Como ligar um cara no primeiro encontro

Sou Babaca Por Querer Que O Namorado Da Minha Amiga Não Passe Mais A Quarentena Aqui E Volte Pra Casa Dele?

2020.08.06 06:08 denesfernando Sou Babaca Por Querer Que O Namorado Da Minha Amiga Não Passe Mais A Quarentena Aqui E Volte Pra Casa Dele?

Olá Luba, editores, gatas e Turma. Essa história que vou compartilhar aqui é recente, ainda estou tratando em terapia, mas ela começa um pouquinho lá atrás.
Um ""pouco"" de background para situar a todos de onde tudo isso começou.
Em 2013 comecei namorar um cara que vou chamar de Karen, por ele ser muito, mas muito CUSÃO (inclusive, ele se parece muito com você Luba e por vocês serem tão idênticos, eu passei um bom tempo sem assistir o canal, pois não conseguia te ver sem lembrar dele). Mas, enfim, em 2015 ele e o grupo da faculdade dele decidiram morar todos juntos em uma casa perto da faculdade, pois estava exaustivo para todos trabalharem em pontos distintos da cidade (São Paulo, para se alguém quiser se situar).
Então, em janeiro de 2016, eles se mudaram e eu ia para lá aos fins de semana, até que acabei me mudando para a casa em Junho do mesmo ano, no dia do meu aniversário.
Pois bem, foi uma fase horrível da minha vida por causa do meu ex, terminamos em maio de 2017 e tive que sair da casa. Esse meu ex era um abusador, um aproveitador, a pior pessoa que eu poderia ter conhecido na minha vida. Os abusos psicológicos que ele cometeu comigo, afetaram totalmente minha confiança e em como eu viria a me relacionar com outros caras, fora as crises de ansiedade que eu arrasto até hoje.
Mas então, eu fiquei amigo dos amigos dele da faculdade e em especial da Karls que virou minha melhor amiga.
Em 2017 eles terminaram a faculdade e em 2018 o contrato da casa venceu e eles finalmente poderiam se mudar, áquela altura ninguém suportava mais olhar pra cara do Karen.
Então, foi nesse momento, que a Karls e o Akarls me chamaram para vir morar com eles numa nova casa. Sem o Karen. E hoje nós três vivemos como uma família feliz com os nossos pets.
2019
Eu conheci um cara, eu vou chamar ele de Lars.
Lars e eu começamos a trocar mensagens, se conhecer, nos aproximarmos. Até então, antes dele, todos os outros caras que eu acabei ficando, não davam certo, (tem muito gay problemático nessa cidade). Mas Lars foi diferente, conforme nos conhecíamos, ele ia transpondo todas as muralhas que eu usava como defesa, pois meu maior medo seria voltar para um relacionamento abusivo, tóxico e doentio.
Com o Lars eu fui bem devagar, realmente queria conhecer ele, pra ver se o que eu estava sentindo era o certo e se ele não iria me fazer mal.
Nesse tempo conhecendo ele, eu desabafava com Karls todas as minhas inseguranças, pois ela tinha vivido todo o meu drama com o meu ex, ela sabia dos meus medos, receios, inseguranças em me relacionar com alguém e ela me dava todo o apoio, pra poder voltar a acreditar e saber que nem todo mundo é igual o Karen, que na verdade eu dei azar com o Karen, mas que não seria assim de novo.
Depois de tantos embates sobre minhas agruras eu acabei me desarmando e me permiti começar algo com o Lars.
Um mês e meio depois, finalmente decidi trazer ele em casa, para conhecer meus amigos e 😏.
Então, foi nesse fim de semana de novembro de 2019 que coisas aconteceram.
Depois de ficarmos, acabei aceitando os meus sentimentos por ele, pensei que depois de tanto tempo solteiro, passando por aventuras fracassadas com pessoas que não se encaixavam, onde a química só proporcionava uma reação inicial. Ali estava talvez o momento de poder compartilhar momentos com alguém.
Mas aquele início de sonho desmoronou muito rápido. No domingo quando ele estava pra sair para trabalhar, Lars me contou que iria para o Beto Carrero com um amigo. Fui pego de surpresa, pois ele não havia mencionado nada nas nossas conversas durante a semana.
Na época, Lars trabalhava como bartender numa cafeteria e reclamava de trabalhar muito, não ter finais de semana livres e só folgar nas segundas-feiras.
Como não tínhamos oficializado nada, nossa primeira vez foi na noite anterior e o fato de estar disposto a querer começar a construir uma relação tinha sido algo que eu havia arrazoado no meu coração, achei absurdo demais eu questionar porque ele não tinha me falado nada antes.
Tudo bem, ele iria no Beto Carrero com um amigo, logo após sair da cafeteria. Pegaria o ônibus na estação do Tietê no domingo a noite, passaria o dia no parque, já que a folga seria na segunda, e na segunda a noite ele voltaria e iria trabalhar na terça-feira de manhã. Eu, pelo menos, imaginei que seria assim.
Na segunda-feira, eu fui trabalhar normal, vi as fotos dele no Beto Carrero, os stories no Instagram aparentemente nada de estranho, mas a primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato dele não ter postado um único story com o amigo, mas até aí, se eu encucasse com isso, seria uma atitude tóxica e eu não queria isso. Numa relação deve existir confiança.
Nós não nos falamos o dia inteiro, pois eu não iria ficar o importunando num passeio como aquele, que ele aproveitasse o máximo possível. Foi quando às 18:00 eu resolvi mandar uma mensagem para ele, já que eu estava saindo do trabalho.
A mensagem era mandando um "oi" e desejando que ele tivesse se divertido bastante e fizesse uma viagem tranquila de volta.
Foi quando ele me respondeu que não voltaria aquela noite, que ele iria para Balneário Camboriú com o amigo passear de barco. Eu fiquei completamente sem reação, foi um choque. Ele só reclamava de como o trabalho explorava ele, não era flexível e do nada, de uma viagem totalmente espontânea que aconteceu aleatoriamente pra aproveitar um dia de folga num bate e volta, surgiu uma folga no dia seguinte.
Eu não tive como não ser arrastado de volta para os tempos do Karen, onde eu fui trouxa por anos, onde ele matava aula pra transar na escada da faculdade, dizia que ficava até mais tarde no serviço pra não pegar trânsito, mas na verdade ia para dates furtivos de apps de pegação (inclusive tenho uma história ótima com relação a isso da época do Karen), enfim, meu cérebro e meu coração ligaram o sinal vermelho, as sirenes começaram a zunir no meu ouvido, a última coisa que eu queria era ser enganado como fui na minha última relação.
Voltando, Lars não falou mais nada depois disso, fui pra casa naquele dia. Na terça-feira de manhã, outro sinal de alerta, não tinha nenhuma mensagem no celular. Isso poderia ser irrelevante, se a gente não tivesse passado o último mês e meio, trocando várias mensagens e memes da hora que acordava até a hora de dormir. Me senti mal, a conversa tinha morrido da noite para o dia, fiquei angustiado, pois eu estava começando a gostar dele e aquilo mudou da noite para o dia.
Terça-feira se foi, ele em Balneário Camboriú, fotos e stories no Instagram se seguiram e nada desse amigo misterioso.
Finalmente, a noite ele estava voltando e mandou uma mensagem dizendo que estava exausto, mas estava voltando. Nesse momento, minha mente já tinha formulado mil e uma histórias, mas resolvi ser prudente, apesar da angustia que estava sentindo.
Foi difícil dormir aquela noite, na manhã seguinte, ele mandou uma mensagem dizendo que havia chegado, estava exausto, mas estava indo trabalhar.
Nossa conversa, já não era a mesma, algo tinha mudado, as palavras ou a ausência delas são um termômetro para o coração, escrever para outra pessoa é um ato de conexão e o nosso elo havia se rompido.
Foi quando resolvi confrontá-lo.
Segue abaixo a conversa no whatsapp:
[28/11 11:56] Denes: Desculpa, Lars.
[28/11 11:56] Denes: Eu não sei de fato o que aconteceu
[28/11 11:56] Lars: Pelo o que ?
[28/11 11:56] Denes: mas desde terça que eu sinto que nossa conversa morreu
[28/11 11:56] Lars: :(
[28/11 11:56] Lars: Eu que peço desculpas
[28/11 11:57] Denes: se vc puder me dar uma luz
[28/11 11:57] Lars: Questão de conversa tbm não sei ... :(
[28/11 11:58] Lars: Não quero ser cuzao contigo
[28/11 11:58] Denes: me diz o que tá acontecendo
[28/11 11:59] Lars: Gosto olhando no olho
[28/11 11:59] Lars: Gosto de vc
[28/11 11:59] Denes: talvez não haja olho no olho se eu não entender o que está acontecendo
[28/11 12:00] Denes: eu tb descobri que estou gostando de vc
[28/11 12:00] Denes: descobri de uma maneira bem ruim
[28/11 12:00] Denes: só quero que vc me diga
[28/11 12:00] Denes: sem medo
[28/11 12:02] Lars: Eu recebi uma ligação de alguém antes de viajar que me deixou balanceado
[28/11 12:02] Denes: prossiga
[28/11 12:02] Lars: Não gosto da ideia por aqui
[28/11 12:03] Lars: Mas tá bom ...
[28/11 12:03] Denes: por favor, agora que começou, não pare
[28/11 12:03] Lars: Pouco antes de conhecer vc eu tinha acabado um relacionamento ...
[28/11 12:03] Denes: hum
[28/11 12:04] Lars: E tipo ainda algo que me deixa balançado e tal ...
[28/11 12:05] Denes: entendi
[28/11 12:05] Denes: ah...
[28/11 12:05] Lars: E tipo não quero mentir pra vc
[28/11 12:05] Lars: Nem ser um cuzao contigo me entende
[28/11 12:05] Lars: Quero ser sincero sempre
[28/11 12:05] Lars: Não só com vc mas comigo mesmo
[28/11 12:06] Denes: então, o livro de Harry Potter que está com vc, foi um presente de um amigo meu que faleceu esse ano, será que posso pegar com vc na catraca amanhã da Santos Imigrantes
[28/11 12:06] Lars: Sim ... Claro ... Mas queria conversar mais com vc pessoalmente
[28/11 12:06] Lars: Se não se importar
[28/11 12:07] Lars: Tenho um presente pra vc
[28/11 12:07] Denes: eu vou me importar
[28/11 12:07] Denes: por favor, sem presentes
[28/11 12:07] Lars: Tudo bem :(
[28/11 12:09] Denes: amanhã as 8:30 te encontro na Catraca
[28/11 12:09] Lars: :( eu lhe entendo sabe ... Mas confesso que gosto de vc e queria que vc permanecesse na minha vida independente de qualquer coisa
[28/11 12:09] Denes: não será possível
[28/11 12:09] Lars: Tudo bem eu entendo vc ... :(
[28/11 12:09] Lars: Me desculpa
[28/11 12:10] Denes: te encontro amanhã na catraca sem falta
[28/11 12:21] Lars: Hj vc sai que horas do trabalho?
[28/11 12:24] Denes: Desculpa, Lars. Mas eu só pretendo te encontrar para pegar o meu livro. Não, temos nada para conversar. Você não me deve satisfações, justificativas ou esclarecimentos. Apenas o meu respeito. Mas, mesmo assim. Esse ponto final precisa ser colocado.
[28/11 12:25] Lars: Tudo bem eu entendo e respeito vc ... Falei de hj pq posso te entregar hj o livro
[28/11 12:25] Lars: Ele está comigo aqui no trabalho
[28/11 12:26] Denes: Eu saio às 18:00
[28/11 12:26] Lars: Posso te entregar hj o mesmo horário ... Na estação melhor pra vc
[28/11 12:27] Denes: Que horas na Santos Imigrantes vc vai passar por lá?
[28/11 12:27] Lars: Umas 19h a 19:30
[28/11 12:28] Lars: Mas espero a sua hora
[28/11 12:28] Denes: Okay, as 19:00 estarei lá
[28/11 12:28] Denes: Se chegar antes estarei sentado em algum dos bancos da plataforma
[28/11 12:29] Lars: Tá bom
[28/11 12:29] Lars: Sei o que vc vai falar ... Mas desculpas :(
Quando ele falou dessa ligação do ex e ficou balançado, eu senti uma enxurrada de sentimentos negativos, o tsunami de chorume que eram as mentiras do Karen voltando a tona. Todas as desculpas esfarrapadas, parecia que eu estava vivendo tudo outra vez.
Eu estava cego, na gana de não querer cometer os mesmos erros do passado, acabei sendo seco, duro e intolerante, condenando um pelos erros de outro.
Eu já tinha sentenciado dentro de mim que aquela viagem foi algo que ele tinha programado com o ex e que tinha ido com ele e que eles tinham se acertado e que ele queria me manter como step se nada desse certo. Enfim…
Nesse mesmo dia, fui buscar o meu livro (um fato curioso, esse livro que foi presente de um amigo que veio a falecer em 2019, foi um presente pra me lembrar o quanto eu sou uma pessoa corajosa, era a edição de 20 anos da Pedra Filosofal nas cores da Grifinória e dentro ele escreveu a famosa frase da Luna "As coisas que perdemos sempre acabam voltando para nós. Mas nem sempre na forma em que pensamos." https://imgur.com/a/ebJFd2U
Ironicamente, quando paro pra olhar isso em particular, penso na grande ironia de tudo.
Eu cheguei antes na estação, fiquei esperando, sentado num banco na plataforma, vendo vários trens passando, várias pessoas descendo na estação vindo depois de mais um dia de trabalho. A minha ansiedade estava a mil, eu queria chorar, estava angustiado com tudo aquilo, pior, sem entender como "tinha cometido" o mesmo erro outra vez.
Ele chegou uns 15 minutos depois, estava com o livro na mão, eu peguei o livro e então ele me estendeu os braços pedindo um abraço, fiz com ele o que eu devia ter feito com o Karen, olhei para ele com a minha pior cara de desgosto e nojo e falei "Adeus", virei as costas e deixei ele lá.
Hoje, não me orgulho do que eu fiz, sinto vergonha quando penso, mas para que vocês entendam aquele gesto, mesmo ele não sabendo, era algo traumatizante, no término com o Karen, quando coloquei minhas malas e meus livros no táxi, ele chegou até mim e na maior cara de pau, na sua maior interpretação pra burguês ver, ele me pediu um abraço e o trouxa aqui cedeu esse abraço, então ele sussurrou no meu ouvido "Sou eternamente grato por tudo o que a gente viveu e você vai sempre poder contar comigo para o que você precisar" e quando eu precisei o que eu ouvi? "Não tenho obrigação nenhuma de te ajudar."
Quando eu saí da estação, bloqueei o Lars em todas as redes sociais, Facebook, Instagram, Whatsapp e até o número dele pra ele não me mandar SMS ou ligar. Não queria nunca mais ouvir falar dele pelo resto da minha vida.
Alguns dias se passaram e a Karls me contou que Lars havia mandado mensagem para ela no Instagram dizendo que estava preocupado comigo, queria falar comigo e eu irredutível falei que nunca mais queria saber nada a respeito dele.
Então ali eu tinha colocado uma pedra em cima desse assunto, vida que segue.
Dezembro de 2019
Karls é uma garota muito linda, mas em todos esses anos de amizade ela só se envolvia com os piores caras do Tinder, uma fase da vida dela que fazemos piada, mas que se você olhar atentamente, era bem triste.
Ela tinha o sonho de conhecer um cara bacana, compartilhar momentos, viver toda aquela fantasia de namoro, dormir abraçada, assistir anime, cantar músicas da Disney e cozinhar todos os pratos possíveis de todos os programas de culinária que existem no mundo.
Depois de anos, esse cara apareceu. Vamos chamá-lo de Darls.
Darls é um cara super carismático, que faz amizade por onde ele passa, falador, contador de piada, solicito, uma pessoa que todo mundo iria adorar ter como amigo.
JANEIRO 2020
Parecia que Darls sempre esteve nas nossas vidas, Akarls e eu o recebemos de braços abertos, pois víamos o quanto ele fazia Karls feliz.
Logo ele começou me pedir dicas e mais dicas de coisas que fariam a Karls feliz e nesses 5 anos de amizade eu era a pessoa que mais sabia de tudo o que a Karls gostava.
FEVEREIRO 2020
Eles oficializaram o namoro, (meio rápido, mas…), então ela entrou numa tour para conhecer todas os amigos dele, pois ele queria apresentar a namorada para as pessoas importantes na vida dele.
Darls mora a 35km de distância, num bairro distante, 2 horas de viagem no mínimo, mas ele sempre estava vindo passar mais tempo aqui.
MARÇO 2020
Pandemia chegou, isolamento social foi instaurado, pessoas em casa. Eu sou editor de vídeo, então estou trabalhando em casa desde que esse inferno começou. E quem acabou vindo para cá, também? Exatamente, Darls.
A companhia dele era agradável, e por vermos Karls feliz, nada objetamos, aceitamos naturalmente a estadia dele aqui. Mesmo que nunca tenhamos conversado isso entre nós, foi natural olharmos para a felicidade dela.
ABRIL 2020
Um mês de quarentena, eu sou uma pessoa ansiosa. Solteiro que passou da barreira dos 30, já havia sentenciado que não conheceria ninguém e morreria só, pois já estava sem esperança de conhecer alguém em um mundo sem um vírus mortal, imagina em um mundo onde estar perto 2 metros de alguém pode ser sua sentença de morte.
Eu comecei entrar numa crise terrível, comecei trabalhar demais, a fazer 12 horas de trabalho por dia e no meu tempo vago eu comecei a assistir todos os filmes e curtas gays já foram produzidos no mundo. E nisso, fiz a burrada de assistir um filme que superestimei por anos.
Brokeback Mountain.
'O que eu fiz da minha vida?'
Eu fiquei tão mal, mas tão mal, que naquela noite eu fui dormir chorando e os dias que se seguiram eu tive tanto remorso pelo final daquele filme, que certo dia eu comecei chorar na frente da Karls e do Darls enquanto a gente almoçava.
No final de abril, meu tio implorou que eu fosse na casa dele, pois estava tendo um problema entre minha mãe e minha irmã e ele estava preocupado da minha mãe acabar se metendo em um avião e vindo pra São Paulo no meio de uma pandemia. Fui, como se eu já não estivesse colapsando, ainda tinha que resolver o problema de outras pessoas.
Naquela semana, eu assisti um vídeo, tenho 80% de certeza que foi no LubaTV os outros 20% acho que foi no canal do Henry Bugalho, que falava sobre perdão, algo do tipo "se não perdoamos, do que adianta pedirmos desculpas" e eu já estava muito reflexivo.
De noite, eu estava no apartamento do meu tio, quando recebi uma notificação de que alguém tinha me seguido no Twitter.
Abri a notificação e vi que era o Lars me seguindo quase 6 meses depois. Ele não tinha twitter e tinha criado uma conta por causa da quarentena.
Minha primeira reação foi bloquear ele, mas aí bateu aquele turbilhão de coisas acumuladas nessa quarentena. O final de Brokeback Mountain, a fala sobre perdão e um detalhe sobre o Lars que pesou muito, ele tem diabetes, acho que é um tipo raro, ele desenvolveu super novo, ele toma dois tipos de insulina, ele é grupo do risco.
Sentei no sofá e me perguntei, 'o que ele queria depois de todos esses meses? Ele não entendeu o meu "Adeus"?'
Pois, bem. Fui até o Instagram, desbloqueei ele e mandei a seguinte mensagem:
"O que você quer?"
Ele levou uma meia hora pra me responder, o 'digitando…' parecia eterno.
Resumindo, ele falou que se importava muito comigo, que eu marquei a vida dele, que nunca quis se distanciar de mim, que jamais foi a intenção me magoar com o que quer que tenha acontecido e que nunca dei a oportunidade dele se explicar.
E eu respondi, que não importava o que ele tivesse para me dizer, não ia mudar a opinião que eu tinha sobre ele.
Ledo engano, meus caros.
Fui dormir às 4 da manhã, tirei tudo de dentro de mim, tudo o que eu inventei na minha cabeça. Porque no meu relacionamento anterior eu ouvi tantas mentiras, que acabei jurando que qualquer um iria mentir para mim, era o único referencial que eu tinha.
Só para que vocês saibam, era realmente um amigo, as fotos que ele tirou junto com o amigo no Beto Carrero, foram todas no celular do amigo a folga da Terça-feira, o chefe dele estava devendo uma folga para ele e como ele não iria poder tirar essa folga a mais do que as que estavam previstas para Dezembro, o chefe deu a folga pra ele na terça para que ele aproveitasse mais um dia de viagem. E sim, o ex dele ligou, ele ficou balançado, pois eles tinham tido uma história recém terminada, mas ele me contou, primeiro porque eu insisti, mas também porque ele não queria mentir pra mim, já que eu tinha todo esse problema com mentiras, então ele queria ser honesto comigo desde o início e que nunca foi a intenção dele voltar com o ex, tanto que ele não voltou, ele queria estar comigo, e que mesmo tendo passado todo aquele tempo ele nunca tinha me esquecido e não tinha desistido de mim.
Eu falei para ele que não sabia como reagir a tudo aquilo, disse que não sabia se seria capaz de confiar nele. E que ele não tivesse esperança, mas que eu iria refletir sobre tudo aquilo.
Então eu voltei pra casa e compartilhei a história com Karls e Darls.
Karls ficou meio com o pé atrás, mas Darls me apontou os erros que eu cometi, me fez enxergar o quanto eu tinha exagerado pelo medo e desconfiança que eu tinha, que não tinha nada a ver com Lars e minha ficha caiu.
Agora, tudo o que me restava era o meu orgulho, eu precisava passar por cima disso.
Voltei a conversar com Lars, aos poucos, foi difícil no início, mas ele foi muito tolerante, eu expliquei que não estava sendo fácil voltar a conversar com ele, mas que compreendi que muito daquela situação era culpa minha.
Ele começou a me mandar mensagens de manhã e a noite, de bom dia e boa noite e esporadicamente algum meme. Foram duas semanas conversando quando houve a necessidade da gente se ver. Eu não sabia como iria reagir.
Sim, ele viria aqui em casa no meio de uma quarentena, mas antes que cresça os julgamentos, moramos próximo um do outro, ele viria a pé, sem pegar nenhuma condução e num horário de pouco fluxo.
MAIO 2020
Então comuniquei que ele viria aqui em casa para Karls, Akarls e Darls. Aparentemente, achei que todos tinham recebido a notícia de bom grado.
Ele veio, a primeira coisa que ele fez foi ir para o banheiro tomar banho, com Covid não se brinca. Depois, sentamos e conversamos, e mais uma vez, eu falei tudo de novo, dessa vez olhando no olho, colocando tudo a limpo, uma conversa franca, contei de todas as impressões que eu tive de tudo o que aconteceu, como a narrativa se construiu na minha cabeça e porque agi da maneira que agi.
Em contra partida, ele disse que estava tudo bem, disse que ficou muito chateado, mas os amigos dele conversaram com ele dizendo que tinha um motivo para eu agir como eu tinha agido. Ele me falou que nunca me esqueceu e queria ter uma oportunidade de conversar comigo e esclarecer as coisas, pois sabia que tudo tinha sido um grande mal entendido. Ele falou que mandou várias mensagens para a Karls, mas não obteve resposta. E quando ele me mandou o convite no Twitter, ele disse que seria a sua última tentativa de se aproximar de mim, se não desse certo, ele mesmo desistiria de tudo.
Ele passou três dias aqui em casa, eu não me abri tanto com ele com relação a isso, mas eu senti muito remorso por como as coisas aconteceram por minha causa.
Outra coisa, lembra na mensagem, quando ele falou que tinha um presente para me dar e eu falei que não queria? Ele trouxe o presente, ele guardou o presente todo esse tempo e disse que toda vez que via o presente, ele lembrava de tudo o que a gente viveu e a coisa que ele mais queria era me dar esse presente, que ironicamente ele comprou na viagem para o Beto Carrero.
Era um funko do Harry Potter, já que eu amo muito Harry Potter. (Não, não sou transfóbico, eu amo Harry Potter desde 2000). http://imgur.com/gallery/cah0Ry7
Ele voltou pra casa dele. Continuamos a nos falar, reatar laços, ter essa troca.
Compartilhei minhas impressões com Karls e Darls, eu estava relutante, desacreditado. As pessoas subestimam relacionamentos abusivos, mas a gente carrega coisas por anos, os estragos são terríveis, estava eu provavelmente estragando uma oportunidade de ser feliz por medo de ser feliz.
As coisas foram devagar, estávamos conversando de nossas rotinas na quarentena, ele o quanto sentia falta do trabalho e não aguentava mais assistir séries e eu o quanto estava trabalhando e engordando, já que editor de vídeo trabalha em casa, praticamos isolamento social antes disso "estar na moda" (✌️ salve editores do canal, eu juro que tô escrevendo essa história que já passa de 4 mil palavras, pensando se realmente o Luba lerá essa história na Turma-Feira, fico imaginando no trabalhão que vocês vão ter pra editar, se eu puder pedir, posta a Timeline pra eu ver como ficou no final, curto muito timelines [Sim, pra quem não entende, isso é meio creep]).
JUNHO 2020
Lars voltou, veio para estar comigo no meu aniversário, inclusive ele me presenteou com Find Me do André Aciman, ele disse que queria me dar a muito tempo, pois em novembro do ano passado eu estava lendo Call me by your name e eu estava namorando pra comprar o livro quando fosse lançado, mas não deu nem tempo dele poder comprar na época.
No meu aniversário, resolvi cozinhar para comemorar, fazer escondidinho de frango. Eu estava de folga e queria fazer algo especial para Karls, Darls, Akarls e Lars. Eu passei a tarde e começo da noite cozinhando e Lars me ajudando.
Então, aconteceu o estopim de todo o caos.
Karls e Darls desceram e viram que o escondidinho não estava pronta ainda, ela fechou a cara e disse "Nossa, ainda não está pronto?". Depois eles fizeram um sanduíche e comeram e subiram, bastou aquilo pra me entristecer, até entendo que ela poderia estar com fome, mas ela bater porta de armário e a porta da geladeira acabou todo o meu ânimo, me senti super mal.
Comi aquele escondidinho triste, o clima na mesa estava tenso e na boa o que era pra ser uma comemoração no que eu acreditava ser entre família, foi a porcaria de um jantar de aniversário que eu perdi tempo fazendo.
Lars voltou pra casa dele, continuamos nos falando e estreitando os laços, aproveitando a companhia um do outro, e finalmente no meio de toda essa situação de merda que estamos vivendo no planeta, senti uma esperança de que talvez tudo daria certo, pelo menos uma vez.
Mais uma vez, ele veio passar o fim de semana aqui em casa, e foi divertido, assistimos filme, contamos piadas e o melhor, eu estava podendo dormir abraçado com ele, por a cabeça no travesseiro e não me sentir só.
JULHO 2020
O mês do caos, eu odeio Julho, por tantos motivos, sério. Eu tenho inúmeras histórias de desgraças nesse mês que PQP (Gif da Xuxa).
Lars me mandou mensagem dizendo que ele teve uma briga terrível com o sobrinho dele, na briga eles só faltaram sair na porrada, ele falou que estava mal por estar na casa da irmã dele e por toda essa indisposição com o sobrinho que tem 18 anos e é um completo folgado. Ele disse que iria procurar um lugar pra ficar, mas até lá, ele perguntou se poderia ficar aqui até encontrar esse lugar.
E como eu já fui colocado pra fora de casa pelo meu tio e me vi sozinho, eu sei o quanto é importante ter alguém pra estender uma mão amiga nessa hora.
Eu respondi que sim, mas que ia comunicar o Karls e o Akarls. Expliquei a situação Lars e eles falaram que tudo bem.
A Karls começou a fazer um freela permanente em um grande estúdio aqui de SP, então ela já não estava ficando em casa e quando estava, ficava a maior parte do tempo com o Darls, que ficou aqui em casa, mesmo ela trabalhando regularmente, já que as coisas estão flexibilizadas por aqui.
A princípio, Lars ficaria aqui até dia 10, ele tinha acertado de ir morar com um pessoal que ele achou num grupo do Facebook, mas o lugar onde esse pessoal ia morar não deu certo, pelo o que ele me contou, foi lance com a Porto Seguro, ele ficou decepcionado, porque os meninos eram legais. Então, ele voltou para a busca de encontrar um lugar pra ficar, eu inocente disse que ele poderia ficar o tempo que precisasse.
Interiormente, eu queria me redimir por toda a injustiça que foi o nosso início, queria fazer certo dessa vez, pois ele estava sendo bom pra mim e eu nunca tinha tido isso, esse convívio.
Enquanto ele estava aqui, comecei a ter companhia para o almoço, passei a comer direito, já que ele é obrigado a comer certo por causa da diabetes, eu estava até me alimentando nos horários certos. As noites assistíamos séries abraçados, até a hora de dormir. Parecia um oasis no meio de todo esse inferno que estamos vivendo, por um único instante eu esqueci de tudo de ruim.
Nesse período, ele estava procurando vários quartos, mas só encontrava cativeiros sendo alugados por mercenários.
Conforme o mês ia passando, Karls estava bem estressada com tudo e quando estava todo mundo na cozinha, ela parecia evitar querer falar com ele. No início, eu pensei que fosse TPM ou alguma coisa em particular dela com Darls.
Mas eu tive certeza que era alguma coisa com o Lars, no dia que estávamos jantando e ela veio informar que o botijão de gás tinha acabado e ela tinha comprado um novo, mas ela insinuou que estávamos cozinhando demais. Eu fiquei, sem reação, pois não esperava por aquilo, como eu falei, ela e o Darls estavam fazendo todas as receitas que existiam na internet, como que o Lars 10 dia aqui era a causa do botijão ter acabado?
Então aquilo começou a ficar espinhoso e o meu erro foi não ter confrontado. Eu comecei a me sentir acuado com o Lars e não sabia o que fazer, ele já estava numa puta situação frágil por ter saído da casa da irmã por indisposição com o sobrinho e a coisa que eu mais queria era que ele se sentisse confortável na minha própria casa.
No meio de tudo isso, ele voltou a trabalhar e eu passei a acordar cedo junto com ele, pra tomar café e abrir o portão pra ele poder sair, num desses dias, eu levantei e fui no banheiro e enquanto eu usava, a Karls bateu na porta perguntando quem é que estava lá dentro de uma maneira meio ríspida, no caso era eu, mas o Lars viu a situação toda, ele não me falou, mas eu reparei que ele parou de tomar banho de manhã antes do trabalho. Dizia ele que o banho da noite era suficiente.
Depois, ele parou de tomar café da manhã, disse que tomaria café na cafeteria que ele trabalha.
A próxima coisa que aconteceu foi um dia que eu estava na cozinha e fui informado que Karls e Akarls decidiram que não iríamos mais fazer as compras de mercado juntos. E que só manteríamos os produtos de limpeza e higiene e que o resto era cada um por si.
Confesso, que na hora não compreendi o que estava acontecendo, eu estava muito desligado, na verdade não acreditava que os meus amigos estavam me excluindo por causa do Lars, eu estava sendo ingênuo, pois não imaginaria que aquilo estava acontecendo.
No meio desse caos todo, Lars, virou pra mim e disse que a irmã dele pediu que ele fosse na casa dela. Então ele iria direto do trabalho e dormiria lá no sábado para o domingo, já que estaria de folga e voltaria pra cá no domingo a noite.
Só que ele não voltou, ele disse que a irmã dele pediu para que ele dormisse lá mais uma noite. Pensei, okay, ele vem então amanhã direto do trabalho pra cá, mas aí ele não veio na segunda, foi quando o peso de tudo bateu.
A essa altura eu já estava angustiado com tudo aquilo e direcionei minha frustração para o lado errado, em vez de confrontar quem estava causando toda essa situação insatistória, eu cobrei dele, porque ele não estava aqui. Perguntei, porque ele não queria estar mais aqui. Ele falou que queria. Então, eu perguntei porque o domingo, virou segunda e agora a segunda virou terça? Ele hesitou, aí eu perguntei se era por causa da Karls e ele disse que só não queria incomodar ninguém.
Eu fiquei mal, por ele se sentir mais incomodado na minha casa do que na casa da irmã dele com o sobrinho folgado que estava fazendo da vida dele um inferno.
Fiquei desapontado, ele veio na quarta, conversei com ele, disse que iria conversar com a Karls sobre toda essa situação. Mas já era tarde.
Era a última semana de Julho, e antes mesmo que eu pudesse conversar com a Karls, Akarls chegou dizendo que não dava mais para dividirmos a conta de água como estávamos fazendo, por 3, teríamos que dividir por 5, já que a conta ficou mais cara.
Na sexta-feira daquela semana, Lars encontrou um quarto numa casa que ele meio que alugou as pressas e ele se mudaria na primeira segunda de agosto. Quando eu pude confrontar Karls, no sábado, sobre tudo aquilo, já era tarde. Falei que fiquei chateado deles quererem repartir a conta da casa por 5 com o Lars pelo mês que ele passou aqui, mas isso nunca foi nem cogitado nos 5 meses do Darls aqui. Falei que fiquei decepcionado por ela não ser capaz de enxergar a minha felicidade. Por não ser capaz de ver o quanto eu estava feliz, como eu enxerguei a felicidade dela com o Darls e o recebemos de bom grado dentro de casa por causa da felicidade dela. Disse que foi muito cômodo pra ela ter alguém pra poder dormir junto, assistir coisas juntos, ter os momentos a dois e quando eu pude ter o mesmo, ela não olhou para mim com os mesmos olhos.
Enfim, Lars se mudou, tomei esse tempo que poderia estar assistindo uma série com ele para escrever tudo isso. Angustiado e decepcionado. Darls não tem culpa de nada do que está acontecendo, mas agora acho completamente injusto ele estar aqui e o Lars não estar, não sei o que fazer, minha vontade é de falar, "acabou a quarentena para os dois, pode voltar para sua casa". Me sinto injustiçado e triste por alguém que eu amo tanto, não ter sido capaz de enxergar que eu estava feliz. É isso, estou esperando a próxima sessão da minha terapia e Karls e Darls estão lá no quarto dela e eu estou só.
E para finalizar, essa foi minha conversa agora a pouco com o Lars.
Lars https://imgur.com/gallery/PRrxEI6
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2020.07.30 03:09 peu_silva O fracasso da minha existência

Esse é o meu primeiro desabafo, sou novo aqui no site e possivelmente devo apagar esse post e escrever um melhor futuramente.. Enfim sou um adolescente com os mais diversos problemas, eu não me aceito nem gosto da minha aparência me acho muito feio não tenho nada de auto estima, não gosto do meu corpo sou alto e magro me sinto muito estranho. Muitas meninas me disseram q eu era lindo mas eu nunca me convenci disso pois elas sempre falavam por redes sociais onde eu só coloco as fotos onde eu me sinto "menos horrível", não gosto de tirar foto e sempre quando tiro uma foto boa fico triste pq sei q ela não me representa, sou totalmente diferente pessoalmente e isso só me joga pra baixo. Meu problemas vão mt além da minha aparência, não tenho nenhum amigo de verdade apenas colegas com quem me divirto na escola, mas não sinto q eles me considerem de verdade apenas sou um simples colega totalmente substituível. Não sei oq é uma vida amorosa, deixei de ser bv apenas ano passado, me sinto insuficiente pra ficar com qualquer pessoa ja até cheguei a marcar encontros mas sempre desistia e inventava uma desculpa pq eu não sabia como agir e tbm por ter vergonha de mim mesmo. Minha relação familiar é um pouco complicada, as vezes tem uma discussão mas não vivemos em guerra a gente tenta se dar bem na medida do possível, ninguém sabe como eu me sinto realmente pq eu nunca falei, as vezes dizem q eu sou estranho, chato entre várias outras coisas, as vezes quando to triste ou com raiva eles me falam q eu não tenho nenhum motivo pra isso, q minha vida é fácil e não tem o pq da minha insatisfação, mal eles sabem q eu não sou nd feliz, não me sinto bem comigo mesmo e q eu tenho vontade de morrer, sim eu quero morrer não vejo sentido em continuar vivendo se eu não consigo ser feliz porém nunca tive coragem de tentar nd não me imagino cometendo suicídio mas tbm não tenho esperanças de nd melhorar pra mim, me desespero e não sei oq fazer eu não tenho coragem de me matar e a minha vida é uma merda, q futuro eu tenho? Não sou um aluno exemplar, me esforço pra me manter na média não sou realmente bom em nenhuma matéria, mas em matemática eu sou horrível e consequentemente em física e química tbm e isso me faz sentir mt burro, oq uma pessoa assim vai ser na vida? Não tenho experiências q adolescentes geralmente tem na minha idade, quase não saio de casa e não sou importante pra ninguém, ninguém me procura ou me manda mensagem não tenho ninguém pra mandar alguma foto engraçada, pra conversar ou ligar sou mt solitário. Conheci uma menina recentemente logo de cara vi q ela era diferente, ela é legal e a gente tem muitos assuntos em comum, ela não é superficial tem mais coisas nela do q só um rostinho bonito e ela me fez imaginar e querer ter algum tipo de relacionamento com ela, porém mais uma vez me sinto insuficiente pra isso, ela é mt bonita pra mim e embora ela tenha me falado q eu tbm sou bonito, eu não acho isso e tenho vergonha de mim, ela até me chamou pra ir ver ela disse q até pagaria o uber mas eu não fui capaz de ir, eu sei q não vou cumprir as expectativas dela e q eu sou mt diferente pessoalmente e com certeza ela iria mudar de ideia e não ia querer mais nd cmg.. Bom em resumo é isso quero mudar essas coisas, quero q td seja diferente mas a situação q eu me encontro é mt difícil, tenho sonhos e ideias de como melhorar mas a minha realidade não permite, e tbm tem a questão financeira q torna td mais difícil. Só me afundo a cada dia e não tem nd pra preencher o meu vazio, não tem ninguém q me odeie mais doq eu mesmo e não sei até onde vou aguentar..
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2020.05.13 20:09 Whatever0220 #TurmaFeira

A Karen Interesseira e os carros.


Essa história aconteceu antes da crise de Covid-19 no mundo. Na época, eu tinha 15 anos, só para constar. É um tanto longa, mas vamos lá! Ela será dividida em duas partes.

#1 - Primeiro Encontro (Caçada com Falha Completa):

Eu e meu pai estávamos passeando em um dos shoppings aqui de minha cidade, quando eu perguntei se podíamos lanchar. Ele concordou. Fomos ao McDonald's e pedimos dois lanches. O meu, claro, era um "Mac Lanche Feliz", que pra mim era a melhor coisa que aquele estabelecimento poderia oferecer, mesmo eu tendo uma idade avançada.
Ao sairmos da fila, fomos escolher o brinquedo. Minha parte favorita! Ao nos aproximarmos da prateleira, eu vi que o melhor brinquedo só possuía UM único exemplar no restaurante: Um carro do HotWheels novinho em folha! Eu, claro escolhi. Mal sabia eu que esta seria uma das piores escolhas de minha vida...
Fomos pegar o brinquedo, ao mesmo tempo em que outra família se aproximava da área de "desembarque" da comida. Era composta de uma clássica Karen, acompanhada de seus pequenos filhos, que conseguiam ser incrivelmente mais educados e sensatos que a mãe. O mais velho parecia ter em torno de 10 anos, enquanto o mais novo, uns 7 ou 6. Vamos chamá-los de F1 e F2.
F1 viu que eu havia escolhido o brinquedo que ele, coincidentemente, também queria, e sinalizou à Karen. F2 disse que seu irmão mais novo devia se conformar, o que ele já estava fazendo. Mas acho que F2 devia ter dito isso para Karen, pois ela veio como um tornado de fúria pra cima de mim.
Primeiro, tentou me derrubar, para que o pacote caísse e ela o pegasse. Não funcionou, visto que eu estava segurando ele com as duas mãos e eu só cambaleei um pouco.
Em seguida, contornou a praça de alimentação INTEIRA para tentar roubar o objeto enquanto passava por mim. Logo reparamos e desviamos na última hora.
Por fim, ela apelou à segurança do shopping, dizendo que nós havíamos roubado o brinquedo de seu anjinho. Acreditem, os filhos que disseram que ela estava mentindo.
O golpe de honra, por assim dizer, foi ter, literalmente, partido pra cima de nós, quando estávamos nas escadas. Ela nos empurrou e meu pai quase caiu de uma altura de 15 metros! Nós chamamos a segurança e ela foi expulsa do shopping.
Por um momento, pensamos que estávamos livres de sua fúria. Pelo contrário. A merda ainda viria a acontecer.

#2 - Segundo Encontro (Como NÃO ser uma interesseira):

Eu não citei isso, mas um primo meu é dono de um pequeno canal do YouTube que faz diversos tipos de pegadinhas. Uma delas tem como base expôr interesseiras/interesseiros. Por exemplo: você inicia um papo e ela/ele te rejeita dando desculpas esfarrapadas. Aí você vai em direção ao seu carro, que geralmente é um modelo exótico (Ferraris ou McLarens) e as pessoas mudam de ideia e vão atrás de você.
Enfim, este meu primo tem uma Ferrari Portofino Azul. Uma pérola do automobilismo, se me permitem dizer...
Ele já a usou em outros quatro vídeos. Todos tendo um final mais inesperado que o outro. Em um destes vídeos, a pessoa simplesmente subiu em cima do veículo e começou a chutar o para-brisa. Ele precisou pagar uns R$ 4.000,00 pelo conserto. (Quando se tem um "super carro", sempre te cobram mais...)
No dia em que ele foi fazer este vídeo, uma semana após o ocorrido, o cara acabou me convidando (Muito Obrigado!). Eu, claro, aceitei. Fomos ao local escolhido: O estacionamento do mesmo shopping daquele incidente do McDonald's.
Ao chegarmos, estacionamos o veículo atrás de um muro, nos vestimos com roupas mais simples e esperamos alguém se aproximar. Se eu disser que foi logo a Karen quem desceu a rampa para o estacionamento, vocês não acreditariam...mas foi!
Eu logo vi aquilo como o momento perfeito para aplicar o carma. Eu me aproximei e se iniciou o seguinte diálogo:

Eu - Oi, você poderia me emprestar o seu telefone para que eu possa ligar para um amigo?
Karen - Eu conheço você...é o garoto do McDonald'S!!
Eu - Sim, sou eu.
Karen - Rá! Deve ser por isso que você não quis me dar o brinquedo. Você é pobre!
Eu - Bom, eu...
Karen - Há, há, há! Que piada, não?
Eu - Se eu fosse você, não celebrava antes do triunfo...
Karen - Faz-me rir! Como pode falar que eu não ganhei em cima de você? Vá embora logo!

Eu esperei ela dizer isso para sacar meu celular e fazer uma ligação.

Eu - Alô, ~insira o nome do primo~?
Primo - Fala, mano! Onde você tá?
Eu - Tava tentando falar com você! E aí conseguiu pegar o carro?

Nessa hora, a Karen olha pra mim.

Primo - Sim! A Ferrari ficou uma beleza! Já vou te buscar!
Eu - Certo. Tchau!

E desligo o telefone. A Karen olha para mim surpresa e perplexa. "Deve ser um blefe", ela devia estar pensando isso, porque simplesmente chegou em mim e disse:

Karen - Pode mentir o quanto quiser, sua pobreza não vai largar do seu pé. Você não pode fugir do que é seu de origem...

Eu fiz uma cara de perplexo, mas interiormente estava gargalhando.

Eu - Espere e veja...

Cinco minutos depois, o carro chegou. Meu primo gritou:

Primo - ~Eu~, vem logo! Vamos nos atrasar pra festa do governador!

Isso, claramente, era uma mentira, pra deixar a Karen surpresa. Meu primo arremessou um blazer e uma calça, ambos daquele estilo com glitter em cima, para dar um "brilho extra". Piada infame...
A Karen ficou perplexa. De uma hora para outra, quis pedir desculpas e etc.:

Karen - Olha, eu...bem...eu acho que eu fui um pouco grossa com você...poderíamos nos reencontrar e nos entender melhor...(Risos sensuais)

Nisso, ela simplesmente abriu dois dos cinco botões da camisa, deixando à mostra seu sutiã e parte de seus seios. Ela basicamente tentou me seduzir pra que eu a perdoasse e a convidasse para sair.

Eu - Olha, vou lhe propor um acordo. Você quer um carro esportivo, como este no qual eu estou?
Karen - Sim! Pode ser um Lamborghini?

Nisso, eu puxei o carro de brinquedo que quase foi roubado e que por pouco poderia ter matado meu pai e o dei à Karen:

Eu - Tome. Agora você pode ter um super carro...de brinquedo!

Nisso, meu primo acelerou e fomos embora. A Karen ficou estática e com uma cara de merda estampada no rosto.
Bom, por hoje é isso! Em breve, estarei postando mais histórias sobre Pais e Mães Intitulados e seus pequenos diabinhos!
Fui!
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2020.04.12 22:56 Pomiwl Ninguém Precisa Saber Capítulo 3

III. O PRIMEIRO PASSO ANTES DA MORTE
Correram entre a grama perfumada pelo orvalho. Suas botas pesavam e afundavam no barro. Suas canelas mergulhavam-se em lodo. Sentiam cada gota de água escorrer de suas costas ao chão. Se aproximavam da casa do outro lado. Já não enxergavam mais a família de patos que ajudaram mais cedo. Agora, já podiam analisar de mais perto; as memórias surgiram na cabeça de Diana como um flash. Tentava lembrar-se do nome do homem que ali vivia. Era um amigo da família, mas não os viam com frequência. Lembrou-se de um verão passado, onde foram acampar naquele mesmo lugar, e suas feições confortantes brotavam à sua mente. Senhor simpático; vivia sozinho com seu cachorro. O ritmo de seus passos diminuiu. Apoiou-se em uma das paredes com sua mão — sentia como se seu coração a qualquer instante saltaria por sua boca. Sua respiração tornava-se mais leve. Não acreditava que esteve tão próxima da praga. Era realmente aquilo que tanto comentavam; e não poderia ser menos do que especulava-se. Olhando sobre os ombros, podia enxergar uma mancha cinza aceleradamente tomar conta da clareira. Sentiu os pelos do braço se arrepiarem. Levou a mão à porta de madeira e bateu levemente, ansiosa por uma resposta. Não demorou muito até que pudesse ouvir passos vindos de dentro. Aliviou-se ao ver o rosto do homem pela primeira vez em tanto tempo, e no momento em que seus olhos se encontraram e percebeu um sorriso surgir-se no rosto do senhor, lembrou de seu nome: August Moore. — Ora! Que surpresa agradável. Entre, entre, Diana. — impressionou-se com o fato de ter lembrado seu nome. Os cabelos grisalhos limitavam-se ao topo de sua cabeça, enrugada e parcialmente corada pela exposição ao sol. As mãos, cobertas por uma grossa luva de couro preto, ainda apoiavam-se na porta. O suéter cafona cobria uma grande barriga, apertada por um cinto à altura do umbigo.
Depois de um refrescante banho, Diana, ainda com seu cabelo molhado, sentou-se ao empoeirado sofá de Moore, bebericando uma xícara de chocolate quente que parecia aquecer seu corpo internamente. Khan também já estava limpo, com seus pelos completamente estufados — ele não parecia aguentar mais aquela massa de lama grudada ao seu corpo. — Então, não sabe onde seus pais estão... — levou o dedo dobrado à boca para limpar o resto da bebida. — eu realmente sinto muito. Queria poder te abrigar por mais tempo... mas esta desgraça já chegou. Referia-se ao vírus de forma desgostosa, largando a xícara sobre a mesa de chá balançando rapidamente a cabeça de um lado ao outro. — Sim. Deve mesmo ser difícil para alguém que sobrevive do plantio, como você. Inclusive, antes de tudo, gostaria de lhe agradecer. Estou perambulando por aí há dias. Mal posso descrever o alívio que foi ao ver sua cabana do outro lado do lago. — Não há de quê, minha filha. Tudo para ajudar uma das netas de Colress. Mas o que uma criança como você está fazendo por aí com um surto desses? — ela incomodou-se levemente com o uso da palavra “criança”. Para o que já tinha passado até então, não era mais uma criança. A citação do nome de seu avô, no entanto, a confortou. — Eu cometi um erro. Pouco antes do início de todo esse surto, não sei se soube, meu irmão desapareceu. — tentava não transparecer o remorso ao falar sobre aquilo. — Ele simplesmente não voltou para casa naquele dia. — Sinto muito em ouvir isso, minha filha. Só Deus sabe o quão boa aquela criança era. — tentava não reparar no quanto estava sendo insensível ao referir-se a Max como um caso perfeito. Ele não “era” uma boa criança. Ele É uma boa criança. Ajeitou-se no sofá, constantemente posicionando seu cabelo sobre a orelha. Khan, ao seu lado, observava com um único olho aberto o cachorro de Moore, Darius, que não se incomodava de dividir um espaço no divã. A luz da lareira aquecia sua pele e o som da lenha crepitando fundia-se à chuva que surrava a janela, coberta por cortinas com um reconfortante tom avermelhado. — Foi quando tudo começou a dar errado. Logo quando os primeiros casos apareciam na capital, a polícia arquivou a investigação sem mais nem menos, e ninguém pareceu ligar. Isso foi o que mais me perturbou. Até meus pais pareciam despreocupados demais com tudo aquilo. — evitou cruzar os olhares com Moore, que tomou um último gole de seu chá. — Deixe-me adivinhar... você, insatisfeita, decidiu fazer justiça com as próprias mãos? — repousou a xícara sobre o pires, provocando um agudo ruído quando as porcelanas se tocaram. Diana nada fez além de concordar, movendo a cabeça de cima para baixo. — Eu tava saindo da escola quando o sinal da evacuação começou a ser acionado. Não foi difícil me esconder em um beco qualquer com toda aquela multidão. Estava inconformada. Eu sabia que ia achar ele, tinha certeza, e eu sei, senhor Moore, que Max está vivo. — seu corpo elevou-se do sofá ao ritmo de sua voz, crescente conforme as lembranças vinham à tona. — E, desde então, não vi mais meus pais. E ainda não encontrei meu irmão. E, toda noite, antes de dormir numa barraca roubada de uma loja qualquer, eu me pergunto se fiz a decisão certa. Repousou de volta ao sofá. A testa suava como o estresse que liberava pelo peso das suas palavras. Moore nada vez além de rir e cobrir sua boca com os dedos. — Decisões são complicadas, não? Mas acho que o principal porquê de nos arrependermos tanto é não saber o que aconteceria se fizéssemos a outra escolha. Não minto que sua decisão pode ter parecido um pouco impulsiva, mas e se você realmente tivesse ido juntamente com seus pais? Será que um dia realmente encontraria seu irmão? Eles estão tão perdidos quanto você, e provavelmente se perguntando o mesmo. — ele respondeu com uma grandiosa segurança. A fez acreditar que não haviam decisões erradas. Nós fazemos nosso próprio destino, e nunca seríamos glorificados com o poder de enxergar além de seus erros, a ponto de ao menos ter a chance de considerá-los erros. Ela fitou a xícara cheia do chocolate quente. Sua mão tremia levemente; adrenalina. — Mas e você? — ela ao menos esperou uma reação por parte do senhor. — O que você teria feito? — Sabe... esse é o desafio da sociedade. A dificuldade de ser empático. Não posso julgar o que teria feito na sua situação, porque nunca passei e nunca passarei por cada simples detalhe que te levou a resistir aos chamados de evacuação. Todos vivem dizendo para nos colocarmos no lugar dos outros, mas cada um tem uma percepção diferente de tudo. Se eu me colocasse no seu lugar, pode ser que minha vivência tivesse me levado à outro destino. Mas será que isso realmente importa? Ela refletiu. Moore era sábio. Era o tipo de pessoa que, para cara pequeno pensamento, tinha grandes palavras — mas a forma que falava só a intrigava cada vez mais. Era como se deixasse um espaço para suas próprias relações. Ela o admirava por isso. Não disseram uma única palavra até o mútuo “boa noite”. Ele ainda mantinha as longas luvas de couro negro cobrindo as mãos. Diana foi à frente, dando as costas à sala e seguindo pelo corredor, até que ouviu Moore dizer algo pela suas costas. — Espere. — ela virou-se para ele, parando seu passo de supetão. Seu silêncio repentino traduzia como um “o quê?”. — Eu teria feito o mesmo que você fez. Ela sorriu de imediato. Ele retribuiu. Aquilo a tranquilizou — se Moore, que provou-se sábio, concordou com sua atitude, então ela podia não estar tão errada quanto achava que estava. Até o quarto de hóspedes, manteve os dentes à mostra. Os lábios secos, o gosto do chocolate ainda na boca. Moore, no entanto, não foi ao seu quarto. Deitada, registrou no diário toda a conversa que teve com o homem. Khan já dormia sobre sua barriga, ronronando levemente até que apagasse a luz do abajur empoeirado sobre a mesa de cabeceira. Pegou o gato e o ajeitou ao seu lado, levantando-se para servir alguma água para si. Com passos leves sobre o assoalho, dirigiu-se pelo corredor até a cozinha. A porta do quarto de Moore estava fechada, mas ali estava ele, de pé apoiado ao balcão. Um estranho sorriso aberto. Os olhos estavam vazios. Não se mostrou em momento algum, apoiando-se na parede do corredor. Ouviu o barulho da gaveta a abrir e, em seguida, de metal batendo contra o granito, quase como um talher caindo sobre o prato de porcelana. Aquilo não lhe parecia comum. Espiava de vez em quando para saber o que o homem fazia, e arrepiou-se ao ver com o que mexia. Tateava um cutelo; a lâmina quase que com o tamanho de sua cabeça. Pela primeira vez, a visão de suas mãos, descobertas pelas pesadas luvas, a assombrou; estavam lívidas. Brancas como o rosto de um cadáver. A pele em putrefação. Arrastava os dedos contra a lâmina, abrindo buracos ao longo das mãos, mas não tinha qualquer reação de dor. O sangue vazava preto e secava rapidamente contra a pele, como uma pedra. As gotas, de tão pesadas, podiam ser ouvidas surrando o assoalho como a chuva caía sobre as janelas, cobertas por cortinas. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas não gostava daquilo. Continuou esfaqueando a própria mão, esbanjando os dentes atrofiados. Pelo nariz, começavam a escorrer gotas de sangue que petrificavam-se imediatamente. As manchas cinzentas das mãos agora já haviam alcançado seus ombros. Era a praga. O coração de Diana quase escapou de seu peito, debatendo-se contra o chão. Fechava os olhos e só podia enxergar aquela mesma cena, como se as mãos ensanguentadas por um elixir de carvão penetrassem sua mente. Ficou tonta, mas não podia ser vista. A praga era ainda pior do que imaginava. Podia ver as veias ao longo de seu braço contra a pele fina, todas negras. Entrou em estado de negação. Forçou o corpo contra as tábuas da parede, sacudindo o rosto e gritando para si mesma. Como tudo de ruim poderia acontecer tão de repente com ela? Há dois minutos, estavam juntos servindo-se de bebidas quentes e conversando sobre suas decisões. “Eu teria feito o mesmo que você fez” soava em sua cabeça ao tempo todo, emergindo na poça de sangue negro que formava-se no chão. Ela não podia o ajudar. Ninguém podia. O único que conseguia fazer era engolir seus soluços de desespero. O cutelo já estava desgastado de ser batido contra os ossos do senhor, atravessando seus músculos em uma chuva de escuridão. Por que ele estava fazendo aquilo? Foi quando lembrou-se de algumas palavras que ouviu do rádio em sua casa, no dia anterior à sua fuga de Lyrion. “...Os principais sintomas já identificados são a presença de manchas pretas na pele e comportamento agressivo e, pouco depois, o indivíduo morre.“ Era isso. Moore estava prestes a matá-la. Em que momento a praga tomou conta de sua lucidez? O vírus já havia dominado seu corpo durante a conversa dos dois? Ela devia seguir os conselhos de uma marionete mortal, ou aquelas foram as últimas palavras de Moore antes de ceder sua mente à alucinação total? O conceito de sua lucidez já havia embaralhado-se na sua cabeça. Ela não queria acreditar que Moore havia sido corrompido completamente, a ponto de afetar sua própria mente e o transformado num psicopata. Foi quando percebeu que a sorte não estava ao seu favor. Era o primeiro lugar em que Diana finalmente se sentiu segura. O que mais a preocupava não era simplesmente que o homem iria tentar os assassinar — mas sim, que ele morreria em pouco tempo. Era apenas um senhor, ele não poderia fazer muito contra a jovem e ativa Diana. Ela sabia que aquele não era o Moore que ela conhecia, ele havia sido corrompido, não era sua culpa. Mas, sem escolhas, ela teria de fugir — novamente. Sentiu a adrenalina no seu sangue, como um sedativo para seu medo. Parou de martelar a faca contra si mesmo e partiu ao corredor, erguendo a lâmina que brilhava à luz da lareira, como um presente de despedida do mundo. Contornou o caminho do balcão. Ele havia a encontrado. Sabia que aconteceria uma hora ou outra. Parou seus passos pesados no instante em que viu a jovem encolhida, mostrando apenas um dos olhos contra os braços. Estava ainda pior de perto. O sangue vazava pela ponta de seus dedos em um gotejar periódico de desespero. O líquido percorria seu caminho desde o alto do antebraço, formando um rio de carvão até a palma das mãos, onde encontravam os ferimentos feitos por si mesmo. Os olhos estavam completamente brancos e vazios, como se estivesse cego. Os dentes estavam manchados pela lágrima escarlate. Por um instante, pareceu tomar um gole de sua sanidade, forçando-se numa batalha interna contra a doença para pronunciar alguns balbucios, quase que inaudíveis: “Corra.” E tomou de volta a sede de sangue. Já não havia mais “Moore”. Era apenas o escravo, uma carcaça vazia, que não partiria de seu corpo até que tirasse outra vida que não a própria, usando as mãos sujas de alguém que soava tão puro. A visão era de um filme de terror. Achava que estaria pronta quando cruzasse contra um dos dominados durante sua jornada, mas não estava. O desespero não era forte para mantê-la de pé, ao menos o suficiente para fugir. Retomou os passos. Podia senti-los dentro de sua cabeça, como se sapateassem em seu cérebro e sugavam sua vitalidade — a mesma que contava para conseguir sair dali o mais rápido que pudesse. As costas apoiadas no chão, encarando o senhor que parecia bem maior e amedrontador com sangue ao invés de café manchando seus lábios. Estava prestes a vomitar — a comida revirava-se no estômago. A primeira facada que disferiu erroneamente contra seu corpo cortou a tensão do ar, como se estivesse cego pela sua própria alma. No fundo de seus globos oculares, enxergou um pedido de ajuda. — S-Senhor Moore, me escute... eu sei que você está em algum lugar aí dentro... — engasgou-se com as palavras, poucas eram para descrever o que sentia. Não sabia o porquê de achar que aquilo funcionaria. — Por favor, acorde. Você não precisa fazer isso. Você é mais forte que a praga. Por favor... Os sentimentos atropelavam-se em uma mescla de medo, desespero, horror e tristeza. Por onde saía o sangue em Moore, em Diana, saíam lágrimas. A marionete não reagiu às súplicas e guinchos da garota, avançando contra seu corpo prensado ao chão como um zumbi. Pensou em fugir. A janela de seu quarto era alta demais; mesmo sem tentasse correr, não daria tempo de escalar. A porta de saída estava logo atrás de Moore, e o corredor estreito não colaborava em facilitar sua passagem rápida. Parecia que tudo estava planejado para que ela fosse atacada. Estava presa em um ciclo de seguidos calafrios; a respiração ofegante se tornava cada vez mais rápida, assim como o palpitar de seu coração. Dizem que, quando você está prestes a morrer, pode enxergar toda a sua vida passando pela frente de seus olhos, como um presente de despedida do destino, para compensar o seu mergulho ao desconhecido. Isso não aconteceu com Diana. Talvez como um prelúdio do que viria a seguir. Do contrário, passou pelos seus olhos uma visão abençoada. A visão de como teria sido sua vida com Max, e sem a praga. Uma troca equivalente; pelo menos para a balança de sua moral. Fechou os olhos por um instante e, no momento seguinte, pôde sentir o calor da lareira de casa acesa. Na televisão, assistiam desenhos animados juntos e comiam marshmallows, enquanto seus pais cozinhavam juntos na cozinha. Sentiu as lágrimas do rosto secarem junto com a brisa refrescante que vinha da janela. Olhou para o lado. Max sorriu para ela. Ela sorriu de volta. Como um balde d’água fria, a realidade trouxe Diana de volta do seu labirinto de devaneios. Não havia mais Moore. Ele já havia morrido há tempo; apenas seu corpo sobrevivia. E, agora, ele também era consumido. Eram apenas os dois. Ela, e a personificação daquilo que tirara toda a possibilidade de não viver em um futuro incerto, em que acordava todos os dias sem saber se haveria comida no dia seguinte; ou se ao menos sobreviveria até lá. Aquilo não podia acabar. Já tinha ido longe demais, mas não o suficiente. E não pararia de lutar pelo seu objetivo até que se visualizasse ali novamente; em um lugar que poderia chamar de lar, sem o medo de ter perdido tudo que construiu no dia seguinte. Era sua chance de mostrar que Diana Evolwood era mais do que uma garota da cidade com uma decisão estúpida e um desejo irreal. Diana Evolwood era bem mais do que a própria sabia. E só poderia fazer isso empunhando uma faca em mãos e expondo-se ao perigo de um confronto, ou sucumbindo em uma eterna ilusão que nunca se concretizaria se não quisesse lutar. O mundo já não era mais o mesmo. Mas não sabia se conhecia o mundo o suficiente para afirmar isso. Levantou-se. As mãos raladas e trêmulas, mas com uma missão. Só precisava achar uma forma de ir até a cozinha e ser rápida o suficiente para achar uma faca. Podia tentar fugir, mas isso não seria honrar todo o caminho que percorreu até aquele momento. De fato, era como se tudo aquilo houvesse sido armado para que fosse atacada; mas, como um sinal do universo para não parar por aí, porque ainda tinha uma lição para mostrar ao mundo e provar seu valor. E não faria isso abrindo aquela porta e correndo para um lugar longe o bastante para que não pudesse ser vista. Dentes cerrados, bem como os punhos. Franziu o cenho e tentou concentrar-se em seu objetivo. A missão era passar pela marionete — não conseguia imaginar “aquilo” ainda como Moore — e arranjar algo afiado o suficiente para fazer com que os ferimentos auto-infringidos por ele parecessem brincadeira de criança. Talvez isso fosse outro ponto a analisar antes de uma investida — ele já não sentia mais dor por conta da adrenalina. Diversos cortes no braço não foram páreos para detê-lo. Se ela, que nunca havia utilizado uma faca para ferir alguém conseguisse ao menos alcançar a cozinha, já estaria de grandessíssimo tamanho. Mas ela não tinha a noite toda. A marionete carregou a mínima força qua ainda potencializava no fundo do organismo do homem, como um parasita, e a desferiu lateralmente contra a garota. Sentiu a lâmina percorrendo o caminho de sua garganta, como se cortasse uma folha de papel; a prova que, mesmo com um ataque errôneo, podia sentir cada músculo de seu corpo em negação à estúpida decisão que havia feito. O vento provocado pelo movimento rápido a deu calafrios, selando o espaço entre seu queixo e seu pescoço com um ataque decisivo e, por pouco, não certeiro. Não era o suficiente para fazê-la desistir. Um passo atrás do outro, alcançou a porta do quarto de hóspedes, onde Khan ainda repousava, como se esperasse seu carinho na nuca habitual antes de dormir. Ingênuo animal. Sua pata repousava sobre o seu caderno; a caneta largada sobre o couro. Se não poderia alcançar a cozinha e arranjar uma faca, talvez uma caneta desse conta. Esticou seu corpo contra a cama, caçando o objeto com as mãos, sem tirar os olhos de Moore. Khan espiou até onde o limite de sua visão alcançava: não o suficiente para notar que estavam em perigo. Finalmente, catou o objeto, a ponta ainda vazando tinta preta, que mal se distinguiria de todo o líquido que vazou de seu corpo. Retomou a posição no confronto. Moore aproximava-se, exibindo seus dentes, sorridente como uma criança num parque de diversões. O cutilo jazia sobre a mão direita; era a mesma posição de ataque das últimas duas vezes. Às vezes, uma qualidade pode ser bem mais útil do que uma faca. Duas facadas errôneas foram o suficiente para notar um padrão, que não faria sentido de alterar-se num terceiro golpe. Erguia a lâmina no ar, mais ou menos na altura do nariz, e atacava de cima para baixo, da direita para a esquerda, de forma que um acerto no pescoço seria suficiente para tirar a vida do oponente. Não era uma doença estúpida. Esperou o momento certo. Viu o homem erguer o cutilo ao ar, a mão mole como a de um defunto; era como se tivesse encontrado uma ruptura — uma brecha — entre seus já previsíveis ataques. O corredor estreito acabou ajudando-a em algo, restringindo o espaço de movimento de Moore e facilitando que desviasse sob seu braço, pronto para desferir um ataque mortal. Mortal seria se Diana estivesse no mesmo lugar em que estava há algumas frações de segundo. Como um esgrimista, pôs-se de pé, à altura da nuca do homem. Esticou seu braço sobre seu ombro e, sem um alvo específico, forçou a caneta em sua própria direção, cravando-a na cavidade ocular de Moore. Ele pôde ao menos não ter sentido dor, mas a força e o ódio com o qual forçou o objeto contra seu olho direito foram o suficiente para levá-lo ao chão por um instante, o cutilo lançado pelo assoalho, deslizando pelas tábuas até o fim do corredor. Finalmente pôde ver o estrago que havia feito. A caneta, ainda presa, estava coberta daquele sangue putrificado; o resto de seu rosto, dividido pelo nariz, tornou-se uma piscina de lágrimas ácidas, pus e uma chuva escarlate, como um chafariz. Ele não manifestou qualquer expressão. Ela, um sorrisinho de canto de boca. Mas não era como se houvesse acabado. E soube perfeitamente disso quando ouviu grunhidos próximos à sua perna e uma dor aguda na panturrilha. Era Darius, o cão — os dentes afiados contra sua pele, atravessando o tecido de sua meia-calça, já completamente rasgada. Quase não sentiu o desconforto até ver seu próprio sangue espalhando-se pelo seu focinho e face, tingindo seus pelos de um tom escarlate. Recuou, tropeçando entre seus próprios passos. Já havia voltado ao seu pequeno e intocável casulo de inquietação e desespero, abraçando as canelas, como se aceitasse seu destino. O cão não desgrudou até que o empurrasse — ainda se preocupava em o machucar o mínimo que podia. Não era culpa dele. Ela havia acabado de cravar uma caneta na porra do olho do melhor amigo dele. Ele só estava sendo leal. Não merecia o maltrato. Afastou-o com chutes contra o assoalho, provocando um incômodo barulho que foi o suficiente para que o animal recuasse e aninhasse entre os braços do dono. Suas patas cobriam-se do sangue negro. Moore levantou-se, a caneta ainda presa ao seu corpo, como se fosse apenas um acessório. Darius rapidamente lambeu suas pernas ensanguentadas, abandando o rabo de um lado para o outro, agradecendo por seu amigo ainda estar “vivo”. Moore chutou-o na costela, jogando-o contra a parede. O animal chorou, mal conseguindo andar. Diana encheu-se de rancor. O ódio que corria em suas veias transformou-se em uma rápida hiperventilação. Gritou o mais alto que pôde. Tentou confortar o animal, que ainda tirou forças para morder sua mão e correr na direção contrária, até a cozinha, driblando a marionete. Ela não pegaria o cutilo; estava coberto de sangue. A chance de acabar se contaminando era grande — talvez aquilo fosse uma estratégia exatamente para isso. Agora, já não tinha mais sua caneta, sua panturrilha não a permitia correr e aquilo que poderia ser sua única saída foi uma armadilha. Não conseguiria sair viva dali sem uma ajuda que fosse. Moore começou a caminhar a caminho da garota, que tinha suas mãos cheias do próprio sangue, tentando estancar desesperadamente seu ferimento. Soluçou em seu canto. O universo tinha dado-lhe uma chance. E ela a desperdiçou tentando provar que poderia lutar por si só. Acima de tudo, sentiu-se incapaz; havia falhado. E Max, em algum canto do mundo, estaria chorando, pedindo por ajuda — isso se ainda estivesse vivo. Qual era a chance de um dia reencontrar sua família? Realmente acreditava que conseguiria sobreviver e ir longe o suficiente para salvar seu irmão? Uma garota da cidade que tinha a vida perfeita; pais que se preocupavam e um irmão atencioso. E agora, seria apenas mais um número para as vítimas da chacina da praga. Podia imaginar seu corpo coberto das manchas pretas que vira no momento em que Moore tirou suas luvas. Tudo aconteceu rápido demais. Sentiu seu corpo sendo coberto pela sombra do corpo da marionete. Esperou o momento. Enganou-se com o pensamento de que não temia a morte. — Senhor Moore... você também? Ouviu o ruído da porta de madeira úmida se abrir com um rangido, a maçaneta se chocando contra a parede. Uma voz desconhecida. Seu coração bateu mais rápido e, por algum motivo, aquilo chamara a atenção do homem, que virou a cabeça em um instante, sem mover o corpo. Eram dois garotos; um maior, empunhando uma espingarda que parecia levemente mais pesada do que aguentava. Ao lado, outro, que aparentava ter a mesma idade de Diana, segurando um estilingue. Aquela estava longe de ser a última visão que a garota teria antes de morrer, e soube disso quando escutou o estampido do disparo e Moore caindo sobre seus joelhos. Em sua testa, um buraco que permitia a visão de seu cérebro negro. Sangue voou contra seu rosto. Estava paralisada, quase como se tivesse se tornado pedra. A boca aberta, os dentes de chocando com a mandíbula trêmula. Ela arrancou a caneta de seu olho direito, ensopada de sangue. O homem ousou levantar seu braço mais uma vez, mas sucumbiu aos braços da morte quando, em um golpe final, Diana cravou a caneta de volta em seu coração. Sentiu o interior de seu corpo retorcendo e desinflando como uma bexiga. Estava viva. E acabara de matar um homem. — Você está bem?! — disse o mais novo, correndo em sua direção, fazendo o assoalho se retorcer a medida de seus passos. — S-Sim... — ela respondeu. Não havia entendido o que acabara de acontecer. Para ela, a qualquer instante, acordaria de um transe em que ainda estaria sentada naquele sofá, agora coberto de sangue. Ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, notando sua dificuldade e a marca dos dentes de Darius em sua perna. — Puxa, a coisa tá feia. Vamos te ajudar, não se preocupe. Só precisamos que aguente até que cheguemos à nossa vila... não é muito longe daqui. — sua tentativa de fazê-la manter a calma funcionou. Não se preocupava mais. Olhou no fundo de seus olhos, que lembraram a lua cheia que brilhava do lado de fora das janelas cobertas pelo líquido negro que vazara do corpo do senhor. — Eu sou Bruce. E meu irmão mais velho é o David. Precisa confiar na gente. — ele sorriu, levando a cabeça de cima a baixo rapidamente. — Você é...? — Diana. Diana Evolwood. Vim de Lyrion... — Lyrion? Caramba. Você vem de longe. — o nome da cidade chamou a atenção de David, que olhou de relance enquanto examinava o corpo jogado em meio ao corredor estreito. — O que você veio fazer nesse fim de mundo? E, principalmente, no meio do surto? É perigoso. Onde está a sua família? Ela não respondeu. Seu silêncio bastou para que ambos compreendessem o que havia acontecido. — Certo. Diana, não? Não quero te preocupar, mas se não cuidarmos de seu machucado, você pode adoecer. Venha conosco até Mouneet Town. Há comida e medicamentos. — Muito obrigada... mesmo. Se não fosse por vocês, eu estaria morta. — suas palavras pesaram. Seus soluços começaram a transformar-se em lágrimas. — Tudo aconteceu tão rápido... há alguns minutos, estávamos ali, sentados naquele sofá, e de repente ele ficou louco e tentou me matar, e... — Não precisa agradecer. Nós nos oferecemos à comunidade em que vivemos para fazermos pequenas rondas durante a noite. Seu grito nos chamou a atenção... — Foi só uma pena que o Senhor Moore tenha sido contaminado. Era um bom homem. — continuou David. — Você pode nos explicar melhor o que aconteceu no caminho. Levantaram-a, apoiando seus braços nos ombros dos garotos. Darius não se moveu, chorando sobre o corpo de seu dono. Khan correu ao encontro dos rapazes, dando de cara com as paredes ensanguentadas e Diana machucada. — Khan... que bom que está bem... Seus olhos começaram a fechar lentamente. Sua voz atrofiou-se e seus batimentos cardíacos tornaram-se menos recorrentes. — Diana, você está bem?! — Deve ter desmaiado. Já passou por coisas ruins demais em apenas uma noite. Ela deve ter um bom motivo para ter vindo de tão longe para cá. — David pareceu mais calmo, acostumado com situações de tensão como aquela. — Eu posso carregá-la. Pegue seus pertences e leve seu gato. Se ela sobreviveu tempo o suficiente sozinha com um dos dominados, usando apenas uma caneta como arma, então ela aguenta um machucado na panturrilha. Posso dizer que ela é forte. Bruce sorriu, indo em direção ao quarto de hóspedes e levando apenas seu diário — foi o que encontrou. — David! Olha o que eu achei! Um diário... talvez pudéssemos entender o que aconteceu se déssemos uma olhada. — Não, Bruce. Invadir a privacidade de pessoas não é legal. Podemos perguntá-la amanhã, quando já estiver melhor, e só saberemos do que precisamos saber. — Tá bom... — ele fechou a cara, mas compreendeu. — Vamos. Banharam-se à luz do luar, todos em uma fila. E, desde o momento em que trocaram a primeira palavra, Diana soube que tudo estaria bem na manhã seguinte. Não era um sonho. Mas também já não sabia mais se era um pesadelo.
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2020.04.11 11:21 petpeevs Medico manda me casar!!!!

Ora á uns meses atrás fui a uma consulta de ortopedia no hospital indicada pela minha médica de familia, eu tenho dores de costas entre outros problemas já diagnosticados e o objectivo desta consulta era para ver se o ortopedista podia fazer uma recomendação para plástica para reduzir o meu peito que eu e a minha médica de familia pensamos ser o problema das dores de costas e outros problemas.
Isto foi a consulta mais surreal da minha vida, e juro que é tudo verdade.
Então eu entro e sento-me, o Dr pergunta o que me trás ali e eu começo por listar os meus problemas, quando eu menciono que tenho escoliose ele pergunta com uma cara muito séria a olhar diretamente para mim.
"Quem lhe disse que tem escoliose? Foi o seu namorado ou marido?"
Eu fiquei em choque a olhar para ele com a boca aberta, ele não estava a sorrir sequer do tipo foi uma piada, ele estava a perguntar me a sério. Passado um bocado eu respondo... não? foi me diagnosticado á uns anos por outro médico...
Ele pergunta se sou casada ou se tenho namorado... não? Eu tento voltar ao assunto da minha consulta, se ele podia fazer a recomendação para plástica para reduzir o peito porque era isso que eu achava que me causava os problemas. Ele riu-se e olhou para o meu peito... foi desagradável para dizer o minimo, mas depois procedeu em dizer que nunca ninguém na profissão dele poderia fazer uma recomendação dessas porque seria meter a colher na especialidade dos de plástica.
Depois procedeu em dar me um sermão na importância de eu casar, como a minha vida nunca seria completa sem isso e que a família e os amigos não é a mesma coisa que ter um marido.... eu estava em completo estado de choque, tipo cheguei a olhar pro tecto a ver se encontrava uma camera dos apanhados, estava completamente incrédula, ainda tentei muito timidamente me defender, que sou jovem (tenho 27) e estou empenhada no meu negócio e que estou perfeitamente satisfeita com a minha vida. Mas ele não parou com a conversa de que eu precisava de casar ou no minimo ter um namorado!
Eventualmente a conversa voltou sobre medicina e ele disse me para ir fazer uns raios-x e para voltar, como era no hospital era tudo em seguida, então faz me a pergunta normal que qualquer médico faz quando vai emitir r-x.
"Está grávida ou a amamentar?"
Eu respondo, Graças a Deus não
Ele passa-se, chega a atirar a caneta contra a mesa e exclama, "MAS GRAÇAS A DEUS PORQUÊ?! PORQUE DIZ ISSO!"
Então se eu não tenho namorado nem marido, ainda bem que não estou grávida nem a amamentar, e agora o médico começa o sermão da importância de eu ter filhos...
Eu fui fazer os r-x e voltei, aproveitei o tempo que estive fora para contar esta história á radiologista que só se riu e disse me para não ligar... mas eu tou maluca de todo? Tenho um médico que não conheço de lado nenhum a mandar me casar e ter filhos e que a minha vida basicamente não presta sem isso?! E outra médica que disse para não ligar a isso?!
Tive de voltar á consulta com os exames, o médico dá uma olhadela e diz que não tenho escoliose... da fuck? Eu não inventei isso, eu tenho exames antigos em que isso está escrito e á anos que ando na fisioterapia, mas já tou habituada a receber diagnósticos diferentes de cada vez que apanho outro médico.
Só que este pseudo "Dr" diz que eu não tenho nada e que só preciso de perder peso, pergunta me quanto eu peso, eu respondo (sim tenho excesso de peso, não é algo que eu não tenha noção), digo os meus kilos e ele diz me que se eu pesasse o mesmo que ele (ele não diz quanto pesa) não tinha as queixas que tenho... e procede em me indicar para a NUTRIBALANCE!!
Sim minha gente, um ortopedista do hospital a mandar me perder peso através daquela dieta da rádio... e mesmo dizendo lhe que sou acompanhada pela nutricionista do meu centro de saude o gajo continua a bater na Nutribalance...
Eu devia ter saido daquele gabinete e ido diretamente fazer queixa... não sei aonde mas devia ter feito, não fiz e estou arrependida, estava em choque e não pensei que iam acreditar em mim porque foi surreal o que se passou ali
Prometi a mim mesma que não voltaria a ver outro médico que não seja a minha médica de familia depois de apanhar este lunático, mas a verdade é que pouco tempo depois da consulta comecei a ter problemas num pé que não desapareceu, e agora meses depois de estar em quarentena e sem fazer nada, a dor continua e não posso ir ver ninguém sobre este problema, primeiro porque não é urgente e não há médicos disponíveis, segundo não sei aonde ir por causa duma dor de pé que não para á meses mesmo em descanso e terceiro porque estou farta de apanhar médicos estúpidos que me degradam e tratam me como se fosse maluca.
Aqui tem, não sei se serve de consolo para alguém mas suspeito que o médico não era português, era negro e tinha um sotaque mas não sei de onde. Diga-se de parte que já tive encontros absurdos com outros médicos definitivamente pt, mas este foi o mais lúdicro de todos ao longe
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2019.03.04 00:14 Manner1918 Nação Livre Brasileira

-Contexto: Estou escrevendo este livro por causa de um devaneio. Estou procurando criticas tanto positivas quanto negativas sobre esta escrita.Para ter um contexto geral antes da leitura, esse livro se passa em um mundo alternativo onde a Alemanha ganhou a Segunda Guerra Mundial, os nazistas também invadiram o Brasil e a tornaram em um estado fantoche a serviço da Alemanha.
Ainda não fiz nenhuma personagem no livro explicar sobre esse evento, ou como eles ganharam a guerra, mas já tenho as ideias principais anotadas em um caderno e tudo vai ser bem explicado. Se você tiver qualquer dúvida sobre o porque eu não dei muitos detalhes sobre qualquer coisa (a casa, as características de personagens, roupas, etc) é porque eu decidi não explicar no momento que a cena acontece, mas vou detalhando sobre tudo ao decorrer do livro.
-Importante: Só estou postando o primeiro capitulo do livro, apesar de ser mais de 3000 palavras. Já escrevi o inicio do segundo capitulo, mas está incompleto.Sinto muito por qualquer erro de português. E sinto muito por ser longo, mas vamos ao inicio do livro:


Eram cinco da manhã, Amélia tinha passado a noite acordada já que sua insônia tinha lhe mantida acordada novamente. Ela virava de um lado para outro na cama, agitava seu cabelo negro e liso que vinha até seus ombros, girava e apalpava seu travesseiro, tentando conseguir dormir ao mínimo alguns minutos. Mas foi tudo em vão e logo ela começava a pensar, enquanto desistia de culpar a sua cama pela insônia, pensava sobre como ela ainda não tinha um pingo de sono e enquanto olhava para o teto de seu quarto, pensava novamente em seus avós, como toda manhã, e como ela sentia saudades deles, de suas risadas, conselhos, puxadas de orelhas e, sobretudo, o cheiro do bolo de chocolate que seu avô fazia enquanto ela escutava as músicas que sua avó ouvia enquanto alimentava seus belíssimos pássaros. A sua avó adorava pássaros, e ela os tinha de todas as cores e espécies que ela poderia se lembrar, ela se lembrava do periquito azul, do canário amarelo, da calopsita cinza, da andorinha branca e um pássaro peculiar que parecia um pequeno pavão, da qual Amélia adorava como parte de sua família e até nomeará o pequeno pássaro como Fênix.
Os avós de Amélia tinham saído do país para viajar, isso de acordo com seus pais que tinham recebido uma carta no mês passado, na carta eles citam que iriam para um lugar muito longe e muito bonito, para Amélia, este lugar só poderia estar cheio de pássaros e bolos de chocolate. Mas, ao se tocar da realidade, ela cortou o seu sorriso da cara ao lembrar que eles nunca escreveram novamente, nem mesmo uma carta ou cartão postal. Ela pensava se tinha feito algo de errado antes deles partirem, talvez tenha sido o quadro do vovô que ela tinha derrubado ao brincar de astronauta no quarto de seus avós, ou talvez o vovô tenha ficado bravo com ela por ela derrubar o fermento, fazendo que o bolo do vovô não tenha crescido, ou poderia ter sido a gota d’água ela ter desligado a música da vovó acidentalmente em seu aniversário de seis anos. Ou talvez ela não era uma boa ouvinte dos conselhos, talvez ela nem merecesse os ouvir, ela não se sentia corajosa como sua avó, ou astuta como seu avô, pensando bem, ela não se sentia nem forte, nem observadora, ou dedicada, focada, e até mesmo inteligente como seus avós. Como toda manhã, ela pensava novamente em outro e novo motivo que poderia justificar a viajem e a não comunicação com ela por parte de seus avós, e hoje, ela pensava que poderia ser a sua gula, talvez se ela não tivesse pedido mais um pedaço de bolo no aniversário de oito anos, eles poderiam ter ficado.
Em todos estes pensamentos, ela notou que seus pais finalmente acordaram, na noite passada eles combinaram de acordar mais cedo para se arrumarem, ela se sentia sozinha com seus pensamentos a noite inteira por causa de sua insônia, ela vira para seu relógio de pilha que marcava seis em ponto, em breve ela teria que ir rapidamente a rua na frente de sua casa, precisando estar com cabelo e roupas arrumadas, e portando um sentimento de foco, força e determinação. Ela sentia dificuldade em todas as etapas, como iria arrumar o cabelo se ele sempre ficava mais alto na parte direita?, como iria arrumar a sua roupa, se ela se sentia desconfortável com a calça e o tênis verdes?, ela odiava os tênis verdes, como iria se levantar com foco, se quando levantava o sono lhe atacava com seus grilhões fortes? como iria sentir força se ela era tão magra em comparação aos seus pais e avós? E, como iria se sentir determinada, se ela deveria ser o motivo para seus avós partirem em uma viajem para outro país que parecia durar para sempre? As seis e quinze, o relógio despertava, ela conseguia ouvir o bairro inteiro se levantando em um pulo, ela queria ter essa força de vontade como os outros, principalmente a força de vontade de seu vizinho que ela nunca virá ficar triste ou desanimado, quem conseguia ficar animado de manhã? Ela pensava consigo mesma. Finalmente, seus pais batem na porta de seu quarto.
-Vamos logo Amélia, não se perca no horário novamente mocinha.
Dizia o seu pai, quase gritando. Ela tinha perdido o horário no dia anterior e enfureceu o seu pai e ela teve que ficar sem ler a parte do jornal que continha as tirinhas que ela adorava, do Capitão Hound, ela não queria perder mais um dia de suas aventuras no espaço. Levantando em seu ritmo e motivada pelas tirinhas que iria ler no fim do dia, pegou em seu armário as suas roupas e as vestiu sem ligar a luz de seu quarto, ela então olhava no espelho e tentava seu arrumar o máximo possível para não desapontar seus pais e finalmente sai do quarto e vai de encontro aos seus pais na sala de estar, ela via o seu pai terminando de se arrumar, ele tinha comprado uma gravata nova após tanto reclamar por falta de uma por quase um mês inteirinho, e reclamava por sempre estar passando vergonha na frente de seus vizinhos que tinham uma gravata nova quase toda semana, mas, dessa vez, ele iria impressionar com a gravata marrom escura de veludo nova, que combinava com seus cabelos e olhos castanhos, mas não tanto com a barba, pensava Amélia. Sua mãe estava otimista com seu cabelo, eles eram cacheados e escuros e todo dia pareciam ser diferentes após o banho e quase nunca à agradavam, mas hoje ela estava contente com o resultado que havia conseguido. O pai de Amélia checava em seu relógio de pulso a cada segundo para estar na rua de sua casa na hora certa, andava de um lado para outro em frente a porta, confiante com sua gravata de veludo.
-Eu sempre fico ansioso, não importa quantas vezes eu faça, ou quão pronto eu esteja, ou acho que esteja. Disse o pai de Amélia sem parar um segundo para respirar.
-Acho que nós já se acostumamos, a Amélia já está aqui e não irá cometer o erro de ontem, aquilo foi um show de horror. Sua mãe falava enquanto arrumava os seus brincos e olhando para a televisão em estática.
-Eu já pedi desculpas, eu só estava pensando no vovô e na vovó novamente e me atrasei, já chegou alguma carta deles mamãe? Amélia sempre tinha um pingo de esperança pela manhã, em que sua mãe lhe diria que havia chegado uma carta de seus avós.
-Já lhe disse para não comentar sobre seus avós, vamos deixar eles aproveitarem a viajem, também não podemos enviar cartas a eles, não sabemos o endereço correto e não podemos fica-
Enquanto sua mãe falava, seu pai a interrompe com um gesto de corte com a mão, e querendo desligar o assunto dos pais de sua esposa, que ele não gostava tanto por um motivo que Amélia não sabia.
-Pedir desculpas não adianta, o que move o nosso país e o mundo são ações, não palavras, você sabe muito bem mocinha, já lhe contamos essa história um milhão de vezes, não precisamos te falar o quão importante é que você sempre esteja na hora, esteja com foco, força e...
-Determinação. Completava Amélia a frase de seu pai com a cabeça baixa, olhando para os seus tênis verdes que tanto odiava.
-Agora, vamos continuar esperando a hora certa, a televisão já está no volume máximo, se o relógio não funcionar, temos a televi... – A fala de seu pai é cortada pelo despertador do relógio de pulso, mostrando que de fato eram sete horas da manhã, ele então desliga o despertador e abre a porta de sua casa com um grande sorriso no rosto, que, para ele mostrava sua força e determinação para continuar o dia e estar na hora exata todo dia seria uma grande demonstração de foco e ele se orgulhava nisso. Sua mãe acompanhou o marido enquanto puxava Amélia pelo ombro para lhe seguir, sua mãe sempre estava de cabeça erguida as sete da manhã, isto mostrava sua determinação, estar com sua filha mostrava o seu foco como mãe, já a sua força era refletida na saúde total de seu marido e sua filha. Amélia sentia que por conseguir levantar de manhã e não desmaiar de sono, era seu foco, aguentar seus pais com esses horários era sua força e, conseguir andar parecendo ridícula com aqueles tênis verdes, eram sua determinação.
Finalmente, os homens de cada casa começavam a elevar a bandeira nos mastros que todas as casas tinham exatamente alinhada, uma bandeira verde, amarela, com um círculo azul no meio e uma grande suástica branca com bordas pretas no meio desse círculo e dentro da suástica possuía em preto a frase “Foco, Força e Determinação”. Com a bandeira no topo, todos levantavam seus braços direitos em direção a bandeira e começavam a cantar o Hino da Nação Livre Brasileira.
Enquanto Amélia cantava o hino, acompanhando o ritmo do hino que estava sendo tocado na televisão da maioria das casas e nas rádios das outras casas, ela olhava ao seu redor, via que todos nunca tiravam os olhos da bandeira, não piscavam ou sequer moviam seus braços estendidos, e se questionava se ela também deveria estar sempre assim, mas ela não aguentava mais estar de pé cedo todos os dias, mesmo que sua insônia lhe mantivesse acordada a noite inteira. Ela olhava o seu vizinho que nunca virá ficar triste, um menino mais velho que Amélia, de cabelos curtos, lisos e loiros, chamado de Arthur Von Müller Hoff Braun, e ele, como toda sua família se orgulhava imensamente de ser totalmente alemão, o pai de Amélia tinha feito uma amizade quase duradoura com essa família. Já do outro lado da rua, ela via diversas crianças quase da mesma idade que ela, mas ela não tinha conhecimento de quase ninguém, ela tentava imaginar os nomes dessas crianças, do que elas gostavam de comer aos Sábados, se elas gostavam de bolo de chocolate, como deveria ser o quarto delas, imaginava se eles tinham uma televisão em casa ou um rádio, de quais desenhos eles mais gostavam, se eles eram alemães, ou italianos, japoneses ou brasileiros e, pensava também como os tênis de outras crianças eram incrivelmente mais legais do que os dela e ainda por cima, pareciam muito mais confortáveis do que os tênis verdes dela. No meio dessas famílias desconhecidas, ela via a sua única amiga da escola, uma menina de cabelos escuros e olhos claros, chamada de Rúbia, Amélia adorava esse nome, por achar muito diferente do que todos que já tinha ouvido na vida e, diferentemente das outras crianças, ela sabia quase tudo sobre Rúbia, começando pelo nome, o que ela gostava de comer aos Sábados, se ela tinha uma televisão, quais desenhos ela gostava e tudo mais. Rúbia não vinha de uma família muito rica, ela tinha exatamente tudo para ter uma boa vida, mas não tinham uma televisão, o que o pai de Amélia achava estranho e dizia que era algo que somente pessoas pobres e sem cultura não teriam uma televisão em casa, mas, a família de Rúbia tinha um rádio que precisava ser ligado em uma tomada, esse rádio não era um orgulho dos pais de Rúbia, mas Amélia achava o rádio incrível, por ser grande, quase do seu tamanho e não precisar comprar pilas quase toda semana, o que ela achava uma inconveniência enorme, além de ser muito bonito por ter um pedaço feito com couro de verdade, apesar de Amélia não saber exatamente de onde o couro vinha. Amélia tinha conhecido Rúbia após precisar de ajuda em História da Alemanha no segundo ano da escola, Rúbia ajudou Amélia em quase todos os aspectos da história alemã e ambas conseguiram notas máximas na última prova do ano escolar e, desde então, ficaram amigas para “todo mundo, para sempre e adiante”, como Amélia sempre dizia.
O hino tinha finalmente acabado, todas as famílias iam para dentro de casa após dobrar a bandeira, o pai de Amélia andava de peito estufado para que todos olhassem a sua gravata de veludo, enquanto ele ia retirar a bandeira para a hastear no próximo dia, já sua mãe foi em direção da família dos Von Müller para conseguir se atualizar nas conversas, já que no dia anterior não conseguiram conversar por causa do atraso de Amélia para cantar o hino nacional. Amélia estava ajudando o seu pai a retirar e dobrar a bandeira do Brasil.
-Filha, por favor, tente manter contato visual com a bandeira, você sabe que todo mundo faz isto.Dizia o seu pai quase sussurrando para Amélia.
-Eu... estava só olhando ao redor, a bandeira não ia sair dali pai. Você nunca fez isto quando criança?
-Se fiz, fui repreendido pelos meus pais, o mesmo que estou fazendo com você. Então eu espero que você siga o meu caminho e me obedeça. Amanhã olhe diretamente para a bandeira e não tire seus olhos dela, fui claro mocinha?
-Tudo bem pai, sinto muito. Disse Amélia com um tom deprimido, olhando novamente para seus tênis verdes. Ela imaginava se deveria contar ao seu pai que o tamanho que ele comprará estava errado, ou se ela deveria aguentar até o próximo ano, quando seu pai poderia comprar-lhe outro tênis, seu pai tinha guardado dinheiro para comprar a Amélia um tênis da marca Griffin, considerado um dos melhores de acordo com o programa de moda alemã que sua mãe tinha visto no ano anterior. Talvez seu pai fosse brigar com ela ou dizer que ela está maluca por não gostar de um tênis tão caro e de marca alemã. Com isto em mente, ela decidiu não falar nada para seu pai, e pensava que no ano seguinte, ele iria lhe comprar um tênis melhor, apesar que tinha medo que seu pai comprasse novamente um tênis que não lhe serviria.
Ela tinha terminado de ajudar seu pai com a bandeira, guardando-a em uma caixa de madeira ao lado da caixa de correio, e em um piscar de olhos seu pai foi para dentro de casa se arrumar para o trabalho e, se conseguisse se arrumar rápido ele conseguiria ver o noticiário da manhã que iria começar as sete e meia da manhã, exatamente a hora em que o hino nacional iria parar de tocar nas televisões e nas rádios. Amélia decide entrar em casa e checar novamente seu material escolar antes da aula, seria a terceira vez que iria fazer isso, já que, de madrugada ela tinha checado duas vezes por não conseguir dormir. Ela conta quantos lápis possui, quantas canetas, até tentou contar quantas folhas tinham em seu livro didático e em seu caderno, mas desistiu quando a contagem chegou a cinquenta e sete e meio, já que ela tinha rasgado uma página do seu caderno no meio para poder desenhar o Capitão Hound e ela juntos em uma aventura longe da sua casa, longe do bairro, longe da escola, longe do Brasil, longe de tudo e todos; Quanto Rúbia viu o desenho, pediu para estar junto com ela, Rúbia admirava os desenhos que Amélia conseguia fazer, ela tinha guardado em casa um desenho de Amélia, sobre uma noite estrelada dentro dos olhos de Rúbia. O desenho com ela, Rúbia e o Capitão Hound estava guardado perto do espelho de seu armário marrom, onde ela poderia ver toda manhã.
Ela escutou o som do jornal sendo jogado contra à porta, ela estava animada para poder ler o quadrinho novo do Capitão Hound, mas sabia que só poderia ler quando seu pai terminasse de ler todas as notícias, o que só acontecia ao anoitecer, mas ela não se importava com isso, porque ela sabia que o Capitão Hound estaria ali a noite para conceder uma proteção vinda do espaço e além. Ela saiu de seu quarto para o corredor, sua mãe ainda não tinha voltado para casa, com certeza a conversa com a vizinha deveria estar muito emocionante, ela pensou consigo mesma. Seu pai veio logo em seguida arrumando uma gravata antiga que ele possuía, com certeza ele só utilizaria a gravata de veludo na hora do hino, ou talvez em alguma outra ocasião importante, como quando sua mãe faria Schnitzel em algum jantar futuro, o pai de Amélia amava Schnitzel, ele abriu a porta da frente e pegou o jornal acenando para alguns vizinhos que estavam na rua, ele logo entrou em casa e guardou o jornal no topo do armário da sala, onde Amélia não alcançava de jeito algum, e ela tinha parado de tentar quando quase quebrou o braço se equilibrando em uma cadeira, querendo mostrar as tirinhas para Rúbia em uma tarde de Sábado. Seu pai então se sentou no sofá da sala e começou a ver o noticiário da manhã, ela se sentou no chão em cima do tapete branco e felpudo para esperar os desenhos as oito da manhã. Ela estava lá em corpo, mas sua mente sempre estava fervendo com novos pensamentos, ela se imaginava comendo novamente um bolo de chocolate de seu avô e vendo o álbum de fotos da vovó, que ela nunca tinha visto por completo, já que sempre começavam a ver tudo novamente toda vez que iam ver as fotos no fim da tarde, e na metade do álbum seu pai sempre chegava para lhe trazer para casa, a vovó sempre tinha histórias novas para contar, mesmo que as fotos eram as mesmas, apesar de Amélia não entender muito bem sobre o que a vovó falava, um tempo em que você não precisava acordar de manhã para cantar o hino, um tempo em que você não tinha toque de recolher, um tempo com o que a vovó chamava de liberdade. O que a vovó queria dizer com liberdade? Amélia nunca tinha visto algo além de sua casa, sua rua, sua escola, a casa de seus avós e o espaço sideral com o Capitão Hound. O pensamento de Amélia foi puxado de novo para o presente quando ela ouviu a televisão dar um alto som do noticiário, e um grito de espanto do papai.
-MINHA NOSSA. Gritou o pai de Amélia.
-Caros telespectadores, é com pesar que anunciamos um ataque terrorista novamente perto da Capital, os terroristas plantaram uma bomba na Praça da Liberdade e acabaram matando dois estudantes da Juventude Hitlerista e um político de alta patente que o nome não será relevado para maior segurança de seus familiares. Estes terroristas são inimigos declarados do Reich e do Brasil Livre, mantenham seus olhos abertos, seus vizinhos podem ser inimigos da nossa nação e da nação alemã, não se esqueçam de denunciar a qualquer autoridade sobre atividades suspeitas ligadas a terrorismo e ligações com tentativas de criar o fim da liberdade de nosso povo e da nossa grande nação. O nosso grande líder Heinrich Hitler II, fará um pronunciamento para a o Reich Alemão devido ao alto número de terroristas nesse ano, este pronunciamento irá ocorrer com intenção de unir a nossa grande nação em uma só causa. O pronunciamento será transmitido as oito da noite, no programa ReichZeit, ou Hora do Reich.Traremos mais notícias sobre o incidente assim que tivermos quaisquer novidades. Voltamos a programação normal. Heil Hitler.
Amélia só tinha visto aquele repórter uma vez na televisão, mas ela sabia que quando ele aparecia não era uma boa notícia, e o seu pai tinha sempre grandes ataques de ansiedade com notícias fortes e alarmantes. Enquanto o repórter falava, imagens da Praça da Liberdade eram mostradas, apesar de Amélia nunca ter visto a praça antes, ela sabia que não era daquele modo que deveria estar, com fogo, ruínas e ambulâncias por todo lado.
-Minha nossa, eu não posso acreditar que ocorreu novamente, deve ser a quinta ou sexta vez que está acontecendo isto. Como isto está acontecendo, como pode estar acontecendo? Meus vizinhos podem ser inimigos? Não só inimigos da nação, mas inimigos da minha liberdade e da minha família. Eu tenho que pensar em algo para me proteger e para proteger minha família. Como... quando, eu, posso fazer algo.... eu teria que, bem, eu posso tentar, não, é impossível... só se eu fizer aquilo, mas não, não posso e nem deveria.Seu pai dizia sem piscar ou respirar, a sua ansiedade estava altíssima.
A mãe de Amélia entra na casa correndo, ela deveria ter visto o mesmo noticiário da casa dos Von Müller. Ela se acalma e respira fundo e nota que seu marido está andando de um lado para outro sem parar.
-Acalme-se Luís, com certeza teremos uma repercussão alta pelo pronunciamento do Führer. Ele vai ajeitar tudo. Nós temos que acreditar na nação. Não podemos perder a cabeça, estamos aqui e juntos iremos passar por qualquer situação.A mãe de Amélia conseguira fazer o marido sentar um instante para respirar.
Amélia não conseguia entender a situação completamente, ela sabia quem era o Führer, mas não entendia como os terroristas agiam, ou porque agiam deste modo, ou quem eram. O repórter havia dito que seus vizinhos poderiam ser inimigos, mas como poderiam? Rúbia era sua amiga para todo mundo, para sempre e adiante. E Arthur era inofensivo, um pouco chato, mas inofensivo sem dúvidas, uma vez ela pisou no sapato dele sem querer e ele que pediu desculpas a Amélia. E no fundo, ela se perguntava se esses ditos “terroristas” iriam gostar do bolo de chocolate do seu avô.

submitted by Manner1918 to EscritoresBrasil [link] [comments]


2019.01.04 14:40 mrBatata O wage gap continua a ser um mito: revisited

Ok no meu último post houve algumas críticas com argumentos bastante sólidos os quais não me foi possível responder atempadamente especialmente por que fui ler os artigos associados. Achei por bem também partilhar com o sub visto que respondendo individualmente ia ser mais moroso e muitos não iam ver pontos contra o meu argumento que partilho em baixo. (Tirei excertos e fiz link das respostas para não ficarmos com uma parede de texto substancialmente maior)
Notas:
(fim das notas)

TL;DR

No post anterior simplifiquei um problema que não é tão linear.
Mas basicamente não encontrei nada que suportasse a ideia de discriminação ACTIVA contra o sexo feminino, contudo o wage gap nos casos em que depois de ajustado ainda existe pode ser explicado pela maternidade e decisões que a antecedem.
A tarefa de ter um filho influencia as escolhas e tempo gasto no trabalho, à medida que a mulher envelhece a wage gap volta a reduzir novamente. Em bastante suma https://youtu.be/13XU4fMlN3w

TL;DR2

Ver ultimo paragrafo #Reflexões

 

Intro

Antes de mais importa esclarecer que tanto o título deste post como o do anterior são propositadamente click-baity em que apesar de ter havido muita gente a ler o meu texto na íntegra houve muitos outros que pouco ou nada leram. Escrevi este post porque acho importante mostrar outros argumentos que não se alinhem com o meu ponto de vista, ou até de outros, especialmente num mar de desinformação e tempo e atenção limitados. O título transmite que o wage gap é inexistente a verdade é um pouco mais complexa como alguns utilizadores apontaram e bem. Eu pelo que li nesta segunda passagem fiquei com uma ideia mais clara do que é que pode estar a acontecer e falo dela no final.
No meu post original centrei o meu argumento em que ajustando para várias variáveis o wage gap começa a desaparecer. Apesar de isto ser verdade não representa a imagem completa mas dá uma ideia de que a frase “as mulheres não recebem o mesmo que os homens” é muito provavelmente falsa. E este era o ponto em que me devia ter apoiado, porque para além disto ser ilegal nos países em que o “Wage Gap” está em vogue, não há (pelo que já li) provas de que isto seja verdade CONTUDO existem outros fatores que a podem tornar verdade. Um deles foi apontado no post gilded do u/davidpinho (em que apresento um excerto)
Tu não leste as tuas próprias fontes, isso é certo. Por exemplo, no artigo sobre diferenças sobre produtividade diz: [...] Uma explicação plausível para a discriminação, se bem que ainda não provada:
This age path suggests that the pay gap between men and women without children but of childbearing age is due to statistical discrimination: if productivity falls with motherhood but employers cannot lower wages when women give birth, then employers may offer lower wages to productive women in anticipation of motherhood
Em que Statistical discrimination significa:
Statistical discrimination is an economic theory of racial or gender inequality which results when economic agents (consumers, workers, employers, etc.) have imperfect information about individuals they interact with. According to this theory, inequality may exist and persist between demographic groups even when economic agents are rational and non-prejudiced.
Isto é uma possibilidade, que falo mais à frente. Os empregadores têm certamente a oportunidade de o fazer. E como indicas:
”Se este tipo de discriminação é aceitável ou não, isso já é outra discussão.”
Deixo também os pontos da conclusão do u/davidpinho que também são bastante pertinentes:
  • Isto é só um estudo, não se pode olhar só para um. A grande maioria dos estudos encontra a mesma coisa: há diferenças de salários depois de controlar por outros fatores, se bem que a diferença é relativamente pequena.
  • Quero fonte para "Em muitos ajustes é a mulher que ganha mais do que o homem pelo mesmo trabalho e com a mesma formação". Não é isso que a maioria da literatura parece mostrar e não deste fonte específica para isso.
Não encontro a que me referia por memória(colocarei se encontrar) sei que já a li há mais de 2 anos. Entretanto:
  • Não podemos assumir automaticamente que há discriminação só porque há uma 'gap' que continua a existir. Pode haver outros fatores que causam as diferenças salariais, mas...
  • ...também não podemos automaticamente assumir que a discriminação não existe só porque a 'gap' desaparece depois de ajustes. Isto acontece porque, por exemplo, é possível que as mulheres tenham mais empregos part-time por serem discriminadas quando tentam arranjar empregos a tempo inteiro.
  • Existindo diferença salarial, é possível que a discriminação seja "racional", tal como foi aludido no artigo (a tal "discriminação estatística"). Se este tipo de discriminação é aceitável ou não, isso já é outra discussão. Isto é para dizer que a discriminação pode existir sem que os empregadores estejam a deitar dinheiro fora, as duas coisas não são mutuamente exclusivas.
  • Conclusão: isto é um assunto complicado e ainda nada está definitivamente explicado, para de mandar bitaites sobre coisas que não leste.
(Sim, não li na íntegra antes de escrever o texto leio várias coisas ao longo do ano é me quase impossível voltar a encontrar o que quero utilizar para justificar o meu ponto o artigo tinha pontos contra e a favor de ambos os argumentos, daí é que o diálogo é bastante importante na minha opinião, graças ao meu post anterior tomei conhecimento de outros pontos de vista que desconhecia. Um “bitaite” não é apenas uma afirmação sem sentido é uma afirmação de uma interpretação da realidade do observador. Não vou deixar de ter uma opinião se não sei todos os factos, contudo admito que a maneira que escrevi o meu post não foi a melhor e transmitiu uma ideia errada)
Algo que me apercebi com o post anterior e uma das razões que estou a fazer este é que isto é um problema que parece bastante simples mas na verdade é bastante mais complexo e envolve várias áreas (economia, política, gestão, biologia, cultura, psicologia (preferências pessoais)) como uma crise financeira este é um problema que não se resolve com um “dá-se mais dinheiro”. E isto é em parte o que irrita mais nesta situação que não é exclusiva ao “wage gap”, tendemos agora mais do que nunca a pegar em assuntos complexos e simplificá-los a um absurdo que deixa de ter sentido e descarrila completamente o debate. Existe também bastante “desinformação” sobre todo o tipo de assuntos (p.e: a própria Forbes fala contra e a favor do wage gap a vox também) e existe também quem espalha e lucra com contra informação (um dos exemplos mais famosos vem da industria de carvão nos EUA a emitir “estudos” que desprovam o efeito estufa e o aquecimento global).
Recomendo verem este curto vídeo sobre este mesmo tema chamado de “cigarros, slots e outras coisas não viciantes”.
 
Todos concordamos no entanto (salvo algumas exceções não devidamente fundamentadas) é que quando se ajusta para vários fatores a “gap” começa a desaparecer.
Em quase todos os artigos que li não vi mencionado é haja qualquer regra que se aplique irá a mesma mudar alguma coisa?
Talvez olhar para soluções para o que vemos como um problema nos possa mostrar de onde ele realmente vem. Vamos assumir então cenários EXTREMOS para termos uma ideia geral para onde as coisas inclinam.
Primeiro cenário:
  • Todas as empresas são obrigadas a ter quotas de sexos
As empresas vão se sentir pressionadas para balançarem produtividade com números, para além de que seria inconstitucional despedir o excesso de homens ou mulheres (sim há empresas com mais mulheres que homens).
Uma empresa de obras por exemplo; imaginemos que têm 100 empregados dos quais 5 são mulheres essa empresa seria agora forçada a contratar 90 mulheres para manter o balanço.
Estas empresas vão querer mulheres que tenham conhecimento de bricolage e construção que consigam transportar e mover cargas pesadas, vamos assumir que a própria empresa nem se importa de oferecer a formação. Existem algumas mulheres fortes que conseguem ser tão produtivas fisicamente como um homem mas quantas é que existem numa população de 10 milhões? Certamente que não estão distribuídas igualmente pelo país. E dessas quantas é que querem trabalhar em obras? A empresa pode forçar os homens a fazer o trabalho forçado e deixar as mulheres fazer o mais fácil mas durante quanto tempo é que isso é sustentável? Uma empresa destas tem de alocar vários empregados para vários locais e certos trabalhos são mais exigentes fisicamente do que outros. A empresa também pode ter as mulheres “encostadas na box” apenas para manter a quota mas isso não só é queimar dinheiro como ia rapidamente tornar-se num pesadelo de discriminação.
Vamos agora ver por exemplo um cabeleireiro; imaginemos que têm 5 mulheres este salão tem agora de contratar 5 homens para lá trabalharem. O salão vai querer contratar gays para manter um ambiente convidativo para mulheres (um cabeleireiro para muitas mulheres(>40 maioritariamente) é como um “fórum” onde podem interagir com outras mulheres, especialmente fora das cidades) Com >1% da população sendo homossexual não vai ser nada fácil para estes negócios encontrarem homens que consigam OU QUEIRAM ser cabeleireiros.
Mas em ambos os casos estas são as menores preocupações que as empresas enfrentam, os custos passam a ser um problema bastante sério. As empresas vão demorar e gastar bastante a treinar os novos empregados e quando os tiverem treinados não vai haver contratos externos/compras/serviços suficientes para ter todos eles a trabalharem logo vão ter de aumentar os preços, ou seja todas as empresas aumentam os preços (isto assumindo que todas as empresas conseguem encontrar pessoas para preencher o trabalho) Quero ver como é que depois convencemos a união europeia a nos dar mais euros para combater a inflação criada. Nem sequer mencionei os trabalhos que requerem formação avançada tipo medicina ou aviação em que as capacidades e não o sexo é que importam.
Segundo cenário:
  • Paga-se mais às mulheres do que aos homens, para fechar o “gap”
Primeiro não sei como é que vão conseguir fazer passar isto pelo tribunal constitucional. Uma solução possível era os homens fazerem menos horas. Isto ia ser no mínimo anedótico. Mas assumamos que passava a acontecer o que é que aconteceria?
Se as empresas tiverem de pagar mais às mulheres para diminuir a “diferença” os homens vão procurar outras formas de fazer mais dinheiro e/ou não se vão dedicar tanto à vida profissional porque não existe um incentivo para isso
Algo que todos sabemos mas parece que nos esquecemos uma parte do que leva homens a seguir empregos bem pagos é que podem usar o dinheiro e podestatus na estratégia sexual (antes de descartarem esta ideia como ridícula pensem em quantas e quais mulheres existem que estão a fim de suportar o parceiro monetariamente? E dessas quais é que querem viver com um homem com um status inferior ao delas?)
A estratégia sexual, na minha opinião, influencia provavelmente mais do que pensamos. Infelizmente não consegui encontrar literatura sobre isto a não ser livros e não estatística.

 

Outro ponto apontado por u/salazarcadositio oi a minha falta de objetividade quando digo que o wage gap é um mito e em que se me estou a referir às falas do "clássico 78 cêntimos do dólar" em que providencia este artigo do washington post.
Ou caso estivesse a dizer que o wage gap era mesmo um mito e não existia de forma nenhuma, em que mencionou o post do u/gattaca_now e que expande:
Sendo uma diferença entre dois valores estatísticos, o wage gap é real e existe. Podes é discordar acerca das razões pela qual ele existe e se são justas ou não, mas a diferença estatística existe, é factual.
A média salarial dos homens é mais elevada que a média salarial das mulheres. Este parece ser um problema comum a discussões de assuntos mais ou menos sérios. Não se define bem do que se está a falar à partida e depois tens pessoas a falar um para o outro mas de coisas diferentes. Já começas a ter muitos exemplos disso nos comentários.
Mas isto é uma discussão importante de se ter. Pelo que vejo do teu post acho que estás a dizer que a noção de wage gap não existe como a ideia de que "para o mesmo trabalho uma mulher recebe 78 cêntimos de dolar de um homem" o que eu concordo em grande parte. Mas aceitas que existem diferenças salariais e que estas advêm de questões culturais e biológicas.
A questão de combater o wage gap, quando abordada de forma séria e para lá do soundbite dos "78 centimos", é essa mesma, que para lá do soundbite dos "78 centimos". As questões culturais que fazem com que assim seja e se elas são legitimas ou se devem ser mudadas.
As horas de trabalho que falas, os tipos de carreiras que predominam mais num sexo do que no outro, e as responsabilidades familiares que as mulheres assumem. São essas as questões culturais que se devem discutir neste assunto.
Muitas vezes este assunto acabe em: "devem existir igualdade de oportunidades entre os sexos mas não igualdade de resultados". E que no panorama geral das sociedades ocidentais isso já se verifica. Eu concordo com a premissa mas discordo que já lá tenhamos chegado.
Alguns exemplos: * As mulheres ainda são quem a maioria do trabalho domestico num contexto familiar. Fonte.
  • Ainda existem fortes estereótipos e expectativas associadas com ambos os sexos que afunilam cada um para certos campos Fonte
  • As mulheres continuam a ser prejudicadas a longo prazo pelo facto de terem filhos Fonte
Todos estes fatores influenciam o tal wage gap que existe. Podemos discutir como sociedade se são fatores que devemos ou não mudar. Se são ou não coisas que se devem deixar á escolha pessoal de cada um com as consequências que isso trará para a sociedade. Essa é a verdadeira discussão a ter neste assunto.
Concordo!
Mas tudo isto não tem em conta a parte mais importante: as diferenças biológicas entre os sexos. Mais concretamente diferenças neurológicas, que são uma surpresa para muitos. Esta explica bem porque é que as mulheres preferem trabalhar com pessoas e os homens com coisas.
Isto está longe de ser aceite como facto. Se tiveres uma fonte gostaria de ler mas nunca vi nada que fosse capaz de ligar a biologia a esses efeitos sociais de forma conclusiva.
Tenho sim apesar de que provavelmente não deveria ter dito a primeira parte.
Com esta merda de querermos ser todos iguais estamos completamente a ignorar as nossas limitações biológicas e culturais e em muitos casos a danificar o progresso que tanto queremos fazer.
Concordo que a discussão precisa de ser melhor mas "esta merda de querermos todos ser iguais" continua no meu ponto de vista a ser um objetivo nobre e bom para a sociedade. As limitações culturais estão nas nossas mãos mudar e as biológicas não parecem ser de todo impedimento para que o façamos.
O “querermos ser todos iguais” é mais o queremos igualdade de resultado ou mais privilégios de forma egoísta.

 

O u/rui278 e outros também apontaram e bem para a questão biológica de Inato ou Adquirido E, isto é, algo que só saberemos em 2066 quando o estudo de Peter B. Neubauer for publicado. Mas por algumas fugas de registros censurados(=redacted) parece que a biologia afecta mais do que o ambiente. Esse psicólogo tem alguns trabalhos bastante interessantes sobre desenvolvimento btw. Entrei novamente numa tangente.
[...]Ou seja, o wage gap não é um problema in of itself, é uma consequencia dos vários problemas de base na nossa sociedade que puxam os homem e mulher para terem posições diferentes na sociedade. Em teoria deveria ser +/- equiprovavel encontrar homens e mulheres na mesma posição (o único fator relevante que diferencia entre homens e mulheres é mesmo as licenças de natalidade, mas lá está, também há uma pressão grande para serem os 6 meses gastos pela mulher, quando splits do tempo deveriam ser perfeitamente normais e também ajudariam a fazer com que isso fosse menos fator).
Eu muito antes disto tudo concordaria contigo na primeira parte (no final estamos de acordo), deveria ser natural encontrar homens e mulheres igualmente distribuídos mas se avaliarmos a nível de estratégia não faz muito sentido. Imagina que éramos todos hermafroditas ou seja podíamos escolher fecundar ou ter bebés; ok aqui era tudo definitivamente igual. Então o que teria mais peso neste cenário? A gestação. Iria requerer bastantes cuidados da pessoa que decidisse dar à luz. Portanto interessa-me várias coisas:
  • evitar situações de risco ao máximo
  • ter um parceiro que me pudesse suportar
  • ter um maior controlo sobre o meu futuro
  • e não ter compromissos
Estas são as regras para ter uma estratégia bem-sucedida quantas menos tiver mais precária se torna a minha posição. Agora isto também depende bastante do parceiro que escolher se ele não se comprometer fico na merda e pior do que estava porque agora tenho um parasita dentro de mim. E na vida real vemos isto todos os dias, as mulheres decidem com quem ter sexo (ou não) e os homens decidem com quem se comprometer. As nossas diferenças biológicas (PELO MENOS SEXUAIS) influenciam as nossas decisões e comportamentos. Claro que isto é oversimplified mas acho que dá para dar uma imagem de porque é que acho que esse é o caso.

 

Quanto ao [comentário]() da u/grilledpotato90 :
Antes de mais, peço desculpa pela formatação, pois estou a escrever no telemóvel. Segundo esta estatística da OCDE (https://stats.oecd.org/index.aspx?queryid=54757) as mulheres portuguesas, no total, trabalham mais 90 minutos por dia que os homens. O que é que isto tem haver com a Gender Gap? Bem, se analisarmos o total de minutos por dia de unpaid labour, conseguimos observar uma discrepância enorme entre géneros (M 96.3 min/dia e F 328.2 min/dia). Eu acho que é aqui que está a origem e a justificação do Gender Gap. Os homens e as mulheres não dividem por igual (50/50) as tarefas domésticas.
Sim! Concordo, vês que as mulheres passam bastante mais tempo em trabalhos não remunerados (232 minutos ou 3 horas e 52 minutos a mais do que os homens ou 5:28 no total (estamos atrás do méxico em n1 e da índia em n2)) do que os homens (que gastam no total 1h:36m) e que os homens passam 141 minutos (2 horas e 21 minutos) a mais do que as mulheres em trabalhos remunerados. E está presente em TODOS os países nessa fonte. O que sugere que poderá ser mais do que um aspecto cultural.
Mas também vejo discrepâncias especialmente na Suécia, na Dinamarca, na Noruega e na Holanda os Homens trabalhem tanto mais em trabalho pago que acabam no total por trabalhar muito mais tempo que as mulheres, estamos a falar de países bastante balançados a nível de sexo. O que é estranho. Será que os homens estão a compensar por algo? Outra coisa, nós também não conseguimos dizer o que tem mais peso no trabalho não remunerado:
Time spent in unpaid work includes routine housework, shopping, care for household members, child care, adult care, care for non-household members, volunteering, travel related to household activities, and other unpaid activities. Sem querer atirar areia à cara porque é absolutamente garantido que as crianças gastam bastante desse tempo, mas quanto?
Isto é um fenómeno cultural que não está certo.
Não está certo porquê? Queremos obrigar as mães grávidas a fazer a mesmas atividades de não grávida para compensar minutos gastos em trabalho não remunerado? É que 9 meses (na verdade 10 porque são 39.1 semanas) é bastante tempo mesmo excluindo os meses iniciais. Quanto desse tempo está incluido nos minutos da OCDE? Não sabemos.
Certamente que não vamos fazer como aos cavalos marinhos e passar os fetos para o pai acabar a gestação. E depois de nascidos quantas mães é que querem que o bebé passe a maioria do tempo com o pai? Isso é justo para a mãe? Neste ponto também me questiono; é justo para os pai trabalhar mais horas laborais do que a mãe?
Antes da entrada da mulher no mercado de trabalho entendia-se, mas hoje em dia, em que as mulheres trabalham as mesmas horas que os homens nos seus empregos é inadmissível!
Os homens trabalham mais. Em todos os países da fonte. E então qual é o problema se as mulheres trabalharem menos horas no emprego? E aqui acho que está outro ponto importante da discussão. O que é que é justo? Certamente que todos concordamos que tanto as mulheres como os homens têm os mesmos direitos. Mas com direitos vêm responsabilidades, e, a meu ver algumas mulheres, partidos políticos e o movimento “feminista de 3.ª onda” têm usado o wage gap como arma de arremesso para dar mais direitos às mulheres com muito menos responsabilidades, ATENÇÃO que não estou a dizer que todas as mulheres subscrevem a esta ideologia muito menos que as mulheres não têm já responsabilidades e dificuldades suficientes estou a dizer que é tudo muito bonito dito mas são basicamente argumentos de casas de cartas. [E este é um ponto que é difícil de expressar e que pode ser mal compreendido.]
"Porque é que as empresas não contratam mais mulheres, já que lhes pagam menos?" pela mesma razão a que continuam a preferir contratar homens a mulheres.
Mas onde está a prova de tal? Não digo que não possa ser verdade O/A u/TomTomKenobi apontou para uma boa thread no wiki do economy e que também fala disso, faz o ponto de que “cannot assume economic outcomes from a deductive approach alone” algo que fui um pouco culpado de fazer no post anterior.
As mulheres engravidam, os filhos estão doentes e elas depois faltam, etc.
O pai também tem direitos paternais nada obriga a mãe a ser ela exclusivamente a tratar dos putos. E se queremos ser justos neste ponto vamos fazer com que os divórcios dêm a guarda ao pai por defeito em vez de à mãe. Uma grande parte desse problema desvanecia. Se os filhos são um problema tão grande e se como sociedade queremos ser tão igualitários porque é que as mães ficam sempre com a guarda dos filhos? Também não acho justo. Porque é que os Telejornais falam tanto de “wage gap” mas não de guarda paternal ou partilhada? Saí numa tangente mas achei que era pertinente levantar este ponto.
O Gender Gap é real porque devido à fisionomia da mulher e ao seu papel social, esta é sempre vista como uma "liability" para a empresa.
Woah calma lá, o Gender gap é real porque a fisionomia da mulher é X é fazer uma grande ligação. Não digo que não possa ser verdade mas a nível de afirmação é um grande salto.
Até têm menos acessos a promoções devido a esta expetativa social.
Isto não é verdade. Os homens são os que mais trabalham para e pedem promoções, e uma coisa que muitas pessoas acham é que uma promoção é equivalente a ganhar mais dinheiro, uma promoção envolve muitas mais responsabilidades mais horas de trabalho e mais stress coisa que as mulheres não estão para aturar. Menos ainda se ainda não tiveram filhos. O que se pensarmos faz sentido. Se eu não tenho um filho ou família e se o meu corpo vai se degradar ao ponto que já não me é possível ter um no futuro não vou dar um “LEROY JENKINS” no meu emprego e perder a oportunidade de ter descendentes.
E antes que venham com “ah e tal mas as mulheres ganham menos em promoções” segundo o “bureau of economic research” americano apesar de haver uma diferença de 2,2% em promoções que já levava em conta as mulheres escolherem mais trabalhos como assistentes e trabalho administrativo que raramente tem oportunidades de promoção e os homens escolhiam mais trabalhos em áreas em que era possível a promoção, importa notar também que este estudo é de 1995
Uma das fontes de onde tirei o seguinte é bastante tendenciosa e não apresenta os dados em avulso mas chega a pontos pertinentes que convenientemente decidem não endereçar. Algo que também importa notar é que isto é um questionário e é americano. Usei para não dizerem que eu pesquiso por aquilo que me é favorável. Eu encontro discrepâncias e analiso.
Fewer women than men are aiming for the very top. Among senior managers, 60% of women said they want to be a top executive, compared to 72% of men. Women were also more likely to cite stress and pressure as one of the biggest reasons for not wanting to hold top positions.
Contrary to popular belief, women are not leaving their organizations at higher rates than men. In fact, women in leadership are more likely to stay with their companies than men. At the senior vice president level, women are 20% less likely to leave. Women in the C-suite are about half as likely to leave their organizations as men.
Women often start out in line roles (defined as positions with profit-and-loss responsibility and/or focused on core operations), but by the VP level more than half of women hold staff roles (positions in functions that support the organization like legal and IT). Men, on the other hand, are more likely to hold line roles at every level of an organization. This difference poses a potential problem because line roles frequently feed into senior leadership.
There's a common misconception that women who start families are subsequently less ambitious in their careers. But mothers in the survey were 15% more interested in being a top executive than women without children.
Very few people participate in flexibility and career-development programs offered by their organizations. More than 90% of women and men believe taking extended family leave will hurt their position at work.
Se os homens dedicarem o mesmo tempo no trabalho doméstico que as mulheres, deixa de haver este problema!
Eu diria que continuaria a existir, já vimos que há muito mais variáveis a este problema, mas concordo que tornava o trabalho das mães muito mais fácil.
Mas agora não venham para aqui dizer que o Gender Gap é mentira quando em todas as entrevistas de emprego me perguntam quais são os meus planos em relação a casar e a ter filhos!
Aqui acho errado e não sei se não poderás reportar isto a alguém. É completamente desnecessário e ninguém tem um caralho a ver com isso a não seres tu.
O/A u/crouchingvenus escreveu:
[...] os que já são pais focam se em melhorar o estilo de vida da família o que implica focarem-se mais no trabalho.
Não achas que isto é um problema? Porque é que são as mulheres incentivadas a dedicar mais tempo à família e os homens ao trabalho?
Não, não acho. Porque ninguém as está a forçar a isso. Se estivessem a ser forçadas sim achava bastante errado. E ninguém é forçosamente incentivado a fazer nada. Exceto as mulheres a seguirem carreiras STEM (ciência(Science), Tecnologia, Engenharia e Matemática) Não achas que isto é um problema? Especialmente quando o quão mais igualitária é uma sociedade menos as mulheres escolhem estas áreas.
Todo o teu raciocínio só reforça preconceitos de género e valores sociais bafientos. Entra em 2019 please.
Por favor elucida-me como. Eu diria mesmo o oposto, se tivermos dados e entendermos os problemas que enfrentamos e os tentarmos resolver é benéfico para todos não achas?

 

O u/DogsOnWeed também mencionou que os homens terem direito de licença de paternidade também ajudaria a corrigir desigualdades estatisticas.

 

Reflexões

O que conseguimos dar como certo:
  • Ninguém aqui quer que as mulheres sejam discriminadas
  • Queremos igualdades de oportunidade
  • O 77 cents on the dollar vem do Current Population Survey de 2009 do Bureau of Labour Statistics US
  • As mulheres trabalham mais em trabalhos temporários (Várias fontes)
  • Os homens trabalham mais horas extra (Várias Fontes)
  • As mulheres tendem a ocupar trabalhos que pagam menos (Várias fontes)
  • As mulheres tendem a escolher trabalhos que não facilitam a promoção
  • As mulheres ganham mais em trabalhos temporários (entre 1 a 34h) por semana do que homens (Bureau of Labour Statistics US)
  • 25% das mulheres e 12% dos homens trabalham em trabalhos temporários (Bureau of Labour Statistics US)
  • 11% das mulheres e 22% dos homens trabalham mais de 41 horas (Bureau of Labour Statistics US)
  • As mulheres que nunca casaram recebem EM MEDIA 5% menos do que os homens (Bureau of Labour Statistics US)
  • As pessoas que trabalham horas extraordinárias recebem cerca de 5 vezes mais do que as que trabalham em part time.(Bureau of Labour Statistics US)
Algo que descobri a investigar para escrever este post foi que segundo dois papéis da Claudia Goldin (este e este) que me foram referidos por esta peça da Vox
É que o wage gap pode ser explicado pelos custos de ter um filho e as curvas nos gráficos do papel e do vídeo parecem ter uma correlação com o aumento da idade média em que as mulheres têm o primeiro filho (Indicato>Dropdown />Mean age of women at childbirth) e que encaixa bem quando vemos que as mulheres mais ricas do mundo têm mais de 55 anos.

 

Enquanto os comentários anteriores dedicaram lógica, dados e contra argumentação outros simplesmente atiraram este papel do World Economic Forum várias vezes com “oh mas este desprova tudo isso” acho que se lerem apenas a introdução entendem logo porque é que não lhe dei o tempo do dia. E não é um estudo é mais é uma aglomeração de valores que esperam que a distribuição de homens e mulheres seja 50:50 em tudo (excepto em taxas de mortalidade por exemplo) algo que outros users foram rápidos a comentar.
Acho também um bocado triste haver comentários com discussão pertinente serem downvoted porque têm uma visão diferente e foi óbvio pela altura em que os downvotes apareceram que foi uma birra de “isto está contra o que eu acredito” “pumba, downvotes para todos”. Não façam isso, downvotes não mudam opiniões.
   
Fontes:
https://www.theguardian.com/world/2018/jul/23/women-lying-earning-more-than-husbands-us-census
https://www.nytimes.com/2018/07/17/upshot/when-wives-earn-more-than-husbands-neither-like-to-admit-it.html
https://www.vox.com/2018/2/19/17018380/gender-wage-gap-childcare-penalty
https://www.payscale.com/gender-lifetime-earnings-gap
https://www.youtube.com/watch?v=13XU4fMlN3w
https://iwpr.org/wp-content/uploads/wpallimport/files/iwpr-export/publications/C350.pdf
https://web.archive.org/web/20101126032209/https://www.bls.gov/cps/cpswom2009.pdf
https://web.archive.org/web/20181130100719/https://arxiv.org/pdf/1703.04184.pdf
http://siteresources.worldbank.org/INTPAH/Resources/Publications/459843-1195594469249/HealthEquityCh12.pdf
http://cep.lse.ac.uk/pubs/download/dp1156.pdf
https://scholar.harvard.edu/files/goldin/files/goldin_aeapress_2014_1.pdf
http://scholar.harvard.edu/files/goldin/files/dynamics_of_the_gender_gap_for_young_professionals_in_the_financial_and_corporate_sectors.pdf
 
Outros comentários interessantes u/TomTomKenobi com este, u/harlequin90 com este e u/agaeme com [este]() em que menciona este video que não consegui ver porque não tenho netflix
Edit: Formatação (raio do reddit e o novo markdown) e ortografia
Edit2: Adicionei TL;DR
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2018.05.08 15:21 spiderpig2099 Quase caí numa artimanha da Polishop

Estava eu trabalhando em uma tarde ensolarada aqui da minha cidade, quando de repente um amigo meu (que quase nunca liga e só manda mensagens) decidiu me ligar. Achei estranho mas atendi.
Nisso ele veio dizendo que tinha uma oportunidade e que queria me apresentar ela. De início ele não falou o que era. Como sou bem curioso, fiquei instigado. Ele me disse que teria que ser em um dia específico e em um horário x. Claro que compareci para ver o que era.
O encontro era em um salão de eventos de um hotel. Quando chego lá me deparo com várias pessoas vestidas de social. Vi um cara de terno azul marinho que impunha muito respeito. Parecia o dono da porra toda. Até aí beleza, encontrei meu amigo e sentamos juntos e aguardei o início da palestra.
Caras, a palestra começou e juro pra vocês é um papo MUITO alienador. Eles falam primeiro todos os benefícios que você pode ter entrando no negócio: viagens, uma fucking Mercedes, e muito mas muito dinheiro. E o pior, eles usam um papo que entra muito na sua mente. Pra platéia eles fazem perguntas do tipo: "Quem aqui gosta de acordar cedo pra trabalhar? Quem aqui gosta de ter chefe?". É esse tipo de abordagem bem incisiva.
Depois de mostrar o mundo mágico que teoricamente o negócio oferece, eles dizem como entrar nele. Pelo o que me lembro você tem dois pacotes: um de R$600 e um de R$2000. Porém esses pacotes são produtos Polishop que chegarão em sua casa. Mas ok, assim como eu me perguntei, vocês devem estar se perguntando como ganhar dinheiro com isso.
Lembram do meu amigo que me chamou? Então, basicamente eu entro na rede dele. Vamos supor que ele é o primeiro da rede e eu decido entrar no negócio. Todas as pessoas que eu puxar pro negócio e uma porcentagem do que elas venderam por um site, sim você obtém um website pra vender seus produtos, vão tudo pra ele. E eles estimam ganhos inimagináveis com isso, do tipo R$50k por mês.
E tudo isso é dividido por níveis de pedras preciosas: se não me engano o primeiro é rubi, depois esmeralda e o mais cobiçado é o diamante, que inclusive o cara de terno que eu disse pra vocês é um diamante.
Óbvio que cético do jeito que sou, não entrei nisso mas eu fico pensando nas pessoas mais humildes e que não possuem tanta formação. Ainda mais agora em época de crise. Não sei pra vocês mas pra mim isso deveria ser considerado estelionato. É um golpe muito baixo que eles dão. Meu amigo está super envolvido nisso, todo iludido. Só sabe falar nisso.
Cuidado para não caírem nessa, op's.
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2017.10.09 05:46 pedrothegrey Magnum Opus

I. Nigredo
"Considere o instante inicial, o instante no qual toda ciência atual falha em compreender, em que toda matéria, espaço e tempo, estavam comprimidos em um tamanho infinitesimalmente pequeno e de repente... Bang. É assim que se cria um universo. Considere as famílias destruídas no oriente, os pais e mães que já não sentem a perda de um filho pois já perderam tantos, e os pais e mães que se unem para assassinar os de seu sangue. O sorriso escondido de um padre para uma criança, as guerras e as lágrimas derramadas. As discussões inflamadas de duas partes erradas, o casal que já não se ama e o que não pode se amar. Jackson Pollock entendia a forma do mundo, e o ele é caos. Formado pela causa primeira, antes mesmo de Deus existir já existia o acaso, e é dele que somos filhos. Mas ao menos nós, desde o século XX, temos lidado com esse problema de forma direta, diferente das eras anteriores, onde nos escondíamos em cobertores metafísicos por toda a vida, utilizando a mesma bengala invisível que data de Aristóteles. Mas não se engane com meu tom, não sou uma personagem melancólica, tampouco acho esperança no vazio, respondo apatia com apati..."
Eu paro de digitar subitamente. Meu chefe se aproxima do meu cubículo e me lembro que estou com um relatório atrasado. É o segundo esse mês, droga. Não entro em pânico, deixo que ele venha e abro rapidamente o Microsoft Word. Quando ele chega, se depara com uma tela vazia. Ele para atrás de mim, é um homem não muito alto, com cabelos brancos e um pouco gordo. Veste-se sempre com calças e sapatos marrons e camisas listradas verticalmente de variadas cores. Tinha um inconfundível cheiro de cigarros e suor seco e um olhar quase morto.
– Acho que eu nem precisava dizer isso - Disse ele -, mas o relatório da semana está atrasado. Alberto, essa já é a segunda vez, teremos que fazer disso um aviso formal.
– Chefe, eu peço desculpas, de verdade. Estou tendo alguns problemas e...
– Não quero ouvir mais nada, Alberto. - Disse, me interrompendo - Trate só de não atrasar mais nada. E quero o relatório ainda hoje na minha mesa.
Ele sai do meu cubículo assim que termina de falar. Eu espero ele entrar no escritório e saio para beber água. Puxo um copo de um daqueles saquinhos e entorno água gelada nele. Bebo toda a água em um gole e quando deixo o copo abaixar, Beatriz está olhando para mim. Ela é uma mulher baixa, já tem filhos, se veste com inconstância e não tem um cheiro característico. E além disso, ela é a supervisora do meu setor.
– Outra vez essa semana? - Ela perguntou com uma voz áspera - Você não se importa com esse trabalho? Está ansioso para perdê-lo? Você sabe que só não foi demitido ainda porquê eu conversei com o chefe. Tem muita gente querendo a sua vaga, sabia?
– Olha, Beatriz, eu estou com problemas pessoais. - Respondi, gentilmente - Eu trabalho aqui há 5 anos e nunca faltei sem motivo, nem atrasei nenhum relatório antes. Esse é um caso isolado, garanto que não vai acontecer mais.
– É muito difícil construir uma reputação, mas é muito fácil acabar com ela, Alberto.
Ela continua babando enfurecida, e eu desvio minha atenção. Olho para o relógio e já são 18 horas, finalmente. Desço para o estacionamento, entro no carro e vou pra casa. Um pouco antes do meu bairro, beirando o asfalto, se ergue um pântano denso. Com pequenas canaletas que seguem correndo por baixo das raízes altas, as folhas e a grama que caem podres quase derretem quando nadam gentilmente na superfície dos pequenos rios que correm ali. Aquele lugar tem um aspecto quente, úmido e isolado. Em uma parte da rua, andando pelos arredores do pântano, pelo asfalto, se abre um pequeno caminho, uma trilha, que segue para dentro do pântano. É praticamente invisível, só depois de alguns anos olhando, todos os dias, para ali, que eu pude notar a tal trilha.
Chego em casa, ligo o computador e assisto alguns filmes e vídeos. Me distraio por duas horas, esquento uma comida velha e vou me deitar. Costumo sempre me deitar virado para a janela. Neste dia, um pouco antes de me ajeitar de baixo do cobertor, vi, parado na janela, um corvo. Ele bicava a janela, como que pedindo para entrar e virava seu rosto para o lado, tentando me encontrar com seus olhos sem brilho. A lua foi logo encoberta por nuvens e os ventos ficaram mais e mais fortes. Eu precisava dormir, no dia seguinte eu ia ter trabalho em dobro. Do lado do móvel da cama tinha um livro velho, que eu usava para apoiar os pés da mesa da sala, e o jogo na janela. O corvo se assuta e voa para longe, mas a tempestade continua a se formar.
Eu acordo às 6. Pego meu café amargo e sento na cama, e me ponho a olhar para a janela. Uma espécie de agonia cresce em mim, inominável, mas de presença inquestionável. Olho para o jardim suspenso que fica no muro da casa, bem atrás da janela. Minhas flores morreram, maldita tempestade. Me arrumo, entro no carro e saio. Passo pelo pântano, austero, tento não dar muita atenção para ele. No meio do asfalto, um cachorro morto, atropelado. Seu intestino se estica até a calçada, mas não por mero acaso, um corvo o puxa, mais e mais e mais. Ele olha para mim novamente, virando o rosto para o meu, sinto uma risada no ar e o corvo voa.
Estaciono o carro e dou meu primeiro passo no escritório. Logo ouço a voz de Beatriz.
– Já são três erros graves essa semana, Alberto. TRÊS! Eu estou indo conversar agora com o chefe.
Eu me lembro nesse instante, tínhamos uma conferência mais cedo hoje. E eu já tenho dois avisos formais. Droga, é hoje. Bebo água, cansado. Tenho uma longa, jurídica e tediosa conversa com o chefe. Despedido. Dizem que piadas não precisam ser boas, elas só precisam do timing certo. Mas estragar o timing da piada pode ser, por si só, uma piada. Quando comparam a vida com uma piada, não é à toa.
II. Albedo
Passam-se duas ou três semanas, e minha vida consiste em caminhadas da cozinha até a sala e da sala até o banheiro. Já não leio mais como antes, nem ouço músicas, nem vejo filmes. Eu somente deixo uma tela ligada saindo qualquer tipo de som e imagem. Estou alheio. O dinheiro está acabando, minuto a minuto. Eu deveria estar procurando outra vaga em outro escritório, mas eu não estou. Eu me deito no sofá divagando, pensando em todas as oportunidades que tenho agora, tantos escritórios que poderiam me contratar. Sonho que entrego o curriculum e ele é lido seguido de um longo sorriso e um aperto de mãos. Imagino meu primeiro dia, a bela secretária me oferece café, eu aceito cordialmente. Os primeiros apertos de mão e os primeiros sorrisos dos novos e revigorados colegas de trabalho. O trabalho de memorizar os novos nomes e rostos.
Mas tudo não passa de sonhos de sofá. Meu celular começa a convulsar.
– Alô?
– E aí, Alberto? Há quanto tempo! - Disse a voz.
– Desculpa, quem é mesmo?
– É o Carlos. Você está sumido, está tudo bem por aí?
– Sim, sim. - Uma breve pausa - E por aí?
– Tudo normal. Vem cá, nesse sábado quer tomar um Chopp?
– Ah, bom, eu não sei. Que dia é hoje?
– Quinta... Você está perdido mesmo, cara. Até esqueceu o dia. - Disse, rindo.
– É. - Ri forçosamente - Eu tenho que ver, tenho um compromisso com alguém, se acontecer de desmarcarem eu te aviso. Mas agradeço o convite.
– Eu te conheço há 20 anos, cara. Recusar o convite eu entendo, mas você com um compromisso com alguém? Essa é nova. Bom, aproveite. Me ligue se precisar de alguma coisa.
Por mais ofensivo que pareça, ele não deixa de estar correto. Colecionei pouca gente ao longo dos anos, é verdade. Eu posso repetir a hipótese de que os livros e os filmes realmente me fizeram companhia, ou eu posso aceitar a verdade. Eu sou chato, talvez até desinteressante. E digo isso com muita sinceridade. Em um olhar indiferente para a janela, vejo no quintal alguns pombos brancos que ciscam a grama e os restos da ração do cachorro. Fossem canários, eu teria admirado por mais tempo, mas pombos só nos inspiram ódio e violência. Dessa vez foi ligeiramente diferente, apenas senti afastamento. Era uma cena bonita, mas nem tanto. Meu cachorro estraga um momento sublime perseguindo-os e eles voam, barulhentos.
No fim do segundo mês já não há mais dinheiro. E se não havia vontade e determinação para seguir um emprego, agora não havia nem mais a cogitação da possibilidade de seguí-lo. O isolamento agora é rotina e o jejum não é mais voluntário. Vasculho todas as gavetas e os armários e não encontro nem uma migalha de pão. O dia chegou em que eu sairia de casa sem nenhum tostão. Tenho um estranho ímpeto de colocar meu casaco, como se eu não tivesse mais como voltar naquela casa. Passo por cima da minha alma, como sempre, e não presto atenção nos detalhes. Ponho o pé na rua e o sol castiga o asfalto, é quase possível ouvir ele gritar de tanto calor. Sigo andando para frente, pensando que talvez o destino me guiasse para qualquer lugar, mas quando percebo é tarde demais. Estou fazendo o caminho para o antigo escritório e na minha frente se ergue a trilha escondida.
Monstruosamente denso, com raízes altas das árvores e rios de água densa e quente (quase borbulhante), o pântano se apresenta para mim. Escuro, denso e isolado, tudo que um indigente precisa. Começo a andar pela trilha, pisando cuidadosamente, tentando evitar a lama mas no quarto ou quinto passo meu tênis já estava encharcado. Eu olho para trás e a visão do asfalto já havia sumido há, parecia, algum tempo. As árvores escuras se mexiam e faziam muito barulho. Os galhos se quebravam na ausência do vento. O pântano estava me recebendo com uma festa. Repentinamente, a paisagem densa acaba e dá lugar a um pequeno círculo plano na raíz de uma montanha, circundado por esse rio sujo que segue para a trilha de onde vim. Ali, naquele pequeno oásis de mansidão, existe uma árvore que se destaca das negras árvores do pântano. Se ergue ali, uma frondosa macieira, carregada de belas e suculentas maçãs, rubras como o olhar de uma mulher ou o crepúsculo de verão.
III. Rubedo
Sacio minha fome com duas ou três maçãs e me sento na sombra da árvore. Me incomodava, durante a trilha, a ausência de sol que assolava e umedecia o lugar, mas agora que me batem os raios de sol no rosto, prefiro me esconder na sombra de uma bela árvore. Eu não procurava sombra, mas abrigo. Eu puxo meu celular do bolso para conferir e, por incrível que pareça, ainda havia sinal de telefone. Me ponho a rir. De que adiantava o sinal agora? Para quem eu iria ligar? E tudo para quê, voltar para casa? Não, a macieira é minha nova casa de aluguel. Foi por causa dela que não morri, e é por ela que, agora, vivo.
Em pouco tempo, vejo as desvantagens do meu novo imóvel. Um pequeno residente do pântano, ou talvez um morador da montanha na qual estávamos encostados, um esquilo, bebe água do rio quente que segue para a trilha. Em movimentos rápidos ele olha para mim, e volta a beber, olha e bebe, olha e bebe, olha e... cai. A água parece ser veneno, afinal. E o esquilo boia e segue a corrente do pequeno rio.
Eu começo a pensar em como eu posso me sustentar aqui, sem água. É fato que as maçãs tem bastante líquido, mas é possível sobreviver somente com isso? E além disso, em pouco tempo eu teria esgotado o estoque de maçãs e não posso esperar algumas semanas para comer mais. Eu estava em um dilema. Eu não posso voltar pela trilha, pois ela sumiu. O pântano somente me trouxe aqui, e não pretende me deixar voltar. Só me resta, portanto, tentar subir a montanha. Esse empreendimento resultou ser mais difícil do que parece. A raíz da montamha é íngreme, e todo passo dobra meu esforço. A grama fina e mole não me deixa segurá-las com as mãos e usá-las como cordas. Eu tento, em vão, inúmeras vezes subir a montanha e sou cuspido dela em todas as tentativas.
Eu caio pela última vez, e o sol agora se prepara para ir embora. As sombras mais pesadas começam a cair e o azul do céu fica cada vez mais pálido. Meu destino se apresentava diante de mim e tudo que eu devia fazer era abraçá-lo, somente abraçá-lo. A luta, a perseverança e a esperança são atributos da luta contra o destino. Quando o homem se curva perante a vontade da natureza e entende o propósito verdadeiro da sua existência, é lhe dada uma estrada suave para caminhar. Tão suave que qualquer um, até mesmo um indigente - melhor dizendo, especialmente um indigente - pode caminhar por ela. E com um destino tão belo, tão belo.
O momento é sublime. A beleza daquela hora me emociona profundamente, e choro, enquanto uma infusão de vermelho com o já pálido azul se mostra na abódada acima de mim. Me levanto e seco as lágrimas, pego uma maça e dou uma última mordida. Tiro uma semente e a jogo para cima da montanha. Quando o azul do céu já se contorce e se desmancha, e as sombras são cada vez mais pesadas, eu coloco minha mão no rio e bebo da água quente do rio. O pântano aplaude com galhos quebrando, folhas espalhando-se e raízes se mexendo. E eu caio em paz, ao lado da frondosa macieira, para sempre minha casa.
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2017.06.09 17:37 zuvirandu Quebrei o meu Dreamcast

Em tempos remotos da internet, Leonam já foi o cara.
 Leia sobre o rapaz que GOZOU em seu Dream Cast!!! Para quem não sabe Dream Cast é um Video-Game do tipo PlayStation 
 QUEBREI MEU DREAMCAST - PARTE 1 
"Quebrei meu dreamcast de bobeira, meu nome é Leonan tenho 13 anos,parece brincadeira mas é a pura verdade, tudo começou quando estava jogando Craxy Taxi pirata passou um tempo fui trocar o cd então desliguei o dreamcast tirei o crazy taxi e deixei a tampa aberta(meu erro) para colocar o cd de boot, mas aí o pessoal de casa resolveu sair então fiquei sozinho em casa, pintou aquela vontade de tocar sonfona, o meu dreamcast fica na mesma mesa do computador, então liguei o micro acessei uma página (que vi neste forum...) e to lá, em frente ao micro vcs sabem né...então chegou aquela pressão não pude segurar mas como eu tava na frente do computador para não sujar o monitor e o teclado meu reflexo foi de virar para a esquerda justamente onde tava meu dreamcast com a tampa aberta(**** falta de sorte)...isso mesmo galera ...EJACULEI NO MEU DREAMCAST... riam deste cara sem sorte,não sei se rio ou choro, a lente sujou toda, limpei o quanto pude mas em cima da lente a gosma secou Agora o que é que eu faço? fiz de tudo para ganhar este dreamcast não tem um mês direito e já estragou minha mãe vai me matar quando descobrir que ela pagou 750 reias e eu já quebrei, tá na garantia ainda mas o que eu falo pro cara da loja? Como faço para limpar a lente agora? me ajudem por favor ! Nunca mais me masturbo na minha vida!"
FIM DA PARTE 1
 QUEBREI MEU DREAMCAST - PARTE 2 
Recapitulando : Depois de acidentalmente gozar em cima da lente de seu dreamcast não conseguir limpá-la , nosso amiguinho punheteiro volta de escola decidido a novamente tentar ligar para a tectoy(representante da sega no Brasil) para tentar saber se seu dreamcast ainda tem salvação ...
"Cheguei em casa depois da escola hoje de manhã...vim correndo quando abri a porta até ofegante..adivinhem com quem encontro de cara "MINHA MÃE"(parece um general) com meu dreamcast no colo sentada no sofá da sala me esperando com cara de querer me matar...gelei do pé até a cabeça na hora,então a 1ª COISA QUE DISSE FOI: LEONAM...O QUE FOI QUE VOCÊ DERRAMOU NESTE VIDEOGAME? quase cai pra trás Aí eu perguntei...POR QUE MÃE... ELA DISSE GRITANDO: POR QUE EU LEVEI O VIDEOGAME NA LOCADORA ONDE EU COMPREI E O VENDEDOR ABRIU ! TINHA MANCHA DE ALGUMA COISA LÁ DENTRO...VAI FALANDO AGORA...(SUEI FRIO ATÉ GAGUEJEI), VOCÊ DERRAMOU CAFÉ COM LEITE NESTE VIDEOGAME LEONAM? NÃO ACREDITO QUE TE DOU UM BRINQUEDO CARO DESTES E VOCÊ JÁ QUEBROU! Aí eu falei NÃO DERRAMEI NADA AÍ NÃO, então ela falou: QUE CHEIRO DE QUEIJO É ESSE AQUI DENTRO!ALGUMA COISA VOCÊ DEIXOU CAIR AQUI? A GARANTIA NÃO COBRE ISSO SABIA LEONAM...(sabem como é tremer as pernas pois é tô assim até agora)Corri e me tranquei no quarto tô aqui até agora, com uma **** fome, peguei o telefone e liguei pra tectoy, antes de falar com o cara prometi que não era um trote até jurei, VOCÊS ACREDITAM QUE O CARA DO ATENDIMENTO RIU DE MIN! PARECE INGRAÇADO MAS EU TÔ NO SAL! VÔ LEVAR A MAIOR COSSA! A PROPOSITO ELE DISSE PARA NÃO RASPAR A LENTE E LEVAR MEU DREAMCAST NA ASSISTENCIA TÉCNICA, E FALAR A VERDADE PRO CARA DA ASSITENCIA PRA ELE NÃO MEXER ONDE DEVE, MAS COMO EU CONTO AQUILO NO BALCÃO(algo como...ô moço gozei no meu dreamcast!) Acho que minha mãe já sacou,o que eu faço? Claro que ela sabe que cheiro é aquele...toda terça e quinta ela e meu pai mandam ver a noite toda! Ela só quer que eu fale para poder ter um motivo para quebrar minha cara! Eu acho que vou contar pro meu pai...se eu tivesse irmão menor eu colocava a culpa nele mas não tenho...fazer o que? tô ficando maluco! MINHA ULTIMA CHANCE SÃO VOCÊS...OU EU MESMO LIMPO A LENTE COM ALCOL OU AGUA OU MINHA MÃE VAI ACABAR COMIGO! ME AJUDEM AMIGOS COMO TIRAR ESPERMA DA LENTE SEM ESTRAGAR MEU DREMCAST?"
E agora , o que irá acontecer ? Conseguirá nosso amiguinho punheteiro salvar-se dessa situação constrangedora ? Sua mãe já está desconfiada, é uma corrida contra o tempo !
FIM DA PARTE 2
 QUEBREI MEU DREAMCAST - PARTE 3 
Recapitulando : após estragar e lente de leitura do seu dreamcast com seu esperma , nosso herói leonam falhou duas vezes em conseguir socorro no telefone de ajuda da tectoy , mais tarde sua mãe descobriu que o filho estragara o DC , e é possível que ela já desconfie de de que líquido é aquele no Dreamcast ... o que será do herói punheteiro ? Ao pedir amparo e vários fóruns , Leonam consegue ajuda de dois seres , Erik e Francisco . porém , ao entrar no quarto ...
"Olha Erik e Francisco obrigado por estarem me ajudando isto tudo é verdade eu juro! Tenho uma coisa a dizer... primeiramente já que estão sendo gente boa comigo, Quebrei minha promessa, é mais forte que eu, parece vicio, toquei uma hoje enquanto tava trancado dentro do quarto...desculpem....desta vez mirei direto e não acertei nada! pelo menos isso! Nando já que você não pode ajudar não piore as coisas tente fazer você [quanto mais idiota melhor 3] ou [ejaculacao precose o retorno],até parece que você nunca passou aperto por causa da "pomba branca"... e Francisco lopez o cara da TECTOY disse para min que para limpar lentes existe um CD LIMPADOR aqui em casa tem, sabe...aquele que tem uma músicas em várias linguas com uma micro escovinha...enquanto se ouve a música ele limpa a lente... mas o problema é o seguinte o CD LIMPADOR limpa só poeira, sujeiras leves, não "gosmas" que já secaram! Eu tentei passar mas não deu , o console tá seguinho não lê nada ! Lestat não tentei comer meu dreamcast e tambem não comecei a gozar agora não já é a 5ª vez é o que isso tem a ver? Francisco prefiro não dizer o bairro onde moro por que as coisas podem piorar, tem um cara até querendo colocar isto tudo em uma página imagina se descobrem onde eu moro...vou sofrer pro resto da vida! (nunca pensei que uma punheta fosse acabar comigo!), contei isso que tá acontecendo comigo pros meus colegas e na minha classe já me colocaram até apelido "GONZAGUINHA" sabem por que né!?...aquele sanfoneiro! Quem poder me ajudar, respondam esta mensagem neste forum, eu agradeço, e quanto a minha mãe para vocês terem idéia eu tenho de apagar o histórico do meu computador por que ela checa tudo, já pensou se ela entra neste site e descobre tudo? que vergonha e que cossa que eu vou tomar...vocês podem até me achar infantil mas só tenho 13 anos tô descobrindo as coisas agora! É errando que se aprende, vocês acham que ia fazer isso logo no meu dreamcast !Ajuda é só isso que tô precisando."
E agora , só falta uma parte e Leonam ainda não conseguiu resolver seu problema com o dreamcast ! Conseguirá ele consertar se dreamcast e fazer com que sua mãe não descubra toda a verdade ? Pior ainda , conseguirá ele se conter e parar de bater punheta , prevenindo que estrague ainda mais seu dreamcast ou otra coisa de seu quarto ?
FIM DA PARTE 3
 QUEBREI MEU DREAMCAST - PARTE 4 
Sem mais rodeio, devaneios e reacapitulações, assistam agora ao final da mini-série "QUEBREI O MEU DREAMCAST" protagonizada pelo galã do momento(o primeiro galã da história que é reconhecido como punheteiro!) , Leonam !
"Galera finalmente meu terror chegou ao fim...graças a Deus...não apanhei mas foi muito mais pior eu juro!Passei pela situação mais embaraçante da minha vida Como eu tava vendo que o trem ia ficar pro meu lado... abri o jogo com o meu pai...foi assim depois que cheguei da escola chamei meu pai no quarto encostei a porta e contei tudo(minha cara rachou de tanta vergonha...)falei "PAI PELO AMOR DE DEUS, O SENHOR JURA QUE SE EU TE CONTAR UMA COISA O SENHOR NÃO CONTA PRA MAIS NINGUEM" ele concordou...(eu acreditei...)então fechei os olhos e contei:PAI FOI EU QUE QUEBREI O VIDEOGAME MAS FOI SEM QUERER, EU ESPORREI NELE! Ele riu, riu de chorar, aí eu falei: FOI SEM QUERER TÔ MORRENDO DE VERGONHA MAS FOI ISSO QUE ACONTECEU, até aí tudo bem, ele disse que ia dar um jeito de concertar,me deu uma bronca por ter acessado o site XXX,nunca mais entro em site de sexo eu prometo !, voltamos para mesa almoçamos e eu tava já até um pouco ali*****...vocês sabem pai sempre da um jeito em tudo,MAS NÃO PENSEI QUE ELE FOSSE FAZER DESTE JEITO! SABEM O QUE ELE FEZ...CONTOU PRA MINHA MÃE...eu tava lá no quarto deitado na cama jogando meu gameboy(STREET FIGHTER2 ADORO !) quando entra minha mãe COM UM SORRIZINHO SACANA de mão dada com meu pai então ela disse: LEO EU E SEU PAI PRECISAMOS CONVERSAR COM VOCÊ(acho que minha alma saiu do corpo naquela hora,tô sem jeito de olhar para minha mãe até agora!),AÍ COMEÇOU A SEÇÃO DE EDUCAÇÃO SEXUAL... (olha que palhaçada): VOCÊ LEO AGORA TÁ VIRANDO RAPAZINHO(minhas orelhas ficaram pegando fogo de vergonha) TÁ DEIXANDO DE SER CRIANÇA...SEU CORPO AGORA VAI COMEÇAR TER MUDANÇAS SUA VOZ JÁ TÁ COMEÇANDO A MUDAR,VÃO CRESCER PELOS NO SEU CORPO(eu só olhei pra cara do meu pai) SABE LEO VOCÊ TÁ VIRANDO UM ADOLESCENTE(como eu não soubesse na escola já passaram aquela fita dos coelhos TICO E TICA sabem aquela baboseira dois coelhos mongoloides que crescem e transam na maior pureza..."olha a TICA tá crescendo seios e menstrua" "olha o TICO tá ficando com a voz grossa e com pêlos por todo o corpo... ô meu Deus o que é aquilo que o TICO está fazendo professora pergunta TICA ele está se MASTURBANDO TINA...mas o que é masturbação...e por aí vai...") Minha mãe ainda disse: QUANDO DER VONTADE DE FAZER AQUILO...VAI NO BANHEIRO FILHO ASSIM VOCÊ NÃO CORRE O RISCO DE SUJAR COISAS QUE NÃO DEVE,(minha vontade era de explodir),DEPOIS QUE VOCÊ FAZER AQUILO LAVE AS MÃOS PARA NÃO SUJAR AS COISAS DE ESPERMA(vocês podem imaginar como estou agora ) o pior ainda está por vir... Vocês não acreditam o que minha mãe fez: ...LIGOU PARA TODAS MINHAS TIAS(6) E CONTOU QUE JÁ ME MASTURBO(meu DEUS o que ela queria com isso?)ATÉ PARA MINHA VÓ QUE MORA NO RIO ELA LIGOU,CONTOU ATÉ PRA MOÇA QUE TRABALHA AQUI EM CASA(que é gatinha!)....(agora mais ou menos as 16:45 minha vó me ligou para me encher dizendo que isso é feio pra min parar de fazer isto ESTOU SEM MORAL COM MINHA FAMILIA, minha mãe me expos ao ridiculo! Minhas tias do jeito que são já devem ter contado pros meus primos...tô ferrado, CONCLUSÃO DESSE ROLO: MEU PAI DEPOIS DO SERVIÇO PASSOU NA LOCADORA E DEIXOU MEU DREAMCAST PARA CONCERTO,MAS OLHEM QUE ABSURDO, O CARA DISSE QUE A LENTE JÁ ERA E UMA NOVA ADVINHEM QUANTO CUSTA...450 REIAS SEM A MÃO DE OBRA DO LADRÃO DO TÉCNICO(mas ele deixou para concertar acho que é para não me desapontar,vou dar a idéia de comprar um console Japonês acho que tá nesse preço..é bem melhor né?),MAS MESMO ASSIM ME PASSOU UM SABÃO PARA TER MAIS CUIDADO QUANDO FOR FAZER AQUILO(eu tô com complexo de masturbação... toda hora que pinta vontade...fico na maior paranoia de estragar alguma coisa de sujar alguma coisa...acho que isso marcou minha vida pra sempre!)" PARA TODAS AS PESSOAS DESTE FORUM QUE TENTARAM ME AJUDAR "OBRIGADO" NÃO SE MASTURBEM PERTO DE VIDEOGAME PODE QUEBRAR (isto tinha que vir no manual do aparelho) Valeu amigos!"
E assim termina a saga ... É só !
FIM DA PARTE 4
PESSOAL ACABOU... PRA VCZ TEREM UMA IDÉIA AINDA TO RINDO!!!! QUANDO OLHO PRO MEU N64 RIO DINOVO!!! COMO O MULEKE MI GOZA NUM DC???!!! AUHUAHUAHUHAUHUAHUAUA!!!!! Todo esse texto foi retirado de um FÓRUM, que se encontra aqui: Parte 1: http://forumsbr.hypermart.net/html/Forum1/HTML/000240.html Parte 2: http://forumsbr.hypermart.net/html/Forum1/HTML/000245.html Parte 3: http://forumsbr.hypermart.net/html/Forum1/HTML/000257.html Parte 4: http://forumsbr.hypermart.net/html/Forum1/HTML/000267.html 
Fonte
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2015.07.27 23:46 galapas2 TIFU por sair com uma menina do Tinder

Há uns dias dei match com uma menina de outra cidade no Tinder, aquela mesma introdução de sempre: pergunta onde estuda, o que gosta de fazer, passa o whatsapp, e com mais um pouco de conversa já estávamos combinando de sair.
Por mais que eu esteja habituado com esse tipo de encontro, sempre rola aquela expectativa: será que ela vai gostar de mim? E se eu chegar lá e não rolar nada? Ainda mais que a cidade dela fica a uns 150 km da minha, o que eu achei estranho por estar bem fora do limite de alcance que eu configuro no app, mas calculei que poderia valer a pena porque a guria é realmente uma gracinha, e como não é todo dia que dá pra sair com uma linda nota 8 para 9, resolvi ir conferir e peguei a estrada...
Chegando lá ela me levou pra uma dessas prainhas artificiais que tem nessas cidades que cercam o lago de Itaipu, e lá ficamos conversando e vendo o por-do-sol cair sobre a água, a paisagem era bem bonita, daqueles momentos que você sente que a vida vale mesmo a pena, tudo perfeito pra começar a rolar uma química, os primeiros toques, o primeiro beijo, e quando vi estávamos nos pegando lá mesmo.
Até aí a viagem já parecia ter valido a pena, até o ciclo da natureza levar a uma sequencia de eventos que lembra o roteiro de uma comédia romântica mal escrito. Logo que o clima começou a esquentar ela avisou que não ia acontecer nada, pois estava naqueles dias. Não sou de ligar pra menstruação, mas também não insisti, e como já estava escurecendo resolvemos sair dali e voltar pra cidade. Compramos alguma coisa pra beber e fomos pra casa dela, eu já tinha perdido as esperanças de ter sexo, e realmente não tinha ido com segundas intenções, mas lá começamos uma nova rodada de negociação até finalmente ela aceitar ir pro chuveiro.
E lá estava eu, curtindo a vida tomando banho com uma gostosa, até que de repente no meio de toda aquela empolgação resolvi erguer a guria dentro do banheiro, só que nessa brincadeira escorreguei no chão do box e com o tombo bati minha cara com toda força na cara dela, que bateu a cabeça contra a parede, trinquei o joelho no chão, torci um pé batendo não sei onde, ela ficou com um corte nos lábios e com hematomas em dois lugares na cabeça. Ficamos ali no chão um tempo sem entender o que tinha acontecido e depois não conseguíamos mais parar de rir. Nem precisa dizer que não aconteceu mais nada depois disso.
E assim eu fui embora com a sensação de ter levado um soco no nariz e outro na boca.
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