da Páscoa, que costuma encher os hotéis, a associação empresarial do setor diz que a hotelaria está praticamente encerrada.
28 de março O número de mortes ascende à centena e os infetados são 5.170. Marta Temido também diz que o pico da epidemia só deve acontecer no final de maio e que as medidas de contenção social estão a abrandar a curva de infeções.
O Presidente da República pede aos portugueses para que, no período da Páscoa, continuem a respeitar as regras de contenção. A PSP interpela todas as pessoas que atravessam a Ponte 25 de Abril, no sentido norte-sul, e são divulgadas imagens de grandes filas de carros, alguns deles, diz a PSP, em incumprimento do estado de emergência.
É publicada uma retificação do diploma inicial do "lay-off" simplificado, acautelando que nenhum trabalhador de empresas que recorram e esse apoio pode ser despedido.
O Governo anuncia que vai organizar uma operação de transporte aéreo para o regresso temporário a Portugal de professores portugueses que estão em Timor-Leste.
29 de março Portugal contabiliza 119 mortes e 5.962 casos de infeções p. O número de pessoas internadas nos cuidados intensivos é de 138 doentes, um aumento para o dobro em relação ao dia anterior.
As notícias sobre infeções em lares continuam, como em Foz Côa, Guarda, onde o lar tem 47 infetados num universo de 62 idosos, segundo o provedor.
Em Ovar, onde foi declarado o estado de calamidade pública, são cinco as mortes, uma delas uma jovem de 14 anos, diz o vice-presidente da Câmara.
Nos Açores, o concelho de Povoação, na ilha de S. Miguel, é também submetido a um cordão sanitário.
Surgem notícias, através de sindicatos, de que há pelo menos um guarda prisional infetado do estabelecimento de Custoias e de uma auxiliar de ação médica no hospital prisional de Caxias. O Governo diz que vai ponderar criteriosamente a recomendação das Nações Unidas para libertação imediata de alguns presos mais vulneráveis.
30 de março António Costa avisa que Portugal "vai entrar no mês mais crítico desta pandemia", no dia em que os números da DGS indicam que há 140 mortes e 6.408 infetados.
Segundo o primeiro-ministro, com ou sem estado de emergência vai ser preciso prolongar as medidas que têm sido adotadas. E, diz também, que na próxima semana pretende cobrir o país com despistes de covid-19 em lares.
O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirma que o número de profissionais de saúde infetados chegou aos 853, e Graça Freitas admite impor-se uma cerca sanitária na região do Porto, motivando fortes críticas.
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, diz que a segurança social recebeu 1.400 pedidos de empresas que pretendem aderir ao "lay-off" simplificado.
(Continua nos comentários)
O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, admite nacionalizações e diz que seria "um erro trágico" reagir com medidas de austeridade à crise provocada pela pandemia, defendendo antes o apoio ao crescimento da economia.
O Governo pede a abertura de "forma condicionada" das juntas de freguesia onde estão instalados postos dos CTT, lembrando que esses serviços garantem a entrega de pensões. A empresa anunciou que ia antecipar a emissão e pagamento de vales em dois dias úteis.
Marcelo Rebelo de Sousa diz que se impõe manter as medidas de contenção que vigoram em Portugal.
A TAP avança para um processo de "lay-off" para 90% dos trabalhadores.
O governo dos Açores prolonga a situação de contingência no arquipélago até 30 de abril.
(Limite de Caracteres continua nos Comentários)
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2020.04.19 21:03 akarena O impacto psicológico da quarentena e como reduzi-la: revisão rápida das evidências

International Journal of Drug Policy Watson TM, Kolla G, van der Meulen E & Dodd Z (2020).
O estudo, como informa o título, fez uma revisão rápida da evidência disponível na literatura acerca do impacto psicológico da quarentena e sobre como reduzi-lo. Dado o estado de emergência global em função do contágio por coronavírus, os autores informam ter preterido uma avaliação mais rigorosa de qualidade dos estudos abarcados em favor da preocupação por contribuir com a divulgação das melhores evidências então disponíveis sobre o tema em questão. Os autores definem “quarentena” como a separação e restrição de mobilidade por indivíduos potencialmente expostos a uma doença contagiosa para verificar se, tendo sido infectados, irão desenvolver a doença em questão. Essa é a situação abordada no estudo, que é distinta do isolamento, ou seja, a separação das pessoas que foram diagnosticadas com uma doença contagiosa das pessoas que não estão doentes. Lembram, porém, que as fronteiras entre quarentena e isolamento podem ser “borradas”. Na história recente, a quarentena foi adotada no Canadá e na China em 2003 por conta da síndrome respiratória aguda grave (SARS) e, em 2014, em vilas inteiras de muitos países da África Ocidental durante o surto de Ebola. No caso do COVID-19, cidades inteiras na China foram quarentenadas em massa, e estrangeiros que de lá retornavam foram solicitados a se autoisolarem (em casa ou em instalações estatais). Como os mecanismos de contenção não foram suficientes, e a transmissibilidade do vírus mostrou-se muito alta, quarentena, isolamento e distanciamento social vêm sendo adotados em vários pontos do planeta seguindo as recomendações das agências de saúde nacionais e transnacionais. Foram abrangidos pela revisão relatos de estudos primários realizados em dez países e que incluíram pessoas com SARS (onze estudos), Ebola (cinco), pandemia de influenza H1N1 de 2009 e 2010 (três), síndrome respiratória do Oriente Médio (dois) e influenza eqüina (um). Um desses estudos relacionou-se ao H1N1 e ao SARS. A maioria dos estudos revisados relatou efeitos psicológicos negativos de se permanecer em quarentena. De modo geral, humor deprimido e irritabilidade mostraram-se os sintomas mais prevalentes como manifestações de sofrimento mental, porém, também foram relatados confusão, insônia, raiva, exaustão emocional e sintomas depressivos e de estresse pós-traumático.
Tais sintomas foram especialmente importantes entre trabalhadores da saúde que atuaram em contexto hospitalar atendendo às pessoas infectadas, que também manifestaram medo, tristeza, culpa e dúvidas em relação a permanecer exercendo a atividade profissional. Dois estudos identificados na revisão realizada relataram efeitos em longo prazo da quarentena, informam que os sintomas de abuso ou dependência de álcool entre trabalhadores da saúde que atenderam aos infectados por SARS foram positivamente associados ao fato de terem sido colocados em quarentena e trabalhado em um local de alto risco. Sintomas depressivos também foram identificados após três anos, mais intensos entre o pessoal hospitalar que precisou ficar em quarentena (60%) contra os que não ficaram (15%). A revisão também indica que determinados fatores atuaram como estressores mais relevantes durante a vigência de medidas de quarentena: (1) maior duração da quarentena, de modo que pessoas que ficaram em quarentena por mais de dez dias relatam maior sofrimento psicológico; (2) medos de infecção, principalmente por temer infectar membros da família, especialmente entre mulheres grávidas e aquelas com crianças pequenas; (3) frustração e tédio, exacerbados pela impossibilidade de participar das atividades do dia-a-dia; (4) falta de acesso a suprimentos básicos como alimentos, água, roupas, moradia e medicamentos, bem como a irregularidade de cuidados médicos e insuficiência desses suprimentos pelas autoridades de saúde pública, e (5) informações inadequadas, com diretrizes claras e insuficientes, falta de coordenação entre as várias jurisdições e níveis de governo envolvidos e falta de transparência sobre a gravidade da pandemia, gerando dificuldades em cumprir os protocolos de quarentena. Na pós-quarentena, por sua vez, dois estressores foram centrais: (1) a perda financeira devido à necessidade de interromper atividades profissionais sem planejamento prévio, gerando raiva e ansiedade vários meses após a quarentena, com assistência financeira em valores insuficientes ou sendo disponibilizada tarde demais, produzindo dependência financeira da família, o que afetou mais as pessoas com renda mais baixa, trabalhadores autônomos e assalariados que não contavam com férias remuneradas, e (2) o estigma, principalmente direcionado aos profissionais de saúde em quarentena, que foram estigmatizados e rejeitados por seus vizinhos em algumas situações, e cujos empregos passam a ser vistos como muitos arriscados gerando uma tensão intra-familiar, para o que contribuem manchetes dramáticas e propagação de medo pela mídia. E para mitigar as consequências da quarentena, o que pode ser feito, segundo essa revisão? Para minimizar os problemas financeiros, é preciso que os governos delineiem programas específicos para fornecer suporte financeiro, assegurando que dentro do possível as pessoas trabalhem em casa, mesmo considerando que provavelmente com produtividade mais reduzida, contando com suporte social remoto de seus colegas.
Para minimizar a estigmatização, que tem como alvo em especial os profissionais de saúde, é preciso investir em uma educação geral sobre a doença e em justificar publicamente a medida de quarentena, fornecendo informações mais detalhadas às escolas e aos locais de trabalho, com um papel importante da mídia em oferecer mensagens rápidas e claras e um entendimento preciso da situação. Além disso, é importante que a quarentena respeite o tempo previsto, mantendo o tempo de quarentena ao que é cientificamente razoável, a menos em circunstâncias extremas. Estudos apontam que quarentenas mais longas estão associadas a piores resultados psicológicos, de modo que as autoridades devem aderir ao período recomendado de quarentena e não o estender. O público em geral deve ter acesso ao máximo de informação possível, que é fundamental, em especial às próprias pessoas em quarentena, que precisam entender a situação e ter uma boa compreensão da doença. Para isso, comunicação eficaz e rápida é essencial. As pessoas em quarentena costumam ter avaliações catastróficas de quaisquer sintomas, e informações inadequadas podem torná-las incertas da natureza dos riscos envolvidos. Suprimentos (gerais e médicos) precisam ser inevitavelmente fornecidos, o mais rapidamente possível, contando inclusive com planos de conservação e realocação de suprimentos às pessoas quarentenadas. Também é preciso reduzir o tédio, oferecendo técnicas de enfrentamento e gerenciamento de estresse e ativação da rede social das pessoas em quarentena, assegurando mesmo que remotamente o contato com família e amigos, bem como manter uma linha de suporte por telefone. Existem evidências que sugerem serem relevantes grupos de apoio especificamente para pessoas que ficaram em quarentena. Os profissionais de saúde merecem atenção especial, porque podem ser afetados negativamente pelas atitudes estigmatizantes, além de estarem preocupados com a falta de pessoal em seus locais de trabalho e com o trabalho extra de colegas. Nesse sentido, o apoio organizacional protege a saúde mental da equipe de saúde, sendo importante que os gerentes das equipes estimulem os funcionários a apoiar os colegas em quarentena. Finalmente, a revisão aponta que estimular o altruísmo (solidariedade) é melhor que adotar quarentena compulsória, visto que a maioria dos efeitos adversos advêm da imposição de uma restrição de liberdade: quarentena voluntária está associada a menos sofrimento e menos complicações em longo prazo. As autoridades de saúde pública, assim, devem enfatizar a escolha altruísta de auto-isolamento, lembrando à população os benefícios da quarentena para a sociedade em geral e que a quarentena está ajudando a manter outras pessoas seguras. Os autores concluem que o impacto psicológico da quarentena é amplo, substancial e pode ser duradouro, mas que, no entanto, não usar a quarentena e permitir a propagação da doença pode ter consequências ainda piores.
Fonte: plata_data, newsletter científica da Plataforma Brasileira de Política de Drogas.
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2020.02.05 19:50 pica_foices A análise e debate da atualidade internacional (semana #05 de 2020) pela rádio/TV portuguesa

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2020.01.07 00:38 pica_foices A análise e debate da atualidade internacional (semana #01 de 2020) pela rádio/TV portuguesa

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2019.08.29 08:12 Ricky_Steamboat China Admite Que Belt & Road é Para Dominação Militar Global!

Depois de anos que a China insistiu que sua Iniciativa Faixa e Estrada (BRI) é puramente para propósitos econômicos pacíficos, o principal oficial de defesa do país reconheceu em 8 de julho que o projeto inclui ambições militares.
Falando em Pequim com autoridades de defesa de países da América Latina, Caribe e Pacífico Sul, o ministro da Defesa chinês, Wei Fenghe, disse que o projeto de infraestrutura que cobriria o mundo inteiro criaria uma "estrutura" para a cooperação militar. entre a China e outras nações.
A agência de notícias chinesa Xinhua citou Wei dizendo: "O exército chinês está pronto para aprofundar a confiança mútua e fortalecer a amizade com os exércitos dos países caribenhos e das ilhas do Pacífico". Ele acrescentou que tal cooperação teria lugar dentro do "quadro BRI" http://www.xinhuanet.com/english/2019-07/08/c_138209338.htm
O Belt and Road Initiative é o projeto e a principal prioridade nacional do presidente chinês, Xi Jinping. Seu objetivo declarado é reconstruir a antiga rede de rotas da Rota da Seda que facilitou o fluxo comercial na Ásia, Oriente Médio, África e Europa. A China empresta bilhões de dólares para as nações dessas regiões para construir portos, estradas, redes ferroviárias, pontes e oleodutos de energia. A moderna Rota da Seda também se estende às nações da América Latina, Caribe e Pacífico Sul.
Apesar das freqüentes alegações da China ao longo dos anos de que a iniciativa é estritamente um esforço econômico pacífico, os laços militares do projeto têm sido evidentes há muito tempo, particularmente no Paquistão e no Tadjiquistão. A China busca uma base militar em lugares tão estrangeiros como parte de seus esforços para impedir que potências externas, os Estados Unidos, bloqueiem o estrangulamento vital na periferia chinesa. Se os soldados chineses, marinheiros e pilotos forem colocados em bases internacionais, estarão em melhor posição para impedir ou desmantelar esse bloqueio. Esses objetivos fizeram parte da motivação do Presidente Xi para priorizar o projeto desde sua apresentação em 2013.
Negações repetidas de objetivos militares foram projetadas para minimizar a oposição política ao projeto.
A ruptura pública de Wei da linha partidária foi inesperada. Mas o governo chinês pode ter calculado que, ao lidar com certas nações, o brilho do avanço econômico é ofuscado pelo poderio militar. E, de fato, durante a reunião de 8 de julho, em vez de se afastar da oferta de Wei, o chefe do Exército da Guiana, Patrick West, disse que sua nação está ansiosa para aprofundar a cooperação militar com a China no a iniciativa: https://es-us.noticias.yahoo.com/china-profundizar%C3%A1-cooperaci%C3%B3n-militar-pa%C3%ADses-140154234.html
No futuro, a China quer subjugar a América Latina e usá-la como base para atacar os Estados Unidos, em sua tentativa de conquistar o mundo.
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2019.06.15 14:35 Terry3637 Mudem a vossa perspetiva em relação ao mundo

Olá Reddit,
Decidi escrever isto aqui. Vai mais parecer um post foleiro de um blog qualquer do que propriamente um debate, mas está escrito aqui de propósito, uma vez que eu quero ser alvo de chacota. Corrijam à vontade, ou concordem, adicionem factos que encontrarem, e se quiserem.
Vou direto ao assunto: eu acho que os Portugueses menosprezam, mais do que deviam a América do Sul, África, Médio Oriente e Europa do Leste, especialmente quando comparam esses países com Portugal.
Uma coisa é o global, e outra coisa ainda são as preferências que cada pessoa tem. Por exemplo, eu posso preferir num estado de Direito onde prefiro ter menos poder de compra, mas um serviço de saúde universal e gratuito. Isso é perfeitamente legítimo. No entanto, muita gente faz implicações que não correspondem à realidade. Então, eu trouxe algumas fontes e algumas compilações de resultados que achei que podia ser interessante partilhar convosco.
Aqui no reddit não vai chocar nem vai ter metade do impacto que fora dele, porque considero que o reddit é a 2º comunidade mais bem informada da internet (atrás do Quora, apesar de lá também haver muitas barbaridades).
GDP PPP per capita:
Muita gente diz: "a Europa do Leste vai-nos, em breve, ultrapassar economicamente". A verdade é que uma boa parte da Europa do Leste já nos ultrapassou, ou está num nível tão equivalente, que nós já nem podemos dizer que estamos "por cima" deles.
Eslovénia, Eslováquia, Lituânia e Estónia, estão acima. Letónia está praticamente igual. Outro país praticamente igual é a Polónia. Atualmente só estamos acima da Bulgária, Roménia, Croácia, Sérvia,Rússia (sim, eu sei que a Rússia não bem é "a Europa de Leste", mas achei interessante referir), e pouco mais.
https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(PPP)_per_capita
Desigualdade:
Atualmente os dados para a desigualdade são muito preocupantes. O nosso GINI é 0.348 (após impostos). O nosso GINI sem impostos é 0.7090. Basicamente, 0 é igualdade perfeita, e 1, perfeita desigualdade. Significa que os nossos impostos estão a reduzir a desigualdade de uma forma muito eficiente!
Ainda assim, países menos desiguais do que Portugal são:
Senegal(34.5), Sérvia, Estónia, Cazaquistão, Lituânia, Roménia, Tunísia, Bulgária, Grécia, Moldávia, Algéria(32.2), Mali(32.3), Nova Zelândia, Polónia, Sierra Leone(32), Burundi (31.6)
(https://www.gfmag.com/global-data/economic-data/wealth-distribution-income-inequality)
Por muito que apontemos sempre para a África e afins como grandes caldeirões de desigualdade, nem tudo é preto, ou branco. E antes de apontarmos o dedo para alguns dos países Africanos, devíamos apontar o dedo para dentro do nosso próprio país.
Países mais poderosos do mundo
Alguns países mais poderosos que Portugal, e que têm menos população que nós ou um PIB menor que o nosso (ou semelhante):
Israel, Iraque, Singapura, Qatar, Vietnam, Jordânia, Nova Zelândia, Bulgária, Lebanon, Oman, Cazaquistão, Azerbeijão
Alguns países menos poderosos que Portugal:
Argentina, Angola, Marrocos.
Já ouvi mais do que uma vez dizer, principalmente de Angolanos, que "Portugal precisa de Angola". Os Angolanos, em geral, têm uma ideia muito errada do quão insignificante é o seu próprio país, mesmo com todos os recursos naturias que têm.
(https://www.usnews.com/news/best-countries/power-rankings)
Qualidade de vida
Apesar de nos mídia só sair (quase) os rankings em que nós estamos bem, também há rankings onde nós mal entramos no top 20, especialmente os rankings onde a opinião dos cidadãos de cada país conta e, digam o que quiserem, isso revela muito quer dos mídia, quer do nosso povo, mas também que nós não estamos tão bem como pensamos que estamos.
IDH
Nós gostamos imenso de dizer que "temos boas infraestruturas" e etc.
Alguns países com o IDH superior ao nosso:
Israel, Malta, EAU, Andorra, Lituânia, Qatar, Eslováquia, Brunei, Arábia Saúdita e Lituânia.
De realçar que para o IDH contam aspetos como a desigualdade, a esperança de vida, e a educação.E mesmo com países extremamente desiguais e sem grandes direitos como a Arábia Saúdita, ou os EAU, estes conseguem ficar à frente de Portugal.
Eu não quero atirar Portugal abaixo. Nem tudo está mal. É, antes, um momento de reflexão, que devia servir tanto a nível interno, como ao nível da nossa percepção do mundo.
Também podia dizer o que eu acho que está melhor do que na verdade dizem que está (seria, por exemplo, o SNS e os nossos transportes quando, aos transportes públicos, juntamos a nossa capacidade de nos deslocarmos de carro e qualidade das autoestradas - onde ficamos, por exemplo, à frente da França). Mas isso seria assunto para outro tópico. De realçar, no entanto, que acho que sim, que também existem aspetos em que nós atiramos Portugal demasiado para baixo.
Peço imensa desculpa pelo longo texto. Isto também foi meio que um desabafo.
Para concluir, sei que existe uma enormidade de rankings na internet, cada um deles com as suas metodologias, e que me posso ter enganado, a ver um ou outro dado. É normal. Não responderei a comentários mal educados, nem a alguém que fundamente isto estar errado "porque sim". Quero dizer que isto não é "a verdade absoluta" mas, mais uma vez, é um indicador de que algo está pior do que achamos que está, ou de que os outros estão melhores em alguns aspetos do que achamos que estão. Either way, é a minha opinião.
Com os melhores cumprimentos,
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2018.11.27 01:50 rapelbaum Uma eloquente resposta de um Professor Escocês aos que pretendem boicotar Israel

Em primeira mão, para sua apreciação. Se quiser propor alterações, sinta-se à vontade.
------***---------
Uma eloquente resposta de um Professor Escocês aos que pretendem boicotar Israel

Tradução: Marcos L Susskind

Os estudantes da Universidade de Edimburgo votaram por boicotar Israel. O Professor e especialista em Oriente Médio lhes ensinou, ponto por ponto, por que eles estavam tão errados. Vale a leitura

O Dr. Denis MacEoin, um Professor Escocês não-Judeu escreveu uma carta para seus alunos que tinham votado pelo boicote a Israel, explicando por que isso era tão errado.

A Associação de Estudantes de Edimburgo (EUSA) apresentou uma proposta de boicote a todas as coisas de Israel, alegando que Israel é um regime de apartheid.

MacEoin é um especialista em Oriente Médio e foi editor sênior do Middle East Quarterly.

A seguir sua carta aos alunos

AO: The Committee Edinburgh University Student Association.

Permitam-me dizer algumas palavras aos membros do EUSA? Sou graduado de Edimburgo (MA 1975), onde cursei Estudos Persa, Árabe e História Islâmica em Buccleuch Place, com William Montgomery Watts e Laurence Elwell Sutton, dois dos maiores especialistas em Oriente Médio na Grã-Bretanha em sua época. Depois fiz meu Doutorado PhD em Cambridge e passei a lecionar Estudos Árabes e Islâmicos na Universidade Newcastle. Naturalmente, sou autor de vários livros e centenas de artigos nesta área. Menciono tudo isso para mostrar que eu sou bem informado em assuntos do Oriente Médio e que, por isso, estou chocado e desanimado pelo resultado da votação na EUSA.

O que acontece com os fatos? Qual a Realidade?

Estou chocado por uma simples razão de: não há e nunca houve um sistema de apartheid em Israel. Não é minha opinião, é fato que pode ser testado frente à realidade por qualquer estudante de Edimburgo caso ele ou ela escolha visitar Israel para ver por si mesmo. Deixe-me esclarecer isso, uma vez que tenho a impressão de que os membros da EUSA que votaram assim, não têm absolutamente qualquer noção em matéria de Israel, e que eles são, com toda a probabilidade, vítimas da propaganda extremamente tendenciosa vindo do lobby anti-Israel.

Ser anti-Israel não é por si só questionável. Mas eu não estou falando sobre as críticas comuns a Israel. Estou falando de um ódio sem limites que se torna possível por causa das mentiras e mitos que são derramados. Assim, Israel é várias vezes referido como Estado "nazista". Em que sentido isso seria verdade, mesmo como uma metáfora? Onde estão os campos de concentração Israelenses? O einzatsgruppen? A SS? As Leis de Nuremberg? A Solução Final? Nenhuma destas coisas nem nada que remotamente se assemelhe a isto existe em Israel, precisamente porque os Judeus, mais do que ninguém na terra, entendem o que o nazismo representava.

Alega-se que houve um Holocausto Israelense em Gaza (ou em outros lugares). Onde? Quando? Nenhum historiador honesto trataria desta afirmação de qualquer forma, a nao ser com o desprezo que ela merece. Mas chamar Judeus de nazistas e dizer que cometeram um Holocausto é basicamente uma maneira de subverter um fato histórico.

A mesma coisa com apartheid. Para o apartheid existir, teria de haver uma situação similar às coisas ocorridas na África do Sul no âmbito do regime de apartheid. Infelizmente, para aqueles que acreditam nisso, um único fim de semana em qualquer parte de Israel seria o suficiente para mostrar como é ridícula esta acusação!

UmTriste Comentário sobre a Situação da Educação moderna

Verificar que um grupo de estudantes universitários, na verdade, votou e caiu neste engodo, é uma triste constatação sobre o Estado de Educação moderna. O mais óbvio foco de apartheid seriam os de 20% de Árabes que constituem a população de Israel. Pela lei, Árabes israelenses tem exatamente os mesmos direitos que os Judeus ou qualquer outra pessoa; muçulmanos tem os mesmos direitos que Judeus e Cristãos; já os Bahá'ís, severamente perseguidos no Irã, florescem em Israel, onde têm seu Centro Mundial; Muçulmanos Ahmadi, severamente perseguidos no Paquistão e em outros lugares, têm seguranca em Israel; os locais santos de todas as religiões são protegidos em Israel por determinação específica em lei. Árabes representam 20% da população em Universidades (um eco exato de sua percentagem na população).

No Irã, os Bahai (a maior minoria religiosa) são proibidos de estudar em qualquer Universidade ou de criar sua própria universidade: por que vocês não boicotam o Irã? Os Árabes em Israel podem ir a qualquer lugar que queiram, ao contrário dos negros no apartheid da Africa do Sul. Eles usam transportes públicos, eles comem em restaurantes, eles vão às piscinas, eles usam bibliotecas, eles vão aos cinemas ao lado dos Judeus - algo que nenhum negro foi capaz de fazer na África do Sul.

Os hospitais Israelense não tratam apenas Judeus e Árabes, eles também tratam Palestinos de Gaza ou da Cisjordânia. Nas mesmas alas, no mesmo teatro de operação. Em Israel, as mulheres têm os mesmos direitos que os homens: não há apartheid por sexo. Homens e mulheres gays não enfrentam restrições, e Palestinos gays, muitas vezes fogem para Israel, sabendo que podem ser mortos em casa.

Me parece estranho que grupos LBGT clamam por um boicote a Israel mas não se manifestam sobre países como o Irã, onde homens gays são enforcados ou apedrejados até a morte. Isto ilustra uma mentalidade de pobres de espírito.

Estudantes inteligentes pensando que é melhor ficar em silêncio sobre regimes que matam os gays mas que seja correto condenar o único país no Oriente Médio que salva e protege os gays. Será que se trata de uma piada de mau gosto?

Estudantes que não têm idéia de como pensar

Supostamente a Universidade deve ser de onde se aprende a usar o seu cérebro, a pensar racionalmente, a examinar evidências para chegar a conclusões com base em prova concreta, um lugar para comparar as fontes, para pesar um ponto de vista frente a um ou mais outros. Se o melhor que a Universidade de Edimburgo pode produzir hoje são alunos que não têm idéia de como fazer qualquer uma destas coisas, então o futuro é sombrio.

Eu não me oponho a críticas bem documentadas contra Israel. Eu rejeito quando pessoas supostamente inteligentes apontam únicamente ao Estado Judeu sem qualquer incomodo com paises que são terríveis no tratamento de suas populações. Estamos passando pela maior revolução no Oriente Médio desde o 7º e 8º séculos, e é claro que Árabes e Iranianos estão se rebelando contra regimes terríveis que lutam contra os seus próprios cidadãos, matando-os.

Cidadãos israelenses, tanto Judeus como Árabes, não se revoltam (embora sejam livres para protestar). No entanto, os estudantes de Edimburgo não organizam demonstrações e tampouco chamada para boicotes contra a Líbia, Bahrain, Arábia Saudita, Iêmen, e o Irã. Eles preferem fazer falsas acusações contra um dos paises mais livres do mundo, o único país no Oriente Médio que aceitou refugiados de Darfur, o único país no Oriente Médio que dá refúgio para homens e mulheres gays, o único país no Médio Oriente que protege a comunidade Bahai ... sera que há necessidade eu continuar?

O desequilíbrio é perceptível, e não dá crédito a qualquer um que votou por este boicote. Eu lhes peço para mostrar algum bom senso. Obtenham informação na embaixada de Israel. Chamem algum palestrante. Ouçam mais de um lado. Não façam vossa cabeça antes que vocês tenham dado uma oportunidade justa para ambas as partes exporem suas posições. Vocês têm um dever com seus alunos, e este dever é protegê-los de argumentos de um só lado.

Eles não estão na universidade para receber propaganda e sim informações e formação. E eles certamente não devem ser levados a um anti-semitismo que visa punir apenas um país entre todos os países do mundo, que é exatamente o único Estado Judeu. Se houvesse um único Estado Judeu na década de 1930 (que, Infelizmente, não havia), você não acha Adolf Hitler teria decidido boicotá,-lo?

A sua geração tem o dever de assegurar que o perene racismo de anti-semitismo nunca plante raízes nem seu meio. Hoje, no entanto, existem sinais claros que já o fez e esta colocando ainda mais. Vocês têm uma chance de evitar um grande mal, simplesmente usando a razão e um senso de Fair Play. Por favor, digam-me que isto faz sentido. Eu lhes dei algumas das evidências. Cabe a vocês encontrar outros por vós mesmos.

Atenciosamente,

Denis MacEoin 

Com tanto viés anti-Israel na imprensa, em meios como CNN e a BBC, muitos jornais e revistas no Brasil ajude a levar nossa mensagem para fora a tantas pessoas como possível. Você pode ajudar.


Edit: Recebi isso hj e fui pesquisar para garantir q não é fake . É de 2016 , porém acho o assunto atual e repasso com respectiva fonte original do Prof Denis MacEoin.
segue link : https://www.gatestoneinstitute.org/7792/edinburgh-student-association-israel
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2018.04.15 03:22 dontseemyname Se vcs fossem mudar de país, vcs iriam (supondo q todos tenham condições). Pra onde? E se não, pq?

Os eua por si só eu não iria por ter muitos problemas sociais (xenofobia,LGBT, e outros, mas principalmente por conta daquele racismo fudido, que só causa violência sem parar) e por puxar briga com MUITOS países (oriente médio inteiro, Vietnã ,China, Rússia, alguns países da África islã e Venezuela, se eu não perdi a conta) perigosos. Além do mais, a cultura/povo deles é sem graça, só gente com cara de ** mal humorada sem animação nenhuma (sem contar o bullying lá, q é um dos piores do mundo).
Os países da Europa também são similares aos eua nesses quesitos, um pouco mais leve é vdd, mas não são países cheíssimos de dinheiro q nem os eua, então também não compensa (sem contar q eu só sei inglês e espanhol :/ )
Ásia, África e o resto da América do Sul já estão dispensados por conta de serem iguais ou piores q o Brasil em quesito de desigualdade e renda.
Os países q sobram são O Canada e Austrália, q ambos aceitam/incentivam (e muito) imigração, são falantes de inglês e tem pretenções de se tornarem países RICOS (desenvolvidos já são, mas não ricos). Porém, eis as razões pelas quais eu não escolhi a Austrália
1-meio do nada
Pra viajar pra qualquer lugar fica PELO MENOS umas 10h. O país também fica meio q em desvantagem em serviços de internet, não por ela ser ruim, mas pelo tempo de chegada do provedor central global (por exemplo, assistindo algo ao vivo no YouTube ia ter uns 3 segundos de delay). Pra jogar jogo online tbm ferra, em bf por exemplo tem só 6 NO FDS em toda a área da ocenia.
2-problemas sociais
Por conta de diversos fatores (como quantidade significativa de descendentes de prisioneiros-por conta de originalmente a Austrália ser uma colônia carcerária da Inglaterra, e quem veio depois são os malandroes do ouro, exploradores etc que tem cultura q originou o nosso “jeitinho brasileiro “ por exemplo) a Austrália tem diversos problemas com rejeição a outras culturas, raças etc q só causam violência (como sempre). Tenho um amigo no ps4 q é Australiano, e pelo q ele fala quando a gente joga (com aqueles deliciosos 300 de Ping) é pior q os eua (parecido com a África do Sul).
3-calor
Eu particularmente não gosto de calor. Eu morro congelado mas não passo metade de um segundo no sol kkkkkk
4-variedade
Só a Costa leste é habitável praticamente. A parte central/oeste/Norte do país é um deserto. É, um ferrando deserto. Eles têm pouca variedade de espécies VEGETAIS (definitivamente não animal ou marinha, mas vegetal estraga a beleza do lugar se for pouca).
O Canada é perfeito na minha opinião, por diversos motivos:
1-perto dos eua e Europa (bom, pelo menos mais q a Austrália)
Se vc quiser viajar, é tranquilo, tudo perto, até a Ásia. Se quiser ter variedade de preços tem nos eua pertinho (ainda mais se for morar em Vancouver q nem eu), se quiser jogar tem mais gente q na América do Sul (pelo fato de eles jogarem mais no geral e poderem comprar jogos pra começar), se quiser fazer um monte de coisas tá perto.
2- clima frio
Não lá pro norte tbm né, ninguém quer morrer congelado nos -20° de Nunavut kkk, mas Vancouver e de boas, no verão e verão no inverno e inverno, não q nem na minha cidade q no inverno tá 20 e no verão 40.
3-tem poucos problemas sociais
A cultura é diferente dos eua nesse sentido. Como eles têm q conviver com franceses no país também, e pelo fato de quem foi pra lá foi atrás de madeira (bem menos cobiçado q ouro ou ferro de quem foi pros eua), os problemas sociais não são tão numerosos. Além do mais, me disseram q eles até se interessam por outros países, pelas vidas de outras pessoas em outros lugares, e são extremamente amigáveis. Além do mais, a maior porcentagem de imigrantes indo pra lá são brasileiros (56% do total de imigração por ano), ou seja, mais do nosso povo amigável/gente boa (e é até bom pra não se sentir tão isolado do país). Pelo fato de serem outro país m, e não só uma parte dos eua (como antigamente), os problemas internacionais dos eua não se aplicam ao Canadá.
E bom, eu já dei minhas razões, tem mais coisas q eu gostaria de flar mas aí ficaria desnecessariamente (ainda mais) longo, então pra onde vcs iriam? E pq?
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2017.10.03 23:29 Pertyew Como seria um Brasil onde a escravidão nunca aconteceu?

Até o começo das grandes navegações, a Europa não tinha nenhum tipo de escravidão, pelo menos não em larga escala e com fundamentos econômicos. Lá existia o sistema de servidão, que era quase uma escravidão, mas os servos eram "apenas" servos, e não eram tratados como uma propriedade, apenas como pessoas com uma dívida ao dono das terras, apenas os árabes do oriente médio e norte da áfrica praticavam escravidão de verdade. Imaginando que os Europeus simplesmente não demonstrassem interesse em escravizar os negros africanos nem os indígenas, e não forçassem a migração em massa de africanos para o brasil, o que mudaria aqui? Eu imagino que teríamos uma população muito menor, porém muito mais indígena e europeia assim como é nos nossos países vizinhos. O que vocês acham?
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2017.08.11 21:54 feedreddit Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana

Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana
by Lee Fang via The Intercept
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Para Alejandro Chafuen, a reunião desta primavera no Brick Hotel, em Buenos Aires, foi tanto uma volta para casa quanto uma volta olímpica. Chafuen, um esguio argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.
Ele lutou sozinho durante décadas, mas isso está mudando. Chafuen estava rodeado de amigos no Latin America Liberty Forum 2017. Essa reunião internacional de ativistas libertários foi patrocinada pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos conhecida como Atlas Network (Rede Atlas), que Chafuen dirige desde 1991. No Brick Hotel, ele festejou as vitórias recentes; seus anos de trabalho estavam começando a render frutos – graças às circunstâncias políticas e econômicas e à rede de ativistas que Chafuen se esforçou tanto para criar.
Nos últimos 10 anos, os governos de esquerda usaram “dinheiro para comprar votos, para redistribuir”, diz Chaufen, confortavelmente sentado no saguão do hotel. Mas a recente queda do preço das commodities, aliada a escândalos de corrupção, proporcionou uma oportunidade de ação para os grupos da Atlas Network. “Surgiu uma abertura – uma crise – e uma demanda por mudanças, e nós tínhamos pessoas treinadas para pressionar por certas políticas”, observa Chafuen, parafraseando o falecido Milton Friedman. “No nosso caso, preferimos soluções privadas aos problemas públicos”, acrescenta.
Chafuen cita diversos líderes ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão.
“Estive nas manifestações no Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz, empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, à esquerda, dentro de um carro em direção ao aeroporto, onde pegaria um voo para a Nicarágua nos arredores de San José. Domingo, 28 de junho de 2009.
Foto: Kent Gilbert/AP
Uma guinada à direita está em marcha na política latino-americana, destronando os governos socialistas que foram a marca do continente durante boa parte do século XXI – de Cristina Kirchner, na Argentina, ao defensor da reforma agrária e populista Manuel Zelaya, em Honduras –, que implementaram políticas a favor dos pobres, nacionalizaram empresas e desafiaram a hegemonia dos EUA no continente. Essa alteração pode parecer apenas parte de um reequilíbrio regional causado pela conjuntura econômica, porém a Atlas Network parece estar sempre presente, tentando influenciar o curso das mudanças políticas.
A história da Atlas Network e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foi contada na íntegra. Mas os registros de suas atividades em três continentes, bem como as entrevistas com líderes libertários na América Latina, revelam o alcance de sua influência. A rede libertária, que conseguiu alterar o poder político em diversos países, também é uma extensão tácita da política externa dos EUA – os _think tanks_associados à Atlas são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do _soft power_norte-americano.
Embora análises recentes tenham revelado o papel de poderosos bilionários conservadores – como os irmãos Koch – no desenvolvimento de uma versão pró-empresariado do libertarianismo, a Atlas Network – que também é financiada pelas fundações Koch – tem usado métodos criados no mundo desenvolvido, reproduzindo-os em países em desenvolvimento. A rede é extensa, contando atualmente com parcerias com 450 _think tanks_em todo o mundo. A Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em 2016.
Ao longo dos anos, a Atlas e suas fundações caritativas associadas realizaram centenas de doações para _think tanks_conservadores e defensores do livre mercado na América Latina, inclusive a rede que apoiou o Movimento Brasil Livre (MBL) e organizações que participaram da ofensiva libertária na Argentina, como a Fundação Pensar, um _think tank_da Atlas que se incorporou ao partido criado por Mauricio Macri, um homem de negócios e atual presidente do país. Os líderes do MBL e o fundador da Fundação Eléutera – um _think tank_neoliberal extremamente influente no cenário pós-golpe hondurenho – receberam financiamento da Atlas e fazem parte da nova geração de atores políticos que já passaram pelos seus seminários de treinamento.
A Atlas Network conta com dezenas de _think tanks_na América Latina, inclusive grupos extremamente ativos no apoio às forças de oposição na Venezuela e ao candidato de centro-direita às eleições presidenciais chilenas, Sebastián Piñera.
Protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff diante do Congresso Nacional, em Brasília, no dia 2 de dezembro de 2015.
Photo: Eraldo Peres/AP
Em nenhum outro lugar a estratégia da Atlas foi tão bem sintetizada quanto na recém-formada rede brasileira de _think tanks_de defesa do livre mercado. Os novos institutos trabalham juntos para fomentar o descontentamento com as políticas socialistas; alguns criam centros acadêmicos enquanto outros treinam ativistas e travam uma guerra constante contra as ideias de esquerda na mídia brasileira.
O esforço para direcionar a raiva da população contra a esquerda rendeu frutos para a direita brasileira no ano passado. Os jovens ativistas do MBL – muitos deles treinados em organização política nos EUA – lideraram um movimento de massa para canalizar a o descontentamento popular com um grande escândalo de corrupção para desestabilizar Dilma Rousseff, uma presidente de centro-esquerda. O escândalo, investigado por uma operação batizada de Lava-Jato, continua tendo desdobramentos, envolvendo líderes de todos os grandes partidos políticos brasileiros, inclusive à direita e centro-direita. Mas o MBL soube usar muito bem as redes sociais para direcionar a maior parte da revolta contra Dilma, exigindo o seu afastamento e o fim das políticas de bem-estar social implementadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
A revolta – que foi comparada ao movimento Tea Party devido ao apoio tácito dos conglomerados industriais locais e a uma nova rede de atores midiáticos de extrema-direita e tendências conspiratórias – conseguiu interromper 13 anos de dominação do PT ao afastar Dilma do cargo por meio de um impeachment em 2016.
O cenário político do qual surgiu o MBL é uma novidade no Brasil. Havia no máximo três _think tanks_libertários em atividade no país dez anos atrás, segundo Hélio Beltrão, um ex-executivo de um fundo de investimentos de alto risco que agora dirige o Instituto Mises, uma organização sem fins lucrativos que recebeu o nome do filósofo libertário Ludwig von Mises. Ele diz que, com o apoio da Atlas, agora existem cerca de 30 institutos agindo e colaborando entre si no Brasil, como o Estudantes pela Liberdade e o MBL.
“É como um time de futebol; a defesa é a academia, e os políticos são os atacantes. E já marcamos alguns gols”, diz Beltrão, referindo-se ao impeachment de Dilma. O meio de campo seria “o pessoal da cultura”, aqueles que formam a opinião pública.
Beltrão explica que a rede de _think tanks_está pressionando pela privatização dos Correios, que ele descreve como “uma fruta pronta para ser colhida” e que pode conduzir a uma onda de reformas mais abrangentes em favor do livre mercado. Muitos partidos conservadores brasileiros acolheram os ativistas libertários quando estes demonstraram que eram capazes de mobilizar centenas de milhares de pessoas nos protestos contra Dilma, mas ainda não adotaram as teorias da “economia do lado da oferta”.
Fernando Schüler, acadêmico e colunista associado ao Instituto Millenium – outro _think tank_da Atlas no Brasil – tem uma outra abordagem. “O Brasil tem 17 mil sindicatos pagos com dinheiro público. Um dia de salário por ano vai para os sindicatos, que são completamente controlados pela esquerda”, diz. A única maneira de reverter a tendência socialista seria superá-la no jogo de manobras políticas. “Com a tecnologia, as pessoas poderiam participar diretamente, organizando – no WhatsApp, Facebook e YouTube – uma espécie de manifestação pública de baixo custo”, acrescenta, descrevendo a forma de mobilização de protestos dos libertários contra políticos de esquerda. Os organizadores das manifestações anti-Dilma produziram uma torrente diária de vídeos no YouTube para ridicularizar o governo do PT e criaram um placar interativo para incentivar os cidadãos a pressionarem seus deputados por votos de apoio ao impeachment.
Schüler notou que, embora o MBL e seu próprio _think tank_fossem apoiados por associações industriais locais, o sucesso do movimento se devia parcialmente à sua não identificação com partidos políticos tradicionais, em sua maioria vistos com maus olhos pela população. Ele argumenta que a única forma de reformar radicalmente a sociedade e reverter o apoio popular ao Estado de bem-estar social é travar uma guerra cultural permanente para confrontar os intelectuais e a mídia de esquerda.
Fernando Schüler.Foto:captura de tela do YouTubeUm dos fundadores do Instituto Millenium, o blogueiro Rodrigo Constantino, polariza a política brasileira com uma retórica ultrassectária. Constantino, que já foi chamado de “o Breitbart brasileiro” devido a suas teorias conspiratórias e seus comentários de teor radicalmente direitistas, é presidente do conselho deliberativo de outro _think tank_da Atlas – o Instituto Liberal. Ele enxerga uma tentativa velada de minar a democracia em cada movimento da esquerda brasileira, do uso da cor vermelha na logomarca da Copa do Mundo ao Bolsa Família, um programa de transferência de renda. Constantino é considerado o responsável pela popularização de uma narrativa segundo a qual os defensores do PT seriam uma “esquerda caviar”, ricos hipócritas que abraçam o socialismo para se sentirem moralmente superiores, mas que na realidade desprezam as classes trabalhadoras que afirmam representar. A “breitbartização” do discurso é apenas uma das muitas formas sutis pelas quais a Atlas Network tem influenciado o debate político.
“Temos um Estado muito paternalista. É incrível. Há muito controle estatal, e mudar isso é um desafio de longo prazo”, diz Schüler, acresentando que, apesar das vitórias recentes, os libertários ainda têm um longo caminho pela frente no Brasil. Ele gostaria de copiar o modelo de Margaret Thatcher, que se apoiava em uma rede de _think tanks_libertários para implementar reformas impopulares. “O sistema previdenciário é absurdo, e eu privatizaria toda a educação”, diz Schüler, pondo-se a recitar toda a litania de mudanças que faria na sociedade, do corte do financiamento a sindicatos ao fim do voto obrigatório.
Mas a única maneira de tornar tudo isso possível, segundo ele, seria a formação de uma rede politicamente engajada de organizações sem fins lucrativos para defender os objetivos libertários. Para Schüler, o modelo atual – uma constelação de _think tanks_em Washington sustentada por vultosas doações – seria o único caminho para o Brasil.
E é exatamente isso que a Atlas tem se esforçado para fazer. Ela oferece subvenções a novos _think tanks_e cursos sobre gestão política e relações públicas, patrocina eventos de _networking_no mundo todo e, nos últimos anos, tem estimulado libertários a tentar influenciar a opinião pública por meio das redes sociais e vídeos online.
Uma competição anual incentiva os membros da Atlas a produzir vídeos que viralizem no YouTube promovendo o _laissez-faire_e ridicularizando os defensores do Estado de bem-estar social. James O’Keefe, provocador famoso por alfinetar o Partido Democrata americano com vídeos gravados em segredo, foi convidado pela Atlas para ensinar seus métodos. No estado americano do Wisconsin, um grupo de produtores que publicava vídeos na internet para denegrir protestos de professores contra o ataque do governador Scott Walker aos sindicatos do setor público também compartilharam sua experiência nos cursos da Atlas.
Manifestantes queimam um boneco do presidente Hugo Chávez na Plaza Altamira, em protesto contra o governo.
Foto: Lonely Planet Images/Getty Images
Em uma de suas últimas realizações, a Atlas influenciou uma das crises políticas e humanitárias mais graves da América Latina: a venezuelana. Documentos obtidos graças ao “Freedom of Information Act” (Lei da Livre Informação, em tradução livre) por simpatizantes do governo venezuelano – bem como certos telegramas do Departamento de Estado dos EUA vazados por Chelsea Manning – revelam uma complexo tentativa do governo americano de usar os _think tanks_da Atlas em uma campanha para desestabilizar o governo de Hugo Chávez. Em 1998, a CEDICE Libertad – principal organização afiliada à Atlas em Caracas, capital da Venezuela – já recebia apoio financeiro do Center for International Private Enterprise (Centro para a Empresa Privada Internacional – CIPE). Em uma carta de financiamento do NED, os recursos são descritos como uma ajuda para “a mudança de governo”. O diretor da CEDICE foi um dos signatários do controverso “Decreto Carmona” em apoio ao malsucedido golpe militar contra Chávez em 2002.
Um telegrama de 2006 descrevia a estratégia do embaixador americano, William Brownfield, de financiar organizações politicamente engajadas na Venezuela: “1) Fortalecer instituições democráticas; 2) penetrar na base política de Chávez; 3) dividir o chavismo; 4) proteger negócios vitais para os EUA, e 5) isolar Chávez internacionalmente.”
Na atual crise venezuelana, a CEDICE tem promovido a recente avalanche de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, o acossado sucessor de Chávez. A CEDICE está intimamente ligada à figura da oposicionista María Corina Machado, uma das líderes das manifestações em massa contra o governo dos últimos meses. Machado já agradeceu publicamente à Atlas pelo seu trabalho. Em um vídeo enviado ao grupo em 2014, ela diz: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”
Em 2014, a líder opositora María Corina Machado agradeceu à Atlas pelo seu trabalho: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”No Latin America Liberty Forum, organizado pela Atlas Network em Buenos Aires, jovens líderes compartilham ideias sobre como derrotar o socialismo em todos os lugares, dos debates em _campi_universitários a mobilizações nacionais a favor de um impeachment.
Em uma das atividades do fórum, “empreendedores” políticos de Peru, República Dominicana e Honduras competem em um formato parecido com o programa Shark Tank, um _reality show_americano em que novas empresas tentam conquistar ricos e impiedosos investidores. Mas, em vez de buscar financiamento junto a um painel de capitalistas de risco, esses diretores de _think tanks_tentam vender suas ideias de marketing político para conquistar um prêmio de US$ 5 mil. Em outro encontro, debatem-se estratégias para atrair o apoio do setor industrial às reformas econômicas. Em outra sala, ativistas políticos discutem possíveis argumentos que os “amantes da liberdade” podem usar para combater o crescimento do populismo e “canalizar o sentimento de injustiça de muitos” para atingir os objetivos do livre mercado.
Um jovem líder da Cadal, um _think tank_de Buenos Aires, deu a ideia de classificar as províncias argentinas de acordo com o que chamou de “índice de liberdade econômica” – levando em conta a carga tributária e regulatória como critérios principais –, o que segundo ela geraria um estímulo para a pressão popular por reformas de livre mercado. Tal ideia é claramente baseada em estratégias similares aplicadas nos EUA, como o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, que classifica os países de acordo com critérios como política tributária e barreiras regulatórias aos negócios.
Os _think tanks_são tradicionalmente vistos como institutos independentes que tentam desenvolver soluções não convencionais. Mas o modelo da Atlas se preocupa menos com a formulação de novas soluções e mais com o estabelecimento de organizações políticas disfarçadas de instituições acadêmicas, em um esforço para conquistar a adesão do público.
As ideias de livre mercado – redução de impostos sobre os mais ricos; enxugamento do setor público e privatizações; liberalização das regras de comércio e restrições aos sindicatos – sempre tiveram um problema de popularidade. Os defensores dessa corrente de pensamento perceberam que o eleitorado costuma ver essas ideias como uma maneira de favorecer as camadas mais ricas. E reposicionar o libertarianismo econômico como uma ideologia de interesse público exige complexas estratégias de persuasão em massa.
Mas o modelo da Atlas, que está se espalhando rapidamente pela América Latina, baseia-se em um método aperfeiçoado durante décadas de embates nos EUA e no Reino Unido, onde os libertários se esforçaram para conter o avanço do Estado de bem-estar social do pós-guerra.
Mapa das organizações da rede Atlas na América do Sul.
Fonte: The Intercept
Antony Fisher, empreendedor britânico e fundador da Atlas Network, é um pioneiro na venda do libertarianismo econômico à opinião pública. A estratégia era simples: nas palavras de um colega de Fisher, a missão era “encher o mundo de _think tanks_que defendam o livre mercado”.
A base das ideias de Fisher vêm de Friedrich Hayek, um dos pais da defesa do Estado mínimo. Em 1946, depois de ler um resumo do livro seminal de Hayek, O Caminho da Servidão, Fisher quis se encontrar com o economista austríaco em Londres. Segundo seu colega John Blundell, Fisher sugeriu que Hayek entrasse para a política. Mas Hayek se recusou, dizendo que uma abordagem de baixo para cima tinha mais chances de alterar a opinião pública e reformar a sociedade.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, outro ideólogo do livre mercado, Leonard Read, chegava a conclusões parecidas depois de ter dirigido a Câmara de Comércio de Los Angeles, onde batera de frente com o sindicalismo. Para deter o crescimento do Estado de bem-estar social, seria necessária uma ação mais elaborada no sentido de influenciar o debate público sobre os destinos da sociedade, mas sem revelar a ligação de tal estratégia com os interesses do capital.
Fisher animou-se com uma visita à organização recém-fundada por Read, a Foundation for Economic Education (Fundação para a Educação Econômica – FEE), em Nova York, criada para patrocinar e promover as ideias liberais. Nesse encontro, o economista libertário F.A. Harper, que trabalhava na FEE à epoca, orientou Fisher sobre como abrir a sua própria organização sem fins lucrativos no Reino Unido.
Durante a viagem, Fisher e Harper foram à Cornell University para conhecer a última novidade da indústria animal: 15 mil galinhas armazenadas em uma única estrutura. Fisher decidiu levar o invento para o Reino Unido. Sua fábrica, a Buxted Chickens, logo prosperou e trouxe grande fortuna para Fisher. Uma parte dos lucros foi direcionada à realização de outro objetivo surgido durante a viagem a Nova York – em 1955, Fisher funda o Institute of Economic Affairs (Instituto de Assuntos Econômicos – IEA).
O IEA ajudou a popularizar os até então obscuros economistas ligados às ideias de Hayek. O instituto era um baluarte de oposição ao crescente Estado de bem-estar social britânico, colocando jornalistas em contato com acadêmicos defensores do livre mercado e disseminando críticas constantes sob a forma de artigos de opinião, entrevistas de rádio e conferências.
A maior parte do financiamento do IEA vinha de empresas privadas, como os gigantes do setor bancário e industrial Barclays e British Petroleum, que contribuíam anualmente. No livro Making Thatcher’s Britain(A Construção da Grã-Bretanha de Thatcher, em tradução livre), dos historiadores Ben Jackson e Robert Saunders, um magnata dos transportes afirma que, assim como as universidades forneciam munição para os sindicatos, o IEA era uma importante fonte de poder de fogo para os empresários.
Quando a desaceleração econômica e o aumento da inflação dos anos 1970 abalou os fundamentos da sociedade britânica, políticos conservadores começaram a se aproximar do IEA como fonte de uma visão alternativa. O instituto aproveitou a oportunidade e passou a oferecer plataformas para que os políticos pudessem levar os conceitos do livre mercado para a opinião pública. A Atlas Network afirma orgulhosamente que o IEA “estabeleceu as bases intelectuais do que viria a ser a revolução de Thatcher nos anos 1980”. A equipe do instituto escrevia discursos para Margaret Thatcher; fornecia material de campanha na forma de artigos sobre temas como sindicalismo e controle de preços; e rebatia as críticas à Dama de Ferro na mídia inglesa. Em uma carta a Fisher depois de vencer as eleições de 1979, Thatcher afirmou que o IEA havia criado, na opinião pública, “o ambiente propício para a nossa vitória”.
“Não há dúvidas de que tivemos um grande avanço na Grã-Bretanha. O IEA, fundado por Antony Fisher, fez toda a diferença”, disse Milton Friedman uma vez. “Ele possibilitou o governo de Margaret Thatcher – não a sua eleição como primeira-ministra, e sim as políticas postas em prática por ela. Da mesma forma, o desenvolvimento desse tipo de pensamento nos EUA possibilitou o a implementação das políticas de Ronald Reagan”, afirmou.
O IEA fechava um ciclo. Hayek havia criado um seleto grupo de economistas defensores do livre mercado chamado Sociedade Mont Pèlerin. Um de seus membros, Ed Feulner, ajudou o fundar o _think tank_conservador Heritage Foundation, em Washington, inspirando-se no trabalho de Fisher. Outro membro da Sociedade, Ed Crane, fundou o Cato Institute, o mais influente _think tank_libertário dos Estados Unidos.
_O filósofo e economista anglo-austríaco Friedrich Hayek com um grupo de alunos na London School of Economics, em 1948._Foto: Paul PoppePopperfoto/Getty Images
Em 1981, Fisher, que havia se mudado para San Francisco, começou a desenvolver a Atlas Economic Research Foundation por sugestão de Hayek. Fisher havia aproveitado o sucesso do IEA para conseguir doações de empresas para seu projeto de criação de uma rede regional de _think tanks_em Nova York, Canadá, Califórnia e Texas, entre outros. Mas o novo empreendimento de Fisher viria a ter uma dimensão global: uma organização sem fins lucrativos dedicada a levar sua missão adiante por meio da criação de postos avançados do libertarianismo em todos os países do mundo. “Quanto mais institutos existirem no mundo, mais oportunidade teremos para resolver problemas que precisam de uma solução urgente”, declarou.
Fisher começou a levantar fundos junto a empresas com a ajuda de cartas de recomendação de Hayek, Thatcher e Friedman, instando os potenciais doadores a ajudarem a reproduzir o sucesso do IEA através da Atlas. Hayek escreveu que o modelo do IEA “deveria ser usado para criar institutos similares em todo o mundo”. E acrescentou: “Se conseguíssemos financiar essa iniciativa conjunta, seria um dinheiro muito bem gasto.”
A proposta foi enviada para uma lista de executivos importantes, e o dinheiro logo começou a fluir dos cofres das empresas e dos grandes financiadores do Partido Republicano, como Richard Mellon Scaife. Empresas como a Pfizer, Procter & Gamble e Shell ajudaram a financiar a Atlas. Mas a contribuição delas teria que ser secreta para que o projeto pudesse funcionar, acreditava Fisher. “Para influenciar a opinião pública, é necessário evitar qualquer indício de interesses corporativos ou tentativa de doutrinação”, escreveu Fisher na descrição do projeto, acrescentando que o sucesso do IEA estava baseado na percepção pública do caráter acadêmico e imparcial do instituto.
A Atlas cresceu rapidamente. Em 1985, a rede contava com 27 instituições em 17 países, inclusive organizações sem fins lucrativos na Itália, México, Austrália e Peru.
E o _timing_não podia ser melhor: a expansão internacional da Atlas coincidiu com a política externa agressiva de Ronald Reagan contra governos de esquerda mundo afora.
Embora a Atlas declarasse publicamente que não recebia recursos públicos (Fisher caracterizava as ajudas internacionais como uma forma de “suborno” que distorcia as forças do mercado), há registros da tentativa silenciosa da rede de canalizar dinheiro público para sua lista cada vez maior de parceiros internacionais.
Em 1982, em uma carta da Agência de Comunicação Internacional dos EUA – um pequeno órgão federal destinado a promover os interesses americanos no exterior –, um funcionário do Escritório de Programas do Setor Privado escreveu a Fisher em resposta a um pedido de financiamento federal. O funcionário diz não poder dar dinheiro “diretamente a organizações estrangeiras”, mas que seria possível copatrocinar “conferências ou intercâmbios com organizações” de grupos como a Atlas, e sugere que Fisher envie um projeto. A carta, enviada um ano depois da fundação da Atlas, foi o primeiro indício de que a rede viria a ser uma parceira secreta da política externa norte-americana.
Memorandos e outros documentos de Fisher mostram que, em 1986, a Atlas já havia ajudado a organizar encontros com executivos para tentar direcionar fundos americanos para sua rede de think tanks. Em uma ocasião, um funcionário da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o principal braço de financiamento internacional do governo dos EUA, recomendou que o diretor da filial da Coca-Cola no Panamá colaborasse com a Atlas para a criação de um _think tank_nos moldes do IEA no país. A Atlas também recebeu fundos da Fundação Nacional para a Democracia (NED), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1983 e patrocinada em grande parte pelo Departamento de Estado e a USAID cujo objetivo é fomentar a criação de instituições favoráveis aos EUA nos países em desenvolvimento.
Alejandro Chafuen, da Atlas Economic Research Foundation, atrás à direita, cumprimenta Rafael Alonzo, do Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (CEDICE Libertad), à esquerda, enquanto o escritor peruano Mario Vargas Llosa aplaude a abertura do Fórum Liberdade e Democracia, em Caracas, no dia 28 de maio de 2009.
Foto: Ariana Cubillos/AP
_ _Financiada generosamente por empresas e pelo governo americano, a Atlas deu outro golpe de sorte em 1985 com a chegada de Alejandro Chafuen. Linda Whetstone, filha de Fisher, conta um episódio ocorrido naquele ano, quando um jovem Chafuen, que ainda vivia em Oakland, teria aparecido no escritório da Atlas em San Francisco “disposto a trabalhar de graça”. Nascido em Buenos Aires, Chafuen vinha do que ele chamava “uma família anti-Peronista”. Embora tenha crescido em uma época de grande agitação na Argentina, Chafuen vivia uma vida relativamente privilegiada, tendo passado a adolescência jogando tênis e sonhando em se tornar atleta profissional.
Ele atribui suas escolhas ideológicas a seu apetite por textos libertários, de Ayn Rand a livretos publicados pela FEE, a organização de Leonard Read que havia inspirado Antony Fisher. Depois de estudar no Grove City College, uma escola de artes profundamente conservadora e cristã no estado americano da Pensilvânia, onde foi presidente do clube de estudantes libertários, Chafuen voltou ao país de nascença. Os militares haviam tomado o poder, alegando estar reagindo a uma suposta ameaça comunista. Milhares de estudantes e ativistas seriam torturados e mortos durante a repressão à oposição de esquerda no período que se seguiu ao golpe de Estado.
Chafuen recorda essa época de maneira mais positiva do que negativa. Ele viria a escrever que os militares haviam sido obrigados a agir para evitar que os comunistas “tomassem o poder no país”. Durante sua carreira como professor, Chafuen diz ter conhecido “totalitários de todo tipo” no mundo acadêmico. Segundo ele, depois do golpe militar seus professores “abrandaram-se”, apesar das diferenças ideológicas entre eles.
Em outros países latino-americanos, o libertarianismo também encontrara uma audiência receptiva nos governos militares. No Chile, depois da derrubada do governo democraticamente eleito de Salvador Allende, os economistas da Sociedade Mont Pèlerin acorreram ao país para preparar profundas reformas liberais, como a privatização de indústrias e da Previdência. Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.
Já o zelo ideológico de Chafuen começou a se manifestar em 1979, quando ele publicou um ensaio para a FEE intitulado “War Without End” (Guerra Sem Fim). Nele, Chafuen descreve horrores do terrorismo de esquerda “como a família Manson, ou, de forma organizada, os guerrilheiros do Oriente Médio, África e América do Sul”. Haveria uma necessidade, segundo ele, de uma reação das “forças da liberdade individual e da propriedade privada”.
Seu entusiasmo atraiu a atenção de muita gente. Em 1980, aos 26 anos, Chafuen foi convidado a se tornar o membro mais jovem da Sociedade Mont Pèlerin. Ele foi até Stanford, tendo a oportunidade de conhecer Read, Hayek e outros expoentes libertários. Cinco anos depois, Chafuen havia se casado com uma americana e estava morando em Oakland. E começou a fazer contato com membros da Mont Pèlerin na área da Baía de San Francisco – como Fisher.
Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.De acordo com as atas das reuniões do conselho da Atlas, Fisher disse aos colegas que havia feito um pagamento _ex gratia_no valor de US$ 500 para Chafuen no Natal de 1985, declarando que gostaria de contratar o economista para trabalhar em tempo integral no desenvolvimento dos _think tanks_da rede na América Latina. No ano seguinte, Chafuen organizou a primeira cúpula de _think tanks_latino-americanos, na Jamaica.
Chafuen compreendera o modelo da Atlas e trabalhava incansavelmente para expandir a rede, ajudando a criar _think tanks_na África e na Europa, embora seu foco continuasse sendo a América Latina. Em uma palestra sobre como atrair financiadores, Chafuen afirmou que os doadores não podiam financiar publicamente pesquisas, sob o risco de perda de credibilidade. “A Pfizer não patrocinaria uma pesquisa sobre questões de saúde, e a Exxon não financiaria uma enquete sobre questões ambientais”, observou. Mas os _think tanks_libertários – como os da Atlas Network –não só poderiam apresentar as mesmas pesquisas sob um manto de credibilidade como também poderiam atrair uma cobertura maior da mídia.
“Os jornalistas gostam muito de tudo o que é novo e fácil de noticiar”, disse Chafuen. Segundo ele, a imprensa não tem interesse em citar o pensamento dos filósofos libertários, mas pesquisas produzidas por um _think tank_são mais facilmente reproduzidas. “E os financiadores veem isso”, acrescenta.
Em 1991, três anos depois da morte de Fisher, Chafuen assumiu a direção da Atlas – e pôs-se a falar sobre o trabalho da Atlas para potenciais doadores. E logo começou a conquistar novos financiadores. A Philip Morris deu repetidas contribuições à Atlas, inclusive uma doação de US$ 50 mil em 1994, revelada anos depois. Documentos mostram que a gigante do tabaco considerava a Atlas uma aliada em disputas jurídicas internacionais.
Mas alguns jornalistas chilenos descobriram que _think tanks_patrocinados pela Atlas haviam feito pressão por trás dos panos contra a legislação antitabagista sem revelar que estavam sendo financiadas por empresas de tabaco – uma estratégia praticada por _think tanks_em todo o mundo.
Grandes corporações como ExxonMobil e MasterCard já financiaram a Atlas. Mas o grupo também atrai grandes figuras do libertarianismo, como as fundações do investidor John Templeton e dos irmãos bilionários Charles e David Koch, que cobriam a Atlas e seus parceiros de generosas e frequentes doações. A habilidade de Chafuen para levantar fundos resultou em um aumento do número de prósperas fundações conservadoras. Ele é membro-fundador do Donors Trust, um discreto fundo orientado ao financiamento de organizações sem fins lucrativos que já transferiu mais de US$ 400 milhões a entidades libertárias, incluindo membros da Atlas Network. Chafuen também é membro do conselho diretor da Chase Foundation of Virginia, outra entidade financiadora da Atlas, fundada por um membro da Sociedade Mont Pèlerin.
Outra grande fonte de dinheiro é o governo americano. A princípio, a Fundação Nacional para a Democracia encontrou dificuldades para criar entidades favoráveis aos interesses americanos no exterior. Gerardo Bongiovanni, presidente da Fundación Libertad, um _think tank_da Atlas em Rosario, na Argentina, afirmou durante uma palestra de Chafuen que a injeção de capital do Center for International Private Enterprise – parceiro do NED no ramo de subvenções – fora de apenas US$ 1 milhão entre 1985 e 1987. Os _think tanks_que receberam esse capital inicial logo fecharam as portas, alegando falta de treinamento em gestão, segundo Bongiovanni.
No entanto, a Atlas acabou conseguindo canalizar os fundos que vinham do NED e do CIPE, transformando o dinheiro do contribuinte americano em uma importante fonte de financiamento para uma rede cada vez maior. Os recursos ajudavam a manter _think tanks_na Europa do Leste, após a queda da União Soviética, e, mais tarde, para promover os interesses dos EUA no Oriente Médio. Entre os beneficiados com dinheiro do CIPE está a CEDICE Libertad, a entidade a que líder opositora venezuelana María Corina Machado fez questão de agradecer.
O assessor da Casa Branca Sebastian Gorka participa de uma entrevista do lado de fora da Ala Oeste da Casa Branca em 9 de junho de 2017 – Washington, EUA.
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
_ _No Brick Hotel, em Buenos Aires, Chafuen reflete sobre as três últimas décadas. “Fisher ficaria satisfeito; ele não acreditaria em quanto nossa rede cresceu”, afirma, observando que talvez o fundador da Atlas ficasse surpreso com o atual grau de envolvimento político do grupo.
Chafuen se animou com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. Ele é só elogios para a equipe do presidente. O que não é nenhuma surpresa, pois o governo Trump está cheio de amigos e membros de grupos ligados à Atlas. Sebastian Gorka, o islamofóbico assessor de contraterrorismo de Trump, dirigiu um _think tank_patrocinado pela Atlas na Hungria. O vice-presidente Mike Pence compareceu a um encontro da Atlas e teceu elogios ao grupo. A secretária de Educação Betsy DeVos trabalhou com Chafuen no Acton Institute, um _think tank_de Michigan que usa argumentos religiosos a favor das políticas libertárias – e que agora tem uma entidade subsidiária no Brasil, o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista. Mas talvez a figura mais admirada por Chafuen no governo dos EUA seja Judy Shelton, uma economista e velha companheira da Atlas Network. Depois da vitória de Trump, Shelton foi nomeada presidente da NED. Ela havia sido assessora de Trump durante a campanha e o período de transição. Chafuen fica radiante ao falar sobre o assunto: “E agora tem gente da Atlas na presidência da Fundação Nacional para a Democracia (NED)”, comemora.
Antes de encerrar a entrevista, Chafuen sugere que ainda vem mais por aí: mais think tanks, mais tentativas de derrubar governos de esquerda, e mais pessoas ligadas à Atlas nos cargos mais altos de governos ao redor do mundo. “É um trabalho contínuo”, diz.
Mais tarde, Chafuen compareceu ao jantar de gala do Latin America Liberty Forum. Ao lado de um painel de especialistas da Atlas, ele discutiu a necessidade de reforçar os movimentos de oposição libertária no Equador e na Venezuela.
Danielle Mackey contribuiu na pesquisa para essa matéria. Tradução: Bernardo Tonasse
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2017.04.24 22:14 cani1707 LA IZQUIERDA DEBE CREAR SU NUEVA IDENTIDAD Y NO PREOCUPARSE DE LOS ATAQUES.

Leo muchas tesis y me voy a explayar para sacar la mía.
Voy a ser crítico con los planes de las altas representaciones de la izquierda y va a ser largo, yo no tengo razón siempre, solamente mi opinión y por ello si eres incapaz de leer algo crítico o simplemente te importa una mierda mi opinión este párrafo es aconsejable que sea el último que leas.
El capitalismo es el sistema dominante , al menos en el mundo que consideramos desarrollado o en vías de desarrollo.
Esto implica Occidente, desde la propia Europa hasta las zonas Eurasiáticas , América en su conjunto y el Oriente asiático.
También se encuentra en alguna zona de África.
Dentro de estas ideologías el capitalismo luchaba hasta hace nada contra dos, el corporativismo que está ganando y la socialdemocracia.
Ahora hay un auge fascista al contrario de el comunista por que al capitalismo nunca le molestó tanto a su estructura como si lo hacía el comunismo.
El comunismo como idea o sistema no necesariamente es malo, digamos que corre riesgos de caer en manos o ideas equivocadas pero digamos también que es la idea de que el colectivo trabaje por un bien común , y esta es su esencia básica y la que todo comunista quiere alcanzar.
Es totalmente opuesto a un capitalismo, y quizá el mayor auge comunista vino con Lenin y la Urss.
No voy a decir que Lenin convenció a todo el mundo, impuso su modelo y esto conllevó represión , pero si que consiguió crear toda una potencia mundial en apenas 10 años desde un pàís destrozado y en la ruina.
La estructura que creó fue capaz de sobrevivir a una guerra mundial y a un loco, para otros no lo era pero para mí si, como Stalin y ser todo un contrapunto al imperial capitalismo estadounidense que se impuso en gran parte de Europa y el mundo.
El capitalismo siempre combatió al comunismo pero fue este quien se destruyó , sus errores fueron propios y no consecuencia capitalista.
Llega la caída de la Urss y queda vía libre al sistema capitalista, y es este quien crea toda su estructura social, incluso los socialistas y hasta comunistas y anarquistas se vuelven en muchas ocasiones parte del sistema capitalista, no en su discurso si en la práctica de sus líderes.
Hoy en dia los referentes comunistas ya no son ni Rusia ni China, y este es su gran problema, todo es muy teórico pero esos dos países son mucho más parte del sistema imperante capitalista que de un comunismo que se enfrrente a él o en su defecto, a su estructura. La economía de estas dos regiones son claramente dependientes de un sistema global.
También las comparaciones son odiosas, auque hay países capitalistas en la miseria tiene referentes fuertes, como pueden ser Chile, Corea del Sur, Japón y esto sin contar sus imperios EEUU , Canadá o la propia Europa en cuanto a nivel de vida mientras que a dia de hoy los referentes de un comunismo puro e idealizado son países como Cuba, que más mal que bien resiste alguna comparación, Venezuela , que decir de ellos que no sepáis o que no os hayan contado, Corea del Norte o países como Ecuador o Bolivia .
Claramente todos estos países comunistas sufren vetos del capitalismo, obviamente el capitalismo siempre ha querido derrotar al comunismo y a dia de hoy lo sigue queriendo.
Pero todo esto ha hecho que a día de hoy las grandes mayorías sociales hayan rechazado de plano el comunismo, a pesar de que el comunismo acertadamente intentó ganar la batalla de los medios de comunicación, ésta, la ganó el capitalismo .
Hoy en día defender el comunismo abiertamente como parte de la clase política es dar la victoria a tu adversario, el claro ejemplo ya no es el Pce , que desde la transición no tuvo apenas relevancia, sino que es IU, que no ha sido determinante desde los tiempos de Anguita y de esto ya hace más de 20 años.
Si es cierto este dicho popular comunista de la transición, que el Psoe (socialismo) tenía 100 años de historia pero los últimos 40 se los pasó durmiendo, y es que el comunismo fue el mayor rival de la dictadura y no tanto el socialista , que de todo habría obviamente
Y aquí llegamos a día de hoy.
Europa no sufrió una dictadura durante 40 años, por lo tanto , tiene una explicación social diferente a España. están más avanzados pero a la hora de elegir un contrapunto al capitalismo (que está secuestrado ya totalmente por el corporativismo que aún es peor y la UE es corporativista) ha elegido el fascismo, y esto nace de la explicación de que el comunismo fue derrotado y la tozudez de líderes europeos contrarios al capitalismo de declararse comunistas es su epitafio en su tumba electoral.
El socialismo ha sido absorvido por la estructura capitalista , por lo tanto, los partidos otrora socialistas hoy son partidos capitalistas con una cierta conciencia social muy basada en lo que los mercados, capitalistas todos ellos, decidan .
El fascismo es utópico, pero inteligente , reúne el malestar de la mayoría ante ciertas situaciones y las tergiversa. Esto hace que se nutra de mayorías para ideas crueles e ineficaces, y se abrace al proteccionismo, como contrapunto a un sistema de una economía global, su nacionalismo con esta tesis absorve al patriotismo , que siempre ha podido ser de izquierdas, pero nunca comunista puramente idelogico.
Y por eso las derrotas de el capitalismo en Europa han venido a manos de Farah en el Brexit o las amenazas vienen de Wilders en Holanda, donde el capitalismo consiguió mantenerse, o Le Pen ahora en Francia donde solo el capitalismo puede frenarla.
En parte este juego es peligroso, pero no malo para el capitalismo , ya que aquí su discurso tiene mucha validez cuando dicen o nosotros o el caos. Y es que el capitalismo siempre ha querido hacer realidad ese sueño, que su enemigo sea el caos y el fascismo lo es, por eso, lo cuidarán.
En España por desgracia , y digo bien, por desgracia el fascismo si fue imperante , si tuvo peso y lo sigue teniendo en su democracia pero sus partidos son capitalistas, el Psoe tuvo bases muy sólidas como partido socialista que adelantaron mucho a España pero acabó sucumbiendo al poder capitalista , ya que la estructura creada es la imperante y marca todas las reglas del juego. O estás conmigo o el caos , en este caso , económico al corto plazo.
Esta desgracia tiene su parte buena, y es que las revoluciones en España no las lidera el fascismo , sino que lo hace el comunismo , pero yerra mucho al presentarse como se hacía en el siglo XIX , de hecho la propia palabra comunismo es rechazada por la amplia mayoría poblacional de un sistema que su educación, también fue estructurada por el capitalismo, así como la opinión pública o la cultura.
Nace `Podemos , sus líderes son comunistas y más de una vez lo han reconocido, se crean confluencias y a éstas se añaden sectores comunistas. Pero se viene a ser socialdemócratas y así lo demuestran muy acertadamente .
El anarquismo ha quedado para ocupar 4 edificios, hacer 4 grafitis y quemar unos contenedores, quizá la CUP y Bildu sean sus representantes, opciones residuales en el sistema.
Hay que decir que Podemos empieza muy bien, lidera los debates y los demás partidos bailan a su son, mientras los atacan el debate se centra en como nacionalizar sectores estratégicos, reducir una deuda ilegítima , crear mayorías desde una base barrial hasta conformar un país unido y desplaza todas las ideologías del debate para centrarse en la estructura y añade un modelo nuevo.
El PP tiembla, el Psoe pierde masa , se crea un contrapunto como Cs por que el sistema partidista capitalista se ve tocado y hasta el sector comunista es desplazado del debate, IU se desangra.
Hay una mayoría que tiene bases comunistas pero que sabe sobrevivir en una estructura capitalista, que es viable , que es de mayorías y no de ideologías.
Poco a poco Podemos comienza a dar miedo y gana ayuntamientos, pero hay un momento clave para mí que hace que Podemos se desinfle.
Antes que nada diré que Podemos en los ayuntamientos e instituciones autonómicas lo está haciendo bien, bastante bien, pero el aparato del partido lo está haciendo mal, muy mal.
El momento clave para mí es cuando aceptan el debate contra el franquismo, esto cambia el curso de todo.
Ya no eres alguien sin banderas sino que empuñas la republicana.
Ya no eres alguien sin ideología sino que abrazas al comunismo (que es quien de verdad se enfrentó a Franco) que no está mal pero claramente toda tu estructura basada en mayorías se derrumba.Guste o no guste el comunismo en España y Europa en general da miedo, y tiene una razón estructural para ello.
Comienzas a prescindir de mayorías estatales para ganar mayorías territoriales, esto tiene pros pero también muchos contras.
Y el debate ahora se centra siempre en si Podemos es bueno o malo , nunca en que cosas necesita este país para avanzar que es lo que hizo Podemos en su inicio y sigue hacendo en ayuntamientos y gobiernos autonómicos pero no como aparato. Digamos que se ha vuelto al debate del "y tú más" pero con diferentes protagonistas.
Aquí hay un problema, y es que rectificar es dificil , por que tanto Iglesias como Garzón están cómodos en ese espectro político, disfrutan haciendo esto y olvidan para que empezó todo , que fue para crear mayorías estructurales de país.
Cuando tu debate era la renta básica podías ganar al capitalismo, si lo administras bien les quitas el plan que el capitalismo va a intentar implantar en un futuro cercano para relegitimarse pero también se hizo mal y esta opción se tuvo que enviar al cajón .
Borrachos de fama, y es que nadie puede negar que por ejemplo Iglesias parece más un cantante de rock que un político a día de hoy, y esto es extrapolable a Garzón , siempre están adulados por masas deseosas de hacerse una foto con ellos como gran tesoro (nadie se haría una foto con el cartero del pueblo que venía ser muy acertadamente) y han expulsado o marginado a todo su sector crítico de sus reuniones , hay una línea de aparato de partido y en esta si Iglesias no está cómodo es rechazada, las bases no lo estamos controlando dándole la colleja que al buen estudiante hay que darle cuando descuida el libro y el esfuerzo . No es echarlo, es válido, pero si decirle , te equivocas , espabila, si esto no lo hacemos, lo harán los votantes, o hará la sociedad (y en el no-sorpasso se vió que ya lo hicieron)
Volviendo a la renta básica sus errores fueron varios:
-Se creyó capaz de dar una renta básica a todo el mundo, para implantarla hay que empezar con los nacionales y nacionalizados y los nuevos inmigrantes deben aportar antes de reciibir. No es racista, al inmigrante le das un trabajo y una oportunidad y así lo hará el capitalismo y así lo evaluó Suiza, Islandia y todos los países que la han valorado.
Si Podemos es importante es por que tiene la posibilidad de unir barrios con otros barrios, uniones de barrios con ciudades, ciudades con provincias y así sucesivamente mediante círculos, pero si los circulos son sumisos a un aparato no servirán de nada, son los círculos quienes deben marcar el camino a Iglesias y no Iglesias a los círculos.
Si Podemos quiere ser alternativa también debe avanzar en su discurso, ya todo el mundo sabe que el Pp es corrupto, el tramabus no dijo nada nuevo, todos eran conocidos , no está mal hacerlo pero realmente esto no sirve de nada, ya no interesa que hablen de tí, interesa que lo que digas sirva para algo tangible, y el tramabus no sirve para nada por que tanto el PP, Psoe , Cs y demás condenan la corrupción, no te están viendo diferente y tu mensaje lo conocen.
Si queremos ganar bajo proclamas comunistas, debates ideológicos, portando la bandera tricolor o pisando charcos innecesarios como es el de querer quitar la misa de la 2 , sinceramente no hay opciones reales en una estructura capitalista. Es absurdo pensar que lo que no ha funcionado los últimos 40 años vaya a funcionar ahora por que funcionó en los años 30 como método de crear mayorías, y más , cuando no controlas las instituciones reales para cambiar esas estructuras y dependes de las mayorías para hacerlo.
Si Podemos vuelve a :
Si consigue esto se crearán mayorías, como ya se crearon , no olvidéis que en este país hay 9 millones de abstencionistas que ahora mismo nos ven igual que a los demás. La cuestión no es si son o no gilipollas, sino ¿que ha hecho mal Podemos para que nos vean igual que al resto o incluso peores que ladrones declarados? Y hay muchas cosas , la principal olvidarse de quiénes pretendían ser para ser quiénes más cómodos están.
Como el título del post que he puesto, el final es el mismo, la izquierda debe crear su nueva identidad y no preocuparse de los ataques.
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2016.07.22 23:02 RaulMarti O CONTRAGOLPE NA TURQUÍA FOI UN GOLPE DE RUSSIA CONTRA A CIA (J. Carlos de Assis)

22/07/2016 - 08:12 Só uma idiota pode imaginar que um exército experiente como o da Turquia, testado no passado em vários golpes de Estado, fosse tão incompetente para realizar mais um, tendo à mão todos os instrumentos do poder militar.
Só um idiota acabado pode imaginar que o povo na rua é capaz de reverter um golpe militar em andamento.
Só um idiota tonto poderia imaginar que ao governo turco e seu presidente fosse deixado acesso a meios de comunicação com o povo, sem prévio planejamento, em pleno processo de desenvolvimento do golpe.
A marcha da suposta tentativa de golpe e do contragolpe foi precedida de movimentos bem articulados no xadrez geopolítico do país que une Europa à Ásia e, portanto, desempenha um papel chave nas relações com os dois continentes.
Começa pela cobertura que a CIA dá ao clérigo Fethullah Gullen, o principal rival de Erdogan.
Em nome dos direitos humanos e contrariamente às tendências fundamentalistas do Presidente, ele prega para a Turquia uma espécie de “primavera” liberal, sob proteção dos EUA e em seu interesse geopolítico.
Nós vimos que deu a “primavera líbia” e os diferentes tipos de intervenções norte-americanas nos últimos anos e décadas, operadas através de ONGs patrocinadas direta ou indiretamente pelo Departamento de Estado na África e no Oriente Médio: países, como Líbia, Somália, Afeganistão simplesmente foram liquidados; Egito, Yemen, Iraque, Paquistão foram profundamente abalados ou continuam em guerra.
O governo turco, não muito confiável para Washington, aparentemente estava destinado a ser a bola da vez.
O que aconteceu, afinal?
Bem, vamos seguir os movimentos dos principais atores nesse jogo.
Meses atrás um avião turco operado desde uma base partilhada com os norte-americanos derrubou um caça russo supostamente em seu espaço aéreo.
A Rússia reagiu verbalmente – “foi como uma punhalada pelas costas”, disse Putin – mas não foi além disso.
O assunto despareceu da imprensa até que, em maio último, Putin anunciou que gostaria de ter uma reaproximação com a Turquia e para isso esperava uma sinalização clara dela no mesmo sentido.
Em junho, Erdogan mandou uma carta para Putin a qual vai muito além de meras mesuras diplomáticas: foi um pedido de desculpas completo, quase um pedido de perdão extensivo à família do piloto morto, à qual ofereceu a assistência material necessária para minorar seu sofrimento pela perda.
Anunciou, além disso, que o incidente do caça seria investigado.
Em resposta, Putin marcou uma visita com ampla comitiva governamental a Istambul. Esteve lá antes do golpe, em julho, e foi o primeiro chefe de Estado a visitar Erdogan depois do malogrado golpe.
Diante desses fatos, não é difícil dar um sentido prático aos acontecimentos na Turquia: o serviço secreto russo (talvez com ajuda chinesa) descobriu preparativos de golpe contra Erdogan, por parte do clérigo Gullen, a partir dos Estados Unidos.
Acompanhou esses preparativos ainda enquanto se desenvolviam e provavelmente identificou os códigos e as senhas para a deflagração do golpe em momento oportuno.
Com o conhecimento prévio dessas senhas, o Governo montou uma armadilha e desencadeou falsamente o golpe.
Só esse roteiro justifica o fato de que Erdogan, uma vez senhor da situação, tenha desencadeado uma operação de caça a militares comprometidos e, sobretudo, a mais de 2 mil juízes e promotores.
Os nomes desses envolvidos não poderiam ter sido arrolados de um dia para outro.
Da mesma forma, o fechamento da base aérea turca de Incirlik, partilhada com os americanos, não ocorreria jamais caso o Presidente turco não tivesse certeza absoluta da participação norte-americana na tentativa de golpe.
Enfim, o tempo da revolução de estações parece ter-se esgotado. Restou, por acaso, o golpe de inverno no Brasil!
J. Carlos de Assis - Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ.
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2016.06.07 03:16 ShaunaDorothy ¡Por la independencia de Cataluña y el País Vasco! ¡Abajo la Unión Europea! ¡Por los estados unidos socialistas de Europa! (Agosto de 2015)

https://archive.is/hsmRI
En noviembre pasado, 2.3 millones de personas en Cataluña desafiaron al gobierno central de España al votar en un referéndum no oficial sobre la independencia. Más del 80 por ciento de los votantes respondieron sí a ambas preguntas: “¿Quiere que Cataluña sea un estado?” y, en caso afirmativo, “¿quiere que Cataluña sea un estado independiente?”. El voto fue la culminación de años de creciente sentimiento por la independencia en esta región de 7.5 millones de habitantes en el noreste de España. El rabioso chovinismo de la burguesía castellana, junto con la austeridad económica impuesta por la Unión Europea (UE), ha sacado a la superficie las centenarias divisiones entre el gobierno central y las nacionalidades oprimidas más pequeñas de España, como los catalanes.
La participación masiva en la votación del 9 de noviembre fue una respuesta poderosa a la decisión del parlamento español en abril de 2014 de proscribir un referéndum sobre la independencia. Fue también una clara indicación de que el sentimiento nacional en Cataluña se dirige fuertemente hacia la separación de España y no hacia la asimilación. Consecuentemente, la Liga Comunista Internacional (Cuartainternacionalista) exige: ¡Independencia para Cataluña!
Como marxistas revolucionarios, nuestro llamado por la secesión de Cataluña de España tiene el objetivo de sacar del orden del día la cuestión de la opresión nacional para poner al frente la necesidad de la lucha obrera contra el enemigo de clase capitalista tanto en España como en Cataluña. Los gobernantes capitalistas, sean castellanos o catalanes, utilizan el nacionalismo para oscurecer el hecho de que los trabajadores no comparten un interés común con sus “propios” explotadores y para sembrar divisiones entre los obreros de nacionalidades distintas. Una Cataluña independiente demostraría más claramente a los obreros del lugar que los nacionalistas burgueses y pequeñoburgueses catalanes no son en absoluto combatientes por la liberación de las víctimas de la explotación y la opresión social. La independencia también estremecería el orden capitalista en el resto de España y daría una sacudida a la UE imperialista, lo cual ayudaría a abrir el camino a la lucha de clases.
Rechazamos la afirmación de la burguesía castellana y la monarquía de España de la “indisoluble unidad de la Nación española”, la cual quedó consagrada en la constitución democrático-burguesa adoptada en 1978, tres años después de la muerte del general Francisco Franco, cuya dictadura bonapartista dominó durante casi 40 años. La constitución española explícitamente niega el derecho democrático a la autodeterminación de los catalanes, vascos y gallegos, los cuales constituyen naciones distintas con sus propias lenguas. La LCI siempre ha sostenido el derecho a la autodeterminación de estas naciones oprimidas en España.
Un obstáculo central a la unidad obrera en España en el periodo posterior a Franco ha sido el chovinismo extremo dirigido contra el pueblo vasco. Ha habido una larga lucha por la independencia vasca. Cada gobierno “democrático”, incluyendo los del Partido Socialista Obrero Español (PSOE), ha continuado la sangrienta campaña de terror de la dictadura de Franco contra el separatismo vasco. Las profundas divisiones entre los obreros de la región vasca y el resto de España se han reflejado en el predominio de sindicatos nacionalistas separados en el País Vasco. Ha sido evidente desde hace algún tiempo que estas divisiones no pueden ser superadas salvo mediante la lucha por la independencia de los vascos. Si bien la LCI ha sostenido desde hace mucho el derecho de los vascos a la secesión, y ha defendido vigorosamente a las víctimas vascas de la represión estatal capitalista, hemos sido negligentes al no llamar por la independencia hasta ahora. ¡Independencia para el País Vasco!
En la actualidad, no parece haber sentimiento masivo por la independencia en la parte del País Vasco en Francia, del otro lado de la frontera norte de España, ni en la Cataluña del Norte, en Francia, donde se habla el catalán. La Ligue trotskyste de France, sección de la LCI, sostiene sin embargo el derecho a la autodeterminación de vascos y catalanes, es decir, su derecho a separarse del estado francés. Esto incluye el derecho a unirse a una Cataluña o a un País Vasco independientes. La LCI también sostiene el derecho de otras regiones de habla catalana en España, como las Islas Baleares, a unirse a una Cataluña independiente. Nuestro llamado por la independencia de Cataluña y el País Vasco es una aplicación de la posición leninista que reconoce el derecho a la autodeterminación de todas las naciones. Como Lenin escribió en La revolución socialista y el derecho de las naciones a la autodeterminación (1916):
“El derecho de las naciones a la autodeterminación implica exclusivamente el derecho a la independencia en el sentido político, el derecho a la libre separación política respecto de la nación opresora. En términos concretos, esta exigencia de la democracia política significa una libertad total de propaganda por la separación y por un referéndum sobre la separación en la nación que se separa”.
Sólo mediante el apoyo a la independencia de Cataluña y el País Vasco podrá el proletariado en España demostrar que se opone al chovinismo nacional de su propia clase gobernante, permitiendo a la clase obrera española ganar la confianza y la solidaridad de clase de los obreros en las naciones oprimidas y eliminar la sospecha y la desconfianza. Al mismo tiempo, los obreros de las naciones oprimidas catalana y vasca deben luchar por la independencia política respecto de sus gobernantes capitalistas, quienes esgrimen el llamado por la “liberación nacional” como una herramienta para engañar y dividir a los obreros a lo largo de líneas nacionales.
Rivalidades burguesas en la España multinacional
La determinación de la burguesía castellana de impedir cualquier posibilidad de independencia para Cataluña y el País Vasco se debe en no poca medida al hecho de que se encuentran entre las regiones más industrializadas y económicamente productivas de España, con grandes concentraciones de capital financiero. Hoy Cataluña (con 16 por ciento de la población total) contribuye con alrededor del 20 por ciento del producto interno bruto de España. El segundo banco más grande de España es el vasco Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), con grandes inversiones en América Latina. Un coronel retirado del ejército español despotricó en una entrevista de 2012: “¿La independencia de Cataluña? Por encima de mi cadáver y el de muchos”. Dada la sangrienta historia de España, estas amenazas deben tomarse en serio.
Tras el colapso de la burbuja inmobiliaria española en 2008 y la consiguiente crisis financiera, parte de la depresión económica mundial, los gobernantes imperialistas de la UE y la burguesía española han sometido a los trabajadores a despidos masivos y austeridad salvaje, con más de 5.4 millones de personas actualmente desempleadas. Esta situación ha avivado el nacionalismo burgués de todos los bandos.
El partido gobernante al nivel nacional, el Partido Popular (PP), desciende políticamente del franquismo y encarna a la reacción católica monárquica. El PP ha intensificado el sentimiento anticatalán en un intento transparente de desviar la atención de la responsabilidad burguesa por la crisis económica en curso. Durante años, el PP ha bloqueado los intentos de Cataluña de obtener mayor autonomía del gobierno central y se rehusó a renegociar los términos de la distribución de ingresos tributarios entre Madrid y Barcelona (la capital de Cataluña), así como de la parte del presupuesto nacional que se otorga a Cataluña. El PP —mercader de la indigencia y el hambre— ha promovido hipócritamente el estereotipo chovinista de los catalanes como gente avara que carece de “solidaridad” con las regiones más pobres de España.
El vil chovinismo que emana de Madrid ha provocado una fuerte reacción en Cataluña. Un catalizador de este encono fue la decisión tomada en 2010 por el Tribunal Constitucional español para anular numerosos artículos del estatuto de autonomía de Cataluña de 2006, incluyendo la sección que reconocía a Cataluña como una nación. Dicha decisión fue el resultado de la impugnación del PP contra no menos de 128 de los 233 artículos del estatuto. El día después de que el fallo del tribunal se diera a conocer, más de un millón de personas en Cataluña protestaron, con pancartas que decían: “¡Somos una nación!”.
La burguesía catalana, representada por la coalición Convergència i Unió [Convergència y Unió se escindieron en junio] y su cola de verborrea más izquierdista Esquerra Republicana —que juntos dominan el gobierno de la Generalitat catalana—, refleja la hipocresía burguesa castellana. Convenientemente ha culpado al resto de España de la crisis en Cataluña, señalando los términos desfavorables de la política fiscal y la falta de inversión en infraestructura por parte del gobierno central, lo cual lastima sus ganancias. Al mismo tiempo, la Generalitat ha impuesto la austeridad a los obreros y los pobres.
Tras el fin del régimen de Franco, la burguesía catalana consideró que su deber era tratar de ganar gradualmente más autonomía respecto al gobierno central. Los nacionalistas burgueses vascos y catalanes habían obtenido concesiones en distintos momentos mediante su apoyo a los gobiernos del PSOE y del PP cuando estos partidos no ganaban suficientes votos para formar un gobierno nacional por ellos mismos. Sin embargo, con el inicio de la crisis económica, el gobierno del PSOE encabezado por José Luis Rodríguez Zapatero lanzó la campaña de austeridad. Antes también había renegado de algunas de sus promesas a Cataluña. Cuando fue elegido en 2011, el PP logró formar un gobierno sin el apoyo de ninguno de los partidos regionales nacionalistas burgueses, lo cual le permitió dar rienda suelta a su hostilidad a las tendencias descentralizadoras, empujando así a la burguesía catalana cada vez más hacia la independencia.
Otro factor clave en el giro independentista de un sector de la burguesía catalana es el cada vez más débil vínculo de Cataluña con el mercado español; durante años ha vendido más de sus manufacturas en el mercado internacional que en el interno, y una gran parte de estas exportaciones van a países de la UE. El peso relativo de Cataluña en la economía española también declinó como resultado de una política consciente de la burguesía castellana de fortalecer los alrededores de Madrid como centro industrial en los años 60 y 70. Ello disminuyó el dominio económico relativo de Cataluña y el País Vasco y estableció una rivalidad económica más directa entre las distintas burguesías nacionales.
La UE aviva el chovinismo nacional
En tanto que la burguesía catalana está dividida en torno a la cuestión de la independencia, todos los bandos, incluso el de quienes están por la secesión, están comprometidos a sostener la UE imperialista y reaccionaria. La burguesía catalana se ha beneficiado de la UE y, pese a la devastación causada por la austeridad impuesta por ésta, muchos trabajadores en Cataluña que apoyan la independencia están a favor de mantenerse en la UE.
La LCI ha mantenido una oposición principista a la UE imperialista y a su instrumento monetario, el euro, desde el comienzo. La UE es un consorcio inestable de países capitalistas rivales, dominado por las principales potencias imperialistas, sobre todo Alemania. Estas potencias procuran aumentar su competitividad contra sus rivales imperialistas de EE.UU. y Japón; explotan a los obreros por toda Europa y subordinan a los países europeos más débiles como Grecia, Portugal, España e Irlanda, así como a los de Europa Oriental. Mediante el mecanismo de la eurozona, Alemania y otros países acreedores exigen que los países deudores se vuelvan más “competitivos” mediante el recorte de los salarios, las pensiones y el gasto social. Reconociendo que el euro sería un instrumento de los imperialistas de la UE, la LCI se opuso a su introducción. Afirmamos en aquel entonces que el capitalismo se organiza sobre una base nacional y que la moneda común europea no era viable.
Pese a toda la palabrería de la burguesía catalana de alcanzar la “soberanía fiscal” y oponerse a la austeridad impuesta por Madrid, sus votos por mantenerse en la UE significan ceder a Frankfurt y Bruselas el control de las tasas de interés, del gasto y la política monetaria. Y los amos imperialistas de la UE han dejado claro que no ven con buenos ojos los amagos secesionistas que podrían desestabilizar el orden capitalista en Europa. Así, en agosto de 2014, la canciller alemana Angela Merkel quiso hacer notar ostentosamente su apoyo al presidente del gobierno Mariano Rajoy contra cualquier medida hacia la independencia por parte de los catalanes.
Los gobernantes de la UE han avivado el nacionalismo, procurando enfrentar a los obreros de países como Alemania, Gran Bretaña o Francia a los de países más débiles. La negativa de los partidos obreros reformistas y los burócratas sindicales a oponerse a la UE ha estimulado el crecimiento de fuerzas reaccionarias y abiertamente fascistas que canalizan el descontento por la austeridad hacia el odio a los inmigrantes y los musulmanes en particular. El mantener vulnerables a ciertas capas de la clase obrera, con escasos derechos legales, ayuda a los capitalistas a reducir los salarios y condiciones de trabajo de todos. En oposición a estas estratagemas de “divide y vencerás”, los espartaquistas decimos: ¡Plenos derechos de ciudadanía para todos los inmigrantes! ¡Abajo las deportaciones!
Oponiéndonos a todas las formas del nacionalismo, procuramos sentar las bases programáticas para construir partidos obreros revolucionarios como parte de una IV Internacional trotskista reforjada. Sólo partidos así pueden dirigir a la clase obrera en la toma de los medios de producción y la expropiación de la burguesía internacionalmente mediante una serie de revoluciones socialistas. En lugar de esto, los izquierdistas reformistas promueven la fantasía de construir una “Europa social” bajo el capitalismo. ¡Abajo la UE imperialista! ¡Por los estados unidos socialistas de Europa!
¡Libertad inmediata a todos los nacionalistas vascos!
El movimiento obrero en España y Francia debe oponerse de manera franca a la cruzada siniestra de los estados español y francés contra los nacionalistas pequeñoburgueses de Euskadi Ta Askatasuna (Tierra Vasca y Libertad, ETA) y sus simpatizantes. En cambio, los falsos dirigentes reformistas del PSOE y el Partido Comunista de España (PCE) han pasado años alineando a los obreros detrás de la burguesía castellana y contra los vascos. En la campaña antivasca, Madrid ha prohibido partidos políticos y protestas, clausurado periódicos y acorralado a simpatizantes de la independencia vasca —medidas represivas que han sido usadas a lo largo de la historia española para aplastar también las luchas obreras combativas—.
El 10 de enero, más de 75 mil personas marcharon en las calles de Bilbao para exigir el fin de la práctica del estado español de “dispersión” de los prisioneros nacionalistas vascos a lugares distantes; los manifestantes corearon consignas por la libertad y la “amnistía total” para los militantes vascos. Dos días después, el estado español llevó a cabo redadas en cuatro ciudades, usando acusaciones de lavado de dinero y evasión fiscal para arrestar a 16 personas dedicadas a la defensa legal de activistas vascos. Entre los detenidos estaban doce abogados, muchos de los cuales tenían que comparecer ante los tribunales en Madrid para el inicio de un juicio contra 35 personas acusadas de pertenecer a una organización terrorista.
Como parte de esta transparente cacería de brujas política, la Guardia Civil allanó las oficinas de organizaciones como el sindicato independentista vasco Langile Abertzaleen Batzordeak (Comisiones de Trabajadores y Trabajadoras Patriotas), que representa a decenas de miles de obreros vascos. De allí los policías se llevaron 90 mil euros en billetes y monedas de baja denominación que habían sido recolectados en la manifestación dos días antes. ¡Exigimos el retiro de todos los cargos! ¡Abajo la represión antivasca!
Si bien los marxistas nos oponemos a la perspectiva nacionalista de ETA y a la estrategia pequeñoburguesa de terrorismo individual que solía practicar (hoy día, ETA ha renunciado a la lucha armada), defendemos a ETA contra la represión estatal. Los actos de represalia contra representantes individuales del estado capitalista y la clase gobernante son un sustituto estéril y un obstáculo a la lucha necesaria para remplazar al podrido sistema capitalista entero mediante la movilización del poder social de la clase obrera a través de una revolución socialista. Aunque las acciones que los militantes vascos han llevado a cabo contra el estado capitalista y sus agentes no son un crimen desde el punto de vista de los trabajadores, la lógica reaccionaria del nacionalismo conduce también a actos atroces de terror indiscriminado, como el bombazo criminal que ETA perpetró en un supermercado en un suburbio obrero de Barcelona en 1987. Este tipo de crímenes sólo han servido para empujar a los obreros catalanes y españoles aún más a los brazos de sus propias burguesías chovinistas.
Orígenes y naturaleza del nacionalismo catalán
Por mucho tiempo Cataluña ha tenido un fuerte sentido de identidad regional, con su propio idioma, el catalán, hoy día la lengua de más de diez millones de personas en Cataluña, las Islas Baleares, Cataluña del Norte y Valencia. En su carácter de principado feudal bajo la corona española, Cataluña a menudo entró en conflicto con la monarquía. Fue muy simbólico el que el referéndum del 9 de noviembre haya ocurrido en torno al CCC aniversario de la derrota del principado de Cataluña en la Guerra de Sucesión española en 1714. Cataluña había respaldado el reclamo de los Habsburgo a la corona contra los Borbones, y fue castigada por los vencedores de la Casa de Borbón mediante la supresión de su parlamento y sus libertades tradicionales. (Como resultado de esta guerra, Luis XIV, un Borbón, consolidó el dominio francés en el Rosellón, la parte de Cataluña al norte de los Pirineos.) Conocido como la Diada, el día de la rendición catalana, 11 de septiembre de 1714, se conmemora hoy como el Día Nacional de Cataluña.
El nacimiento del nacionalismo catalán data no de aquella guerra por la sucesión real, sino de la era de la consolidación del capitalismo industrial en el siglo XIX. Una burguesía incipiente apareció por primera vez en España en el siglo XVIII mediante el surgimiento de la manufactura textil. El capitalismo catalán se desarrolló tras el levantamiento de las restricciones al comercio con las colonias españolas en 1780. La burguesía catalana se enriqueció especialmente mediante el saqueo colonial de Cuba, donde la esclavitud no fue abolida sino hasta 1886.
Para fines del siglo XIX, Cataluña y la región vasca se habían convertido en los principales centros industriales de España; la industria vasca se centraba en la metalurgia y la catalana en la manufactura ligera. Conforme la burguesía catalana se unía con el objetivo de presionar al gobierno central para que éste protegiera sus industrias, una élite intelectual catalana se vio a sí misma cada vez más como la voz dirigente de la modernización en España. El movimiento cultural del siglo XIX conocido como la “Renaixença”, que promovía la lengua y las artes catalanas, fue un reflejo de estos sucesos económicos y políticos.
Fuera de los centros industriales catalán y vasco, la mayor parte de España permaneció atrapada en el atraso hasta bien entrado el siglo XX. Desde el siglo XVI la monarquía española de los Habsburgo ayudó a suprimir el desarrollo hacia un estado-nación unificado y alentó las divisiones regionales. Mientras acumulaba oro y plata de las minas latinoamericanas, la corona era hostil al crecimiento del comercio y la manufactura dentro de los territorios de la Península Ibérica. La monarquía decadente y su oscurantista Iglesia Católica medieval dominaban a un enorme campesinado que trabajaba para una clase terrateniente derivada de la vieja nobleza feudal. Como el dirigente bolchevique León Trotsky señaló: “El retraso del desarrollo económico de España ha debilitado inevitablemente las tendencias centralistas inherentes al capitalismo... La pobreza de recursos de la economía nacional y el sentimiento de malestar en todas las partes del país no podían hacer otra cosa que alimentar las tendencias separatistas” (“La Revolución Española y la táctica de los comunistas”, enero de 1931).
Conforme una marea de obreros de diferentes partes de España inundaba las industrias vasca y catalana a finales del siglo XIX y principios del XX, Cataluña se fue convirtiendo en un centro de radicalismo obrero. Por ello, el nacionalismo catalán se caracterizó desde su origen tanto por una tímida lucha por la autonomía regional como por el apoyo a la supresión de las luchas obreras por parte del estado español. Las organizaciones nacionalistas de primera época como la Lliga Regionalista estaban por la represión de la convulsiva ola de luchas que arrasó Cataluña a principios del siglo XX, desde la Huelga General barcelonesa de 1902 y la revuelta antimilitarista y anticlerical conocida como la Semana Trágica de 1909, la Huelga General de 1917, hasta el cierre patronal de Barcelona de 1919-1920. El temor a una revuelta obrera condujo a la burguesía catalana a apoyar el golpe militar de Primo de Rivera de 1923. Su régimen procedió a reprimir el limitado autogobierno catalán, suprimir la lengua catalana, ¡e incluso a prohibir al FC Barcelona [en 1925, cuando los aficionados abuchearon la Marcha Real, el himno español]!
En 1930, tras el inicio de la Gran Depresión, cayó el régimen de Primo de Rivera, ya podrido desde dentro, lo cual dio pie a un periodo de luchas obreras masivas en España. Tras el colapso de la monarquía en 1931, se formó un gobierno capitalista republicano dirigido por una coalición de republicanos burgueses y socialistas. Bajo este régimen se formó la Generalitat, el gobierno regional autónomo de Cataluña, dirigido por la Esquerra Republicana nacionalista burguesa.
Pero el espectro de la revolución obrera impulsó al grueso de la burguesía catalana a apoyar a las fuerzas contrarrevolucionarias de Franco durante la Guerra Civil Española de 1936-1939. La burguesía catalana entendía muy bien que los obreros y campesinos españoles, inspirados por la Revolución Bolchevique de 1917, luchaban no simplemente por una forma más democrática de gobierno, sino por una revolución social para poner fin a la explotación y la opresión. De modo que los capitalistas catalanes pusieron sus intereses de clase por encima de sus aspiraciones nacionales, que de nuevo serían aplastadas bajo la bota de la represión franquista.
Dirigentes reformistas traicionan la lucha obrera
Los nacionalistas catalanes de hoy ponen en un pedestal de héroe y mártir al líder de la Esquerra, Lluís Companys, presidente del gobierno regional cuando cayó a manos de Franco. De hecho, Companys, junto con los estalinistas del PCE, socialistas y anarquistas, participaban en la Generalitat que reprimió a sangre y fuego la insurrección obrera de las Jornadas de Mayo de Barcelona en 1937. Los estalinistas dirigieron la carga contra los obreros, pero fueron los dirigentes anarquistas y del centrista Partido Obrero de Unificación Marxista (POUM, que antes había tomado parte en el gobierno catalán) quienes desempeñaron un papel clave para persuadir a los obreros de desmantelar las barricadas. Éste fue un suceso crucial en la derrota de la Revolución Española.
La traición a la revolución obrera mostró vívidamente que la política de formar una alianza de frente popular con partidos burgueses como la Esquerra en Cataluña fue absolutamente suicida para la clase obrera. Como escribimos sobre las Jornadas de Mayo de Barcelona en “Trotskismo vs. frentepopulismo en la Guerra Civil Española” (Spartacist [Edición en español] No. 36, noviembre de 2009):
“El poder estaba en manos de los heroicos obreros de Barcelona. Sin embargo, para cuando llegó el fin de semana, los obreros habían sido desarmados y sus barricadas habían sido desmanteladas no como resultado de la derrota militar, sino del sabotaje, la confusión y el derrotismo que sembraron los falsos líderes obreros... La victoria en Barcelona pudo haber conducido a una España obrera y campesina e incendiado Europa en una lucha revolucionaria en vísperas de la Segunda Guerra Mundial. La derrota le abrió el camino a una represión intensa, incluyendo la supresión del POUM y el asesinato o encarcelamiento de sus líderes. Habiendo desarmado de ese modo al proletariado, el frente popular abrió las puertas a las fuerzas de Franco y a un sangriento régimen de reacción derechista”.
Mientras que la clase obrera española pagó con sangre las traiciones frentepopulistas de sus dirigentes, los líderes reformistas nunca abandonaron la política de colaboración de clases. La rápida industrialización de España mediante la inversión extranjera masiva en los años 60 y principios de los 70 aumentó el tamaño y la autoconfianza de la clase obrera, que retó heroicamente al régimen de Franco en sus últimos días. Tras la muerte de Franco en 1975, España explotó en una ola de protestas y huelgas contra la brutal supresión de sindicatos, partidos de izquierda y minorías nacionales por parte del régimen. Sin embargo, los dirigentes del PSOE y el PCE procuraron contener estas luchas y las canalizaron hacia una transición “pacífica” a la democracia burguesa. En 1978, el PSOE y el PCE apoyaron la constitución que reconoció al sucesor escogido por Franco, el [hasta hace poco] rey Juan Carlos, como jefe de estado de la “nación” española. Hoy, los líderes vendidos del PCE tienen la desvergüenza de llamar por un referéndum para deshacerse de la corrupta monarquía española.
La situación hoy día es muy distinta de aquélla del periodo de la Guerra Civil y la insurgencia obrera de mediados y finales de los 70. Los marxistas debemos tener esto en cuenta al abordar la cuestión nacional concretamente. El reconocimiento del derecho a la secesión de una nación dada no significa necesariamente que uno llame por la secesión en un momento particular. Lenin a menudo recurría a la analogía con el reconocimiento del derecho al divorcio, lo cual por supuesto no quiere decir que uno llame por la disolución de todos y cada uno de los matrimonios.
Durante la Guerra Civil, el proletariado catalán y vasco se colocó a la cabeza de su clase en una situación revolucionaria que planteó a quemarropa la posibilidad de sobreponerse a las divisiones nacionales mediante la toma del poder por parte de la clase obrera. No habría tenido sentido llamar por la independencia en aquel momento. Pero durante ya algunos años ha sido evidente que las relaciones entre los obreros vascos y españoles han estado envenenadas. Y en Cataluña hoy día, el descontento dentro del proletariado se manifiesta cada vez más no en dirección a la asimilación —es decir, la consideración de que su destino está unido al del proletariado español—, sino en sentimientos separatistas pronunciados.
Socialdemócratas podridos y populistas burgueses
El PSOE demostró su odio por las nacionalidades oprimidas cuando desató a los escuadrones de la muerte llamados “Grupos Antiterroristas de Liberación”, los GAL, contra el pueblo vasco en los años 80. Hoy, el PSOE se une al PP gobernante en la oposición chovinista a un referéndum catalán. Llama por hacer de España una federación, en la cual Cataluña tendría supuestamente grandes poderes. En realidad, esto sería una modificación mínima del esquema actual de autonomía regional, con el punto fundamental de que Cataluña seguiría bajo el mando del chovinismo castellano. La coalición de Izquierda Unida (IU), dirigida por el PCE, sostiene una posición similar por un estado federado burgués.
El orden político español que resultó de 1978 está desbaratándose. Los partidos que han dominado la arena electoral, el PSOE y el PP, han sufrido bajas importantes en su apoyo, asociadas con su imposición de medidas de austeridad ampliamente odiadas. La presunción de una España unificada ha sido retada en Cataluña y otras partes.
Para llenar esta zanja y renovar la democracia burguesa española ha surgido el partido Podemos, una formación basada en la pequeña burguesía que emanó del movimiento de los Indignados de 2011. Podemos está totalmente comprometido a mantener la UE. Como el movimiento de los Indignados —y su contraparte griega, Syriza—, el populista Podemos dice representar a todo tipo de gente contra las élites política y empresarial, a las que han apodado como “la casta”. El populismo de Podemos está diseñado para oscurecer el entendimiento de que la división social fundamental se da entre las clases y de que sólo el proletariado, mediante la toma del poder y la destrucción del capitalismo en todos los países, puede eliminar la explotación. Como marxistas, nos oponemos a Podemos como una cuestión de principios, en tanto que se trata de una formación burguesa.
Aunque dice defender el “derecho a decidir” de Cataluña, el líder de Podemos, Pablo Iglesias, declaró en una entrevista del 27 de diciembre de 2014 con El Periódico que una “declaración unilateral” de independencia no es posible y que Podemos propone por ello un “proceso constituyente”. Esto equivale a negar el derecho de Cataluña a la autodeterminación, que no significa otra cosa más que el derecho de los catalanes —no de un proceso constituyente español— a decidir por la secesión o no.
Predeciblemente, la popularidad de Podemos ha atraído a su órbita a una manada de oportunistas seudomarxistas. Como abogados desvergonzados de Podemos, el grupo En Lucha [En Lluita], afiliado con el Socialist Workers Party británico, declaró: “Pablo Iglesias no es Lenin, pero es mejor para todos luchar contra el capitalismo en un marco en el que Podemos es fuerte” (“El puzzle de la ruptura con un régimen...”, enlucha.org, 24 de enero). Mientras se ponen a la cola de Podemos, que está en contra de la independencia “unilateral” de Cataluña, En Lucha en Cataluña trabaja con la Candidatura d’Unitat Popular (CUP), cuyo objetivo es un gobierno catalán independiente dirigido por los dos principales partidos burgueses de la región.
La cuestión del idioma
La cuestión de la política lingüística ha sido un detonante para la reacción chovinista castellana en España. Los idiomas minoritarios fueron reprimidos oficialmente por el estado bajo Franco. La constitución de 1978 impuso el castellano como la lengua oficial del estado, la cual todos tienen el deber de conocer. De tomar en serio la histeria chovinista, el español está supuestamente bajo amenaza y los hispanohablantes son víctimas de una terrible discriminación en Cataluña. El que esto es una mentira total lo confirma el hecho de que el 99 por ciento de la población de Cataluña mayor de quince años sabe hablar español (la tasa de alfabetización es de 95 por ciento). En Cataluña, la mayoría tiene facilidad para hablar el catalán; alrededor del 80 por ciento lo habla, y la alfabetización en catalán es del 60 por ciento.
El patrocinio del gobierno de Madrid de una reforma educativa de 2012 que pretende recentralizar el control sobre la educación, alentar la religión y “españolizar” a los alumnos catalanes propició protestas masivas. El Tribunal Superior de Justicia de Cataluña falló en 2014 que el 25 por ciento del programa de estudios debe enseñarse en castellano si un solo alumno lo pide. Esto equivale a un intento descarado de imponer la enseñanza en español en las escuelas catalanas. Se han impulsado políticas similares en las Islas Baleares.
La ley de 1983 de “normalización” lingüística de la región autónoma dio al catalán un estatus privilegiado en la educación, la administración estatal y los medios de comunicación. A mediados de los 90, Cataluña empezó a proporcionar instrucción primaria y secundaria exclusivamente en catalán, con un par de horas de lengua y literatura españolas a la semana. El estatuto de autonomía de 2006 estipuló “el derecho y el deber de conocer con suficiencia oral y escrita el catalán y el castellano al finalizar la enseñanza obligatoria”. El mismo estatuto afirmó que era el “deber” de los habitantes de Cataluña conocer ambas lenguas oficiales, catalán y castellano.
Una de las principales preocupaciones de la Generalitat catalana era asegurarse de que los hijos de inmigrantes aprendan catalán. Hubo dos grandes oleadas de inmigración a Cataluña en el periodo de la posguerra, primero en los años 50 y 60 de otras áreas de España y, décadas más tarde, de América Latina, Europa Oriental y el Norte de África.
Como marxistas, advertimos contra quienes quieren dividir a la clase obrera con el pretexto de defender una “cultura nacional” particular, lo cual en Cataluña inevitablemente discrimina a otras nacionalidades. Así, hoy día un requisito esencial para obtener empleo en el sector público en Cataluña es hablar catalán. Estamos en contra de la imposición de cualesquiera idiomas oficiales. Exigimos igualdad de derechos lingüísticos para todos. Estamos por un sistema educativo público, secular y étnicamente integrado con plenas disposiciones para la enseñanza en español, catalán y otras lenguas según las necesidades de la población local. Estos derechos se aplican a quienes hablan el árabe o el rumano tanto como a los que tienen el catalán o el español por lengua materna.
¡Forjar un partido leninista!
Lenin enfatizó que “el programa nacional de la democracia obrera es: ningún privilegio en absoluto para una nación o un idioma; solución del problema de la autodeterminación política de las naciones, o sea, de su separación como estados” (“Notas críticas sobre el problema nacional”, 1913). Al adherirse a este programa, los bolcheviques lograron reunir a los trabajadores —rusos, judíos, armenios, azerbaiyanos, ucranianos, etc.— para efectuar el derrocamiento del régimen de los capitalistas y los terratenientes en octubre de 1917.
La cuestión nacional se plantea hoy con gran intensidad en España. La lucha por la independencia de Cataluña y el País Vasco proporciona una prueba ácida de la capacidad de cualquier organización obrera en España para oponerse a su propia burguesía. Los partidos que han traicionado al proletariado en el pasado, como el PSOE y el PCE/IU, de manera nada sorprendente se alinean ahora detrás de los capitalistas españoles para tratar de mantener la “unidad” del estado burgués español, el cual se ha cubierto las manos muchas veces con la sangre de los obreros y las nacionalidades oprimidas.
La terrible crisis económica que asola a los obreros y los pobres en España y otros lugares pide a gritos la revolución obrera y el establecimiento de una federación soviética de repúblicas obreras en la Península Ibérica, parte de los estados unidos socialistas de Europa. El instrumento crucial para realizar esta tarea es un partido leninista-trotskista, que debe construirse en la lucha por reforjar la IV Internacional. Un partido así incorporaría las lecciones, obtenidas a tan alto precio, de la historia de España, especialmente las establecidas por Trotsky y sus camaradas en los años 30 sobre la necesidad de la independencia proletaria respecto a toda fuerza burguesa.
http://www.icl-fi.org/espanol/eo/suplementoAgosto2015/cataluna.html
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2016.06.05 18:53 ShaunaDorothy Seudotrotskistas en el campo de la contrarrevolución - Histeria sobre el papel de China en África (Febrero de 2014)

https://archive.is/Hqplf
Espartaco No. 40 Febrero de 2014
En agosto de 2009, la secretaria de Estado de EE.UU. Hillary Clinton visitó Angola para supervisar un importante acuerdo entre el gobierno del Movimiento Popular para la Liberación de Angola (MPLA) y el gigante petrolífero estadounidense Chevron. Clinton aprovechó la ocasión para anunciar un incremento en la inversión estadounidense, que se sumó a una promesa anterior de Washington de construir dos plantas hidroeléctricas. Para el MPLA nacionalista burgués angoleño, estos acuerdos señalaron un cambio en la actitud de los imperialistas estadounidenses. Durante casi 30 años tras alcanzar su independencia de Portugal en 1975, Angola estuvo sumida en una guerra civil devastadora. En prácticamente todo ese periodo, EE.UU. proporcionó apoyo militar y financiero a las fuerzas guerrilleras aliadas con la Sudáfrica del apartheid en su guerra reaccionaria para derrocar al MPLA, que a su vez era respaldado por la Unión Soviética y Cuba. Además, los capitalistas estadounidenses habían mostrado poco interés en invertir en Angola, incluso después de que la guerra concluyera oficialmente en 2002.
La cara amigable que mostró Clinton al gobierno del MPLA servía a un claro propósito. En el año anterior a su visita, Angola se convirtió en el principal socio comercial africano de China, actualmente el más poderoso entre los países en los que el capitalismo fue derrocado. Angola, proveedor de casi quince por ciento del petróleo chino, ya ha sobrepasado a Arabia Saudita como principal exportador de petróleo a China. A cambio, Beijing proporciona préstamos con bajas tasas de interés que han sido utilizados para construir hospitales, escuelas, sistemas de riego y carreteras. China ha cerrado acuerdos similares con varios países, desde Sudán y Argelia hasta Zambia y la República Democrática del Congo, que proveen de petróleo y minerales metálicos a las industrias en expansión de la China continental.
Para EE.UU. y las demás potencias imperialistas, que sufrieron una derrota histórica con la Revolución China de 1949, éstos no son sucesos gratos. La Revolución de 1949, llevada a cabo por un ejército guerrillero campesino dirigido por el Partido Comunista Chino (PCCh) de Mao Zedong, estableció un estado obrero, si bien burocráticamente deformado desde su origen. La creación en los años subsecuentes de una economía centralmente planificada y colectivizada sentó las bases para un progreso social enorme para los obreros, los campesinos, las mujeres y las minorías nacionales. Desde 1949, los imperialistas han buscado el derrocamiento contrarrevolucionario del gobierno del PCCh y el retorno de China a la explotación capitalista desenfrenada. Para conseguirlo, han aplicado amenazas y presión militar, brindado apoyo a los movimientos y a los “disidentes” anticomunistas locales y, desde hace ya más de 30 años, penetrado la economía de la China continental, cortesía de las “reformas de mercado” del régimen del PCCh.
Desde que, hace cinco años, comenzaron a proliferar los acuerdos comerciales y de ayuda entre China y los países africanos, los portavoces del imperialismo sonaron la alarma. Paul Wolfowitz, presidente del Banco Mundial, arremetió contra los muy favorables préstamos ofrecidos por los bancos estatales de China, que, según él, no cumplen con los “estándares sociales y ambientales”. ¡Y lo dice uno de los principales arquitectos de las guerras del gobierno de Bush en Irak y Afganistán! Sumándose al coro, y resucitando el estilo de la Guerra Fría antisoviética, el Daily Mail británico exclamó en un encabezado (18 de julio de 2008): “Cómo está haciendo China para tomar el control de África y por qué Occidente debería estar MUY preocupado”.
Esta reacción dio pie a un debate entre los académicos y los funcionarios del gobierno en China sobre el papel de ese país en África, aunque desde luego dentro de los límites de la política establecida por la burocracia estalinista de Beijing. Un artículo titulado “La práctica del concepto diplomático chino de un ‘mundo armonioso’: un análisis de las relaciones sino-africanas durante los años recientes”, de Ge Zhiguo, denuncia con razón las “políticas sistemáticas de Occidente hacia África”, que no sólo “no le han brindado prosperidad y estabilidad a África” sino que también han “ocasionado que muchos países africanos se hundan en el caos y la violencia étnica a largo plazo” (Gaoxiao Sheke Dongtai [Perspectivas de las Ciencias Sociales en la Educación Superior], tercer número en 2007; ésta y otras traducciones son nuestras).
Desde los campos de exterminio del Rey Leopoldo en el Congo Belga hasta los campos de concentración británicos en Kenia y el apoyo estadounidense a la Sudáfrica del apartheid, la historia del imperialismo occidental en África es una larga lista de asesinatos masivos, condiciones de trabajo similares a la esclavitud y brutal represión contra los movimientos independentistas y las luchas obreras. De hecho, los antecedentes de esta barbarie pueden trazarse directamente hasta la esclavización de los africanos en el periodo mercantil del capitalismo temprano. La subyugación imperialista, lejos de modernizar a estas sociedades, ha reforzado el atraso y la miseria. Subrayando que las inversiones de China en África están motivadas por propósitos muy distintos, Ge Zhiguo llama a Beijing a reformar algunas de sus propias políticas para contrarrestar el resentimiento entre los africanos ocasionado por el trato a los trabajadores en las empresas chinas y el debilitamiento de los negocios locales frente a los empresarios chinos.
Como trotskistas, en la Liga Comunista Internacional estamos por la defensa militar incondicional de China contra el imperialismo y la contrarrevolución interna. Defendemos el derecho de China a comerciar para obtener lo que necesita para su desarrollo. Sin embargo, reconocemos que los programas de inversión y ayuda chinos no están orientados por el internacionalismo proletario, sino por los propios intereses nacionales estrechos de la burocracia del PCCh, arraigados en el dogma estalinista de “construir el socialismo en un solo país” y su corolario, la “coexistencia pacífica” con el imperialismo (actualmente conocida como la política de un “mundo armonioso”). En su oposición a la perspectiva de la revolución proletaria internacional, el régimen del PCCh se ha acomodado al imperialismo —incluso, como explicamos más adelante, sumándose a EE.UU. y Sudáfrica en el respaldo de las fuerzas antisoviéticas en Angola— al tiempo que apoya militar y políticamente a los gobernantes burgueses “amigables” en África y otros lugares, quienes reprimen brutalmente a los obreros y a los pobres en el campo y la ciudad.
El papel de China en África es contradictorio, lo que no es más que un reflejo de las contradicciones que asedian a la propia China, un estado obrero burocráticamente deformado en un mundo dominado por el imperialismo. Para defender y extender las conquistas de la Revolución China es necesaria una revolución política proletaria que derroque a la burocracia del PCCh y la remplace con un régimen de democracia obrera comprometido a luchar por el socialismo mundial.
China no es capitalista
En el flanco izquierdo de la campaña antichina de los imperialistas se encuentran “socialistas” como el Comité por una Internacional de los Trabajadores (CIT), dirigido por Peter Taaffe, y el Secretariado Unificado (SU) del fallecido Ernest Mandel. Un artículo del 30 de marzo de 2008 titulado “China en África” escrito por Sozialistische Alternative (SAV), sección alemana del CIT, denuncia a China como “un participante más” en el “juego” de la explotación de los países africanos. La SAV afirma que “China, como otros países imperialistas, sólo busca explotar los recursos y los mercados tan eficazmente como sea posible”. En el sitio International Viewpoint del SU (enero de 2007), Jean Nanga, descrito como un “marxista revolucionario del Congo”, condena de modo similar las supuestas “ambiciones globales” de China como “motivadas por el interés capitalista”.
No es nada sorprendente que el CIT y el SU se hayan sumado a la cruzada anticomunista contra China. Prostituyéndose ante la “democracia” burguesa, el SU y el antecesor del CIT vitorearon a toda clase de contrarrevolucionarios respaldados por los imperialistas en la campaña contra la antigua URSS y los estados obreros deformados de Europa Oriental, por ejemplo, Solidarność en Polonia y la turba reaccionaria de las barricadas de Yeltsin en Moscú en agosto de 1991.
Dirigiendo su estalinofobia contra China, el SU ha promovido “disidentes” proimperialistas como el Premio Nobel de la “Paz” Liu Xiaobo, partidario de las guerras estadounidenses en Vietnam, Irak y Afganistán (ver “Hong Kong: Fake Trotskyists Hail Imperialist Running Dog Liu Xiaobo” [Hong Kong: Falsos trotskistas celebran al mandadero imperialista Liu Xiaobo], WV No. 981, 27 de mayo de 2011). Por su parte, el CIT, como señalaron nuestros camaradas en la Spartacist League/Britain, celebró los disturbios anticomunistas en el Tíbet y ha defendido abiertamente al Taiwán capitalista “democrático”, respaldado desde siempre por los imperialistas de EE.UU. y Japón como una daga dirigida contra la República Popular China (ver “China Is Not Capitalist” [China no es capitalista], Workers Hammer No. 202, primavera de 2008). Peter Taaffe gusta de pontificar que la “transición” hacia el capitalismo completo “aún no ha sido terminada del todo” (“Halfway House” [A mitad del camino], Socialism Today, julio/agosto de 2011). Esto no es más que un poco de cobertura cosmética al apoyo concreto y constante que brinda el CIT a las fuerzas de la contrarrevolución.
El furor sobre el papel de China en África comenzó a incrementarse de lleno en 2006, en respuesta al conflicto de Darfur en el occidente de Sudán, que tuvo como consecuencia una masacre y el desplazamiento de cerca de dos millones de personas. La causa inmediata del conflicto fue el uso por parte del gobierno de Kartoum de las milicias janjaweed, con base entre los musulmanes nómadas, en su guerra contra las guerrillas apoyadas por la población agrícola, también musulmana. En EE.UU., una campaña promovida por derechistas cristianos, sionistas y varios liberales importantes, que exigían la intervención imperialista para “salvar a Darfur”, demonizó a China, que ha hecho inversiones importantes en la producción petrolera de Sudán y mantiene estrechos lazos con el régimen de al-Bashir, proporcionándole equipo militar. Sumándose a esta intriga, el artículo de 2008 del SAV se lamentaba: “El régimen chino, que importa ocho por ciento de su petróleo de Sudán, ha demostrado durante el reciente conflicto que tiene mucho interés en sus ganancias, pero da muchísima menos importancia a la suerte de la población local”.
Cabe señalar que uno de los factores que ha empujado a China a depender cada vez más del petróleo africano fue una campaña salvajemente anticomunista, dirigida fundamentalmente por la burocracia sindical estadounidense, que logró impedir que la Chinese National Offshore Oil Company adquiriera en 2005 a Unocal, con sede en EE.UU. A inicios de ese año, el afiliado estadounidense del CIT, llamado Socialist Alternative, se enlistó en el esfuerzo antichino, firmando conjuntamente un volante que exigía que la Universidad de Harvard retirara sus inversiones de PetroChina, otra petrolera de propiedad estatal, y Unocal.
Puede que las diatribas en contra de China de los liberales y los supuestos socialistas suenen bien en Londres, París u otros centros imperialistas, donde el grueso de la izquierda empuja la mentira de que China es capitalista o está irreversiblemente destinada a serlo. Pero el mensaje no genera tanto entusiasmo en África, donde la ayuda china en la construcción de hospitales, escuelas y demás infraestructura contrasta agudamente con el legado dejado por los verdaderos imperialistas: pobreza extrema, atraso social y guerras étnicas y tribales. La repartición de África entre las potencias europeas en la Conferencia de Berlín de 1884-85 marcó el surgimiento del imperialismo moderno. Como explicó V.I. Lenin en El imperialismo, fase superior del capitalismo (1916), los países industrializados avanzados se veían en la necesidad cada vez mayor de exportar capital a los países más atrasados en busca de materias primas y mano de obra barata. La competencia resultante entre los imperialistas llevó a dos guerras mundiales y numerosas aventuras coloniales, con un costo incalculable en términos de muerte y destrucción.
El que las inversiones chinas en África sirven a un propósito fundamentalmente distinto puede verse en el tipo de valor de las mercancías que generan. Todas las mercancías —desde los productos de la minería hasta los bienes manufacturados— poseen valor de uso (en tanto que objetos de consumo deseables) y valor de cambio (reflejado aproximadamente en los precios del mercado). Bajo el capitalismo, los propietarios de las plantas industriales y demás medios de producción acumulan ganancias contratando mano de obra que produzca bienes con el propósito de incrementar el valor de cambio. Las inversiones de China en el extranjero, financiadas por varios de los bancos estatales, no están impulsadas por la ganancia, sino por la necesidad de materias primas para sus industrias colectivizadas en casa, es decir, para extraer valor de uso.
Un funcionario del Departamento de Estado de EE.UU. llamado Princeton Lyman, que ciertamente no es un marxista, básicamente lo admitió en una presentación de 2005 a la comisión del Congreso estadounidense de relaciones EE.UU./China:
“China utiliza una serie de instrumentos para impulsar sus intereses en formas que las naciones occidentales sólo pueden envidiar. La mayor parte de las inversiones chinas se llevan a cabo a través de compañías estatales, cuyas inversiones no necesitan ser redituables si cumplen con los objetivos generales chinos. De ese modo, el representante de la compañía constructora de propiedad estatal china en Etiopía está en libertad de revelar que Beijing le ordenó rebajar los presupuestos en varias licitaciones, sin importar que dejaran o no ganancias. El objetivo a largo plazo de China en Etiopía está en acceder a futuras inversiones en recursos naturales, no en obtener ganancias en la industria de la construcción”.
El hecho de que China participe en el intercambio comercial global no la hace capitalista o imperialista. Como la inversión china no está motivada por la ganancia capitalista, sus efectos son radicalmente distintos a los que produce la explotación imperialista de los países del Tercer Mundo. Martyn Davies, director de la China Africa Network en la Universidad de Pretoria en Sudáfrica, aclama a los chinos por ser “los principales constructores de infraestructura” en África (“The Next Empire?” [¿El próximo imperio?], Atlantic, mayo de 2010), una perspectiva que encuentra eco en la académica estadounidense Deborah Brautigam y su libro de 2009 The Dragon’s Gift (El regalo del dragón, Oxford University Press), muy favorable al papel de China en África.
Presiones del mercado mundial
La necesidad de importar materia prima se agudizó hace una década, cuando, debido a la tasa galopante de crecimiento, la China continental se mostró incapaz de proporcionar el grueso del petróleo y los metales que necesitaba la industria. Gracias a su política de “volverse global”, para 2009 China importaba ya 52 por ciento de su petróleo y 69 por ciento del hierro.
La situación de China contrasta con la del estado obrero soviético que emergió de la Revolución de Octubre de 1917, dirigida por el Partido Bolchevique. Después del fracaso de las revoluciones proletarias en países europeos más avanzados, especialmente Alemania, una casta burocrática conservadora dirigida por I.V. Stalin usurpó el poder político a partir de 1923-24. A pesar de estar marcada por el atraso heredado del zarismo y los efectos devastadores de la guerra imperialista y civil, la Unión Soviética poseía abundantes cantidades de hierro, petróleo, madera y otras materias primas. Stalin y compañía se sirvieron de ese hecho para argumentar la noción utópica y reaccionaria de que la Rusia soviética podía alcanzar el socialismo por sí misma. Esto arrojó por la borda el entendimiento marxista básico de que alcanzar el socialismo —una sociedad de abundancia material— requiere del poder obrero internacional, sobre todo en los países industrialmente avanzados.
Gracias a su economía planificada, la Unión Soviética atravesó un periodo de crecimiento fenomenal en la década de 1930, mientras el resto del mundo estaba sumido en la Gran Depresión. Sin embargo, usando sólo sus propios recursos y esfuerzos, la URSS no podía alcanzar, ni mucho menos superar, el nivel tecnológico y de productividad de la mano de obra en los países capitalistas avanzados. Décadas de presión económica y militar, combinadas con la mala administración burocrática y las oportunidades revolucionarias que los estalinistas vendieron en todo el mundo, terminaron por debilitar fatalmente al estado obrero soviético, que fue destruido por la contrarrevolución capitalista en 1991-92.
En la secuela de esta catástrofe, la dirección del PCCh condujo un estudio interno para determinar cómo evitar la misma suerte, aferrándose siempre a su programa nacionalista y estalinista del “socialismo con características chinas”. Una de las conclusiones a las que llegó el régimen es que la Unión Soviética había utilizado una cantidad excesiva de recursos propios tratando de competir con los imperialistas militarmente o en otros sectores. De ese modo, decidieron que China, en cambio, expandiría y profundizaría sus lazos con el mercado capitalista mundial. Beijing es un socio tan “confiable” en el mercado mundial, que el economista en jefe en el Banco Mundial, una de las principales instituciones en la imposición de los dictados imperialistas, [era hasta 2012] Justin Yifu Lin, ¡uno de los principales economistas de China!
En su esfuerzo por “volverse global”, Beijing ha incrementado su apoyo a la intervención militar de las Naciones Unidas, una guarida de ladrones imperialistas y sus víctimas, en el Tercer Mundo. Esto representa un cambio en la política que adoptó el PCCh cuando China fue admitida en las Naciones Unidas hace 40 años. Como señala Stefan Stähle en “China’s Shifting Attitude Towards United Nations Peacekeeping Operations” [La actitud cambiante de China hacia las operaciones de paz de las Naciones Unidas] en la publicación académica China Quarterly (septiembre de 2008):
“Al principio, China rechazaba completamente la idea de las misiones de paz de las Naciones Unidas. Beijing consideraba que todas las intervenciones de la ONU estaban manipuladas por las superpotencias, en gran medida porque la propia China había sido el blanco de la primera operación dirigida por EE.UU. que autorizó la ONU, en 1951 [sic, debería ser 1950] durante la Guerra de Corea... Sin embargo, desde que en 1981 China empezó a abrirse al mundo, los diplomáticos chinos han votado a favor de todas las misiones que implicaban tareas tradicionales de pacificación o transiciones controladas”.
En palabras simples, esas “tareas tradicionales de pacificación” no quieren decir más que sangrienta represión e imposición de los dictados imperialistas. China, criminalmente, ha comprometido sus propias fuerzas policiacas y militares a esa clase de “pacificación”, desde Haití hasta Sudán. Como señaló Chris Alden en China in Africa (Zed Books, 2007): “La mayor parte de las fuerzas de paz chinas están, de hecho, ubicadas en África, lo que hace a China el mayor contribuyente entre los miembros permanentes del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas a las misiones de paz”. Como internacionalistas proletarios, exigimos que China ponga fin a su participación en las misiones militares de la ONU.
Dado que la economía de China sigue creciendo mientras que las de los países imperialistas permanecen estancadas en una depresión aparentemente sin fin —la demostración más reciente de las crisis intrínsecas al sistema de producción basado en las ganancias—, parecería que Beijing ha encontrado un modo de evitar las presiones que llevaron eventualmente al colapso de la Unión Soviética. Esa idea, sin embargo, se basa en nociones completamente falsas: la estabilidad del orden capitalista internacional y la benevolencia de los socios comerciales de China, que dominan el mercado mundial.
En la propia China, el sorprendente crecimiento económico sirve para exacerbar las tensiones sociales y de clase. Particularmente gracias a las “reformas de mercado”, ha sido creada una enorme división entre los funcionarios gubernamentales corruptos, los empresarios capitalistas y los pequeñoburgueses privilegiados, por un lado, y los cientos de millones de proletarios (en compañías privadas y estatales) y de campesinos pobres, por el otro. El año pasado, una oleada de huelgas en fábricas automotrices y otras empresas privadas fue un componente más de lo que el régimen del PCCh llama “incidentes masivos” —paros laborales, asambleas con listas de peticiones, manifestaciones contra la corrupción, etc.—. El número de estos incidentes alcanzó 180 mil en 2010, duplicándose desde 2006.
Tarde o temprano, el régimen estalinista llevará a China a la encrucijada, haciendo inminente la amenaza de la contrarrevolución. Al mismo tiempo, el antagonismo entre la burocracia y las masas trabajadoras chinas está preparando el camino para que una revolución política proletaria derroque al régimen estalinista parasitario. El proletariado chino necesita la dirección de un partido leninista-trotskista que combata a los apóstoles de la contrarrevolución “democrática”, incluidos los que empujan este programa en ropajes “socialistas” o incluso “trotskistas”, y que lleve a la clase obrera a romper con el nacionalismo estalinista. Dirigida por un partido así, una China de consejos obreros y campesinos promovería la revolución proletaria internacionalmente. Bajo el poder obrero, la capacidad industrial y tecnológica de Japón, EE.UU. y Europa Occidental sería canalizada para auxiliar el desarrollo completo de China como parte del orden socialista mundial.
La “no injerencia”: apoyo al dominio burgués
En respuesta a los cargos de “neocolonialismo” chino en África, muchos académicos y portavoces gubernamentales en China señalan la política de Beijing de “no injerencia” en los asuntos internos de otros países. Escribiendo en una publicación académica, Liu Naiya celebraba la ayuda de China hacia los países excoloniales como “un ‘regalo’ para el nacionalismo africano de parte de un país socialista. En otras palabras, es una inversión política racional: una gran demostración de la fraternidad amigable del comunismo internacional” (“Mutual Benefit: The Essence of Sino-African Relations—A Response to the Charge of ‘China’s Neocolonialism in Africa’” [Beneficio mutuo: La esencia de las relaciones sino-africanas. Una respuesta a la acusación de “neocolonialismo chino en África”], Xiya Feizhou [África y Asia Occidental], agosto de 2006).
Los voceros del PCCh gustan de señalar la ayuda y el apoyo diplomático que al inicio brindó China a algunos de los movimientos que lucharon por la independencia contra el dominio colonial. Aunque no hay duda que las inversiones y la ayuda chinas han impulsado el desarrollo de muchos países africanos, esto está muy lejos de ser internacionalismo proletario. Los acuerdos comerciales chinos están acompañados de una “condición política”: la promesa de Beijing de no hacer nada que pueda molestar a sus socios comerciales burgueses. De ese modo, los estalinistas chinos ayudan a apuntalar el orden capitalista que mantiene a las masas de obreros y campesinos africanos en la pobreza más abyecta. La disposición del PCCh a respaldar regímenes reaccionarios burgueses quedó de manifiesto ya desde la Conferencia de Solidaridad Afroasiática de 19551 en Bandung, Indonesia, donde Zhou Enlai expuso los “Cinco principios de la coexistencia pacífica”, que incluían la promesa de no presionar a otros países para que cambiaran sus sistemas económicos. Al mismo tiempo, el régimen de Mao mantenía una política de coexistencia pacífica con Japón, la principal potencia imperialista de Asia, lo que desnuda las supuestas pretensiones “antiimperialistas” de este programa de colaboración de clases.
Un argumento común a favor de la política de Beijing es la construcción del tren entre Tanzania y Zambia por parte de la China de Mao en la primera mitad de la década de 1970. Éste fue un acontecimiento significativo alcanzado gracias a los enormes sacrificios laborales de los obreros chinos. Pero al mismo tiempo, el PCCh apoyó políticamente al régimen de Nyerere en Tanzania, que reprimía las luchas sindicales elementales de los obreros empobrecidos.
De ese modo, los estalinistas chinos dejaban entrever su parentesco político con la burocracia del Kremlin. La ayuda soviética fue esencial en la construcción de la presa de Aswan en Egipto, terminada en 1970. Pero a esta ayuda se sumaron asesores soviéticos militares así como en otras áreas. De hecho, ¡Moscú le proporcionó al régimen bonapartista de Nasser en Egipto equipo militar más avanzado del que le dio a Vietnam del Norte en su heroica lucha contra el imperialismo estadounidense! Mientras tanto, el Partido Comunista de Sudán, alineado con los soviéticos, se subordinó al caudillo nacionalista burgués Nimeiry, traicionando una oportunidad revolucionaria que concluyó con una masacre de comunistas a principios de la década de 1970. Siguiendo el mismo programa de colaboración de clases, el Partido Comunista de Sudáfrica (PCS) ha estado sumergido por más de 80 años en una alianza con el Congreso Nacional Africano (CNA), que hoy en día implica ayudar a imponer los dictados del capitalismo del neoapartheid como parte del gobierno burgués dirigido por el CNA.
Los marxistas revolucionarios reconocemos que un estado obrero puede verse en la necesidad de establecer acuerdos comerciales y diplomáticos con estados capitalistas. Pero esto no debe confundirse con la tarea del partido comunista de dirigir la lucha por la revolución proletaria. En la época de Lenin, el estado obrero soviético firmó el tratado de Rapallo con la Alemania capitalista en 1922, un acuerdo que incluía cooperación militar. Al mismo tiempo, los bolcheviques eran la fuerza dirigente en la Internacional Comunista, luchando por forjar partidos comunistas que pudieran dirigir exitosamente a los obreros, entre ellos los alemanes, a la toma del poder.
Un régimen revolucionario también buscaría utilizar sus activos en el extranjero como un arma de la estrategia proletaria internacionalista. León Trotsky explicó lo anterior en referencia al Ferrocarril Oriental de China, que, aunque había sido construido originalmente por la Rusia zarista para apuntalar su explotación de China, estaba en manos soviéticas como resultado de la Revolución de Octubre. En 1929, dos años después de masacrar a decenas de miles de comunistas y otros combatientes obreros, el régimen de Chiang Kai-shek provocó un conflicto militar con la Unión Soviética, entonces bajo la burocracia estalinista, por el control del tren. En “Defensa de la república soviética y de la Oposición” (septiembre de 1929), Trotsky luchó contra aquéllos que consideraban “imperialista” la política soviética en este sentido. Escribió: “consideramos al Ferrocarril Oriental de China un arma de la revolución mundial, más específicamente de las revoluciones de Rusia y China... Mientras tengamos la posibilidad y las fuerzas suficientes, lo protegeremos del imperialismo para entregarlo a la revolución china victoriosa”.
Más adelante Trotsky explica que el carácter de esta “empresa socialista, su administración y sus condiciones de trabajo, tendrían que permitir un mejoramiento de la economía y el nivel cultural del país atrasado mediante el capital, la tecnología y la experiencia de los estados proletarios más ricos, en beneficio de ambas partes”. Proyectando el modo en que una dictadura proletaria en Gran Bretaña habría de lidiar con las concesiones de los antiguos gobernantes imperialistas en la India, escribió:
“El estado obrero no deberá abandonar las concesiones sino transformarlas en vehículos de la construcción económica de la India y de su futura reconstrucción socialista. Naturalmente, esta política, necesaria también para consolidar el socialismo en Inglaterra, sólo podría realizarse en acuerdo con la vanguardia del proletariado indio y presentándoles ventajas concretas a los campesinos indios”.
La traición antisoviética del PCCh
La perspectiva trazada por Trotsky está diametralmente opuesta al programa nacionalista y antirrevolucionario de los estalinistas chinos. Esto se vio claramente con la alianza criminal que el régimen de Mao forjó con el imperialismo estadounidense en contra de la Unión Soviética, difamada y acusada por los maoístas de ser “socialimperialista” y el “principal enemigo” de los pueblos del mundo.
Uno de los resultados de esta traición fue la devastación de Angola a lo largo de décadas de guerra. Después de obtener su independencia de Portugal en 1975, el país se sumió en una guerra civil entre tres fuerzas guerrilleras nacionalistas, el MPLA, la Unión Nacional por la Independencia Total de Angola (UNITA) y el Frente de Liberación Nacional de Angola (FLNA). Inicialmente, como marxistas, no apoyamos a ninguno de los bandos en conflicto, todos ellos movimientos nacionalistas pequeñoburgueses que aspiraban a consolidar un régimen burgués. Sin embargo, la situación cambió rápidamente.
Auxiliado por la Unión Soviética, el MPLA se hizo del control de la mayor parte de las áreas clave, incluida la capital Luanda, y declaró a Angola una “república popular”. En respuesta, EE.UU. forzó a la UNITA y al FLNA a unificarse y les proporcionó armas, mientras que Sudáfrica y Portugal sumaron centenares de sus propias tropas al esfuerzo por derrocar al MPLA. De ese modo, la guerra civil se transformó en una guerra a distancia entre el imperialismo estadounidense y el estado obrero degenerado soviético. Los marxistas teníamos un lado claro en este conflicto: a favor de la victoria militar del MPLA. La China de Mao, sin embargo, apoyó activamente al FLNA/UNITA financiado por la CIA, llegando incluso a mandar instructores militares para que entrenaran a los asesinos anticomunistas. En testimonio del papel de China, funcionarios estadounidenses señalaron que Washington había logrado ahorros en “el apoyo a los movimientos anticomunistas, porque estábamos contentos de dejarle a los chinos el trabajo en el terreno” (citado en Le Monde, 5 de diciembre de 1975). ¡He ahí la “no injerencia”!
Al tiempo que las tropas sudafricanas dirigían una guerra relámpago contra Luanda, el órgano oficial chino Peking Review (21 de noviembre de 1975) publicó una declaración política de alto nivel condenando la “expansión y la burda interferencia de la Unión Soviética”, ¡rehusándose a mencionar siquiera la invasión por parte de las fuerzas del apartheid! La ayuda soviética, combinada con la subsecuente intervención de las heroicas tropas cubanas, eventualmente logró revertir la situación e hizo retroceder a los títeres imperialistas y su avanzada sudafricana. Pero la guerra civil continuó. Los puentes bombardeados, los caminos rurales y los campos plagados de minas y el colapso casi total de la infraestructura incrementaron enormemente el profundo atraso preexistente del país.
Las masas angoleñas pagaron con sangre la traición de los estalinistas chinos, que posteriormente han sacado ventaja de la miseria de Angola y otros países en el África subsahariana a la que ellos mismos contribuyeron. De manera más importante, con su ayuda material a las fuerzas antisoviéticas respaldadas por el imperialismo, desde el sur de África hasta Afganistán en las décadas de 1970 y 1980, el PCCh contribuyó a la destrucción de la propia URSS, una derrota catastrófica para los obreros y oprimidos de todo el mundo, incluida China.
¡Por el internacionalismo proletario!
Al estar guiada por los intereses nacionales estrechos de la burocracia de Beijing, la inversión extranjera con frecuencia contrapone a las empresas y los administradores chinos con los obreros que emplean. Junto con las minas, las instalaciones petroleras y los proyectos de construcción financiados por China que brotan por toda África, ha salido evidencia de abusos laborales a través de prácticas discriminatorias de contratación, bajos salarios y acciones rompesindicatos abiertas. Un estudio citado por Deborah Brautigam en The Dragon’s Gift encontró que las compañías constructoras chinas en Namibia violaban las leyes del salario mínimo y los requisitos de entrenamiento basados en la “acción afirmativa”, rehusándose además a pagar seguro social y otras prestaciones. Los obreros chinos en África han emprendido sus propias luchas contra el maltrato. Según Brautigam, cuando unos 200 trabajadores chinos de la construcción se fueron a huelga en Guinea Ecuatorial en marzo de 2008, un choque con las fuerzas de seguridad locales dejó un saldo de dos trabajadores muertos.
Un hecho que tanto la prensa burguesa como la de la “izquierda” ignoran casi por completo es que detrás de muchos de los peores ataques en contra de obreros africanos se encuentran los empresarios privados chinos, que, con el beneplácito de Beijing, han logrado colgarse como sanguijuelas del programa de inversión chino. En 2010, dos supervisores chinos en la Collum Coal Mine en Zambia le dispararon a trece trabajadores durante una protesta salarial. El año siguiente, las autoridades de Zambia decidieron no levantar cargos, ocasionando una extendida furia entre los zambianos. La mina, descrita en la prensa como “de propiedad china”, no estaba en manos del estado, sino de un inversionista privado, y era administrada por sus cuatro hermanos menores.
Los marxistas apoyamos a los obreros en lucha por derechos sindicales y por salarios y prestaciones decentes, lo que incluye las luchas contra los administradores chinos. Al mismo tiempo, es necesario combatir a los demagogos nacionalistas y a los falsos dirigentes sindicales que ponen de pretexto los abusos contra los obreros para subirse al vagón anti-China de los imperialistas. Por ejemplo, la federación sindical COSATU en Sudáfrica, parte de la Alianza Tripartita con el CNA y el PCS, denuncia desde hace ya mucho tiempo que la ropa importada de China desplaza a los fabricantes locales.
Esta clase de proteccionismo promueve la mentira de que el proletariado sudafricano (mayoritariamente negro) tiene “intereses nacionales” comunes con la clase capitalista sudafricana (mayoritariamente blanca), y revela la bancarrota de las proclamaciones de solidaridad obrera internacional por parte de los burócratas de la COSATU. Finalmente, alimenta las fuerzas de la contrarrevolución en China, fortaleciendo la mano de los imperialistas, cuyo poderío económico y militar representa un obstáculo formidable a la revolución proletaria en Sudáfrica y otros países. La defensa de China y de los demás estados obreros deformados —Cuba, Corea del Norte, Vietnam y Laos— es de vital importancia para la lucha por un futuro socialista en África, un objetivo en el que la combativa y estratégicamente concentrada clase obrera sudafricana es clave. ¡No pueden obtenerse conquistas nuevas si no se defienden las ya obtenidas!
Los marxistas también deben combatir el chovinismo que permea a la burocracia estatal china y sus representantes en ultramar. Dado que Beijing determina los presupuestos y las fechas de entrega, las compañías chinas frecuentemente emplean a trabajadores de China en lugar de contratar localmente. En defensa de este tipo de prácticas, el gerente general de la China National Overseas Engineering Corporation, de propiedad estatal, declaró: “Los chinos pueden soportar condiciones de trabajo muy intensas. Ésta es una diferencia cultural. Los chinos trabajan hasta terminar y después descansan”. Los obreros zambianos, se quejaba, “son como los británicos”: “Tienen pausas para el té y un montón de días de descanso. Para nuestra compañía constructora esto implica costos mucho mayores” (citado en Chris Alden, China in Africa). Esta clase de comentarios dejan bien claro el nivel de desprecio que sienten los burócratas chinos tanto hacia los trabajadores africanos como hacia los chinos.
Después de heredar las operaciones en el extranjero de las empresas estatales chinas, un gobierno de consejos obreros y campesinos en China haría un esfuerzo especial para contratar y entrenar a los trabajadores locales, con derechos sindicales y salarios y prestaciones superiores a los estándares locales. Un gobierno así también se desharía de los elementos burgueses que han surgido en China como resultado de las “reformas de mercado” y que también han logrado llegar a África. Pero, sobre todo, seguiría el ejemplo del joven estado obrero soviético promoviendo la victoria del poder obrero en todo el planeta. Esa lucha requiere de la dirección de partidos leninistas de vanguardia, y, para lograr esa tarea, la LCI lucha por reforjar la IV Internacional, partido mundial de la revolución socialista.
http://www.icl-fi.org/espanol/eo/40/africa.html
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2016.05.24 11:27 ShaunaDorothy La estafa de los Foros Sociales - El que paga manda - El que paga manda (Septiembre de 2006)

Espartaco No. 26 Septiembre de 2006
El siguiente artículo ha sido traducido de Young Spartacus, las páginas juveniles de Workers Hammer No. 191, periódico de la Spartacist League/Britain, verano de 2005.
Si la campaña “Make Poverty History” (Terminar con la Pobreza) tuviera realmente algo que ver con desafiar las calamidades de la pobreza, el SIDA, el analfabetismo y la completa miseria e indigencia de los pueblos de África, ¿Tony Blair y Gordon Brown la apoyarían? Estos asesinos de Irak están intentando una vez más incrementar la popularidad del Partido Laborista entre los electores en casa y restaurar la imagen del sangriento imperialismo británico. Detrás de ellos hay un montón de celebridades, instituciones de caridad religiosas, ONGs, burócratas sindicales y reformistas como el Socialist Workers Party (SWP, Partido Socialista de los Trabajadores) que están propugnando el fraude de “Make Poverty History”.
No todos están dispuestos a creerles a Tony Blair y Gordon Brown con su nueva preocupación acerca de los pobres. Una carta en el Herald de Glasgow (6 de junio de 2005) señala irónicamente: “La sinceridad de Gordon Brown respecto a erradicar la pobreza es tan sincera y tan grande como su disposición a dirigir una manifestación de banqueros, financieros y corredores de bolsa por las calles de Edimburgo con una manta que proclame ‘¡Viva la Revolución Cubana!’.” Con respecto a la hipocresía imperialista acerca de la ayuda al “Tercer Mundo”, nosotros endosamos la caracterización de la caridad burguesa escrita por Engels en 1845. Dirigiéndose a la burguesía inglesa, escribió que era “¡Como si al proletariado le fuese de utilidad que vosotros les chupéis la sangre hasta la última gota, para poder ejercitar vuestros pruritos de vanidosa y farisaica beneficencia, mostraros ante el mundo cual potentes benefactores de la humanidad, cuando restituís al desangrado la centésima parte de lo que le pertenece!” (La situación de la clase obrera en Inglaterra). “Chuparles la sangre” a las masas trabajadoras del mundo es de lo que se trata el G8.
Para quienes quieran protestar contra la reunión del G8 pero no quieran unirse al espectáculo de “nosotros somos el mundo”, existe el puño de acero de la represión estatal. Ya hace meses que los periodicuchos amarillistas y otros medios han estado haciendo eco a las fuerzas policiacas que emiten informes alarmistas acerca de anarquistas “violentos” que van a atacar la cumbre del G8. Un ejército de 10 mil policías ha sido movilizado; se ha construido una cerca de 8 kilómetros alrededor del hotel de cinco estrellas en Gleneagles donde se va a llevar a cabo la reunión; y se informa que EE.UU. va a colocar un portaaviones lleno de infantes de marina cerca de la costa occidental de Escocia.
He aquí los métodos que usan los gobernantes capitalistas para lidiar con lo que perciben como una amenaza a su gobierno: por un lado la represión estatal, y por el otro la cooptación política. Entre los mecanismos para cooptar las protestas “globalifóbicas” se destacan el Foro Social Mundial (FSM) y el Foro Social Europeo (FSE), que son dirigidos y organizados por muchas de las mismas fuerzas que dirigen “Make Poverty History”. Desde 2001, estos Foros Sociales se han usado para desviar la ola de protestas masivas —en contra del G8, la Organización Mundial del Comercio, el FMI y otras agencias imperialistas— ejemplificada por la manifestación de Seattle en 1999. El propósito fue desviar a los jóvenes radicales lejos de enfrentamientos encarnizados contra las fuerzas del estado capitalista para acorralarlos detrás de la “alternativa democrática” del reformismo parlamentario, mientras fingían que estos clubes de charla “no eran parlamentarios”. Lejos de haber enfrentado gases lacrimógenos, cañones de agua y balas del estado capitalista, como ocurrió en Génova en julio de 2001, el FSM y el FSE han sido apoyados y financiados por varias agencias de los gobernantes imperialistas.
Esto ocurre porque los Foros Sociales y el movimiento supuestamente “anticapitalista” de hecho no son ninguna amenaza fundamental para el dominio capitalista. Sus organizadores comparten el mito predominante del mundo “postsoviético”: la lucha de clases en contra del orden capitalista es algo del pasado; la clase obrera es irrelevante como factor para el cambio social; y lo mejor que se puede lograr es darle una cara “humana” al sistema. La verdad es que el sistema capitalista depende, tanto como siempre, de la clase obrera, la cual tiene el poder para derrocar el capitalismo. Para lograr esto, la clase obrera tiene que cobrar conciencia de que sus propios intereses son irreconciliables con los de los capitalistas. Los Foros Sociales son un obstáculo a esta conciencia de clase.
Los Foros Sociales y el financiamiento estatal
Todos los Foros Sociales Mundiales y Europeos han sido financiados por estados capitalistas en los países donde se han llevado a cabo y han recibido endoso oficial de los gobiernos municipales o las alcaldías burguesas. La lista de los patrocinadores para el FSM ha incluido no sólo el gobierno de la ciudad de Porto Alegre, el gobierno estatal de Rio Grande do Sul y el gobierno federal de Brasil, ¡sino también el Banco do Brasil y la compañía petrolera más grande de ese país, Petrobras! El FSE de 2002 fue financiado por la ciudad de Florencia y el FSE de 2003 en París fue financiado por el gobierno de Chirac. La oficina del alcalde de New Labour [Nuevo Partido Laborista], Ken Livingstone, quien apoyó el bombardeo imperialista de Serbia y fue porrista del terror policiaco contra los manifestantes “anticapitalistas” del 1º de mayo de 2000, fue la anfitriona y patrocinadora del FSE de 2004 en Londres.
Todos los Foros Sociales han estado dominados también por las mal llamadas Organizaciones “No Gubernamentales” (ONGs). Por supuesto que estas organizaciones, endosadas por iglesias y estados capitalistas, de los cuales reciben una gran parte de su financiamiento, no son independientes de los gobiernos ante los cuales responden. Las instituciones de caridad han sido por mucho tiempo la cara “humanitaria” de la intervención imperialista y de las empresas multinacionales que buscan saquear las economías del “Tercer Mundo”. Las ONGs más prominentes en los Foros Sociales han incluido Oxfam, War on Want (Guerra Contra la Necesidad) y Christian Aid. El patrocinador principal de las ONGs en todas partes del mundo es la ONU, la cual fue iniciada para darle una apariencia humanitaria a las depredaciones del imperialismo, en particular el estadounidense. Siguiendo esta tradición, el Foro Social Mundial de enero de 2003 en Porto Alegre recibió un mensaje de apoyo del secretario general de la ONU, Kofi Annan.
El que paga los mariachis escoge el son. Y si bien todos los Foros Sociales vituperan contra el régimen verdaderamente salvaje y loco de Bush en EE.UU., entre los que financian los FSM están nada menos que el Rockefeller Brothers Fund y la Ford Foundation. La fundación Rockefeller sirvió para mejorar la reputación de los Rockefeller después de la masacre en Ludlow, Colorado, el 20 de abril de 1914, cuando 20 personas, incluyendo a niños, murieron a manos de paramilitares y agentes de seguridad de la compañía durante la lucha encarnizada del sindicato minero. La Ford Foundation se hizo famosa en 1936 en el punto culminante de las luchas por construir sindicatos industriales en el ramo automotriz en EE.UU. Después de la Segunda Guerra Mundial, se convirtió en conducto para el dinero de la CIA dirigido a causas anticomunistas por todo el mundo.
Mientras aceptan el financiamiento de algunas de las más notorias agencias del imperialismo estadounidense, los Foros Sociales Mundiales no han recibido tan calurosamente a quienes son considerados amenazas potenciales a los intereses del imperialismo. La declaración en la Carta de Principios del FSM de que “ni representantes partidistas ni organizaciones militares participarán en el Foro” ha sido usada para excluir a los zapatistas así como a las FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia). Hasta las Madres de la Plaza de Mayo, una organización de las madres de izquierdistas que fueron “desaparecidos” durante la dictadura militar argentina de 1976-1983, fueron excluidas del FSM de 2002. Por otro lado, una cálida bienvenida fue proporcionada a varios dirigentes de gobiernos capitalistas, quienes presiden sobre “destacamentos especiales de hombres armados”, más comúnmente conocidos como el estado capitalista.
Un artículo perspicaz titulado “La economía y la política del Foro Social Mundial” en Aspects of India’s Economy [Aspectos de la economía de la India] (septiembre de 2003) escrito por Rajani X. Desai describió acertadamente el propósito y la naturaleza de los Foros Sociales:
“Mientras varias fuerzas políticas que luchan por un cambio de sistema han sido excluidos de las reuniones del FSM, montones de dirigentes políticos de países imperialistas han asistido. No es que sólo el FSM como cuerpo recibe dinero de agencias ligadas a los intereses y las operaciones imperialistas, sino que innumerables cuerpos que participan en el FSM también dependen de tales agencias. Las implicaciones de esto se pueden ver en la historia de una de estas agencias, la Ford Foundation, que ha colaborado cercanamente con la Central Intelligence Agency de EE.UU. alrededor del mundo, y en la India ha ayudado a desarrollar las políticas del gobierno que favorecen los intereses estadounidenses.”
Cubierta izquierdista para la colaboración de clases
El hecho de que los Foros Sociales Mundiales y Europeos han sido básicamente comprados por varios gobiernos y agencias capitalistas no le importa mucho al SWP. Alex Callinicos, dirigente del SWP (y vocero prominente en templetes de los Foros Sociales), dijo desvergonzadamente, “todos entendíamos que un Foro Social masivo necesita dinero y dinero significa compromisos” (Discussion Bulletin de la Tendencia Socialista Internacional, enero de 2005). ¡Efectivamente! Tales sentimientos no son una peculiaridad de Callinicos. El primer Foro Social Mundial en 2001 fue organizado en parte por los falsos trotskistas del Secretariado Unificado (S.U.). Ahí se capacitó a los jóvenes radicales para que administren la austeridad fiscal para el estado capitalista a través de “presupuestos participatorios” fingidos. Para los benefactores capitalistas que financiaron el FSM la inversión valió la pena. Hoy en día, el Partido dos Trabalhadores del presidente brasileño Lula —con la ayuda de un “camarada ministro” que es miembro del S.U.— administra el estado capitalista en Brasil, obedeciendo servilmente las órdenes del FMI al imponerle la austeridad a una población empobrecida.
En el FSM de enero de 2005, muchos de los asistentes abuchearon rotundamente a Lula, en oposición a su colaboración y alcahueteo con el FMI y el Banco Mundial. Pero la verdad es que Lula representa la política y el programa del FSM al nivel del poder estatal. Esto es lo que se conoce como el frente popular: un bloque político colaboracionista de clases de organizaciones de la clase obrera con agencias capitalistas, mediante el cual se subordina la política del componente obrero a la política de la burguesía, a la defensa del estado burgués y el capitalismo. Los gobernantes asignan a los frentes populares, como el gobierno de Lula en Brasil, la tarea de vender la austeridad a los obreros más eficazmente que los desacreditados partidos burgueses.
Ante el descrédito de Lula debido a sus ataques contra los obreros y campesinos brasileños, el nuevo héroe del FSM de 2005 fue el presidente de Venezuela, Hugo Chávez. Esto fue un cambio importante porque Chávez no fue invitado al FSM de 2003, mientras éste luchaba contra los intentos del gobierno estadounidense de derrocarlo, y no le permitieron un espacio oficial cuando llegó de todos modos. La popularidad de Chávez entre los oprimidos de Venezuela surge del hecho de que ha usado las rentas públicas petroleras para introducir reformas que han beneficiado a los pobres, y no se le ve como un lacayo de EE.UU. Pero ni son reformas estructurales básicas, ni mucho menos una revolución social, y están sujetas a los cambios en los precios mundiales del petróleo.
Chávez es un nacionalista burgués que gobierna para el capitalismo en Venezuela. El populismo nacionalista y el neoliberalismo económico son simplemente políticas alternativas del dominio de la misma clase capitalista. Es un hecho que muchos de los grandes terratenientes y capitalistas de Venezuela, así como los neoconservadores del gobierno de Bush que en abril de 2002 apoyaron un golpe militar en contra de Chávez, lo odian. Pero los representantes más racionales del imperialismo ven en Chávez, con su atracción popular, a alguien en quien confiar para proteger sus inversiones. Tales voceros del imperialismo como el Financial Times y el New York Times vieron la noticia de que Chávez haya derrotado en 2004 el referendo de destitución en su contra como una garantía de “estabilidad”. Como escribimos en Workers Vanguard No. 831, 3 de septiembre de 2004:
“La perspectiva inmediata que enfrentamos urgentemente es no sólo oponernos a las incursiones imperialistas en Venezuela y en otras partes, sino también luchar para romper el apoyo del movimiento obrero a Chávez o a la oposición, y forjar un partido obrero internacionalista revolucionario para dirigir a la clase obrera al poder. Esto requiere una lucha intransigente contra el nacionalismo en Venezuela, el cual oscurece las divisiones de clase en el país. Sólo la lucha victoriosa por el dominio de la clase obrera, es decir, la revolución socialista en toda América, asegurará tierra para los que no la tienen y permitirá que los obreros petroleros y otros proletarios disfruten de la riqueza que su trabajo produce.”
Al presentar a los nacionalistas burgueses (por ejemplo Chávez) como luchadores contra la “globalización”, los Foros Sociales trabajan en contra de la lucha por la revolución socialista porque atan a la clase obrera a su “propia” clase capitalista nacional. De hecho, todos los Foros Sociales Mundiales se han llevado a cabo en países del “Tercer Mundo” como Brasil o la India para disfrazar el antagonismo de clase entre la clase obrera de estos países y sus explotadores burgueses nativos. El mensaje ha sido que se puede confiar en la burguesía del “Sur Global” para unirse con “el pueblo” y luchar contra la “globalización”. Pero la preocupación principal de los capitalistas del “Tercer Mundo” es defender sus ganancias, para lo cual dependen de los imperialistas y requieren de la máxima explotación de la clase obrera.
Con la misma meta de atar a los explotados a sus explotadores, el FSE impulsa la ilusión de una “Europa Social” humana bajo el capitalismo, en contraste con el modelo neoliberal representado por EE.UU. y Gran Bretaña. La promoción de esta visión de una “Europa Social” ha atraído hacia el FSE a los dirigentes sindicales procapitalistas así como los políticos socialdemócratas por todo el continente. En la manifestación contra la Cumbre de la UE en Niza en 2000, el secretario general de la Confederación Europea de Sindicatos expresó la perspectiva política de ésta: “Los sindicatos y las ONGs tienen que incorporarse a las estructuras de toma de decisión en Bruselas... Estamos de acuerdo en que Europa tiene que hacerse más competitiva, sí. Pero la nueva Europa tiene que incluir una calidad de vida digna para todos sus ciudadanos” (citado en “La economía y la política del Foro Social Mundial”). Hacerse “más competitiva” significa extraer mayor ganancia del sudor y el trabajo de la clase obrera. Los burócratas del Congreso Sindical Británico (TUC, por sus siglas en inglés) endosaron el FSE de 2004 en Londres y lo usaron como oportunidad para darle una plataforma a Sobhi Al-Mashadani de la Federación Sindical Iraquí (FSI), un lacayo del gobierno lacayo de los imperialistas en Irak. Esto ocurrió después de la conferencia del Partido Laborista donde, a petición de los burócratas sindicales, otro representante de la FSI, Abdullah Muhsin, apoyó la ocupación imperialista al ayudar a asegurar la derrota de una resolución que exigía el pronto retiro de las tropas británicas de Irak.
Workers Power en trance bajo su propia hipnosis
En su folleto Anti-Capitalism: Summit Sieges and Social Forums [El anticapitalismo: Los asedios de las Cumbres y los Foros Sociales] (2005), la Liga por la Quinta Internacional (L5I) de Workers Power (Poder Obrero) posa como un crítico de izquierda de organizadores del FSM como Bernard Cassen y Susan George de ATTAC, una organización iniciada para hacer campaña para gravar las transacciones financieras internacionales y en contra del “neoliberalismo”. Aunque el Partido Comunista Francés y el S.U. proporcionan personal para sus oficinas, ATTAC no finge oponerse al capitalismo. Es una organización completamente burguesa que se jactaba de sus vínculos estrechos con el gobierno de frente popular de Lionel Jospin. Sin embargo, con respecto a Cassen y George, la L5I argumenta: “No necesitamos organizar una escisión artificial con ellos pero tampoco debemos temer una escisión. Si avanzamos con determinación, desertarán inmediatamente.” Cuando hablan de “escisión artificial”, los de la L5I quieren decir una escisión a lo largo de la línea de clases. La L5I no se opone a la colaboración de clases; simplemente quiere un frente popular más combativo.
Por cierto, la concepción descabellada de la L5I, Workers Power y su grupo juvenil, Revolution, es que pueden construir no sólo un “movimiento” sino también un partido “revolucionario” a partir de estas alianzas transclasistas patrocinadas por el estado. “El movimiento anticapitalista, el movimiento obrero, los movimientos de los oprimidos racial y nacionalmente, la juventud, las mujeres, todos se deben juntar para crear una nueva Internacional: un partido mundial de la revolución socialista” (Anti-Capitalism: Summit Sieges and Social Forums). Mientras declaran inválido el dominio burocrático de la derecha, Workers Power busca lograr “estructuras democráticas” dentro de los Foros Sociales para maquinar la transformación del movimiento. Abogan por el uso de “iniciativas como la Asamblea de Movimientos Sociales para proponer cuerpos de coordinación permanentes, que sean electos y basados en delegados, y que puedan preparar el camino para un Congreso estructurado en el cual se pueda debatir, enmendar y adoptar propuestas organizativas y políticas”.
Lo que falta en la ecuación de Workers Power es una lucha política en oposición al propósito entero de estos Foros Sociales, que se basan en el mantenimiento del sistema capitalista mientras intentan hacerle una cirugía plástica para darle un aspecto “democrático” y “humanitario”. Pero incluso Workers Power tiene que reconocer que a estas Asambleas les falta la concepción de que “el sistema capitalista es el enemigo”, “la clase obrera es la fuerza” y “el socialismo es la única base posible para el ‘otro mundo’ que buscan construir” (Workers Power, marzo de 2005).
La realidad del colaboracionismo de clases se reveló tajantemente en el primer FSE en Florencia en 2002. La L5I afirmó con excesiva efusividad: “La mera intoxicación de estar ‘tous ensemble’ (todos juntos) significó que incluso reformistas acérrimos hablaban como agitadores revolucionarios. Todos estaban motivados también por la urgencia de hacer todo lo posible para detener la guerra de George Bush contra Irak.” “Todo lo posible” incluía un llamado explícito a los dirigentes imperialistas de Europa para que se opusieran a los planes de EE.UU. de invadir a Irak; el llamado fue firmado por una gama de grupos de la izquierda europea, incluyendo al SWP, Workers Power y Revolution en una reunión preparatoria en Bruselas para el FSE de Florencia. El llamado afirma: “Llamamos a que todos los jefes de estado europeos se opongan públicamente a esta guerra, aunque tenga apoyo de la ONU, y que exijan que George Bush abandone sus planes de guerra” (Liberazione, 13 de septiembre de 2002). Este llamado rastrero a los dirigentes capitalistas europeos “amantes de la paz” sólo sirve para atar a los explotados a sus explotadores.
Las principales fuerzas detrás del FSE de Florencia fueron los partidos reformistas italianos de masas como Rifondazione comunista (RC) y Demócratas de Izquierda (DS, por sus siglas en italiano). En los años 90, DS formó parte de la coalición gubernamental “Olivo” que administró el terror antiinmigrante y ataques severos contra la clase obrera en nombre del imperialismo italiano. Hasta fines de 1998, RC tenía una coalición tácita con DS. El FSE les da a estos frentepopulistas consumados una manera barata de recuperar apoyo para que puedan regresar al gobierno. De manera similar, el Partido Comunista (PCF) y la seudotrotskista Ligue communiste révolutionnaire (LCR) de Alain Krivine organizaron el FSE de París. Hoy día en Francia, donde el gobierno de Chirac se desacreditó totalmente con el voto en contra del tratado constitucional de la UE, estas mismas fuerzas trabajan febrilmente para construir una nueva alianza de colaboración de clases con la esperanza de que puedan tomar las riendas del gobierno. Eso significa llevar a cabo los ataques contra la asistencia social así como la racista “guerra contra el terrorismo”.
El frente popular: No una táctica sino el mayor de los crímenes
La tarea básica de los marxistas revolucionarios es hacer que la clase obrera y la juventud radical rompan con la idea de que pueden negociar un futuro común progresista con representantes de la clase capitalista que es responsable de la explotación, la guerra imperialista, el racismo, la opresión de la mujer y la opresión sexual. Dado que produce toda la riqueza de la sociedad capitalista y las ganancias de la burguesía, la clase obrera es el único agente con el poder social y el interés objetivo para derrocar el sistema capitalista y destrozar su estado. Esto requiere la revolución socialista para remplazar la dictadura de la burguesía con un estado obrero que defienda y administre una economía planificada y colectivizada. A escala internacional, esto sentaría las bases para erradicar la escasez y producir para las necesidades de la raza humana entera. La única herramienta que puede organizar la lucha proletaria para derrocar el capitalismo es un partido revolucionario de vanguardia.
Esto se contrapone al colaboracionismo de clases de los Foros Sociales. Los Foros Sociales, adaptados a los sentimientos de los activistas que están hartos de la política y los partidos parlamentarios, son frentes populares que promueven el mito de que una “alianza popular” con capitalistas supuestamente “progresistas” pueda acabar con los estragos del imperialismo. El frente popular fue el arma favorita utilizada por los estalinistas en los años 30 para impedir la revolución obrera. Trotsky estaba vehementemente opuesto al frente popular y advirtió insistentemente de sus terribles consecuencias para la clase obrera. Como señaló el entonces dirigente trotskista James Burnham en su folleto de 1937, “El frente popular, la nueva traición”:
“Para el proletario, renunciar a su propio programa independiente, a través de sus partidos, significa renunciar a su funcionamiento independiente de clase... Al aceptar el programa del frente popular, por ende acepta las metas de otro sector de la sociedad; acepta la meta de defensa del capitalismo mientras toda la historia demuestra que los intereses del proletariado sólo se satisfacen derrocando al capitalismo.”
El frente popular a menudo ha tenido sangrientas repercusiones para la clase obrera y los oprimidos. Un ejemplo clásico es el de Chile en 1973, cuando Salvador Allende y sus compañeros reformistas dirigieron a la clase obrera de mentalidad revolucionaria hacia un gobierno de coalición con los capitalistas. Allende prometió no retar al orden capitalista ni al estado y puso fin a las tomas de tierra de los campesinos y a las tomas de fábricas de los obreros. Con la ayuda del imperialismo estadounidense, la burguesía chilena recurrió al general Augusto Pinochet para que atacara a la clase obrera y sus dirigentes (incluyendo a Allende), e impuso una dictadura militar salvaje que cobró 30 mil vidas.
Desde Seattle hasta los Foros Sociales
Con la esperanza de ser atractivos para jóvenes combativos que odian los Foros Sociales por ser clubes de charla interminable, la L5I suplica que se vuelva a las manifestaciones callejeras de Seattle y Génova. Su folleto proclama que “Por cinco años nuestro movimiento ha asediado a las cumbres de los ricos y los poderosos... Tiene que volver a las calles, y mostrar a través de acción directa masiva su intención: construir un mundo sin clases, opresión, racismo, guerra ni imperialismo.” Pero la política del FSM no está contrapuesta a la política de Seattle, sino que es una extensión de ésta. Aunque atrajo a muchos jóvenes que se oponían al impacto del capitalismo internacionalmente, la manifestación en Seattle fue dirigida políticamente por los socialdemócratas y los burócratas sindicales, cuyas diatribas anticomunistas contra China hacen eco de los intereses de los gobernantes imperialistas que buscan la restauración del sistema de explotación capitalista en el estado obrero deformado chino. Una protesta de “acción directa” basada en la política frentepopulista proimperialista es simplemente colaboración de clases “combativa”.
El contexto de la proliferación de los Foros Sociales es la contrarrevolución en la antigua URSS y la campaña ideológica de la burguesía de que “el comunismo ha muerto”. Un ejemplo típico, entre izquierdistas jóvenes, del retroceso de la conciencia a causa de la destrucción de la Unión Soviética es la idea de que la clase obrera es irrelevante como medio para el cambio social, o que es sólo una víctima más de la opresión. Mientras tanto, los burócratas sindicales ahora justifican la traición de luchas obreras argumentando que la “globalización” hace que la lucha de clases sea inefectiva porque los capitalistas pueden trasladar fácilmente la producción a economías de bajos salarios en Asia o Europa oriental. Si bien ha habido ciertos cambios cuantitativos en la economía mundial en las últimas décadas, la “globalización” no es un fenómeno cualitativamente nuevo. Hace casi 90 años, V.I. Lenin explicó el hecho de que la economía de mercado capitalista es “global”, que los bancos y las corporaciones buscan países (de bajos salarios) donde puedan obtener la más alta ganancia, y que el capital financiero se ha internacionalizado:
“El imperialismo es el capitalismo en aquella etapa de desarrollo en que se establece la dominación de los monopolios y el capital financiero; en que ha adquirido señalada importancia la exportación de capitales; en que empieza el reparto del mundo entre los trusts internacionales; en que ha culminado el reparto de todos los territorios del planeta entre las más grandes potencias capitalistas.”
— El imperialismo, etapa superior del capitalismo (1916)
La pobreza, las enfermedades, la explotación y la guerra no son aberraciones del sistema capitalista sino que son inherentes a su funcionamiento. Las fuerzas productivas se pueden desarrollar para proporcionar un nivel de vida decente a toda la humanidad sólo mediante el derrocamiento del capitalismo.
En el contexto de una cacería de brujas internacional en contra de los anarquistas de “acción directa” del Bloque Negro, después de la muerte del manifestante izquierdista Carlo Giuliani en Génova en 2001 a manos de la policía, el grueso de la izquierda socialdemócrata en el movimiento globalifóbico participó en tachar al Bloque Negro de violento y de estar compuesto de policías. La LCI se destacó por nuestra inequívoca defensa del Bloque Negro ante los ataques del estado capitalista y sus lacayos. Al mismo tiempo enfatizamos:
“La pregunta que enfrentan los muchísimos jóvenes radicales que han sido atraídos a las protestas ‘globalifóbicas’ de los últimos años es: ¿Cómo se cambia el mundo? Aunque las protestas han tenido éxito en obligar a los imperialistas a planear sus reuniones futuras en lugares aislados, esto no impide el funcionamiento del sistema capitalista. Acabar con la explotación imperialista requiere una movilización política del proletariado en una revolución socialista completa...
“Se necesita una nueva dirección revolucionaria de la clase obrera, un tribuno del pueblo y combatiente en nombre de todos los oprimidos. Es necesario romper con la política de colaboracionismo de clases impulsada por quienes, en nombre del ‘mal menor’, subordinan los intereses vitales del proletariado a los de sus explotadores y opresores capitalistas. Es necesario forjar un partido obrero revolucionario que luche para establecer un gobierno obrero mediante la revolución socialista en contra del sistema capitalista entero.”
—“Sangre y balas en Génova”, Workers Vanguard No. 762, 3 de agosto de 2001
Los marxistas del Spartacus Youth Group y de la Liga Comunista Internacional entendemos que la lucha por la independencia de la clase obrera es la precondición para la emancipación de la humanidad mediante la revolución socialista. Nuestra actitud hacia los Foros Sociales, así como hacia cualquier otro frente popular, es de oponernos a ellos interviniendo con nuestra tajante caracterización y explicando su engaño con la intención de ganar a un programa proletario, revolucionario e internacionalista a quienes genuinamente quieren luchar contra la opresión y la explotación. Somos comunistas orgullosos y nos negamos a ser los lacayos de los socialdemócratas, los burócratas sindicales y sus amos capitalistas. Si compartes esta negativa, únete a nosotros.
http://www.icl-fi.org/espanol/eo/26/foros.html
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2016.05.21 16:25 ShaunaDorothy Declaración de la LCI para las protestas de Praga contra el FMI y el Banco Mundial ¡Aplastar la explotación imperialista mediante la revolución socialista mundial! (noviembre de 2000)

https://archive.is/feRdA
A continuación publicamos una declaración de la Liga Comunista Internacional, emitida el 16 de septiembre pasado, dirigida a las protestas planeadas contra el Fondo Monetario Internacional (FMI) y el Banco Mundial (BM) en Praga ese mismo mes. Las protestas contra la "globalización" se han convertido en un foco de actividad internacionalmente, y han sido objeto de viciosos ataques y terror policiacos, incluyendo arrestos masivos. Exigimos la inmediata liberación de todos los arrestados y el levantamiento de todos los cargos.
Los jóvenes radicalizados atraídos a estas protestas quieren superar el odioso empobrecimiento de las masas en el "Sur Global" que se justifica y forza en nombre del capitalismo del "libre mercado". Sin embargo, los organizadores de la campaña contra la "globalización" buscan encauzar estas preocupaciones y la lucha por la justicia social hacia apelaciones nacional-chovinistas a su propia burguesía.
La demanda principal de la protesta de Seattle fue que la Casa Blanca de Clinton presionara a la OMC para que adoptara y forzara una ley de normas internacionales para el trabajo y el medio ambiente. Además, la protesta estuvo dominada políticamente por la burocracia sindical de la AFL-CIO, que puso en escena una orgía anticomunista contra China y de proteccionismo chovinista. Las manifestaciones en Washington unos meses después se enfocaron en apelaciones liberales a los dirigentes del Banco Mundial para que cancelaran la deuda de los países del "Tercer Mundo".
Los organizadores de estas movilizaciones denuncian molestos al FMI, la OMC y el Banco Mundial por ser antidemocráticos y estar bajo el control de grandes corporaciones "trasnacionales". Al mismo tiempo, apelan a los gobiernos "democráticos" de América del Norte y Europa Occidental. En realidad, el estado capitalista estado u ni dense es el instrumento político fundamental de los bancos de Wall Street, General Motors, Boeing y otros; el estado capitalista alemán cumple el mismo propósito para los bancos de Frankfurt, Daimler-Benz y Siemens; etc. Las instituciones económicas internacionales como el FMI y la OMC están dominadas políticamente por los estados imperialistas principales, mientras que se convierten cada vez más en una arena de conflictos entre ellos.
En México, entre los principales porristas del "espíritu de Seattle" se encuentran la Liga de Trabajadores por el Socialismo (LTS) y su grupo juvenil Contracorriente. En su periódico Estrategia Obrera núm. 14 (octubre de 2000) ensalzan las manifestaciones como "una nueva vanguardia anticapitalista" sin mencionar una sola palabra sobre sus ilusiones en el imperialismo "democrático" ni sobre la contrarrevolución capitalista que ha dado pie a la embestida burguesa antiproletaria a nivel mundial. La LTS apoyó esos movimientos contrarrevolucionarios en Europa Oriental y la URSS sin cuyo triunfo, para empezar, no se habrían reunido el FMI y el BM en Praga, capital del antiguo estado obrero checoslovaco. Con una verborrea nacionalista tercermundista antiestadounidense, el artículo de la LTS no menciona ni por equivocación al enemigo principal de los obreros y jóvenes radicalizados en México: la burguesía mexicana lacaya de los imperialistas.
En oposición fundamental a los principales impulsores seudoizquierdistas del "imperialismo de los derechos humanos", la Liga Comunista Internacional lucha por la liberación de los obreros, campesinos y otros trabajadores, de la explotación, la pobreza y la degradación social mediante revoluciones proletarias tanto en los centros imperialistas como contra sus lacayos en los países neocoloniales, estableciendo así la base para una economía socialista planificada internacional.
¿"Convertir a Praga en Seattle"? ¡Si no hubiera sido por la contrarrevolución que destruyó Europa Oriental y la antigua Unión Soviética hace una década, el Banco Mundial y el Fondo Monetario Internacional no se estarían reuniendo en Praga! La "revolución de terciopelo" desmembró a Checoslovaquia y ahora el pueblo trabajador, las mujeres y las minorías nacionales y étnicas sufren la cruda explotación, el empobrecimiento y las depredaciones del mercado capitalista. En cuanto a las ilusiones de "libertad", hoy las fuerzas policiacas especialmente entrenadas por el FBI estadounidense y apoyadas por la OTAN amenazan las manifestaciones obreras e izquierdistas con un reforzamiento brutal de la "ley y el orden" de los banqueros imperialistas.
A pesar de toda la palabrería sobre la preocupación por las masas trabajadoras, el llamado oficial para un "día global de acción" en Praga no dice nada sobre el tratamiento de choque capitalista que llevó a una precipitación en la expectativa de vida y devolvió la hambruna a Rusia, echó hacia atrás el derecho de las mujeres al aborto a lo largo de Europa Oriental y dio pie a la emergencia de una plaga parda de terror fascista dirigida especialmente contra inmigrantes y romaníes (gitanos). La guerra de los Balcanes del año pasado hundió a Serbia en una devastación peor que la de los nazis de Hitler. El resultante desastre económico, social y ecológico tampoco mereció mención en el manifiesto oficial para Praga. ¿Por qué sucede esto? Porque los supuestos izquierdistas que organizaron la protesta "antiglobalización" de este año son principalmente la mismísima gente que apoyó la guerra imperialista contra Serbia a nombre de la preocupación "humanitaria" por los albaneses kosovares. Son también los mismos "izquierdistas" que se unieron a sus propios gobernantes capitalistas para luchar por la destrucción de la Unión Soviética y los estados obreros deformados de Europa Oriental y quienes apoyaron la elección de la sangrienta camarilla de falsos "socialistas", "ex comunistas" y dirigentes "laboristas" que actualmente gobiernan la Europa capitalista.
Nosotros, camaradas de la Liga Comunista Internacional (LCI), estamos orgullosos de luchar por el auténtico comunismo de los bolcheviques de Lenin y Trotsky. Nuestra perspectiva es proletaria, revolucionaria e internacionalista. Reconocemos que el conflicto fundamental en la sociedad es la lucha del trabajo contra el capital. Debido a su papel central en la producción, el proletariado tiene el poder social para tirar a los explotadores capitalistas y a todo su sistema de explotación de clase, la opresión racial, sexual y nacional y la guerra imperialista. El proletariado tiene el poder y el interés de clase para crear una sociedad —inicialmente un estado obrero— sobre la base de la propiedad colectiva y una economía racional e internacionalmente planificada, llevando a una sociedad comunista sin clases y a la extinción del estado. Alcanzar esta meta requiere de la construcción de un partido leninista-trotskista igualitario internacional. Luchamos por convertirnos en el partido capaz de dirigir revoluciones socialistas internacionales.
Sostener las conquistas proletarias ya arrebatadas a la clase capitalista es parte integral de nuestra lucha. Es por eso que nosotros los trotskistas luchábamos por la defensa militar incondicional de la Unión Soviética y de los estados obreros deformados de Europa Oriental contra el ataque imperialista y la restauración capitalista. Con todos los recursos a nuestro alcance, luchamos en 1989-90 en la RDA [Alemania Oriental] por dirigir una revolución política obrera, manteniendo las formas de propiedad colectiva y reemplazando a los falsos dirigentes estalinistas por un gobierno de consejos obreros. Esto pudo haber sido la guía para la resistencia contra la restauración capitalista a lo largo de Europa Oriental y para la revolución socialista proletaria en occidente. La LCI luchó de nuevo por despertar a los obreros soviéticos para preservar y extender las conquistas de la Revolución Rusa de 1917, que había sido asquerosamente traicionada por décadas de falsa dirección estalinista, pero que no fue derrocada hasta 1991-92. Hoy, el destino del estado obrero deformado chino y la vida de miles de millones de trabajadores en China, a lo largo de Asia y alrededor del mundo, penden en la balanza. Luchamos por la defensa militar incondicional del estado obrero chino contra las renovadas maquinaciones militares e intromisiones económicas imperialistas. Las conquistas de la Revolución China de 1949 están amenazadas por las "reformas" económicas de mercado de los estalinistas chinos, pero estos ataques también han engendrado una revuelta proletaria significativa. Es necesario un partido trotskista para dirigir al proletariado a la victoria mediante una revolución política obrera para preservar y extender las conquistas de la Revolución China de 1949.
Las devastadoras consecuencias mundiales de la contrarrevolución capitalista también destruyeron las teorías antimarxistas del "capitalismo de estado", adoptadas por la Tendencia Socialista Internacional del fallecido Tony Cliff y los estrafalarios y siempre cambiantes "ideólogos" de la Liga por una Internacional Comunista Revolucionaria (LICR, o sea Workers Power) y otros renegados del marxismo (ver "La bancarrota de las teorías sobre ‘una nueva clase’", Spartacist [edición en español] núm. 30, primavera de 2000). Según los cliffistas, la contrarrevolución en la antigua URSS fue simplemente un "paso a un lado" de una forma de capitalismo a otra. Su antisovietismo rabioso de la Guerra Fría se expresó en aquel momento: "El comunismo colapsó.... Es un hecho que debe regocijar a todo socialista." (Socialist Worker, [Gran Bretaña], 31 de agosto de 1991).
Hoy, el proletariado fue arrojado hacia atrás en todo el mundo, y los imperialistas de EE.UU., sin el freno del poderío militar soviético, pueden andar sin miramientos por todo el planeta, utilizando algunas veces a la Organización de las Naciones Unidas como hoja de parra, en volviendo intervenciones militares globales en el manto del "humanitarismo". Los imperialismos rivales, especialmente Alemania y Japón, sin la restricción de la unidad antisoviética de la Guerra Fría, buscan aplacar sus propios apetitos por controlar los mercados mundiales y proyectar concomitantemente su poder militar. Estos intereses nacionales en conflicto llevaron a la ruptura de las pláticas de la OMC en Seattle el año pasado. Estas rivalidades interimperialistas demarcan guerras futuras con armas nucleares, lo cual amenaza con extinguir la vida en el planeta.
Así, la tarea de quitar el poder a los explotadores capitalistas es ahora más urgente que nunca. Sin teoría revolucionaria no puede haber movimiento revolucionario. Hoy, las premisas básicas del marxismo auténtico deben ser motivadas contra la falsa identificación prevaleciente del colapso del estalinismo con el fracaso del comunismo. El dominio estalinista no era comunismo, sino su perversión grotesca. La burocracia estalinista, una casta parasitaria empotrada sobre el estado obrero como la burocracia asentada sobre un sindicato, surgió en el estado obrero degenerado soviético bajo condiciones de atraso económico y aislamiento debido al fracaso por extender la revolución a cualquiera de los países capitalistas avanzados. Los estalinistas dijeron que construían el "socialismo en un solo país", algo imposible, como explicó León Trotsky (y Marx y Engels antes que él), ya que el socialismo es necesariamente de extensión internacional. El "socialismo en un solo país" fue una justificación para vender revoluciones internacionalmente para aplacar al imperialismo mundial. Como lo explicó de manera brillante Trotsky en La revolución traicionada (1936), las contradicciones de la sociedad soviética no podían durar por siempre: "¿Devorará el burócrata al estado obrero, o la clase obrera lo limpiará de burócratas?" Esa contradicción se resolvió amargamente por la negativa.
Marxismo contra anarquismo y "globalización"
La gente que se llama a sí misma "anarquista" reúne una gama que va desde los golpeadores pequeñoburgueses derechistas que odian a la clase obrera y atacan a los comunistas, hasta revolucionarios subjetivos que se solidarizan con el proletariado y buscan genuinamente derrocar a la burguesía. En el último caso, el atractivo del anarquismo es un rechazo saludable al reformismo parlamentario de los socialdemócratas, los ex estalinistas y los falsos izquierdistas que promueven y mantienen el orden capitalista. De hecho, por oponerse a los falsificadores reformistas del marxismo, el mismo Lenin fue denunciado como anarquista. Cuando el líder bolchevique llegó a Rusia en abril de 1917 y llamó por una revolución obrera para derrocar al gobierno provisional capitalista, los mencheviques denunciaron a Lenin como "un candidato... ¡al trono de Bakunin!" (Sujánov, The Russian Revolution, 1917: A personal record [La Revolución Rusa, 1917: Un registro personal, 1984]). (Bakunin era el líder anarquista de la I Internacional). Como lo puso Lenin en El estado y la revolución: "Los oportunistas de la socialdemocracia actual tomaron las formas políticas burguesas del estado democrático parlamentario como límite del que no podía pasarse y se rompieron la frente de tanto prosternarse ante este ‘modelo’, considerando como anarquismo toda aspiración a romper estas formas."
No es sorprendente que haya algún resurgimiento de las creencias anarquistas, fertilizadas por el triunfalismo burgués multilateral de que "el comunismo ha muerto". La Revolución Rusa redefinió a la izquierda internacionalmente y su desmantelamiento final tiene un efecto similar a la inversa. Cuando el nuevo estado obrero era en los hechos un faro para la liberación, en el clímax de los levantamientos revolucionarios internacionales fomentados por la Revolución Rusa, los mejores de los militantes anarquistas y sindicalistas (por ejemplo James P. Cannon, Víctor Serge y Alfred Rosmer) se convirtieron en luchadores dedicados y disciplinados por el comunismo de Lenin y Trotsky. Antes de su ruptura final con el marxismo, Serge el anarquista increpó a los socialdemócratas, que llevaron a los obreros a la carnicería imperialista de la Primera Guerra Mundial y viajó a la Rusia soviética a apoyar al nuevo estado obrero. En el curso de la lucha contra los revanchistas contrarrevolucionarios (a quienes algunos anarquistas apoyaron de manera criminal), Serge se unió al Partido Bolchevique y escribió a sus amigos anarquistas franceses para motivar al comunismo contra el anarquismo:
"¿Qué es el Partido Comunista en épocas de revolución? Es la élite revolucionaria, poderosamente organizada, disciplinada, obedeciendo a una dirección congruente, avanzando hacia una sola meta claramente definida por los caminos trazados para ésta, mediante una doctrina científica. Siendo una fuerza tal, el partido es el producto de la necesidad; es decir, son las leyes de la historia misma. Esa élite revolucionaria que en época de violencia permanece desorganizada, indisciplinada, sin una dirección congruente y abierta a impulsos variables o contradictorios, se dirige al suicidio. No es posible ningún punto de vista contrario a esta conclusión."
—La vie ouvrière, 21 de marzo de 1922; reimpreso en The Serge-Trotsky Papers [Los archivos de Serge-Trotsky], Cotterill, ed. (1994)
La difusa popularidad del "anarquismo" entre la juventud actual es por sí misma un reflejo del retroceso en la conciencia política en el nuevo periodo político que comenzó con la derrota colosal que fue la contrarrevolución capitalista en la URSS y en Europa Oriental. En el fondo, el anarquismo es una forma de idealismo democrático radical que apela a la supuesta bondad innata, incluso de los imperialistas más rapaces, para servir a la humanidad. La Liga de los Justos (que cambió de nombre a Liga de los Comunistas alrededor del ingreso de Karl Marx en 1847) tenía como consigna principal "Todos los hombres son hermanos". Observando que había algunos hombres de los que no era ni quería ser hermano, Marx convenció a sus camaradas de cambiar la consigna a "¡Proletarios de todos los países, uníos!"
Históricamente, el anarquismo ha probado ser un obstáculo colaboracionista de clase para la liberación de los oprimidos. Uniéndose a los Ejércitos Blancos contrarrevolucionarios, algunos anarquistas saludaron el levantamiento de Kronstadt contra la Revolución Rusa, y Kronstadt sigue siendo una piedra de toque anticomunista para los anarquistas de hoy. Durante la Guerra Civil española, los anarquistas se convirtieron en ministros del gobierno del frente popular que desarmó y reprimió la lucha armada de los obreros contra el capitalismo, abriendo el camino a las décadas de dictadura franquista.
Hoy, las diferencias fundamentales entre el marxismo revolucionario y el idealismo liberal anarquista también se pueden ver en las protestas contra la "globalización". La noción de que las grandes corporaciones capitalistas trascienden actualmente el sistema de estado-nación y dominan el mundo a través de instituciones como el FMI y la OMC es falsa hasta la médula. La "globalización" es una versión actual de la idea del "ultraimperialismo" propuesta por el socialdemócrata alemán Karl Kautsky, quien arguyó que los capitalistas de diferentes países pueden resolver sus conflictos de intereses con medios pacíficos (incluso democráticos). Como señalamos en nuestro folleto Imperialism, the "Global Economy" and Labor Reformism [El imperialismo, la "economía global" y el reformismo obrero]: "Las firmas llamadas multinacionales o trasnacionales no operan por encima ni independientemente del sistema de estado-nación; más bien, dependen vitalmente de sus estados burgueses nacionales para proteger sus inversiones más allá de sus fronteras de la oposición popular y de los estados capitalistas rivales. De allí que los estados imperialistas deben mantener poderosas fuerzas militares y la correspondiente base industrial doméstica."
Muchas organizaciones que apoyan la movilización de Praga piden un "control democrático" del FMI o del Banco Mundial para mejorar las condiciones de la gente del "Sur Global" (Asia, África y América Latina). El PDS alemán (Partido del Socialismo Democrático) argumenta que el trabajo del FMI y del Banco Mundial debe hacerse más transparente y está por una Organización de las Naciones Unidas genuinamente internacional. Hemos llamado "imperialismo de los derechos humanos" a estas apelaciones a la acción, en nombre de los obreros y de los oprimidos, a los opresores y amos directos imperialistas. No sólo son absurdas, sino que estas apelaciones a que el imperialismo se vuelva de alguna manera más responsable y humanitario, son reaccionarias porque crean ilusiones mortales en que la dictadura de la burguesía en sus adornos "democráticos" pueden de alguna manera ser el agente del cambio social a favor de los obreros y de los oprimidos. Esta mentira ata a los explotados a sus explotadores y traza un callejón sin salida para la lucha social.
La idea de que una Organización de las Naciones Unidas "global" puede actuar a favor de los intereses de la humanidad es una mentira que enmascara los mecanismos económicos del imperialismo capitalista. El imperialismo no es una política basada en "malas ideas", sino que es integral para el funcionamiento del sistema basado en la propiedad privada, la extracción de ganancias y la necesidad del capitalismo de conquistar nuevos mercados. Como explicó Lenin respecto a la antecesora de la ONU, la Liga de las Naciones: "Resultó que la Liga de las Naciones no existe, que la alianza de las potencias capitalistas es puro engaño y que, en realidad, es una alianza de asaltantes, cada uno de los cuales trata de arrebatar algo al otro.... La propiedad privada es un robo, y un Estado basado en la propiedad privada es un Estado de asaltantes que hacen la guerra para el reparto del botín." (Discurso en la conferencia de presidentes de comités ejecutivos de distritos, subdistritos rurales y aldeas de la provincia de Moscú", 15 de octubre de 1920).
La primera intervención de la ONU (1950-53) fue una "acción policiaca" contra los estados obreros deformados norcoreano y chino, masacrando a hasta cuatro millones de corea nos. Una década después, la intervención militar asesina en el antiguo Congo Belga fue dirigida bajo los auspicios de la ONU e incluyó el asesinato del nacionalista de izquierda Patrice Lumumba. En el extremo izquierdo del espectro anarquista aparece un artículo en la "página de internet A-Infos" anarquista, que sobresale entre los constructores de la manifestación de Praga por su aguda oposición a rogarle al enemigo de clase que actúe con moralidad y "cancele la deuda del Tercer Mundo". Llaman a aplastar al FMI y al Banco Mundial, y proponen: "Las demandas directas se colocarán no sobre los apaciguadores y compañía, sino sobre las organizaciones obreras y sus direcciones reformistas para desechar al FMI-Banco Mundial y para cancelar la deuda trillonaria ¡YA!" Pero el mundo no se cambiará mediante consignas lanzadas en una gran manifestación o incluso en una gran huelga, y las direcciones reformistas a las que llaman apoyan al imperialismo capitalista. ¿Cómo llegamos entonces del capitalismo al socialismo? Esa es la pregunta para la cual el anarquismo no tiene respuesta.
La teoría marxista y el modelo de los bolcheviques de Lenin dirigiendo a la clase obrera al poder estatal en la Revolución Rusa de octubre de 1917 es la única solución revolucionaria. Los obreros no pueden tomar la maquinaria del estado capitalista y "reformarla" en el interés de los oprimidos. Deben luchar por el poder, aplastando al estado capitalista y creando un estado obrero –una dictadura del proletariado— que aplastará la resistencia contrarrevolucionaria de los antiguos gobernantes capitalistas. Los bolcheviques de Lenin cancelaron la deuda acumulada por el zar y la burguesía rusa al tomar el poder y negarse a pagarla. Esto fue parte de la perspectiva revolucionaria internacionalista de los bolcheviques; contra el apaciguamiento del imperialismo, lucharon por extender el Octubre ruso a una revolución socialista mundial. Entendieron que no podía construirse el socialismo en un solo país.
Contra los aspectos reaccionarios predicados por los anarquistas tradicionales como Prudhon y de los que hoy hacen eco los "verdes" pequeñoburgueses, de que los trabajadores no deben aspirar al bienestar, sino que deben vivir en una existencia espartana comunal, nosotros los marxistas luchamos por la eliminación de la escasez, por una sociedad donde los trabajadores disfruten los frutos de su trabajo que hoy expropian los capitalistas. Decirle a los trabajadores que "aprieten el cinturón" es, de hecho, el programa del Fondo Monetario Internacional y del Banco Mundial, mediante las políticas hambreadoras de "austeridad" impuestas a las masas del "Tercer Mundo". En nombre de "defender al medio ambiente", los partidos verdes que están ahora en las coaliciones gobernantes en Alemania y en Francia son aún más agresivos que los socialdemócratas imponiendo la "austeridad" capitalista. Frente a las recientes protestas masivas contra los precios extorsionados del combustible, los verdes franceses se opusieron a la concesión del primer ministro socialista de reducir el impuesto al combustible en un 15 por ciento.
En contraste con el impulso anarquista/verde de detener el avance técnico y reducir el nivel de consumo, nosotros los marxistas tomamos el lado de Big Bill Haywood, un dirigente de los IWW (Obreros Industriales del Mundo, conocidos como los "Wobblies"). Cuando un camarada le reprochó que fumara un buen puro, respondió: "¡Nada es demasiado bueno para el proletariado!" Los marxistas reconocemos que la historia del progreso humano ha sido una lucha por dominar a las fuerzas de la naturaleza. El desarrollo de la agricultura y la domesticación de animales fue una incursión exitosa dentro de la "ecología natural" del planeta, que creó un excedente social, abriendo un camino hacia delante partiendo de la breve y brutal lucha por la subsistencia diaria en la sociedad humana temprana. Para extender a las masas empobrecidas del "Tercer Mundo" todas las cosas de las que gozan los izquierdistas pequeñoburgueses occidentales —electricidad, escuelas, agua limpia potable, medicinas, transporte público, computadoras— se requiere un gigantesco avance en la capacidad industrial y técnica. Ese avance requiere de una revolución internacional victoriosa dirigida por una vanguardia revolucionaria consciente, para hacer consciente a la clase obrera de su misión y para arrebatarla del grillete de los reformistas y seudorrevolucionarios, lacayos del capitalismo.
Es precisamente el servicio leal de los "verdes" nacionalistas burgueses a la clase dominante lo que los lleva a ignorar los más grandes desastres ecológicos del planeta. Así, Joschka Fisher, el ministro verde de asuntos exteriores del IV Reich, apoyó el bombardeo a Serbia de manera vociferante. Los Balcanes están ahora asolados por las cápsulas de uranio residuales y el agua envenenada, y la destrucción de la infraestructura industrial y social moderna significa que la verdadera cuenta de muertos de la guerra de los Balcanes será engrosada por muchos años. Con "verdes" como estos, ¿quién necesita al Doctor Insólito, a I.G. Farben o a la Dow Chemical Company?
De la misma manera, la Guerra del Golfo contra Irak en 1991 destruyó una de las sociedades más avanzadas en la región. Hace diez años, la tasa de mortandad infantil en Irak estaba entre las más bajas del mundo y hoy es la mayor; una sociedad cuya avasalladora mayoría sabía leer y escribir y tenía acceso al servicio médico, ahora muere literalmente de hambre, gracias al bloqueo continuo de la Organización de las Naciones Unidas. Los llamados "izquierdistas" que se opusieron a la guerra devastadora contra Irak contrapusieron las sanciones de la ONU como una alternativa "humanitaria". La LCI se opuso a las sanciones como un acto de guerra que ha matado a más gente que las bombas. El apoyo de la falsa izquierda a los sangrientos crímenes del "imperialismo de los derechos humanos" es la única explicación del estruendoso silencio sobre estas cuestiones en cualquier propaganda oficial para las protestas "anti-globalización" en Seattle, Washington D.C. y Praga. La LCR francesa llamó abiertamente por una intervención militar imperialista en Kosovo bajo el control de la OCSE [Organización para la Cooperación y la Seguridad Europea] o de la ONU (Rouge, 1º de abril de 1999). La LICR (Workers Power) hizo campaña abiertamente por la derrota de las fuerzas serbias ante el ELK, herramienta del imperialismo de la OTAN; compartió una plataforma en Londres con entusiastas del bombardeo de la OTAN y celebró el retiro de las fuerzas serbias, proclamando estúpidamente que "en la secuela de la victoria de la OTAN en Kosovo una situación prerrevolucionaria está madurando" ("La lucha por derrotar a Milosevic en Serbia", 11 de agosto de 1999, declaración de la LICR).
En contraste, la LCI luchó en todas partes por la defensa militar de Serbia contra el imperialismo de EE.UU./ONU/OTAN, sin dar ni un miligramo de apoyo político al chovinista serbio Milosevic, de la misma forma en la que anteriormente luchamos por movilizar al proletariado en la Guerra del Golfo por la derrota del imperialismo y tomamos abiertamente la defensa de Irak (ver la declaración de la LCI sobre la guerra en los Balcanes, abril de 1999 en Spartacist [núm. 30]). Los internacionalistas revolucionarios luchan por la derrota de "su propia" burguesía y por la defensa de las víctimas de la guerra imperialista. La orgía de socialchovinismo de los supuestos izquierdistas es un reflejo directo de su apoyo a los gobiernos europeos que impulsaron la Guerra de los Balcanes. Hace dos años, el SWP británico [el cliffista Socialist Workers Party] hizo una campaña a favor de y se declaró a sí mismo "por encima de la luna" por la elección de Tony Blair, quien era el más grande halcón de la OTAN en Europa. Mientras que posaban a la izquierda en la guerra en los Balcanes contra la cobarde multitud del "pobrecito Kosovo", el SWP mostró su juego en su repugnante apoyo al "Nuevo" Laborismo de Tony Benn, cuya oposición a la guerra estuvo empapada del antiamericanismo chovinista de la "Pequeña Inglaterra". ¡Argüir que los cerdos imperialistas de Europa deben dirigir directamente la guerra en lugar de los estadounidenses difícilmente es un movimiento contra la guerra!
Al extremo derecho de este espectro nacionalista están los fascistas. El año pasado, los nazis alemanes marcharon contra la guerra en los Balcanes con consignas como "¡Ni una gota de sangre alemana por los intereses extranjeros!" El antiamericanismo nacionalista con el que el movimiento europeo contra la "globalización" se empapa profundamente, se transforma en fascismo abierto. Las organizaciones fascistas checas planean montar una provocación para su programa genocida en Praga el 23 de septiembre.
En el crisol de la primera guerra de importancia en Europa en cincuenta años, los falsos "trotskistas" demostraron ser productos en descomposición de la "muerte del comunismo". Hoy compiten por la posición para arrebatar el control del "movimiento antiglobalización". Sólo un tonto puede confiar en que los grupos que ayudaron a llevar a los actuales gobiernos capitalistas europeos al poder puedan ahora luchar contra estos gobiernos, sus bancos e instituciones en el interés de los oprimidos. Lejos de ser una alternativa marxista al anarquismo, los seudotrotskistas son oponentes activos del marxismo revolucionario encarnado en el programa y la prácticas de la LCI.
Las bases materiales del oportunismo y el chovinismo nacional
La ideología burguesa —por ejemplo el nacionalismo, el patriotismo, el racismo y la religión— penetra dentro de la clase obrera centralmente a través de la agencia de los "lugartenientes del capital dentro del movimiento obrero", las burocracias sindicales parasitarias basadas en un estrato superior privilegiado de la clase obrera. Si no son reemplazados por una dirección revolucionaria, estos reformistas dejarán a la clase obrera indefensa frente a los ataques capitalistas y permitirán que se destruya a las organizaciones del proletariado, o las dejarán impotentes al atar crecientemente a los sindicatos al estado capitalista. En su trabajo de 1916, El imperialismo, fase superior del capitalismo, Lenin explicó:
"La obtención de elevadas ganancias monopolistas por los capitalistas de una de las numerosas ramas de la industria, de uno de los numerosos países, etc., da a los mismos la posibilidad económica de sobornar a ciertos sectores obreros, y, temporalmente, a una minoría bastante considerable de los mismos, atrayéndolos al lado de la burguesía de una determinada rama industrial o de una determinada nación contra todas las demás. El antagonismo cada día más intenso de las naciones imperialistas, provocado por el reparto del mundo, refuerza esta tendencia. Es así como se crea el lazo entre el imperialismo y el oportunismo... Lo más peligroso en este sentido son las gentes [como el menchevique Mártov] que no desean comprender que la lucha contra el imperialismo, si no se haya ligada indisolublemente a la lucha contra el oportunismo, es una frase vacía y falsa."
El chovinismo nacional y la cobarde capitulación de los organizadores de un movimiento contra la "globalización" son abundantemente evidentes. Así, los organizadores sindicales de la protesta de Seattle contra la OMC se unieron a las fuerzas anticomunistas de extrema derecha, denunciando el "trabajo esclavizado" en los estados obreros deformados chino y vietnamita. Se arrojó acero chino a la bahía y los letreros proclamaban "Primero la gente, no China". Ilustrando por qué Trotsky describió a la burocracia obrera norteamericana como la herramienta ideal de Wall Street para el dominio imperialista de América Latina, las cúpulas sindicales norteamericanas hicieron una campaña para vetar a los camioneros mexicanos de trabajar en EE.UU. No por nada, en América Latina la AFL-CIO es popularmente conocida como la "AFL-CIA". ¡Increíblemente, la Rifondazzione Comunista italiana y los seudotrotskistas del agrupamiento Proposta sostienen a la "dirección" de la AFL-CIA como un modelo a imitar para los trabajadores europeos (véase Proposta núm. 27, enero de 2000)!
Antes de Praga, el SWP británico trabajó poderosamente en la promoción de una manifestación sindical laborista en defensa de salvar los empleos británicos de la fábrica automotriz Rover. Esta manifestación fue un mar de banderas inglesas y de virulento chovinismo antialemán que pone a los obreros británicos contra los alemanes y ata a los primeros a la clase dominante británica. Consignas como "La Gran Bretaña ganó dos guerras mundiales—ganemos la tercera" dan una probada del veneno. Después de lo sucedido en Rover, el SWP se enterró en una campaña a favor de Ken Livingstone a la alcaldía de Londres; un político laborista que fue un vociferante exponente del terror imperialista contra Serbia y desató a la fuerza policiaca en casa. Cuando los manifestantes anarquistas profanaron irreverentemente los símbolos del imperialismo británico en una protesta del Día del Trabajo en Londres, el SWP se alejó por temor de avergonzar a su candidato a la alcaldía de Londres, el "Rojo" Ken Livingstone. Livingstone endosó la represión policiaca a los manifestantes del Día del Trabajo, muchos de los cuales continúan languideciendo en prisión o enfrentan cargos.
En Francia, José Bové dirige masas en protesta contra McDonald’s y las incursiones de la comida rápida norteamericana dentro del pala dar francés. Nuestro interés es organizar a las fuerzas laborales terriblemente mal pagadas en estas cadenas de comida rápida, sin importar cuál sea su propiedad nacional o su "cuisine". Además, si las preferencias culturales o culinarias son sinónimo de "imperialismo"; entonces, para las pocas luces de Bové, mejor preocupémonos por los italianos, porque la gente adora la pizza y ahora se vende en todas partes desde las Islas Aleutianas hasta el Amazonas. ¡¿O fue "imperialismo" cuando una máquina particular alemana, o sea, la imprenta, conquistó el mundo e hizo posible la alfabetización masiva?!
Hablando más en serio, el chovinismo nacional y el oportunismo de las cúpulas obreras de la falsa izquierda envenenan la conciencia de clase y la solidaridad entre los obreros al fomentar las divisiones religiosas, nacionales y étnicas. En años recientes, esto ha alcanzado un grado febril en el frenesí antiinmigrante. Esto amenaza la unidad y la integridad del proletariado como clase para resistir los ataques de los capitalistas y su estado. Como se señaló en la declaración de principios de la LCI (Spartacist [edición en español] núm. 29, otoño-invierno de 1998):
"El capitalismo moderno, es decir, el imperialismo, que alcanza todas las regiones del planeta, en el curso de la lucha de clases y conforme la necesidad económica lo exige, introduce al proletariado por sus estratos más bajos nuevas fuentes de mano de obra más barata, principalmente inmigrantes de otras regiones del mundo, más pobres y menos desarrolladas; trabajadores con pocos derechos que son considerados más desechables en tiempos de contracción económica. Así, el capitalismo, en forma continua crea estratos diferentes entre los obreros; mientras, simultáneamente, amalgama obreros de muchas tierras diferentes."
En el acuerdo Schengen, las potencias europeas cerraron sus fronteras a los inmigrantes, muchos de los cuales huyeron de la destrucción contrarrevolucionaria de Europa Oriental. Las políticas racistas antiinmigrantes de los socialdemócratas actualmente en el gobierno hacen eco a la demagogia de los nazis de "el barco está lleno" y ciertamente alimentan el terror fascista. Mientras tanto, los gobiernos socialdemócratas de frente popular a lo largo de Europa (gobiernos de coalición que involucran a partidos obreros reformistas y a partidos burgueses) arrullan peligrosamente a los obreros con ilusiones parlamentarias de que los socialdemócratas, cuyas propias políticas han pavimentado el camino a los fascistas, "prohibirán" a los fascistas. Tales prohibiciones han servido históricamente sólo para retocar la imagen de la misma burguesía que recurre al fascismo cuando ve amenazado su dominio. Históricamente, tales prohibiciones contra los "extremistas" se han utilizado contra la izquierda, no contra la derecha. En Alemania, en el periodo inmediato de la posguerra, en 1952, se prohibió un pequeño partido neonazi para retocar cosméticamente las credenciales "democráticas" de los herederos del III Reich, quienes reconstruyeron a la Alemania capitalista bajo los auspicios del imperialismo estadounidense. El verdadero propósito fue "justificar" una prohibición constitucional contra el Partido Comunista Alemán en 1956. Exigimos: ¡Plenos derechos de ciudadanía para todos los inmigrantes! ¡Ninguna con fianza en el estado burgués! ¡Por movilizaciones obreras y de minorías para detener a los fascistas!
El partido es el instrumento de la revolución socialista
El partido leninista es el instrumento para llevar la conciencia revolucionaria al proletariado, para organizar las luchas proletarias y guiarlas a la consolidación victoriosa en una revolución socialista. Un partido revolucionario debe luchar contra todos los casos de injusticia social y contra todas las manifestaciones de opresión. Es central a nuestra tarea el combatir todos los casos de opresión a las mujeres y "toda la antigua basura" que ha regresado con el oscurantismo religioso, los ataques contra los derechos al aborto y el fanatismo antigay. Soldar la audacia de la juventud al poder social del proletariado es crucial a la lucha por una nueva sociedad socialista.
Nuestro objetivo es una dirección revolucionaria cuyos cuadros deben probarse y entrenarse en la lucha de clases. El camino hacia delante es que las ahora pequeñas fuerzas adheridas al programa de Lenin y Trotsky forjen partidos con la experiencia, la voluntad revolucionaria y la autoridad entre las masas para dirigir revoluciones proletarias exitosas. Nada menos que una IV Internacional trotskista reforjada será suficiente para la tarea de dirigir a los obreros y a los oprimidos a la victoria del socialismo mundial. No tenemos ilusiones en que éste será un camino fácil y reconocemos que la posesión de la tecnología para un holocausto nuclear por una clase dominante irracional y genocida acorta las posibilidades: no queda mucho tiempo.
Nos guiamos por el programa y las prácticas del comunismo auténtico. Como escribió Trotsky en "La agonía del capitalismo y las tareas de la IV Internacional" (1938):
"Mirar la realidad de frente, no ceder a la línea de menor resistencia; llamar al pan pan y al vino vino; decir la verdad a las masas, por amarga que sea; no tener miedo de los obstáculos; ser exacto tanto en las cosas pequeñas como en las grandes; basar el programa propio en la lógica de la lucha de clases; ser audaz cuando llega la hora de la acción: tales son las reglas de la IV Internacional."
¡Únete a la Liga Comunista Internacional!
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